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Edição de 4 de Outubro de 2026

Biotech Synergy transforma o conhecimento científico em “serviços que possam responder a necessidades da Região”

A Biotech Synergy é a primeira spin-off da Universidade dos Açores e quer transformar décadas de investigação científica em soluções concretas para a Região. O Diário dos Açores falou com Artur Machado, responsável pela empresa que pretende ajudar ainda mais os produtores e agricultores dos Açores. O que é a Biotech Synergy e como nasceu? A Biotech Synergy é a primeira spin-off da Universidade dos Açores. A razão pela qual surgiu é, na realidade, muito simples: somos membros do Centro de Biotecnologia dos Açores, que, durante mais de 20 anos, produziu conhecimento científico, muito do qual com uma forte vertente aplicada. A ideia foi precisamente criar uma empresa que pudesse servir de ponte entre esse conhecimento e a sociedade, transformando resultados de investigação em produtos e serviços que possam responder a necessidades concretas da Região. Daí que, neste momento, estejamos a produzir alguns produtos que os Açores são obrigados a importar por não terem capacidade para os produzir localmente. Actualmente, estamos muito direccionados para a biotecnologia agrícola. Os produtos que temos disponíveis a curto prazo estão essencialmente relacionados com a agricultura. Na área da sanidade vegetal, realizamos uma ampla gama de testes para a detecção de viroses em plantas. Há várias culturas importantes para a agricultura açoriana, como a videira, o ananás e a bananeira, que podem ser afectadas por viroses difíceis de combater. Nós conseguimos diagnosticar essas infecções, identificando os vírus presentes, e, simultaneamente, disponibilizar programas de saneamento que permitem, a partir de plantas infectadas, produzir plantas isentas dessas viroses. Isto é particularmente importante para a fruticultura e, em especial, para a viticultura. Um exemplo concreto é a produção e fornecimento de diferentes variedades de bananeiras, que actualmente a Região importa por não ter capacidade suficiente para as produzir. Já estamos a disponibilizar este material vegetal aos agricultores e às associações de produtores, juntamente com os testes de diagnóstico das diferentes patologias. Temos também protocolos para a produção de plantas endémicas, permitindo a sua propagação em quantidade e facilitando a sua utilização na reflorestação e recuperação de áreas de maior dimensão. Na área da biotecnologia animal, apoiamos a gestão de várias raças autóctones e disponibilizamos serviços de genotipagem, que permitem avaliar o potencial genético dos animais. Podemos identificar variantes genéticas associadas a determinadas características de interesse, como a qualidade industrial do leite, bem como identificar portadores de patologias de origem genética através de métodos de diagnóstico molecular. Esta informação permite, por exemplo, que um agricultor conheça precocemente o potencial genético dos seus animais e possa fazer uma selecção mais informada do efectivo. O que significa, na prática, esta selecção precoce? Imagine-se um agricultor com 20 novilhas de reposição. Com a informação obtida através da genotipagem, pode identificar desde muito cedo quais os animais que apresentam geneticamente as características que mais lhe interessam. Neste momento, estamos também a desenvolver esforços para adquirir capacidade de realizar estes testes em larga escala. Foi, portanto, com este objectivo que a empresa nasceu: transferir para a sociedade o conhecimento acumulado ao longo de décadas de investigação e transformá-lo em soluções concretas. Um dos objectivos da Biotech Synergy é transformar o conhecimento científico produzido na Universidade em soluções para a sociedade e para as empresas. Na prática, tem sido fácil fazer essa passagem do laboratório para o mercado? Obviamente que, como em tudo, é um processo que exige trabalho, persistência e continuidade. A transferência de conhecimento para o mercado não acontece de um dia para o outro. É necessário tempo para que as pessoas conheçam a empresa, conheçam os produtos e reconheçam o seu valor. No entanto, de ano para ano, temos conseguido consolidar a nossa actividade e aumentar o número de parcerias com empresas agrícolas e com produtores. Até agora, o resultado tem sido bastante motivador e dá-nos confiança para continuar e reforçar as nossas linhas de actuação. Que tipo de procura têm encontrado por parte das empresas açorianas? São as empresas que vos procuram com problemas concretos ou são vocês que têm de demonstrar as potencialidades das soluções que desenvolvem? Temos as duas situações. Há produtores e associações de produtores que já nos procuram directamente para resolver problemas concretos, mas nós também procuramos aumentar o leque de potenciais clientes e dar a conhecer as soluções que temos disponíveis. Em 2025, por exemplo, assinaram um protocolo para a caracterização molecular da abelha nos Açores. O que representa este projecto para a Biotech Synergy e que importância pode ter para os Açores? O resultado dessa caracterização molecular é extremamente interessante. Como sabemos, as abelhas são dos principais polinizadores, tanto para a agricultura como para a manutenção da diversidade do coberto vegetal. Em 2027 vamos comemorar os 600 anos da descoberta dos Açores e sabemos que, logo após o povoamento, foram introduzidas abelhas provenientes da Península Ibérica. Esses cerca de 600 anos de isolamento contribuíram para a evolução de características próprias das populações de abelhas dos Açores, que actualmente apresentam diferenças relativamente às populações da Península Ibérica. A apicultura praticava-se em todas as ilhas dos Açores, mas infelizmente, nos finais dos anos 80, com o aparecimento do escaravelho japonês e as medidas de controlo dessa praga, as populações de abelhas sofreram bastante. Consequentemente, foram implementados programas de introdução de abelhas que acabaram por trazer para a Região subespécies provenientes da Europa Central, como a Apismelliferaligustica e a Apismelliferacarnica e, mais recentemente, a chamada abelha Buckfast. Estas introduções tiveram consequências importantes, nomeadamente ao nível da diversidade genética das populações autóctones e da introdução de agentes patogénicos e parasitasem algumas ilhas, como a Varroa. Além disso, estas populações provenientes de regiões da Europa Central estão adaptadas a condições climáticas e ambientais diferentes das que encontramos nos Açores. São abelhas que evoluíram em regiões onde os períodos de Inverno são muito mais rigorosos, com vários meses de temperaturas muito baixas e, em muitos casos, neve. Essas diferenças reflectem-se também nas suas necessidades produtivas, que podem ser mais exigentes e implicar uma maior necessidade de alimentação suplementar, com consequências para os custos de produção. Como resultado do nosso trabalho,

