Director-geral da Autoridade Marítima aponta Açores como ponto-chave nas rotas atlânticas

O Director-geral da Autoridade Marítima Nacional, Nuno Chaves Ferreira, defendeu que os Açores ocupam uma posição central na estratégia atlântica de Portugal, considerando o arquipélago como “a grande rotunda do Atlântico”, numa imagem usada para sublinhar o papel das ilhas na articulação das principais rotas marítimas do espaço atlântico. Segundo o Diário do Notícias da Madeira, Nuno Chaves Ferreira falava no segundo painel do último dia da Grande Conferência do Mar do Jornal Económico do Mar, que decorreu na Madeira, no Hotel Pestana Casino Park. Uma iniciativa que reuniu, ao longo de dois dias, especialistas, decisores políticos, académicos e empresários para debater alguns dos principais desafios e oportunidades ligados ao mar, incluindo a economia azul, a inovação, a ciência e investigação, os transportes marítimos e a geopolítica atlântica. Na intervenção, o Director-geral da Autoridade Marítima Nacional enquadrou a importância estratégica dos arquipélagos portugueses no Atlântico, defendendo que as regiões autónomas são determinantes para a vigilância, organização e projecção da presença portuguesa no mar. A partir da imagem dos Açores como ponto de cruzamento e articulação das rotas atlânticas, Nuno Chaves Ferreira destacou a dimensão operacional e geopolítica das ilhas para a afirmação nacional no espaço marítimo. “O desenvolvimento económico não existe sem segurança”, afirmou o Director-geral da Autoridade Marítima Nacional, de acordo com a notícia avançada pelo Diário dos Notícias da Madeira. Nuno Chaves Ferreira considerou a vigilância marítima um pilar estrutural da estratégia nacional. A presença portuguesa no Atlântico não pode ser pensada apenas numa lógica económica ou simbólica, mas deve assentar numa capacidade efectiva de conhecer, vigiar e proteger os espaços marítimos sob responsabilidade nacional. O responsável rejeitou ainda uma leitura fragmentada do oceano, defendendo que o Atlântico deve ser entendido como um único espaço estratégico. “O Oceano Atlântico é um só”, referiu, acrescentando que as divisões entre Atlântico Norte e Atlântico Sul são sobretudo de natureza política. Esta visão reforça, no seu entender, a relevância dos Açores, pela sua localização e pela sua função de charneira entre geografias, rotas e interesses estratégicos. Nuno Chaves Ferreira sustentou que a afirmação de Portugal no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: presença, conhecimento e cooperação. No primeiro domínio, defendeu o reforço de meios humanos e tecnológicos, incluindo navios, aeronaves, sistemas não tripulados e capacidades de vigilância electrónica e acústica. No plano do conhecimento, destacou o papel dos dados, da informação e da inteligência artificial na transformação da vigilância marítima em capacidade de decisão. Já no domínio da cooperação, apontou a articulação entre entidades nacionais e internacionais como essencial no combate a ameaças como o narcotráfico, a pesca ilegal e a poluição marinha. O Director-geral da Autoridade Marítima Nacional alertou também para os desafios associados à crescente centralização das políticas marítimas no contexto europeu, defendendo a necessidade de equilíbrio entre integração e autonomia nacional. “Portugal tem de decidir se afirma a sua autonomia e projecção atlântica ou se aceita uma lógica em que outros fazem a vigilância e a defesa por nós”, afirmou. No final da intervenção, o Diário de Notícias da Madeira, refere, que Nuno Chaves Ferreira sublinhou que a afirmação de Portugal no Atlântico deve igualmente passar pela valorização da cultura e da história marítima, entendidas como instrumentos de projecção internacional, mas também pelo reforço da capacidade nacional de conhecer e proteger os seus espaços marítimos.
