Onde está a  transparência?
Teresa Nóbrega

Onde está a transparência?

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A tomada de posse do Presidente da República para o seu segundo mandato marcou a agenda política da semana e foi precedida pelo anúncio de uma visita relâmpago a Ponta Delgada e ao Funchal, que só não se realizou devido às condições atmosféricas na Madeira. Pelo que se sabe do programa da visita, Marcelo pretendeu com esta deslocação aos Açores e à Madeira afirmar simbolicamente que o cargo de Representante da República é importante e é para continuar. Desenganem-se aqueles que têm a expectativa da extinção desse cargo em próxima revisão constitucional.
E sobre centralismo mais aconteceu na passada semana. A direcção nacional do PSD apresentou uma lista de 100 nomes como candidatos a outros tantos Municípios, 77 dos quais como recandidatos. Quando se descobriu que não tinham falado com ninguém, nem com os próprios candidatos a candidatos, o secretário-geral do Partido explicou que afinal a lista era de personalidades cuja homologação está garantida se os mesmos decidirem candidatar-se. Na lista constam os presidentes dos Municípios da Ribeira Grande, Nordeste e Madalena. De fora ficou a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Se no Continente esta lista surpreendeu tudo e todos pela negativa consubstancia também mais um atentado às Autonomias que não foram ouvidas nem achadas.
E por falar em Autonomias, elas corporizam a vontade dos povos gerirem o seu próprio destino. Certamente que se espera benefícios na gestão próxima da cousa pública. Mas não é isso que está a acontecer com o nebuloso processo de vacinação COVID 19 nos Açores. 
A nossa insistência na abordagem do tema justifica-se com a continuada resistência à publicação de um relatório semanal sobre o processo de vacinação, à semelhança do que acontece a nível nacional todas as terças-feiras. A falta de informação e de transparência sobre o processo está a causar, para além de apreensão e angústia, desilusão para com um governo que nasceu com a promessa da transparência.
É, no mínimo, estranha a informação avançada esta semana pelo Secretário Regional da Saúde, em Ponta Garça, de que naquela freguesia todos os idosos com mais de 75 anos tinham sido vacinados. Estranha, porque no plano regional de vacinação o único grupo prioritário de ordem geográfica é a população da ilha do Corvo.
Foi também anunciado o início da vacinação dos doentes com Insuficiência renal, talvez porque existe uma associação de insuficientes renais que lutou pelos seus associados. Os doentes das outras patologias prioritárias constantes da primeira fase do plano, insuficiência cardíaca, doença coronária e doença respiratória crónica, como não são protegidos por nenhuma corporação foram abandonados à sua sorte. Não se sabe quem são nem quantos são porque ainda não foi pedida uma lista desses doentes aos Centros de Saúde ou Hospitais.
Quando não há informação e transparência está em causa o Estado de Direito.
*Jornalista
A autora escreve segundo a antiga ortografia
 

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