Associação para a Promoção e Protecção Ambiental dos Açores alerta para a “urgente limpeza” das bermas das estradas e das ribeiras

Em comunicado, a Associação para a Promoção e Protecção Ambiental dos Açores (APPAA) menciona que “têm surgido queixas nas diversas ilhas sobre a falta de manutenção das estradas e dos caminhos agrícolas e vias florestais”. A APPAA considera “igualmente preocupante a ausência de drenagem naquelas vias devido à terra e vegetação que cobrem as bermas. Em muitos casos, a vegetação arbustiva ocupa parte das faixas de rodagem, dificultando a passagem de dois veículos em simultâneo”. Para a Associação, “não pode existir escoamento das águas pluviais pelas valetas revestidas de terra e vegetação para as respectivas sarjetas que estão igualmente tapadas”. “Com as alterações climáticas, as chuvas torrenciais irão repetir-se com mais intensidade e frequência. Com pluviosidade mais intensa a água irá escoar pelo pavimento com maior volume e velocidade”, explica. Ainda, a APPAA refere que “por terem sido asfaltados, ou cimentados, os caminhos florestais e agrícolas contribuem para que o escoamento das águas pluviais se faça ainda com maior volume e velocidade e que escorram para as vertentes ou para as estradas, com maior energia destruidora”. “As vertentes ficam mais sujeitas à erosão e aos escorregamentos de terra e vegetação. As estradas, a jusante, sem valetas limpas que conduzam a água para as sarjetas e respectivos sumidouros, irão transformar-se em autênticas ribeiras, afectando os meios urbanos, como casos recentes comprovam”, afirma. “A falta de controlo do crescimento de vegetação e da deposição de detritos em linhas de água, incluindo as principais ribeiras, agrava o perigo de inundações e enxurradas. Com o início do Outono é urgente atender ao alerta que previne para as efeitos das chuvas que previsivelmente irão ocorrer. É questionável a ocupação de numerosos meios humanos e físicos com o objectivo do corte frequente da erva que cresce nas rotundas e ruas”, declara. Por fim, a Associação para a Promoção e Protecção Ambiental dos Açores destaca que “os meios humanos e materiais das diferentes secretarias regionais e do IROA, em concertação com as autarquias locais, devem ser mobilizados para a tarefa de remoção de todos os materiais que impedem as bermas das vias de circulação, entopem as valetas e sarjetas e para a remoção da vegetação e detritos que impedem a livre circulação da água. A APPAA adverte para a necessidade de decisões urgentes porque é mais vantajoso prevenir o desastre do que remediar os prejuízos”, conclui.

Beatriz Vieira estudou em duas universidade de Espanha pelo programa Erasmus – “Quando entras em contacto com outras realidades começas a ver as coisas de forma diferente”