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Santa Clara convoca accionistas para decidir transformação de suprimentos em prestações assessórias de capital

A Santa Clara Açores – Futebol, S.A.D. convocou os accionistas para uma Assembleia Geral Ordinária, marcada para 30 de Junho de 2026, pelas 15h00 a realizar por meios telemáticos, tendo como ponto único da ordem de trabalhos a transformação de suprimentos em prestações assessórias de capital. De acordo com a convocatória, a proposta parte da Administração e tem como objectivo o cumprimento dos critérios financeiros previstos no UEFA Club Licensing and Financial Sustainability Regulations, em particular nos artigos 87.º e 88.º daquele regulamento. O documento não indica o valor dos suprimentos a transformar nem detalha os montantes envolvidos na operação. A reunião foi convocada por Bruno Bello Vicintin, representante legal da accionista Ikarus Business Inc., entidade que detém acções representativas de 55,80% do capital social da Santa Clara Açores – Futebol, S.A.D. Segundo a convocatória, o pedido foi dirigido ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, com indicação precisa dos assuntos a incluir na ordem do dia e justificação da necessidade de realização da assembleia. Caso a Assembleia Geral não possa reunir na data inicialmente prevista por falta de representação do capital exigido por lei para as deliberações a tomar, fica desde já fixada uma segunda data, 16 de Julho de 2026, à mesma hora e nos mesmos termos, ou seja, também por meios telemáticos. A convocatória informa ainda que os documentos necessários e demais elementos previstos na lei estarão disponíveis para consulta dos accionistas na sede social da sociedade, dentro dos prazos legais. Quanto à participação e ao exercício do direito de voto, o documento refere que a Assembleia Geral é constituída por todos os accionistas que tenham direito a, pelo menos, um voto, correspondendo cada voto a 100 acções. Só poderão participar e votar os accionistas que comprovem ser titulares, ou representantes de titulares, de acções que confiram direito a pelo menos um voto, incluindo por agrupamento, desde que essa titularidade se verifique pelo menos no oitavo dia anterior à realização da Assembleia Geral ou esteja registada em seu nome nos livros da sociedade.
Detido suspeito do crime de posse de arma proibida no concelho da Ribeira Grande

No âmbito da actividade operacional regular desenvolvida pela Divisão Policial de Ponta Delgada foram detidas 24 pessoas de ambos os sexos, nomeadamente na de 5 pessoas, com idades entre os 33 e os 62 anos, nos concelhos de Ponta Delgada, da Ribeira Grande, da Lagoa e da Vila do Porto, pela presumível prática do crime de violência doméstica contra os seus cônjuges. A detenção de 1 pessoa de 16 anos, no concelho de Vila Franca do Campo, indiciada pela prática do crime de ofensas à integridade física qualificada contra a sua progenitora. A detenção de 1 pessoa de 52 anos, no concelho de Ponta Delgada, pela suspeita da prática dos crimes de resistência e coação e de ameaça agravada sobre Agente de Autoridade. A detenção de 1 pessoa de 20 anos, no concelho da Lagoa, pela presumível prática dos crimes de furto qualificado e de resistência e coação sobre Agente de Autoridade. A detenção de 1 pessoa de 32 anos, no concelho da Ribeira Grande, indiciada pela prática dos crimes de dano e de resistência e coação sobre funcionário. A detenção de 1 pessoa de 41 anos, no concelho de Ponta Delgada, pela suspeita da prática do crime de furto em interior de um estabelecimento comercial. A detenção de 1 pessoa de 30 anos, no concelho da Ribeira Grande, pela presumível prática do crime de posse de arma proibida. A detenção de 1 pessoa de 59 anos, no concelho de Ponta Delgada, pela suspeita da prática do crime de desobediência. A detenção de 8 pessoas, com idades entre os 28 e os 56 anos, nos concelhos de Ponta Delgada, da Ribeira Grande e da Povoação, pela suspeita da prática do crime de condução de veículo sob a influência de álcool e de condução de veículo sem habilitação. A detenção de 4 pessoas, em execução de mandados de detenção e condução emanados pela Autoridade Judiciária competente, nos concelhos de Ponta Delgada, da Lagoa e da Ribeira Grande, para assegurar a presença em diligências processuais em Tribunal. Detido suspeito do crime de posse de arma proibida no concelho de Angra do Heroísmo No âmbito da actividade operacional regular desenvolvida pela Divisão Policial de Angra do Heroísmo foram detidas 8 pessoas do sexo masculino, neste caso na de 1 pessoa de 39 anos, no concelho de Angra do Heroísmo, pela suspeita da prática do crime de incêndio em edifício. A detenção de 1 pessoa de 31 anos, no concelho de Angra do Heroísmo, pela presumível prática do crime de posse de arma proibida (facas). A detenção de 1 pessoa de 34 anos, no concelho de Santa Cruz da Graciosa, indiciada pela prática do crime de furto em interior de residência. A detenção de 2 pessoas, de 29 e de 38 anos, no concelho de Angra do Heroísmo, pela suspeita da prática do crime e condução de veículo sob a influência de álcool. A detenção de 3 pessoas, em execução de mandados de detenção e condução emanados pela Autoridade Judiciária competente, nos concelhos de Angra do Heroísmo, da Praia da Vitória e das Velas, para assegurar a presença em diligências processuais em Tribunal. Registados 66 acidentes de viação nos Açores Na Região Autónoma dos Açores, no período de 6 a 11 de Junho de 2026, foram registadas 66 ocorrências de acidentes de viação que, além dos danos materiais, provocaram 20 feridos.
