Diário dos Açores

Os eurocratas querem matar-nos à fome

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O Banco Central Europeu, que é uma metáfora do Banco do Sufoco dos Europeus, voltou a aumentar as taxas de juro, agora para 4,5%, o valor mais elevado em 22 anos!
Contra todos os apelos da sensatez, Christine Lagarde e os seus colegas do Comité do Sufoco voltam a apertar o pescoço aos cidadãos mais fragilizados da Europa, os da classe média, claro, porque os das classes mais baixas já estão à fome e os da mais alta somam e seguem nas lucrativas decisões dos eurocratas monetários.
O aperto galopante aos cidadãos já fez com que os bancos portugueses ganhassem 9,5 vezes mais do que esperavam e os cofres do Estado vão engordando com a crise inflacionária, sem que os governantes se preocupem com os bolsos dos contribuintes.
Agora dizem que os dias da salvação vêm com o Orçamento de 2024 e até os profetas da boa nova prometem-nos dias melhores com a ajuda do providencial António Costa, o primeiro-ministro mais preguiçoso e incumpridor para com os açorianos.
Ou seja, não conseguem pagar o que prometeram em Orçamento de 2023 relativamente às Obrigações de Serviço Público para a Horta, Pico e Santa Maria, e já estão a prometer ajudas para o Orçamento 2024.
Alguém acredita nesta gente?
Toda esta casta política das europas, líderes fracos, vive nos seus sumptuosos gabinetes, com motorista à porta, cartão de crédito ilimitado, avião sempre disponível, frequência dos melhores hotéis e restaurantes do mundo... o que é que esta gente percebe de como vive um cidadão comum? Sabem lá o que é austeridade em cima de austeridade. Nem sabem os sacrifícios que as famílias fazem para colocar os filhos na escola ou na universidade, porque suas excelências têm como segura a colocação dos seus filhos nos melhores colégios particulares da Europa.
Idosos a passarem fome? Jovens a abandonarem a escola? Famílias a gastarem as poupanças de reformas particulares? Empresas a falirem?
Querem lá saber.
Eles que vivem nas suas grandes mansões, sabem lá o que é pagar a renda no fim do mês ou não poder constituir família porque não há casa e muito menos poder ter filhos.
Até pedem aos governos que não continuem com os apoios sociais, pois a inflação há-de baixar a todo o custo, mas até lá muitas famílias hão-de morrer à fome.
São os políticos que temos. É a nova casta financeira e os seus amigos a mandar na política.
Isto só vai acabar quando os populistas tomarem conta dos lugares dessa gente, porque são eles próprios que estão a fazer  a sua manjedoura.
Quando chegar a esta altura, a casta contemporânea, incomptetente, vai para casa gozar a reforma gorda e tratar dos netos, rindo-se dos pedintes.
Já faltou mais.

                                                      ****

O CASO DOS AÇORES - A Europa vai mal, Portugal vai pior e os Açores vão pelo mesmo caminho.
Mesmo com as grandes receitas fiscais e com o turismo a bombar, a economia açoriana não descola.
Os últimos dados do SREA sobre a actividade económica açoriana indicam que, em Julho, houve uma desaceleração do crescimento da economia.
Registou-se um aumento de apenas 2,4%, valor inferior ao mês passado e o mais baixo deste ano.
É um sinal de aviso do que aí vem, que pode não ser nada bom.
Mesmo com um bom ano turístico, poderia ter sido muito melhor se não houvesse uma forte quebra no turismo residente.
As pessoas estão a retrair-se na algibeira, fazendo jus à crise que volta a pairar nos lares de cada família e cortam nas viagens.
Mesmo assim, não fosse o turismo este ano, mais uma vez, e a economia regional já estava em recessão.
Seja como for, há sinais preocupantes.
Vejamos: em julho, no panorama geral, o número de dormidas de turistas nacionais voltou a cair quando comparado com igual mês do ano passado (-12,7%), embora mantenha um valor acumulado marginalmente positivo (0,4%).
É o segundo mês consecutivo em que a variação é negativa, numa tendência que afeta não só os Açores, é certo, como também a Madeira (com a maior variação negativa em julho) e o Algarve.
A explicação desta tendência poderá estar no elevado número de visitantes nacionais de 2022, ainda no rescaldo das restrições da pandemia, mas também com o impacto resultante do abrandamento da economia nacional e a perda de poder de compra associada à inflação e à subida das taxas de juro.
Globalmente, para o mês, a variação é positiva (5,9%) e determinada pelo crescimento das dormidas de turistas internacionais. A variação global acumulada regista uma variação positiva de 15,4%.
Na hotelaria tradicional, a quebra de dormidas de residentes é mais acentuada (-14,2%), com um valor acumulado marginalmente negativo (-0,6%), valendo os preços altos praticados este ano.
Com efeito, os proveitos evidenciam uma evolução muito positiva quer para o mês (18,9%) quer para o ano (27,4%), determinado por preços mais elevados associados à procura crescente de estrangeiros e certamente à necessidade de cobertura de custos de produção mais elevados.
Basta frequentar um hotel ou um restaurante para perceber como tudo disparou.
Na hotelaria tradicional, numa avaliação por ilhas, mantém-se a tendência do mês anterior com resultados muito positivos em Santa Maria (17,4%), associáveis a melhores acessibilidades aéreas, e resultados negativos na Terceira, Graciosa, Faial, Flores e Corvo.
No acumulado do ano as variações negativas cingem-se à Terceira (-10,1%) e às Flores (-1,7%), com uma variação global positiva de 8,2%.
A boa notícia é que às variações negativas nas dormidas não está associada variação negativa nos proveitos totais.
No alojamento local, regista-se uma variação de -9,5% de dormidas de turistas nacionais (2,9% no acumulado do ano) sendo que as dormidas de estrangeiros registam uma variação positiva de 16,2% (37,5% no ano) para um resultado global muito positivo de 11,3% no mês e 26,3% no ano.
O alojamento local tem uma variação acumulada positiva em todas as ilhas exceto o Corvo, com um resultado acumulado de 26,3% e um registo mais elevado em S. Miguel com 31,2%.
Nesta modalidade de alojamento, os registos de variação negativa em julho limitam-se às ilhas de Santa Maria e S. Jorge.
Globalmente, até julho, o turismo dos Açores evidencia uma evolução positiva, com uma recomposição entre nacionais e estrangeiros, voltando a uma composição mais parecida com a que havia antes da pandemia, o que significa que o nosso mercado tradicional está a retrair-se.
Se estivermos à espera de turistas neste inverno, provavelmente não poderemos contar com os nacionais.
Quanto aos estrangeiros, é preciso que os aviões os tragam, mas a operação deste inverno não parece lá grande coisa.
E a promoção é praticamente inexistente.
Já não bastavam políticos e políticas incompetentes.
Vamos ter um inverno carregado.

Osvaldo Cabral *
osvaldo.cabral@diariodosacores.pt

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