Do sonho de conhecer o mundo à descoberta de si própria, o Erasmus levou Beatriz duas vezes de São Miguel para Espanha. Em entrevista ao Diário dos Açores, Beatriz destaca o choque cultural, as exigências académicas e a saudade do mar como maiores desafios. Porque decidiste fazer ERASMUS? Desde pequena que sempre tive esse sonho de viajar o mundo e quando estava no secundário ouvi pela primeira vez falar do projecto. Os meus pais sempre foram muito protectores e nunca me deixaram fazê-lo. Então desde esse momento que prometi a mim própria que no futuro se houvesse a possibilidade o faria sem pensar duas vezes. Quando chegou a altura de escolher as universidades nas quais me iria candidatar, já foi com essa ideia de fazer Erasmus, essa foi uma das razões que me levou a escolher a universidade dos Açores como primeira opção. Alguma razão para teres escolhido Espanha como destino? A minha ideia inicial era fazê-lo na Itália, mas como não havia nenhuma opção para o meu curso nesse país vi-me obrigada a escolher outra opção. Então pensei na Espanha, devido principalmente ao idioma. Pois seria mais fácil para mim aprendê-lo rápido. E também tinha o factor de nunca ter saído dos Açores, então acho que também senti um pouco de medo de ir mais longe para um país como a Bélgica e a Polónia que eram também opções mas estavam muito mais longe e além disso não sabia o idioma local. A Universidade dos Açores ajudou-te no processo de candidatura e preparação? Sim, no processo de candidatura os coordenadores disponibilizam-se para resolver qualquer questão que tenhamos. Já quando somos colocados, o processo de preparação temos que fazê-lo mais individualmente. Conseguir habitação e a logística da viagem é nossa responsabilidade e a universidade deixa claro desde o início que não podem auxiliar nessa parte. Sentes que o programa ERASMUS é suficientemente divulgado e apoiado pela UAc? Considero que sim. Todos os anos existe uma palestra onde se faz uma apresentação do projecto e possibilita aos alunos fazerem todas as questões que tenham acerca do mesmo. Também é sempre convidado alguém que já participou no projecto para dar a sua experiência pessoal. Ou seja, durante a palestra realmente é possível retirar-se o máximo de informação possível. As bolsas atribuídas são suficientemente atractivas para que um estudante queira ingressar no programa ERASMUS? Depende do país para o qual escolhemos fazer a mobilidade. Deve ter-se em atenção o custo de vida da cidade para a qual vais estudar, pois existem cidades onde a bolsa sim é suficiente para o estudante manter-se financeiramente durante toda a mobilidade e outras cidades em que isso já não é uma realidade. Então antes mesmo de se candidatar há que ter isso em consideração, pois as bolsas são padronizadas e não diferem de acordo com a cidade para a qual foi seleccionado. Qual foi a maior diferença que sentiste entre estudar nos Açores e em Espanha? A maior diferença que senti foi o número de aulas práticas. Ou seja, sinto que nas minhas duas experiências na Espanha, principalmente na segunda que foi em Valladolid, pude colocar mais em prática aquilo que aprendi. Uma das cadeiras onde senti isso foi na cadeira de “ Comunicación Audiovisual”, onde tive a oportunidade de aprender como uma rádio funciona realmente. Fomos responsáveis por escrever um guião e tínhamos que colocá-lo na prática. Nessa mesma cadeira juntamo-nos no final do ano com a turma de multimédia e fizemos um programa de televisão. Foi um projecto incrível que não só deixou memórias para a vida como aprendi competências que sinto que não teria aprendido na Universidade dos Açores. Infelizmente, considero que o programa de estudos é muito teórico e acaba não nos oferecendo muitas oportunidades de executar aquilo que aprendemos. Tiveste algum choque cultural? A adaptação foi difícil? Sim, principalmente pela minha experiência na Universidade de Vigo. Os galegos têm uma tendência a ser mais frios e directos. Eu sou uma pessoa um pouco mais sentimental, então houve momentos em que senti que não se enquadra no espaço e que não conseguia criar conexão com ninguém. Com o tempo percebi que só precisava de ter paciência e dar tempo ao tempo, mas de início foi um choque. Repetiste a experiência e estiveste dois anos em ERASMUS. Porquê realizar este programa uma segunda vez? Na minha primeira experiência conheci pessoas que me fizeram chamar a Espanha de casa. E digo Espanha e não apenas a cidade de Pontevedra porque tive a oportunidade de conhecer várias cidades e criar memórias em cada uma delas. Também ganhei muito carinho pelo idioma, pois percebi que ele era muito mais interessante do que eu imaginava. Isso foi o que me fez voltar a candidatar-me, mas desta vez para uma cidade bem maior pois queria desafiar-me. E realmente foi um grande desafio, pois era uma universidade mais exigente. Mas não me arrependo em nenhum momento de o ter feito. E posso garantir que se na vida voltar a surgir a oportunidade de fazê-lo o farei sempre pensar duas vezes. Sentiste saudades dos Açores? Do quê especificamente? Sim, havia algo que eu tinha muitas saudades dos Açores: ver o mar todos os dias. Eu não acreditava quando as pessoas falavam que o que tinham mais saudades quando estava fora era de ver o mar. Mas sim, foi o que eu senti. É uma sensação inexplicável, porque é algo que vemos todos os dias mas não prestamos muita atenção e só sentimos falta quando vamos embora. Achas que mudaste enquanto pessoa depois desta experiência? Sim completamente. Comecei a ver a vida com outros olhos. Conviver com pessoas de vários países e culturas faz-te crescer, faz-te perceber que sim o contexto onde vives influência muito a forma como olhas o mundo. E quando quebras essa barreira e entras em contacto com outras realidades e outras vivências começas a ver as coisas de forma diferente. Por exemplo, coisas que para ti não representam grande importância podem ser o sonho de outra pessoa.