Ordem dos Enfermeiros defende vigilância da gravidez de baixo risco assegurada por enfermeiros especialistas

A Ordem dos Enfermeiros defendeu a adaptação, na Região Autónoma dos Açores, do modelo nacional de vigilância da gravidez de baixo risco, atribuindo um papel mais central aos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia no acompanhamento das grávidas açorianas. A posição foi reiterada numa reunião realizada na passada sexta-feira entre o presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares, e o diretor regional da Saúde dos Açores, Pedro Paes, num encontro promovido pela Direção Regional da Saúde para discutir a adaptação do atual modelo assistencial à realidade arquipelágica. Participaram igualmente na reunião o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, o presidente do Conselho de Enfermagem Regional, Tiago Luz Almeida, e a presidente do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, Alexandrina Cardoso. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, o encontro decorreu num clima de convergência institucional e permitiu analisar soluções destinadas a reforçar a qualidade, a acessibilidade e a sustentabilidade dos cuidados de saúde materna prestados na Região Autónoma dos Açores. Em análise esteve a possibilidade de adaptar o modelo nacional de vigilância da gravidez de baixo risco, valorizando a intervenção diferenciada dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica no acompanhamento da mulher durante a gravidez, num modelo já sustentado por evidência científica internacional. No final da reunião, Pedro Soares defendeu que os Açores reúnem condições particulares para implementar um novo modelo organizativo. O responsável considerou que o arquipélago pode afirmar-se através de uma solução inovadora, capaz de reforçar a proximidade dos cuidados e simultaneamente valorizar competências já existentes no sistema regional de saúde. O dirigente acrescentou que a implementação deste modelo poderá traduzir-se em ganhos concretos para a saúde materna e neonatal, apontando estudos internacionais que associam este tipo de acompanhamento a melhores resultados clínicos, maior satisfação das utentes e uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Na perspetiva da Ordem dos Enfermeiros, o reforço das competências dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia representa uma mais-valia assistencial para as grávidas açorianas, permitindo desenvolver um modelo de cuidados mais integrado, próximo e centrado nas necessidades das mulheres e das famílias. A organização profissional reafirmou ainda disponibilidade total para colaborar com a Direção Regional da Saúde na definição e implementação das soluções consideradas mais adequadas para a população açoriana, colocando o conhecimento técnico e científico da profissão ao serviço de políticas públicas de saúde consideradas inovadoras e sustentáveis. Pedro Soares sublinhou ainda o potencial estratégico da Região nesta matéria, defendendo que os Açores podem assumir-se como referência nacional na modernização dos cuidados de saúde materna, conciliando boas práticas internacionais com as especificidades geográficas e sociais do arquipélago. A proposta surge num momento em que a reorganização dos serviços de saúde continua a marcar o debate público nos Açores, numa região onde a dispersão territorial e as desigualdades no acesso aos cuidados continuam a representar desafios acrescidos para o Serviço Regional de Saúde.
