Novos planos condicionam acesso e utilização das áreas protegidas em seis ilhas

Da proteção das jazidas fósseis de Santa Maria ao controlo do pastoreio no Caldeirão do Corvo, os novos Planos de Gestão das Áreas Terrestres dos Parques Naturais estabelecem regras para conservar habitats, ordenar a visitação e condicionar atividades em 47 áreas protegidas de seis ilhas. Publicados a 5 de agosto, os diplomas completam o quadro regional, depois de São Miguel, Faial e Pico terem visto aprovados os respetivos planos em 2020 Os Planos de Gestão das Áreas Terrestres dos Parques Naturais de Ilha de Santa Maria, Terceira, Graciosa, São Jorge, Flores e Corvo entram em vigor a 6 de agosto e tornam vinculativas novas regras de proteção, acesso e uso do solo. Os seis Planos estabelecem regimes de salvaguarda dos habitats, das espécies, da geodiversidade e da paisagem, mas também disciplinam as atividades humanas admitidas em cada zona. A publicação não deixa de fora São Miguel, Faial e Pico. Estas três ilhas já dispunham dos respetivos instrumentos desde 2020. No conjunto, os novos planos incidem sobre 47 áreas protegidas com componente terrestre. As áreas dos seis parques somam cerca de 240,9 quilómetros quadrados. A área efetiva de intervenção pode, porém, ser superior, porque os instrumentos também abrangem zonas de “continuum naturale”, isto é, corredores ecológicos e outros espaços situados fora das áreas protegidas que sejam importantes para a circulação das espécies e a ligação entre habitats. Os planos passam a constituir uma condicionante ao uso e ao ordenamento do território. Cada diploma integra um regulamento, uma planta de zonamento e uma planta de condicionantes à escala 1:25.000, além de um relatório técnico com os programas de execução e monitorização. No interior de cada área protegida são delimitadas unidades operativas de gestão, às quais se aplicam regimes que vão da proteção integral ao uso sustentável dos recursos. Há ainda áreas de intervenção específica, destinadas a recuperar espaços sujeitos a fortes pressões. Nas zonas de proteção integral, a regra é a interdição de atividades e do acesso ou permanência de pessoas, com exceções para conservação,monitori-zação, busca e salvamento, fiscalização e trabalhos científicos autorizados. As áreas de proteção parcial e as áreas prioritárias para a conservação são espaços onde não são permitidas novas edificações, salvo equipamentos de apoio à conservação. Alterações a construções existentes, abertura de trilhos, novos miradouros, instalações de energia renovável, infraestruturas elétricas e de telecomunicações e atividades turísticas fora dos locais definidos ficam, entre outros atos, dependentes de parecer prévio vinculativo da administração ambiental. O incumprimento das interdições ou a realização sem autorização de atividades condicionadas constitui contraordenação grave. Além da aplicação de coimas e sanções acessórias, a administração regional pode embargar ou mandar demolir obras e determinar a reposição da situação anterior à infração. A avaliação será feita através de relatórios trienais. Os indicadores incluem a área abrangida por gestão ativa, o número de habitats e espécies em estado desfavorável abrangidos por medidas, os quilómetros de trilhos intervencio-nados, as estruturas de apoio à visitação e a extensão de culturas tradicionais em produção. Os planos não fixam um prazo final de vigência e mantêm-se enquanto subsistir a necessidade de proteger os valores naturais. Também não apresentam um orçamento global nem uma calendarização geral para executar as medidas, cuja concretização cabe ao departamento regional responsável pelo ambiente, em colaboração com as restantes entidades e proprietários envolvidos. Santa Maria: fósseis, aves marinhas e paisagens de vinha O Parque Natural de Santa Maria integra 13 áreas protegidas, mas o plano ocupa-se das nove que têm componente terrestre: oito exclusivamente em terra e uma com área terrestre e marinha. São 16,8 quilómetros quadrados, cerca de 17% da superfície da ilha. A especificidade mais vincada é o património paleontológico. O relatório