Liga Portuguesa Contra o Cancro inaugura Gabinete de Apoio de Voluntariado na Ilha do Pico

O Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRA LPCC) vai inaugurar, no próximo dia 9 de Outubro, pelas 12h30, o Gabinete de Apoio de Voluntariado da Ilha do Pico, instalado na Unidade de Saúde da Ilha do Pico-Centro de Saúde da Madalena. A criação deste gabinete representa “um importante reforço da presença da Liga Portuguesa Contra o Cancro na ilha do Pico, permitindo aproximar a instituição da comunidade e reforçar a resposta de apoio aos doentes oncológicos e seus familiares”, lê-se em comunicado. O novo espaço terá como objectivo “apoiar doentes e familiares, promover a acção voluntária e facilitar o acesso às diferentes respostas e serviços disponibilizados pelo Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro, contribuindo para uma intervenção mais próxima e integrada na comunidade”. A concretização deste gabinete resulta da colaboração entre o Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Unidade de Saúde da Ilha do Pico, que disponibilizou o espaço para a instalação desta resposta. Com esta nova resposta, o NRA LPCC “pretende continuar a aproximar os seus serviços das populações dos Açores, reforçando o apoio e acompanhamento a quem vive de perto a realidade do cancro e promovendo uma maior proximidade entre a instituição e as comunidades locais”, conclui.

Presidente da Assembleia Legislativa participa na XXVIII Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores

O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, desloca-se ao Brasil e ao Uruguai, entre os dias 5 e 10 de Outubro, numa visita de carácter institucional que contempla contactos com autoridades políticas, instituições académicas e culturais e as comunidades açorianas, culminando com a participação na XXVIII Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores. A deslocação terá início no Brasil, onde o Presidente do Parlamento açoriano estará presente, entre os dias 5 e 8 de Outubro, nas cidades de Florianópolis e de Porto Alegre, promovendo um conjunto de encontros institucionais e visitas destinadas a reforçar os laços entre os Açores e as comunidades açorianas nestes territórios. Em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, o Presidente Luís Garcia será recebido pelo Presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Júlio Garcia, e pelo Prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Está igualmente prevista uma visita ao Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina, bem como ao Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e à Academia Catarinense de Letras, instituições com um papel relevante na investigação e preservação da identidade açoriana no Brasil. O programa contempla ainda uma visita à Casa dos Açores de Santa Catarina, reforçando a proximidade com a comunidade açoriana e o reconhecimento do papel destas estruturas na preservação e valorização dos laços entre os Açores e as comunidades da diáspora. Em Porto Alegre, o Presidente Luís Garcia será recebido pelo Presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Sérgio Peres, e pelo Prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, cidade onde está instalada a Casa dos Açores do Rio Grande do Sul. A deslocação inclui também uma visita à Casa dos Açores, reforçando a ligação institucional do Parlamento açoriano às comunidades açorianas e às suas estruturas representativas. A 8 de Outubro, o Presidente da Assembleia Legislativa dos Açores desloca-se ao Uruguai, onde será recebido, em Montevideu, pelo Presidente da República do Uruguai, Yamandú Orsi, numa audiência que contará igualmente com a presença do Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão. Após a audiência, está prevista uma recepção ao Presidente do Parlamento açoriano oferecida pela Embaixadora de Portugal no Uruguai, Conceição Pilar. A partir de 9 de Outubro, a comitiva do Presidente da Assembleia Legislativa será alargada a cinco Deputados à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, em representação das diferentes forças políticas, que participarão na XXVIII Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores, que decorre em San Carlos. Integram a comitiva parlamentar o Deputado Paulo Gomes, do PSD, o Deputado Luís Silveira, do CDS-PP, o Deputado João Mendonça, do PPM, o Deputado José Ávila, do PS, e o Deputado António Lima, do BE. A XXVIII Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores reunirá representantes das Casas dos Açores de diferentes países e regiões, constituindo um espaço de encontro, reflexão e cooperação entre as estruturas que, fora do arquipélago, contribuem para a preservação, valorização e divulgação da identidade e da cultura açorianas. O programa contempla, entre outros momentos, um painel dedicado às relações entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul e às suas cumplicidades açorianas, a apresentação das novas Casas dos Açores participantes e a apresentação das Casas dos Açores que integram o Conselho Mundial, perante o Presidente da Assembleia Legislativa e os Deputados Regionais. A participação da delegação parlamentar açoriana permitirá igualmente acompanhar a evolução da rede internacional das Casas dos Açores e reforçar o diálogo entre estas estruturas e as instituições políticas regionais, num momento em que se assinala a integração de novas Casas dos Açores no Conselho Mundial, nomeadamente do Ceará, Alberta, Alentejo e Amapá. A deslocação do Presidente da Assembleia Legislativa dos Açores ao Brasil e ao Uruguai insere-se, assim, no âmbito da valorização das relações institucionais com entidades políticas, académicas e culturais dos dois países e do reforço dos laços com as comunidades açorianas e com as estruturas que, internacionalmente, mantêm viva a identidade, a cultura e a ligação aos Açores.