Lagoa apresenta plano municipal para a infância e assinala Dia Internacional do Brincar com seminário dedicado à aprendizagem

A Câmara Municipal de Lagoa assinalou o Dia Internacional do Brincar com a realização do seminário “O Papel do Brincar no Processo de Aprendizagem”, uma iniciativa que reuniu profissionais de diferentes áreas, entidades locais e membros da comunidade para refletir sobre a importância do brincar no desenvolvimento integral das crianças. A data ficou igualmente marcada pela apresentação pública do Plano Municipal de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens para o período 2026-2030, reforçando o compromisso do município com políticas de proteção e valorização da infância. A apresentação do novo plano estratégico esteve a cargo da vereadora Graça Costa, que sublinhou o simbolismo da escolha da data para tornar público o documento orientador da ação municipal para os próximos anos. Segundo a autarca, o Dia Internacional do Brincar relembra que brincar representa muito mais do que uma atividade associada à infância, constituindo um direito fundamental reconhecido internacionalmente e essencial ao desenvolvimento saudável, ao equilíbrio emocional, à aprendizagem, à criatividade e à construção de relações sociais positivas. O Plano Municipal de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens estabelece um compromisso formal da autarquia lagoense com a defesa dos direitos das crianças, assumindo como prioridade a criação de condições que permitam o crescimento em ambientes seguros, inclusivos e protetores. A visão estratégica do documento aponta para a construção de um concelho onde todas as crianças e jovens possam desenvolver plenamente o seu potencial, sentindo-se protegidos, valorizados e integrados na comunidade. Elaborado através de um processo participado, envolvendo diferentes instituições e parceiros locais, o plano surge como um instrumento de reforço da intervenção em rede, consolidando mecanismos de cooperação institucional e promovendo uma maior corresponsabilização coletiva na defesa e promoção dos direitos da infância e juventude. Entre as principais prioridades definidas para o período 2026-2030 estão a prevenção e combate à violência doméstica, o combate à negligência parental e a prevenção de comportamentos antissociais e situações de indisciplina. Estas áreas foram identificadas como estratégicas para garantir respostas mais eficazes e uma intervenção ajustada às necessidades concretas das crianças, jovens e respetivos agregados familiares. Com esta iniciativa, o município de Lagoa reafirma a intenção de colocar a infância e a juventude no centro das políticas públicas locais, defendendo que a construção de uma comunidade mais coesa, segura e socialmente equilibrada depende, em larga medida, da promoção ativa dos direitos e do bem-estar das gerações mais novas. Num contexto regional como o dos Açores, onde o reforço das respostas sociais dirigidas às famílias continua a assumir crescente relevância, a iniciativa representa mais um passo na consolidação de políticas públicas locais orientadas para a proteção e desenvolvimento das crianças e jovens.
Digital Atlantic Summit em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada
O Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, e o Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, acolhem entre amanhã e sexta-feira a Digital Atlantic Summit, um evento dedicado à inovação, transformação digital e aos desafios e oportunidades do Atlântico no contexto tecnológico, económico e social atual. Com os dois primeiros dias de trabalho a acontecerem na ilha Terceira e os outros dois em Ponta Delgada, a Digital Atlantic Summit reunirá decisores, especialistas, representantes institucionais e empresariais, num programa que integra momentos de intervenção com oradores de referência nas diversas temáticas, nomeadamente infraestruturas digitais, conetividade, transição digital e inteligência artificial aplicada a diferentes contextos. No total, a iniciativa tem agendada cerca de meia centena de intervenções de reconhecidos especialistas dos mais diferentes temas e apreço Paralelamente, o evento contará com um espaço de exposição, em formato feira, aberto ao público, que permitirá aos participantes conhecerem projetos, soluções e iniciativas inovadoras já desenvolvidas, promovendo a partilha de experiências, o networking e a criação de oportunidades de colaboração.