identifica 20 jazidas fósseis, 19 das quais inseridas em áreas protegidas, e recorda que Santa Maria é a única ilha dos Açores onde se observam estes depósitos. O programa individualiza a proteção das jazidas da Pedreira do Campo, Figueiral, Prainha, Macela e Praia do Calhau, além das concentrações fósseis da Ponta do Castelo e do Barreiro da Faneca. Prevê proteção física dos calcários fossilíferos da Pedreira do Campo, percursos definidos para condicionar o acesso à gruta do Figueiral, avisos sobre a proibição de recolha de amostras geológicas e paleontológicas e fiscalização. Na Reserva Natural do Ilhéu da Vila, as prioridades são monitorizar a nidificação, instalar ninhos artificiais para garajaus, controlar espécies competidoras e remover flora invasora. No Pico Alto, o plano combina a erradicação de espécies invasoras com o restauro do habitat e a instalação pontual de vedações ou cancelas para limitar o acesso e a entrada de gado. No Barreiro da Faneca, propõe gerir o geossítio, controlar espécies invasoras, como Ulex europaeus, incenso, silva e lantana, e criar um ponto de repouso fora da área mais sensível. Nas baías de São Lourenço e da Maia e na Ponta do Castelo, as medidas procuram conservar vinhas, currais e socalcos, recuperar muros de pedra seca e apoiar a manutenção de paisagens tradicionais. O plano prevê ainda classificar as cavidades vulcânicas inventariadas, integrar as de classe A no Parque Natural e preparar planos de ação para as cavidades protegidas ou abertas a visitas regulares. Terceira: zonas húmidas e novo centro no Algar do Carvão A Terceira apresenta a maior área terrestre abrangida entre os seis planos: 95,78 quilómetros quadrados, correspondentes a 22% da ilha. O Parque Natural reúne 20 áreas protegidas, 14 das quais terrestres. O instrumento cobre as reservas naturais da Serra de Santa Bárbara e Mistérios Negros, Biscoito da Ferraria e Pico Alto e Terra Brava e Criação das Lagoas, os monumentos naturais do Algar do Carvão e das Furnas do Enxofre, áreas costeiras de proteção de habitats, as Vinhas dos Biscoitos e a Caldeira de Guilherme Moniz. Nas reservas do interior, a prioridade recai sobre turfeiras, charnecas macaronésicas, laurissilva e florestas de cedro-do-mato. Entre as medidas estão o controlo de invasoras, a recuperação de turfeiras e de floresta natural, a instalação de cancelas para limitar o gado e a criação de corredores ecológicos, incluindo uma ligação entre a Lagoa do Negro, a
Proposta para melhorar tráfego aéreo entre Santa Maria e Lisboa volta a ser adiada

A Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (EUROCONTROL), organismo intergovernamental que coordena e apoia a gestão do tráfego aéreo na Europa, aponta o inverno de 2027/2028 para a possível concretização de uma proposta destinada a melhorar a ligação entre os espaços aéreos de Santa Maria e Lisboa. O Plano Europeu de Melhoria da Rede de Rotas, conhecido pela sigla inglesa ERNIP, mantém como “proposta” a segunda fase do espaço aéreo de rotas livres na Região de Informação de Voo (FIR) Oceânica de Santa Maria. A versão para 2026–2030, publica-da pelo EUROCONTROL a 3 de Julho, aponta a eventual implementação para o Inverno de 2027/2028, mas não fixa uma data concreta. Rotas mais directas, mas sempre sob controlo Uma FIR não é uma estrada no céu nem corresponde necessariamente às fronteiras territoriais de um país. É uma área delimitada na qual uma entidade assume a prestação dos serviços de informação de voo e de alerta. No caso de Santa Maria, essa responsabilidade portuguesa estende-se sobre uma parte do Atlântico Norte e articula-se, entre outros, com os espaços aéreos de Lisboa, Madrid, Canárias, Shanwick, Gander, Nova Iorque, Piarco e Sal. O espaço aéreo de rotas livres também não significa que os aviões possam voar sem regras ou fora do controlo de tráfego aéreo. De acordo com a definição do EUROCONTROL, permite às companhias planearem o percurso entre pontos de entrada e de saída definidos, eventualmente através de pontos intermédios, sem ficarem obrigadas a seguir toda a rede de corredores fixos. Cada voo continua sujeito à disponibilidade