Açores têm segunda maior percentagem de adultos com baixa escolaridade da UE e lideram emprego entre quem tem Ensino Superior

Os Açores apresentam um dos contrastes mais marcados entre escolaridade e integração no mercado de trabalho entre as regiões da União Europeia. Em 2025, 56,7% da população açoriana dos 25 aos 64 anos tinha um baixo nível de escolaridade formal, a segunda percentagem mais elevada da União Europeia. Em sentido diferente, 94,6% das pessoas da mesma faixa etária com Ensino Superior estavam empregadas, a taxa mais elevada entre as regiões da UE. Os dois indicadores medem populações distintas e, por isso, não estabelecem qualquer relação causal entre baixa escolaridade e emprego dos mais qualificados. Os dados sobre escolaridade constam da publicação “Regions in Europe – 2026 edition”, divulgada pelo Eurostat em 23 de Setembro de 2026, que reúne um conjunto alargado de indicadores sobre as condições sociais, económicas e ambientais das regiões europeias. A edição utiliza a classificação territorial NUTS 2024 e trabalha, na maioria dos indicadores, ao nível NUTS 2, que inclui a Região Autónoma dos Açores. No capítulo dedicado à educação, o Eurostat revela que, em 2025, 18,8% da população da União Europeia entre os 25 e os 64 anos possuía um baixo nível de educação formal, definido como não tendo ultrapassado o lower secondary education. Trata-se dos níveis 0 a 2 da Classificação Internacional Normalizada da Educação (ISCED). Nos Açores, essa proporção atingia 56,7%, praticamente três vezes o valor médio da União Europeia. Apenas a região ultraperiférica francesa de Mayotte apresentava uma percentagem superior, de 72,2%. A Madeira surgia imediatamente depois dos Açores, com 48,7%. O próprio Eurostat identifica estas três regiões como aquelas onde se verificavam as maiores proporções de população dos 25 aos 64 anos com baixa escolaridade. O cenário altera-se quando se observa exclusivamente a população com formação superior. Os dados do Eurostat regional yearbook 2026, no capítulo sobre o mercado de trabalho regional, mostram que os Açores registaram em 2025 a maior taxa de emprego da União Europeia entre as pessoas dos 25 aos 64 anos com Ensino Superior. A taxa açoriana atingiu 94,6%, contra uma média comunitária de 88,1% para as pessoas com este nível de escolaridade. O Eurostat considera neste grupo as pessoas com níveis de educação terciária ISCED 5 a 8, abrangendo diferentes graus de ensino superior. Em toda a União Europeia havia, em 2025, 83 regiões NUTS 2 onde pelo menos 90% das pessoas dos 25 aos 64 anos com formação superior estavam empregadas. Os Açores encontravam-se no topo desta distribuição. Depois dos 94,6% dos Açores, as taxas mais elevadas encontravam-se em Yugozapaden, na Bulgária, com 93,6%, na região de Varsóvia, na Polónia, com 93,5%, em Nord-Est, na Roménia, com 93,4%, e em Bratislavský kraj, na Eslováquia, e Centru, na Roménia, ambas com 93,3%. Ou seja, a distância entre os Açores e a segunda região europeia neste indicador era de um ponto percentual. A posição açoriana não é nova. Já em 2024, segundo a edição de 2025 do Eurostat regional yearbook, a Região apresentava a maior proporção da UE de pessoas com ensino superior empregadas, com 93,9%. A taxa passou, assim, de 93,9% em 2024 para 94,6% em 2025, uma diferença de 0,7 pontos percentuais entre os valores publicados para os dois anos. No conjunto da União Europeia, a taxa correspondente passou de 87,8% para 88,1%. Os números revelam, deste modo, duas características simultâneas da estrutura educativa e laboral açoriana. Por um lado, mais de metade da população entre os 25 e os 64 anos encontra-se no grupo de menor escolaridade considerado pelo Eurostat, colocando os Açores apenas atrás de Mayotte no conjunto das regiões comunitárias. Por outro, entre os residentes que possuem Ensino Superior, a proporção que está empregada é superior à registada em qualquer outra região da União Europeia. Esta última conclusão não significa, porém, que 94,6% dos açorianos com formação superior exerçam profissões que exijam esse nível de qualificação. O indicador do Eurostat mede a situação perante o emprego das pessoas com educação terciária, não a correspondência entre a formação académica e a profissão desempenhada. Por essa razão, os dados não permitem falar, com o mesmo significado, numa taxa de 94,6% de “emprego qualificado”. A “Regions in Europe – 2026 edition”, publicada pelo serviço estatístico da União Europeia a 23 de setembro, esclarece ainda que os textos que acompanham as visualizações foram finalizados em julho de 2026 e refletem a informação estatística disponível nessa altura. A publicação procura precisamente permitir a comparação das condições sociais e económicas entre as diferentes regiões europeias, para além das médias nacionais.