Associação Silêncio Sonoro é a responsável pela criação da Rádio Vaivém

“No fundo a Vaivém é um espaço para experimentar e criar conexões entre as pessoas que fazem os programas e as pessoas que ouvem a rádio” A Associação Silêncio Sonoro criou a Rádio Vaivém, um projecto, exclusivamente online, que visa estimular a criação cultural nos Açores. Apesar da Vaivém ter tido a sua primeira emissão oficial em Março deste ano, a verdade é que a mesma já se encontrava a ser idealizada desde 2023. Com uma programação diversificada, a estação integra espaços de debate dedicados a temas de interesse para a sociedade açoriana, programas musicais de diferentes géneros e conteúdos de carácter pedagógico, sendo que todos têm como propósito preservar a identidade cultural açoriana O Diário dos Açores esteve à conversa com Bruno Moreira e Luis Banrezes, os responsáveis pela Rádio Vaivém para conhecer o pouco mais sobre este projecto e perceber que expectativas os mesmos têm para o futuro desta rádio. Fale-nos um pouco sobre vocês. Há 16 anos que através da Associação Cultural Silêncio Sonoro temos vindo a desenvolver projectos culturais na Região dos Açores. Somos os responsáveis pela Agenda Cultural Yuzin, pela editora de música Marca Pistola e pela Rádio Vaivém. Os nossos projectos procuram estimular a criação cultural nos Açores, com programação de concertos, a edição em formato físico (vinil e cassete) de música de artistas açorianos, residências de criação musical e com a nossa rádio online Rádio Vaivém. Como surgiu o conceito para a criação da Rádio Vaivém? Somos fãs da rádio enquanto elemento agregador e que dê voz à comunidade. Queríamos voltar a esse conceito da rádio que desse significado às pessoas e as escutasse assim como elas escutam a rádio. Então surgiu a ideia de fazer uma rádio comunitária em que estas se sentissem representadas através de programas que são feitos por elas mesmas e que passam na programação da Rádio Vaivém. A Rádio Vaivém “nasceu” em Janeiro. O surgimento da mesma foi uma ideia recente ou já havia sido idealizada anteriormente? A Vaivém teve a sua primeira emissão oficial em Março, mas começou a ser idealizada em 2023. Devido aos desafios logísticos e financeiros de começar uma rádio online, fomos desenvolvendo o projecto com calma. Trabalhamos na imagem gráfica, na criação de um site e compramos o material técnico essencial para desenvolver o projecto. As primeiras manifestações da rádio foram feitas na forma de residências artísticas de música. Procuramos artistas regionais, a maior parte em início de percurso, para trabalhar connosco e desenvolver as suas ideias durante 5 dias em estúdio. O resultado é depois apresentado em público num pequeno concerto. No que respeita à programação, o que as pessoas podem esperar da mesma? Que tipo de conteúdo/rubricas o público pode aceder na mesma? A programação deve ser eclética e reflectir, principalmente, a comunidade local. Então o processo é feito através do diálogo entre as pessoas que nos apresentam os programas e nós, que tentamos traduzir e ajudar a refinar essas ideias para o conceito da rádio. O conteúdo é variado, temos programas de conversa sobre os mais diversos temas que afectam não só a vida das pessoas na região, mas também no contexto global. Temos programas sobre música de vários estilos, em que os autores partilham as suas experiências e gostos com os ouvintes. Programas mais pedagógicos, outros mais livres ou relaxados. No fundo a Vaivém é um espaço para experimentar e criar conexões entre as pessoas que fazem os programas e as pessoas que ouvem a rádio. Também apresentamos os concertos que realizamos durante o ano em formato vídeo no site da rádio. A nossa programação de concertos este ano incide em jovens artistas da região que merecem um palco para mostrar o que de bom e novo se faz na música açoriana. Pretendem, num futuro próximo, expandir esta mesma programação? Sim, o nosso propósito é continuar a crescer o projecto com o desenvolvimento de novos programas, temas e playlists musicais. Sempre numa óptica de programação de autor, descomprometida e autêntica. Como este projecto tem sido recebido pelo público açoriano? O feedback tem sido incrível. O número de