“Haja ou não médicos, os enfermeiros não vão abandonar as pessoas”
Diário dos Açores

“Haja ou não médicos, os enfermeiros não vão abandonar as pessoas”

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Pedro Soares, Ordem dos Enfermeiros dos Açores

Os enfermeiros dos Açores “mantêm-se nos seus postos” e farão “todo o trabalho ao seu alcance”, mesmo que os médicos não viabilizem escalas de serviço para as urgências, garantiu Pedro Soares, responsável nos Açores pela Ordem dos Enfermeiros, ao jornal Diário Insular.
“Vamos estar lá, haja ou não médicos ao serviço”, enfatizou.
“Os enfermeiros não vão abandonar as pessoas. Os açorianos podem ficar descansados”, disse o responsável ao DI após o anúncio de que os chefes de equipa de urgência do Hospital de Ponta Delgada (HDES) se tinham demitido das suas funções.
O anúncio surge depois de os médicos recusarem fazer mais do que 150 horas extraordinárias por ano, decisão que pode pôr em causa as escalas de urgência nos hospitais dos Açores já a partir do início deste mês de Dezembro.
“Os enfermeiros nunca abandonaram, nem vão abandonar, quem precisa dos seus cuidados. Vamos estar sempre ao serviço, como temos feito até aqui”, afirmou Pedro Soares, lembrando, no entanto, que em muitos serviços há enfermeiros “abaixo da dotação segura” (escassez de profissionais num determinado serviço), o que, alegou, dificulta o trabalho. “Mas isso não é razão para abandonarmos as pessoas”, garantiu.
Pedro Soares já tinha criticado a atitude dos médicos que optaram por medidas de pressão sobre o sistema político para conseguirem aumentos salariais.
“Numa altura em que deveríamos estar a discutir a reconstrução e reforço de um Sistema Regional de Saúde eficaz, assim como a valorização dos seus recursos humanos de uma forma ponderada e justa, acontecem ondas de propaganda de grupos específicos, com a agravante da utilização do foco do nosso trabalho no dia-a-dia que são os nossos utentes, em ameaças veladas de que ou as coisas são como se pretende, ou quem vai sofrer são os nossos doentes”, escreveu Soares num artigo publicado  ontem no DI.
Depois de se confessar “profundamente revoltado”, o líder da Ordem dos Enfermeiros nos Açores escreveu que “o que se pretende na raiz é um aumento tremendo nos salários de uma classe profissional no imediato, em detrimento das actualizações ponderadas de forma equitativa entre as várias classes profissionais da saúde. Não é apenas injusto, é imoral depois do que todos passámos nos últimos dois anos, e os enfermeiros estão cansados desta discriminação e tremenda falta de respeito”.
Pedro Soares disse ao DI que os enfermeiros, além de prestarem “todo o apoio” ao seu alcance às populações, estarão atentos ao evoluir das negociações entre os médicos e o Governo Regional. “Sobre essa situação concreta, reservamo-nos para falar no fim”, disse Soares.
Segundo a Ordem, estão em falta cerca de 450 enfermeiros nos Açores, o que obriga os existentes a trabalhos redobrados.
“Mas isso não é razão”, adiantou Pedro Soares, “para recusarmos apoiar as populações que precisam de nós”.

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