Família Nunes mantém produção artesanal de café na Fajã dos Vimes em São Jorge

Na Fajã dos Vimes, em São Jorge, o café cresce entre o mar, as árvores de fruto e o incenso, num microclima que a família Nunes aproveita há quase 50 anos. O que começou com algumas plantas destinadas ao consumo próprio transformou-se numa produção familiar que abastece o Café Nunes. Há 48 anos, a família Nunes comprou o terreno onde viria a construir a sua casa, na Fajã dos Vimes, em São Jorge. Hoje são proprietários de um estabelecimento e produtores de café. Alzira Nunes, uma das responsáveis do Café Nunes, revela como nasceu a sua produção. “Quando nós comprámos o terreno tinha lá plantas de café, fomos apanhando o café para o consumo próprio”, revelou. O entusiasmo do marido levou a que a produção ganhasse uma nova dimensão. Quando decidiram construir um novo edifício, destinado à arte da tecelagem, profissão à qual Alzira continua ligada, surgiu também a ideia de abrir um bar. “Não havia nada na Fajã dos Vimes e nós pensámos: vamos abrir e começar a servir o próprio café que produzimos”, revelou. A ideia resultou. A produção foi crescendo, a família recuperou e integrou terrenos que tinham pertencido aos avós e aos pais e, actualmente, contam com mais de 1500 plantas de café que alimentam a pequena produção familiar e permitem abastecer o bar. Café artesanal O Café Nunes está longe de uma produção industrial. Essa é, precisamente, uma das características que a família procura preservar. “Temos mais de 1500 plantas, mas não é coisa de se industrializar, nem temos espaço para as máquinas. Já investigámos isso mas são coisas muito caras e que para nós não nos compensa”. Na Fajã dos Vimes, o café não amadurece todo ao mesmo tempo. A apanha decorre, habitualmente, entre Março e Agosto, e é feita grão a grão, à medida que o fruto ganha a cor vermelha. “Depois do café apanhado, vai secando aos poucos ao sol. Ao longo do ano, nós vamos tirando conforme vamos precisando, o meu marido descasca-os e são escolhidos à mão, grão a grão”, admitiu Alzira, referindo ainda que o processo de torra dos grãos é feito numa frigideira de ferro, num processo igual aos dos seus avós. A presença do café na Fajã dos Vimes não é recente. Segundo a responsável, terá chegado à ilha há mais de 200 anos, pelas mãos de pessoas que emigraram para o Brasil e regressaram aos Açores trazendo consigo não apenas sementes, mas também o conhecimento necessário à sua produção. A planta encontrou na Fajã dos Vimes condições favoráveis à sua adaptação, apesar de Alzira admitir que nem todas as zonas são propícias a isso e que “há um sítio melhor”, onde têm os seus terrenos. Durante gerações, o café fez parte da vida doméstica de muitas famílias da fajã. Não como cultura destinada à comercialização em grande escala, mas como produto para consumo próprio. “Quase todas as pessoas tinham café para consumo próprio, antigamente. Tinham nos seus quintais duas ou três plantas de café”, revela. As memórias de infância ajudam Alzira a relembrar-se que quando chegava uma visita a casa dos avós, a sua avó ia buscar café, descascava-o e torrava-o para oferecer aos convidados. A torra era feita numa “tigela de alumínio”. Microclima A particularidade do café da Fajã dos Vimes não está apenas no processo artesanal. Está também no lugar onde cresce. O microclima da fajã cria condições específicas para a cultura, mas a proximidade do mar também deixa a sua marca. Segundo a responsável, essa influência pode mesmo chegar à chávena. “Há pessoas que perguntam ao meu marido se ele coloca sal no café. O café tem um toque de sal da água do mar”, explica, referindo-se à chamada ressalga, a água salgada transportada pelo vento. O fenómeno, porém, pode ter consequências negativas para a produção. Os ventos fortes vindos de norte e a água do mar podem queimar as plantas e os próprios grãos. Alzira explica que “este ano foi um ano fraco no café”, já só tendo café para vender no seu estabelecimento comercial e “à chávena”. A família mantém habitualmente uma reserva de um ano para o outro, precisamente para compensar eventuais quebras de produção. Apesar de existir procura e interesse por parte de quem gostaria de adquirir o produto para fora da ilha, a quantidade disponível não permite pensar numa produção orientada para a exportação. Outro dos elementos distintivos apontados pela responsável é a forma como as plantas são tratadas. O café é produzido sem recurso a tratamentos químicos e, segundo explica, não há necessidade de sulfatar as plantas, uma vez que não enfrentam pragas significativas. A manutenção dos terrenos é igualmente feita de forma artesanal. As ervas daninhas são arrancadas à mão e grande parte do trabalho é realizado pela própria família. Com o aumento do número de terrenos, o trabalho tornou-se mais exigente. O filho passou também a ajudar na manutenção e na apanha, e a família começou a privilegiar parcelas onde o terreno é mais direito e menos pedregoso. Para quem visita a Fajã dos Vimes, descobrir uma plantação de café nos Açores continua a ser uma surpresa. Alzira sente que o interesse tem aumentado de ano para ano, afirmando que muitos turistas se surpreendem pela produção de café naquele local. A responsável conta que os grãos de café chegaram a ser levados à Delta para análise e prova. Foram descobertos vários aromas no café, devido à flor de incenso e árvores de fruto que rodeiam as plantações. “O café absorve aquele perfume na altura em que ele está a amadurecer, entre Fevereiro e Março”. Mais do que uma actividade económica, o café tornou-se uma parte da identidade da família Nunes. Os filhos seguiram os seus próprios percursos profissionais e académicos, mas continuam ligados à plantação. Ajudam na apanha e noutras tarefas e, sobretudo, mostram vontade de assegurar que a tradição não desapareça. “Estão sempre inclinados para aquele bichinho de darem continuidade àquilo que nós criámos”, revela Alzira. Por Vasco Blayer *[email protected]