pessoas que nos ouvem tem crescido de dia para dia. E o interesse em participar activamente através da criação de programas ou sugestões deixa-nos felizes e com esperança para o futuro do projecto. Caso as pessoas/artistas tenham interesse em partilhar algum projecto com a Rádio, como o podem fazer? No site da rádio www.radiovaivem.pt, através do email [email protected] e www.instagram.com/radiovaivem. O que a Associação Silêncio Sonoro pretende alcançar com este projecto? A ideia é criar um espólio que perdure no tempo e que reflicta e represente as pessoas que fazem e ouvem a Rádio Vaivém. É importante para nós que a rádio tenha um impacto no presente mas também que represente um olhar global, uma maneira de ver o mundo e a construção de um futuro melhor, sustentado no que foi feito atrás. Ana Catarina Rosa *[email protected]
Nara Yao, fundadora da Thriving Berries

“O prazer da aprendizagem na infância deve ser movido pela curiosidade, não por algoritmos” Nara Yao é uma jovem das Flores que vive na Irlanda, onde instalou a sua própria empresa. Deixando os Açores aos 18 anos para estudar Física, no continente, tendo mais tarde emigrado para a Irlanda, com um percurso profissional de 13 anos na área de Garantia de Qualidade de Software, Nara Yao ganhou uma compreensão profunda da tecnologia e, acima de tudo, dos limites que ela deve ter. O seu entendimento é que “a tecnologia tem o seu lugar, mas para crianças entre os 2 e os 5 anos, o melhor ‘sistema operativo’ é uma mente curiosa, não um tablet”. Quando olha para o seu percurso, dos Açores para a Irlanda, o que sente que levou consigo dessas raízes? Os Açores ensinaram-me algo muito simples: tudo o que queremos ver crescer precisa de raízes fortes. Cresci com essa ideia de base, de comunidade e de tempo. Quando me tornei mãe, percebi que queria aplicar a mesma filosofia ao desenvolvimento dos meus filhos. Não queria apenas entretê-los; queria ajudá-los a construir fundamentos para a vida. Trabalhou mais de uma década em Garantia de Qualidade de Software. Isso mudou a forma como vê a tecnologia? Sem dúvida. Eu conheço a tecnologia por dentro. Sei o potencial que tem, mas também sei como é fácil transformar uma ferramenta útil numa presença dominante. A tecnologia tem o seu lugar, mas para crianças entre os 2 e os 5 anos o melhor “sistema operativo” continua a ser uma mente curiosa, não um tablet. Foi o nascimento dos seus gémeos que despertou esta mudança? Sim. Quando eles nasceram comecei a procurar actividades que estimulassem o cérebro de forma activa. Queria que manipulassem objectos, resolvessem problemas, fizessem perguntas. Rapidamente percebi que muitos materiais disponíveis eram demasiado rígidos: “isto é para os 3 anos”, “isto é para os 4”. Mas as crianças não evoluem por etiquetas. Uma pode ser muito forte em lógica e ainda estar a desenvolver a motricidade fina. Outra pode adorar linguagem e precisar de mais tempo noutras áreas. Senti falta de algo que respeitasse o ritmo individual. E foi daí que nasceu a Thriving Berries? Exactamente. Primeiro criei actividades para os meus filhos. Depois comecei a organizar tudo de forma mais estruturada e percebi que outros pais enfrentavam a mesma dificuldade: encontrar recursos simples, eficazes e sem excesso de estímulos. Assim nasceu a Thriving Berries. O projecto é descrito como “movido pela curiosidade, não por algoritmos”. O que isso significa na prática? Significa que queremos que a criança seja autora do próprio pensamento. Hoje há muitas experiências desenhadas para capturar atenção através de estímulos rápidos. Nós fazemos o contrário: reduzimos o ruído visual, criamos actividades claras e deixamos espaço para a criança pensar. Não é uma aplicação. Os pais recebem actividades por email, imprimem apenas o que precisam e sentam-se com os filhos para brincar, conversar e descobrir. O design minimalista é uma escolha deliberada? Muito deliberada. Muitos materiais infantis modernos estão cheios de cores, personagens e elementos decorativos. O cérebro da criança acaba por dividir a atenção. Nós removemos o que é desnecessário para que ela consiga focar-se na tarefa. É quase como limpar a mesa antes de começar a trabalhar. O que diferencia