do espaço aéreo e às autorizações dos controladores. O modelo dá aos operadores maior liberdade para aproximarem o plano de voo da trajectória que consideram mais adequada. O objectivo geral é reduzir desvios impostos pelo desenho da rede, melhorar a eficiência e, quando os percursos efectivamente se tornam mais curtos, diminuir o consumo de combustível e as emissões. A proposta surge no Plano Europeu de Melhoria da Rede de Rotas com o número 84.058b e a designação “Free Route Airspace Santa Maria FIR – Phase 2”. O conteúdo oficial é delimitado: reconsiderar os pontos existentes na fronteira entre as FIR de Santa Maria e Lisboa e criar novos pontos que apoiem as operações de rotas livres. O objectivo indicado é melhorar a utilização do espaço aéreo entre as duas regiões de informação de voo. Esses pontos de fronteira são coordenadas identificadas por códigos de cinco letras e usadas no planeamento das trajectórias e na transferência dos voos entre centros de controlo. A mudança prevista é, por isso, uma alteração de desenho, procedimentos e informação aeronáutica. O documento não identifica quais os pontos que poderão ser mantidos, substituídos ou criados. Também não apresenta estimativas de custos, nem uma avaliação quantificada do impacto sobre o tráfego. Apenas estabelece o objectivo, o estado de proposta e o horizonte indicativo do Inverno de 2027/2028. Um calendário sucessivamente revisto O histórico dos documentos do EUROCONTROL reforça o carácter provisório do calendário. No plano de operações publicado em Abril de 2021, a fase 2 de Santa Maria aparecia associada a 2 de Dezembro desse ano. No Plano Europeu de Melhoria da Rede de Rotas de 2022, o horizonte tinha passado para o Inverno de 2024/2025. Num plano operacional divulgado em setembro de 2025, a indicação era o primeiro trimestre de 2026. A edição mais recente transfere a perspectiva para o Inverno de 2027/2028 e mantém o projecto como “proposto”.
Cinema perde 32% de espectadores em Junho e receitas recuam 21,4%

As salas de cinema nos Açores receberam 7.618 espectadores em Junho de 2026, menos 3.577 do que os 11.195 registados no mesmo mês do ano passado, o que corresponde a uma quebra homóloga de 32,0%, segundo dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA). As receitas acompanharam a descida, embora de forma menos acentuada, diminuindo 21,4%, de 60.028 euros para 47.206 euros. Os dados divulgados pelo SREA mostram que a redução do número de espectadores ocorreu apesar de terem sido exibidos mais filmes. Em junho deste ano foram contabilizados 38 filmes exibidos, contra 30 no mesmo mês de 2025, um aumento de 26,7%. Já o número de sessões diminuiu de 521 para 501, correspondendo a uma redução de 3,8%. A comparação com maio evidencia igualmente uma redução da actividade. O número de espectadores passou de 10.398 em maio para 7.618 em junho, menos 2.780, numa descida mensal de 26,7%. As receitas diminuíram 18,7%, de 58.070 para 47.206 euros, enquanto as sessões recuaram de 541 para 501, menos 7,4%. O número de filmes exibidos passou de 58 para 38. No conjunto dos primeiros seis meses de 2026, os dados do SREA permitem apurar 53.833 espectadores, contra 64.063 no período homólogo de 2025. O cinema perdeu, assim, 10.230 espectadores num ano, o equivalente a uma redução de 16,0%. Também o número de sessões diminuiu no primeiro semestre. Entre Janeiro e Junho deste ano realizaram-se 3.032 sessões, menos 264 do que as 3.296 registadas nos mesmos seis meses de 2025, uma quebra de 8,0%. As receitas revelaram maior resistência à redução do público. No primeiro semestre de 2026 atingiram 326.239 euros, contra 331.599 euros entre Janeiro e Junho de 2025. A diferença é de 5.360 euros, correspondente a uma descida de apenas 1,6%, bastante inferior à quebra de 16,0% registada no número de espectadores. A série disponibilizada pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores mostra, deste modo, que o primeiro semestre terminou com menos público e menos sessões do que há um ano, embora a receita acumulada se tenha mantido relativamente próxima do valor registado no mesmo período de 2025.