José Manuel Bolieiro destaca Azores Ocean como “investimento estratégico” no futuro dos Açores

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu, na Horta, à cerimónia de assunção de comando e baptismo do navio de investigação Azores Ocean, uma nova infra-estrutura científica que vai reforçar a capacidade da Região para conhecer, monitorizar e proteger o oceano. O líder do executivo açoriano destacou a “importância estratégica” do novo navio para os Açores e para o país, sublinhando que se trata de “muito mais do que um navio de investigação”. “É uma infra-estrutura científica estratégica, concebida para servir uma das maiores áreas marítimas da Europa e para reforçar a capacidade de conhecer, monitorizar e proteger o oceano”, afirmou José Manuel Bolieiro. Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito da Componente C10 – Mar, o Azores Ocean integra o investimento do Cluster do Mar dos Açores e representa, no conjunto do navio, equipamentos científicos e veículo submarino operado remotamente, um investimento próximo dos 30 milhões de euros. Com cerca de 46 metros de comprimento, propulsão diesel-eléctrica e capacidade para realizar operações científicas multidisciplinares até grandes profundidades, o navio está equipado com sistemas avançados de batimetria, sonar, acústica submarina, monitorização ambiental e investigação do mar profundo. José Manuel Bolieiro salientou que esta “nova capacidade” surge num momento particularmente relevante para a Região, num contexto de reforço da protecção dos ecossistemas marinhos e de aprofundamento do conhecimento científico sobre o mar dos Açores. “Queremos que a protecção do nosso oceano assente na melhor ciência disponível. Para proteger melhor, temos de conhecer melhor”, frisou. O governante açoriano realçou também o papel da Universidade dos Açores e do Instituto OKEANOS na definição das características científicas da embarcação, lembrando que o navio foi pensado para responder às necessidades concretas dos investigadores que trabalham no Atlântico profundo. “O futuro do Azores Ocean será construído pelos investigadores que nele embarcarão, pelas missões científicas que serão realizadas e pelo conhecimento que conseguirmos transformar em melhores decisões para o futuro do nosso mar”, afirmou. A operação do navio resulta também de uma parceria entre o Governo Regional dos Açores e a Marinha Portuguesa, que assegura a guarnição, o comando e a operação da embarcação, enquanto a Região garante a respectiva sustentação logística, administrativa e científica. Para José Manuel Bolieiro, esta cooperação traduz “uma conjugação muito positiva de competências” e reforça simultaneamente a capacidade científica da Região e a presença de Portugal no Atlântico Norte. O Presidente do Governo dos Açores destacou ainda o envolvimento da Atlânticoline, que assegurará funções de apoio técnico, administrativo e logístico à operação do navio, designadamente ao nível de abastecimentos, apoio em porto, manutenção e certificações. A cerimónia ficou igualmente marcada pela presença da oceanógrafa norte-americana Sylvia Earle, madrinha do Azores Ocean, a quem José Manuel Bolieiro agradeceu o percurso dedicado à ciência e à conservação dos oceanos, bem como a relação mantida com os Açores ao longo dos anos. “O seu exemplo lembra-nos que o futuro da humanidade está profundamente ligado ao futuro do oceano”, afirmou o Presidente do Governo, dirigindo-se à cientista. José Manuel Bolieiro salientou ainda que a escolha de Sylvia Earle como madrinha simboliza os valores que estão na origem do próprio navio: ciência, exploração, conservação e responsabilidade na utilização dos recursos marinhos. O Azores Ocean encontra-se actualmente na fase final de treino e aprontamento, estando prevista a realização da primeira missão a partir de 12 de Outubro. “O Azores Ocean nasce com uma missão clara: transformar conhecimento em protecção e uso sustentável, ciência em acção e ambição em futuro”, concluiu José Manuel Bolieiro. Pedro Vieira é o primeiro Comandante do navio de investigação científica Azores Ocean O Capitão-de-fragata, Pedro Vieira, assumiu o comando do navio de investigação científica do Governo Regional dos Açores Azores Ocean. O Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, Vice-almirante Pedro de Sousa Costa, presidiu a cerimónia e, durante a sua intervenção, sublinhou que este era “um momento de particular significado para a Marinha”, pois “trata-se de um ato simples na sua forma, mas profundamente relevante no seu conteúdo, porque o exercício do comando no mar permanece uma das mais elevadas expressões do serviço à Nação”. Por sua vez, após assumir oficialmente o cargo, o Capitão-de-fragata Pedro Vieira, natural dos Açores, proferiu um discurso no qual referiu que “ser Comandante de um navio é o ponto mais alto da carreira operacional de qualquer Oficial da Marinha”, agradecendo o voto de confiança. No seu discurso, dirigiu também algumas palavras à guarnição onde agradeceu o “empenho, dedicação e entrega a este navio”. “Esta cerimónia assinala um passo crucial no reforço das capacidades de investigação oceanográfica, consolidando a cooperação entre a Marinha Portuguesa e as instituições científicas e regionais na promoção do conhecimento e soberania do mar nacional”, pode ler-se em nota.