os vossos pacotes de actividades? Cada actividade existe em três níveis de competência. Assim, a criança pode avançar naquilo em que está pronta sem sentir frustração. Não há comparação, não há pressão. Há progressão natural. E incluímos sempre uma explicação para os pais: por que esta actividade é importante, que competência está a ser trabalhada e como podem expandi-la em casa. Que competências considera mais importantes nesta fase da infância? Foco, pensamento crítico, resolução de problemas e confiança. Antes de aprender conteúdos académicos, a criança precisa de aprender a pensar, a observar, a persistir e a explicar as suas ideias. Essas competências acompanham-na durante toda a vida. Há também uma dimensão familiar no projecto, certo? Sim. Quero que as actividades sejam um convite à ligação. Não é “entregar uma ficha à criança e afastar-se”. É sentar-se ao lado dela, perguntar “o que achas?”, rir, experimentar. Incluímos puzzles, experiências científicas simples e até sugestões de culinária. Muitas vezes os pais dizem que o mais valioso é terem um ponto de partida para passar tempo de qualidade juntos. A empresa está sedeada na Irlanda, mas o coração continua nos Açores? Sempre. Sou açoriana e isso faz parte da identidade do projecto. A empresa opera principalmente em inglês neste momento, mas estamos a abrir uma lista de espera para a edição em português porque quero muito que estes recursos cheguem às famílias açorianas e portuguesas. O que gostaria que os pais açorianos levassem desta conversa? Que não precisam de transformar a infância numa corrida. As crianças merecem tempo para explorar, brincar, fazer perguntas e pensar. Se conseguirmos ajudá-las a desenvolver curiosidade, foco e confiança, já lhes demos uma base extraordinária. O objectivo não é afastar a tecnologia do mundo delas para sempre; é garantir que, antes de entrarem nesse mundo, sabem usar a própria mente. E se tivesse de resumir a missão da Thriving Berries numa frase? Dar às crianças a liberdade de pensar, brincar e explicar as suas ideias — movidas pela curiosidade, não por algoritmos. Rui Leite Melo *[email protected]
Atrasos no “Agroacrescenta” comprometem investimentos agrícolas, alerta PS/Açores

O Grupo Parlamentar do PS/Açores manifestou preocupação com os tempos de resposta e de pagamento associados ao programa “Agroacrescenta”, defendendo que os agricultores devem ter acesso célere aos apoios destinados à modernização das suas explorações, numa altura em que o sector enfrenta desafios acrescidos relacionados com os custos de produção e a necessidade de investimento. Para a deputada Patrícia Miranda, o “Agroacrescenta” constitui um instrumento fundamental para apoiar a aquisição de equipamentos, a modernização das explorações e o reforço da competitividade do sector agrícola açoriano, pelo que importa assegurar que os apoios chegam aos agricultores em tempo útil. “A demora na análise das candidaturas ou no pagamento dos apoios pode comprometer investimentos já planeados, dificultar a gestão das explorações e criar problemas de tesouraria aos agricultores”, alerta a socialista, defendendo que a eficácia destes programas depende não apenas da existência das verbas, mas também da capacidade da administração regional em dar respostas rápidas e previsíveis. A deputada recorda que muitos agricultores dependem destes apoios para concretizar investimentos essenciais à modernização das suas explorações, considerando importante conhecer o grau de execução do programa, os tempos médios de decisão das candidaturas e os prazos de pagamento dos apoios aprovados. Nesse sentido, o PS/Açores requereu ao Governo Regional informação detalhada sobre a execução do “Agroacrescenta”, incluindo o número de candidaturas apresentadas, aprovadas e em análise, os montantes investidos e pagos, os prazos de decisão e pagamento, bem como a distribuição dos apoios por ilha e o apoio concedido aos jovens agricultores. Para Patrícia Miranda, a transparência e a eficiência na gestão destes instrumentos são fundamentais para reforçar a confiança dos agricultores e garantir que os apoios públicos cumprem o seu objectivo de promover a modernização e a sustentabilidade do sector agrícola regional.