Porto Santo ocupa segundo lugar na lista da Expedia sem ilhas açorianas

O Porto Santo ocupa o segundo lugar na “Island Hot List” da Expedia para 2026, uma seleção internacional de dez destinos que não inclui qualquer uma das nove ilhas dos Açores. A lista, divulgada pela Expedia em 21 de julho, identifica os destinos insulares que registaram maior crescimento nas pesquisas globais de voos efectuadas através da plataforma. O Porto Santo surge com um aumento homólogo de 85%, ficando apenas atrás de Santa Lúcia, nas Caraíbas, onde o crescimento das pesquisas atingiu 125%. A Expedia enquadra o Porto Santo na categoria de destino mais indicado para “bem-estar e relaxamento”, destacando a praia de areia dourada e o ambiente mais tranquilo da ilha como alternativa aos destinos balneares europeus com maior concentração turística. A presença do Porto Santo contrasta com a ausência integral dos Açores. Nenhuma das nove ilhas açorianas foi incluída entre os dez destinos insulares que a plataforma considera estarem a ganhar maior projecção internacional em 2026. O resultado não significa que as pesquisas ou a procura turística pelas ilhas açorianas tenham diminuído. A informação divulgada pela Expedia apenas permite concluir que nenhuma ilha do arquipélago alcançou os critérios de crescimento necessários para integrar esta lista específica. Santa Lúcia lidera lista internacional Santa Lúcia ocupa o primeiro lugar, com um crescimento homólogo de 125% nas pesquisas de voos, sendo apresentada como destino indicado para viagens românticas. Segue-se o Porto Santo, com 85%, enquanto Praslin, nas Seicheles, surge na terceira posição, com uma subida de 80% e uma oferta destacada para os viajantes interessados na natureza. A ilha grega de Syros ocupa o quarto lugar, com um crescimento de 60%, sendo valorizada pela gastronomia e pelo património local. Na quinta posição encontram-se as ilhas Lofoten, na Noruega, com mais 50% de pesquisas e uma oferta associada às paisagens e aventuras no Ártico. Palawan, nas Filipinas, aparece em sexto lugar, com um aumento de 40%, destacando-se pelas paisagens naturais e pelos ecossistemas preservados. Culebra, em Porto Rico, ocupa a sétima posição, com um crescimento de 35%, sendo apontada como destino para atividades aquáticas. A ilha de Sanibel, no estado norte-americano da Florida, é oitava, com mais 25% de pesquisas, e surge associada às viagens em família. Com a mesma subida de 25%, Phu Quoc, no Vietname, ocupa o nono lugar e é apresentada como destino de “luxo acessível”. A lista termina com Fiji, na décima posição, onde as pesquisas aumentaram 15%, sendo o destino enquadrado na oferta dirigida a viagens de diferentes gerações da mesma família. Segundo a metodologia publicada pela Expedia, a classificação resulta das pesquisas globais de voos realizadas entre 22 de Setembro de 2025 e 22 de Março de 2026, para viagens em qualquer data de 2026. Os resultados foram comparados com as pesquisas efectuadas entre 22 de Setembro de 2024 e 22 de Março de 2025, destinadas a viagens durante 2025. As percentagens representam, portanto, variações nas pesquisas de voos efectuadas na plataforma e não aumentos no número de turistas, passageiros transportados ou reservas concretizadas. A Expedia indica que os dez destinos seleccionados registaram um crescimento médio de 55%. Fora das dez posições principais, a plataforma atribuiu ainda duas distinções específicas: Cabo Verde foi destacado pelo crescimento do interesse associado ao futebol e Great Stirrup Cay, nas Bahamas, pela procura relacionada com o turismo de cruzeiros. Estas menções adicionais não integram o “top 10” liderado por Santa Lúcia e no qual o Porto Santo ocupa o segundo lugar.