Katia Guerreiro alerta para risco de perda de financiamento privado da Capital Portuguesa da Cultura

A Comissária da Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026, Katia Guerreiro, manifestou durante a Assembleia Municipal de Ponta Delgada, realizada esta semana, a preocupação com as consequências que as sucessivas suspeitas e dúvidas públicas levantadas sobre a gestão da Capital Portuguesa da Cultura estão a ter junto de potenciais parceiros privados. Na sua intervenção, Katia Guerreiro revelou que, na sequência dos contactos recentemente realizados com empresas que haviam manifestado intenção de apoiar financeiramente a PDL26, uma das entidades está em vias de abandonar o apoio ao projecto, precisamente devido às polémicas e às suspeitas de ilegalidades que têm sido publicamente levantadas. “Muito recentemente estivemos a contactar os potenciais financiadores, aqueles que nos apresentaram cartas de intenção de patrocínio da Capital Portuguesa da Cultura, e um deles está em vias de sair devido às polémicas e às dúvidas que foram levantadas”, afirmou. A Comissária explicou que as empresas privadas têm preocupações legítimas relativamente à sua associação a projectos públicos e que as suspeitas lançadas sobre a gestão da PDL26 podem ter consequências concretas na capacidade de angariar financiamento privado. “Se eventualmente a parte do aditamento ao contrato-programa que prevê a entrada de financiamento privado não for cumprida, será provavelmente porque os nossos parceiros poderão não querer avançar devido às acusações de ilegalidades que foram proferidas ao longo deste tempo”, acrescentou. Katia Guerreiro aproveitou ainda a sua intervenção para reafirmar a disponibilidade da equipa da Capital Portuguesa da Cultura para esclarecer todas as dúvidas relacionadas com o projecto. “Estou aqui, como sempre estive, para esclarecer todas as dúvidas que existam sobre o processo de gestão, organização e planeamento da Capital Portuguesa da Cultura”, afirmou, sublinhando que os responsáveis pelo projecto têm mantido os seus contactos disponíveis para responder a questões relacionadas com processos, procedimentos, programação ou financiamento. O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, acompanha com preocupação a situação revelada pela Comissária, considerando que a possibilidade de perda de financiamento privado demonstra que as polémicas em torno da Capital Portuguesa da Cultura podem ter consequências concretas para a execução do projecto. “É preocupante que uma entidade que tinha manifestado a intenção de apoiar a Capital Portuguesa da Cultura esteja agora a ponderar recuar na sua decisão em consequência das suspeitas que têm sido publicamente levantadas. Estamos a falar de um projecto de dimensão nacional, que queremos concretizar com o contributo das instituições públicas, mas também com o envolvimento da sociedade civil e do tecido empresarial”, afirma. Pedro Nascimento Cabral considera fundamental que as dúvidas sejam colocadas e esclarecidas, mas defende que essa discussão deve assentar em factos concretos. “É legítimo que existam perguntas e que sejam pedidos esclarecimentos. O que não podemos ignorar é que a formulação de suspeitas de ilegalidade, quando não acompanhada da apresentação de factos concretos que as sustentem, pode ter consequências reais para um projecto que pertence a Ponta Delgada e que representa uma oportunidade única para a cultura e para a projecção dos Açores”, sublinha. O Presidente da Câmara de Ponta Delgada deixa, por isso, um apelo às empresas e instituições que têm acompanhado a PDL26 para que mantenham o seu compromisso com o projecto. “Faço um apelo à sensibilidade e ao sentido de responsabilidade do nosso tecido empresarial. A Capital Portuguesa da Cultura é uma oportunidade para apoiar a cultura, os nossos artistas e as nossas instituições, mas também para projectar Ponta Delgada e os Açores. Precisamos do envolvimento de todos para que este projecto possa cumprir plenamente os objectivos para que foi criado”, conclui.

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