Em South Dartmouth Convívio de naturais do concelho do Nordeste, São Miguel
Decorre hoje, nos terrenos no Campo do Espírito Santo, em Allens Neck Road, South Dartmouth, o convívio de naturais e amigos do concelho do Nordeste, ilha de São Miguel, e que, como há anos a esta parte, tem o formato de piquenique. O evento, que tem este ano a sua 31ª edição, tem início por volta do meio-dia, constando de serviço de buffet com ementa variada, seguindo-se actuação de vários artistas, a saber: Nélia, Arlindo Andrade, Tony Borges, George Macedo, Leo Vaz, Rosa Maria e ainda o rancho folclórico da Discovery Language Academy, de New Bedford. Haverá sorteio de vários prémios. Dionísio e Diana Garcia, da WJFD, têm a missão de apresentar o evento. António Miguel Soares, presidente da Câmara Municipal do Nordeste, marca presença no convívio, sendo ainda acompanhado pela vereadora Sara Sousa e por Rogério Frias, presidente da Assembleia Municipal do Nordeste. Os bilhetes, ao custo de $25 por pessoa, podem ser adquiridos no Inner Bay Restaurant, Holiday Bakery, Economy Bakery, Girassol Restaurant, Guys and Gals, todos em New Bedford e ainda na Cinderella Bakery, em Fall River, ou ainda à porta. João de Sousa, que deu início aos convívios dos naturais e amigos do concelho do Nordeste, antigo agente de viagens e durante vários anos proprietário da Cardoso Travel em Providence, será o homenageado deste ano. Tony Soares, presidente da comissão organizadora do convívio nordestense nos EUA, convida a comunidade a comparecer, em particular os naturais e descendentes do concelho do Nordeste. “Venham todos participar neste convívio, com um amplo e aprazível espaço que é de facto o Campo do Espírito Santo em South Dartmouth, e para além da boa comida temos um bom leque de artistas e muitos atractivos para toda a família”, disse Soares, que espera boa comparência de público. * Exclusivo Portuguese Times/ Diário dos Açores
Novo Capitão do Porto da Horta e das Flores aposta na cooperação para reforçar segurança no mar

O Comandante Brandão Marques tomou, no dia 6 de Agosto, posse como Capitão do Porto e Comandante-local da Polícia Marítima da Horta e de Santa Cruz das Flores, rendendo no cargo o Comandante Amílcar Gomes Braz. A cerimónia realizou-se nas instalações da Capitania do Porto da Horta e foi presidida pelo Chefe do Departamento Marítimo e Comandante Regional da Polícia Marítima dos Açores, Comodoro Luís Nicholson Lavrador. No discurso de tomada de posse, o Comandante Brandão Marques assumiu publicamente o compromisso de exercer as novas funções com responsabilidade, lealdade e dedicação, e definiu a segurança marítima como prioridade para o mandato, sublinhando que a mesma só é possível com a cooperação institucional com todas as entidades que actuam no mar e na faixa costeira. No decorrer do evento, o Comodoro Nicholson Lavrador destacou a importância das Capitanias dos Portos e dos Comandos Locais da Polícia Marítima, dada a relevância marítima das ilhas do Faial, do Pico e de S. Jorge pela centralidade arquipelágica, pela confluência de cabos submarinos ali existente, bem como pela descarga, conservação, venda e distribuição de pescado, pelo transporte de passageiros e mercadorias entre ilhas, pelas regulares regatas internacionais, pelo mergulho, pela observação de cetáceos, pela investigação científica, pela qualidade e diversidade da formação marítima e também pelas actividades de economia azul. O Chefe do Departamento Marítimo e Comandante Regional da Polícia Marítima dos Açores relevou ainda a mundialmente famosa Marina da Horta, que certifica o Faial como porto de abrigo, descanso, reparação e reabastecimento nas travessias entre as Américas e a Europa. Referiu também que “a localização das ilhas das Flores e do Corvo, no extremo ocidental de Portugal e da Europa, confere-lhes uma relevância geoestratégica singular na afirmação da presença portuguesa no Atlântico. A sua defesa e a preservação do seu mar são, também por isso, absolutamente essenciais e incontornáveis”, afirmou. Marcaram presença na cerimónia diversas entidades regionais e locais, destacando-se o Presidente da Câmara Municipal da Horta, o Director Regional das Políticas Marítimas, a Inspectora Regional das Pescas, a Presidente da Portos dos Açores S.A., a Presidente da Atlanticoline S.A., a Presidente do Conselho de Administração da Associação para o Desenvolvimento do Mar dos Açores, o Presidente da Federação das Pescas dos Açores, o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta e ainda vários representantes das Forças e Serviços de Segurança, dos Serviços Regionais de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, entre outros.
Capa

Edição de 9 de Agosto de 2026
Festa da Serreta 2026 Santuário prepara-se para receber milhares de peregrinos com restauro do altar-mor concluído

A pouco menos de um mês do início da Novena e Festa de Nossa Senhora dos Milagres, o Santuário da Serreta, na ilha Terceira, apresenta-se aos peregrinos com uma das mais importantes intervenções de conservação do seu património praticamente concluída. Depois de mais de dois anos de trabalhos intensivos de conservação e restauro do retábulo do altar-mor, a comunidade prepara-se para celebrar a grande festa mariana da ilha Terceira com um templo renovado, preservando um património que faz parte da identidade religiosa e cultural dos Açores, noticia o Sitio Igreja Açores. É neste cenário renovado que decorrerá a Novena e Festa de Nossa Senhora dos Milagres 2026, entre 4 e 15 de Setembro, esperando-se cerca de 12 mil peregrinos, muitos dos quais chegam à Serreta a pé, cumprindo promessas ou renovando uma tradição familiar com várias gerações. Ao longo das celebrações, deverão participar cerca de quatro mil fiéis nas diversas eucaristias, desde o início da novena até à tradicional Segunda-feira da Serreta, números registados nos últimos anos. A grande novidade deste ano prende-se precisamente com o acolhimento dos peregrinos. Pela primeira vez, o Santuário permanecerá aberto ininterruptamente desde Sexta-feira, dia 11, até Segunda-feira, dia 14 de Setembro, sem encerrar durante a noite. A decisão responde ao crescente número de peregrinos que chegam de madrugada, sobretudo na manhã de Segunda-feira, aproveitando a tolerância de ponto concedida pelas entidades públicas na tradicional Segunda-feira da Serreta. O programa religioso inicia-se na Sexta-feira, 4 de Setembro, com o começo da novena. Todos os dias haverá recitação do Terço às 19h30, seguida da Missa da Novena às 20h00, mantendo-se igualmente confissões entre as 17h00 e as 20h00. Pela primeira vez nos últimos anos, todas as reflexões da novena serão confiadas ao mesmo pregador, o padre Pedro Silveira Lima, pároco de Santa Luzia, em Angra do Heroísmo, opção que pretende conferir maior unidade espiritual ao percurso de preparação para a festa. Outra novidade será a celebração de uma Eucaristia na manhã de Quinta-feira, 10 de Setembro, às 11h00, especialmente dedicada aos doentes. A celebração contará com a participação dos utentes da Casa de Saúde do Espírito Santo da Ilha Terceira, acompanhados pelo respectivo capelão, padre Miguel Tavares, bem como de colaboradores daquela instituição. Ao longo da novena participarão diariamente diferentes movimentos, serviços e grupos da Diocese de Angra, verificando-se este ano uma maior diversidade na animação litúrgica, com um equilíbrio entre coros paroquiais, grupos litúrgicos e grupos de jovens provenientes de várias comunidades da ilha. No Domingo, 6 de Setembro, haverá igualmente uma Missa às 11h00 destinada aos peregrinos. As celebrações intensificam-se a partir de 11 de Setembro, mantendo-se o Santuário permanentemente aberto. Na sexta-feira haverá Missa à meia-noite, repetindo-se no sábado um programa alargado de celebrações e momentos de oração. O ponto alto acontece no domingo, 13 de Setembro, Dia da Festa. Depois da Missa da Meia-Noite e da tradicional Vigília Eucarística, entre as 03h00 e as 06h00, serão celebradas Eucaristias às 09h00 e às 11h00. A Missa Solene da Festa, às 16h00, será presidida e pregada pelo padre José Júlio Mendes Rocha, recentemente nomeado pároco de São Bartolomeu de Regatos. Seguir-se-á, às 17h30, a tradicional Procissão de Nossa Senhora dos Milagres, um dos momentos mais marcantes da piedade popular açoriana na ilha Terceira. As celebrações prosseguem ainda na Segunda-feira da Serreta, dia 14, com a Missa em honra de Santa Rosa de Viterbo, às 11h00, destinada sobretudo às famílias que mantêm viva a tradição de passar este dia na Serreta. A festa encerra na Terça-feira, dia 15, com a Eucaristia e Procissão em honra de Santo António. A intervenção na igreja, iniciada há cerca de 27 meses, revelou-se muito mais complexa do que inicialmente previsto. O que começou por ser a correcção de um descaimento localizado numa das estruturas do retábulo acabou por obrigar à sua desmontagem integral, depois de se verificar que toda a estrutura de suporte apresentava um elevado estado de degradação, colocando em risco a estabilidade daquele que é o elemento artístico mais importante da igreja. O pano vermelho que estava a cobrir todo o espaço já se encontra removido e a partir do dia 24 de Agosto chegarão as peças retiradas para restauro de forma a que no período da festa esteja tudo concluído, disse ao Igreja Açores o reitor, padre João Pires. Apesar da conclusão praticamente total do restauro do retábulo do altar-mor, a reitoria do Santuário reconhece que o plano de conservação do templo está longe de estar terminado. A intenção era avançar de imediato para a recuperação do teto da capela-mor, uma intervenção considerada prioritária. No entanto, essa obra obrigaria à remoção integral dos painéis existentes e à criação de uma caixa de ar entre a cobertura e o tecto, solução técnica indispensável para eliminar problemas de humidade e assegurar a eficácia da intervenção. O elevado investimento necessário, a que se juntam ainda os futuros trabalhos de conservação dos altares laterais, levou a que estas obras fossem, para já, adiadas, ficando dependentes da obtenção de novos recursos financeiros. Os trabalhos, realizados pela empresa Acroarte, de São Jorge, permitiram recuperar a estrutura original, eliminar elementos metálicos completamente corroídos, consolidar todo o conjunto e devolver ao retábulo a sua policromia e decoração originais, escondidas durante décadas por sucessivas campanhas de pintura. Entre as descobertas mais relevantes destacam-se a recuperação do trono barroco, onde voltaram a surgir os elementos decorativos de nuvens, anjos e raios de sol, bem como o reaproveitamento do antigo sepulcro do Senhor, entretanto restaurado e reintegrado no conjunto litúrgico. Ao contrário do que habitualmente acontece em obras desta dimensão, o estaleiro foi mantido no interior da igreja, permitindo que peregrinos e visitantes acompanhassem diariamente a evolução dos trabalhos. Essa proximidade ajudou a comunidade a compreender a dimensão da intervenção e reforçou o envolvimento dos muitos benfeitores que, juntamente com os serretenses, peregrinos e algumas entidades públicas e privadas, tornaram possível financiar uma obra inteiramente assumida pelo próprio Santuário. Se no ano passado a cortina vermelha que ocultava o altar-mor era um sinal das obras em
“Estamos a regredir vários anos no turismo por incapacidade do Governo Regional”, alerta Berto Messias
O Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista dos Açores, Berto Messias, alertou para a “enorme regressão que se verifica no sector do turismo nos Açores, tendo em conta os indicadores mais recentes, que confirmam uma tendência de abrandamento da actividade”. Segundo o dirigente socialista, “os dados estatísticos conhecidos demonstram uma inversão preocupante da trajectória do sector”. O número de dormidas decresce há nove meses consecutivos, o que representa uma perda superior a 105 mil dormidas desde o mês de Outubro do ano passado. “Quando deveríamos estar num caminho consolidado de crescimento, verifica-se um abrandamento sem precedentes, resultado de vários erros estratégicos do Governo Regional”, afirmou. Como exemplos, Berto Messias aponta “o fim da operação da Ryanair nos Açores, um erro gravíssimo; o facto de o mecanismo de captação de novas rotas continuar por concretizar, devido à lentidão e à falta de proactividade do Governo; o evidente desequilíbrio na oferta de voos de e para o exterior da Região entre as diferentes ilhas, sem a complementaridade e as ligações internas que se exigiam; a incapacidade de diálogo com os parceiros do sector; a inexistência, ou, pelo menos, a falta de clareza de uma estratégia de promoção externa; e as sucessivas indefinições quanto ao futuro da Azores Airlines”. “Tudo isto faz com que um dos mais importantes sectores da nossa economia esteja em abrandamento, em plena época alta, uma situação que é completamente contrária ao que seria expectável e que não faz qualquer sentido”, acrescentou. Para Berto Messias, “a Região está à deriva no que respeita à estratégia para o turismo, e a prova disso são os sinais que já hoje se fazem sentir e os riscos que daí decorrem para os próximos anos”. “Exige-se mais firmeza, proactividade e visão estratégica. O regresso das companhias low cost aos Açores, a implementação de um mecanismo eficaz de captação de novas rotas e um amplo diálogo com os parceiros do sector para actualizar o Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores têm de ser prioridades do Governo Regional”, concluiu.
Ilha Graciosa, reserva da biosfera
A educação ambiental ganhou, pode dizer-se, uma importância equivalente à que, pela literatura, se concebeu à educação sentimental, suscitando toda uma nova bibliografia, em particular a dirigida aos mais novos, aqueles que vão ter a sua vida literalmente frita pelas alterações climáticas. Como já aqui tivemos ocasião de fazer notar, e mais do que uma vez, o tema tem mobilizado a mais recente edição infanto-juvenil portuguesa, beneficiando do talento duma geração de ilustradores que usam as ferramentas digitais com particular sedução, tanto quanto de cientistas naturais dispostos a escrever para um público particularmente exigente em tom e empatia. Este extraordinário impulso, que merece ser melhor conhecido e difundido — possibilitando ampliar tiragens e reduzir o preço dos livros —, tem agora uma nova demonstração neste pequeno livro A Carta Misteriosa e a Descoberta da Ilha da Biosfera da bióloga polaca Kasia Sroczynska, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, da Universidade de Évora, e do ilustrador Bernardo C. Carvalho, cujos trabalhos saem habitualmente pela Planeta Tangerina, especificamente contextualizado na Graciosa e publicado em auto-edição, financiada pelo Fundo Ambiental. Pela primeira vez, e numa ilha dos Açores menos mediatizada ou visitada, a edição infantil portuguesa com preocupações ambientais ocupa-se duma reserva da biosfera como lugar a partir do qual crianças podem ver e perceber o mundo. Duas frases do livro: «Agora compreendia bem a grande responsabilidade que os habitantes da ilha têm: cuidar da natureza que confia neles como seus guardiões»; «A nossa ilha inteira é uma reserva. E nós, as pessoas que aqui vivem, também fazemos parte dela». O facto de a pequena ilha açoriana ser uma reserva da biosfera da Unesco desde 2007 coloca às crianças que nela vivam o desafio duma tomada de consciência do privilégio que lhes coube e, a partir daí, o dever de zelar pelo bom equilíbrio das coisas à sua volta e até ao fio do horizonte, com tudo o que os oceanos acarretam como fluxo global. Invertendo o caminho duma garrafa com mensagem SOS dentro, que Maria, a protagonista, encontra na praia, lançada à água por Miguel, que vive contrariado algures numa megapólis, os benefícios duma vida em plena natureza que a condição insular ali proporciona, e os prodígios — lendas incluídas — que o vulcanismo desencadeou, vão sendo enunciados, a par e passo com as paisagens que o cromatismo exuberante e o risco divertido de Carvalho desenharam com hábil graciosidade (não desperdiçou, claro, a oportunidade de colocar o Pico ao longe, coberto por nuvem). Com os colegas da escola, Maria vai ajudar os jovens cagarros a darem os primeiros voos em direcção ao mar, provavelmente — embora isso não seja referido — participará também em jornadas de limpeza das orlas marítimas, mas é em conversas e passeios com a mãe que se vai dando conta de que o facto de a sua ilha ser uma reserva da biosfera faz dela um «lugar de esperança» na harmonia entre animais, plantas e humanos. E como a produção e o consumo energéticos fazem parte da grande equação, o aproveitamento do sol e do vento também importam: «Maria fechou os olhos. Imaginou a sua casa iluminada por raios de sol guardados em caixas invisíveis e o vento a soprar para dentro das lâmpadas do quarto.» Mesmo que crianças como Maria façam bem a sua parte, no «sítio único» em que vivem, a verdade é que serão sempre poucas e cada vez menos, pois o grave declínio demográfico de algumas daquelas ilhas — um assunto para adultos que o sejam — é tão difícil de debelar como a indiferença ambiental de larga parte da população açoriana e portuguesa. Contra isso não há literatura, por melhor que seja, que nos salve ou console. Todavia, o caminho faz-se caminhando… Publicado inicialmente no «Observador», a 2 de Agosto de 2026 Vasco Rosa