“As expectativas já foram maiores, mas não perdemos a esperança  nem cruzamos os braços”
Rita Frias

“As expectativas já foram maiores, mas não perdemos a esperança nem cruzamos os braços”

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Catarina Cymbron, delegada regional da APAVT

Devido à pandemia, o sector turístico viu-se imensamente atingido, bem como as actividades económicas a ele associadas. O sector das agências de viagens não foi excepção. Catarina Cymbron, delegada regional dos Açores da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), explica como é que estas tem vivido nestes últimos tempos e quais são as expectativas para os próximos meses, tendo em conta que estamos a caminho do segundo Verão em época de pandemia e dada a situação de Portugal Continental.

 

Diário dos Açores - Tendo em conta a actual situação que se está a viver devido à pandemia, como se encontra o sector das Agências de Viagens? O impacto económico da pandemia também afectou fortemente este...
Catarina Cymbron
- Se é um facto que o Turismo constitui uma das actividades económicas mais afectadas pela pandemia, dentro desta, as agências de viagens são das mais penalizadas. Encontra-se praticamente sem actividade e a enfrentar bastantes dificuldades.  

Quais são as dificuldades que têm tido neste último ano? 
CC
- Manter a estrutura, que cresceu com o aumento do Turismo, quando as receitas diminuíram entre 80% a 90%. Assim, temos custos, designadamente ordenados, mas não só, não temos clientes e, como tal, não temos receitas. Esta situação exige de nós, empresários, um investimento que excede a capacidade de muitos. Exige de todos, gestores e colaboradores, uma resiliência enorme. Acima de tudo, a incerteza da data em que possamos retomar alguma normalidade. Sabemos que as pessoas querem viajar, tanto para fora como para os Açores, mas com as restrições existentes às viagens para muitos destinos e em vários países europeus, está a haver um adiamento nas reservas e muitos cancelamentos de grupos que estavam marcados já desde o ano passado.

E que expectativas têm para este? 
CC -
As expectativas já foram maiores, mas não perdemos a esperança nem cruzamos os braços. A grande preocupação é até que ponto este Verão irá permitir-nos, a par do aumento de custos que o reinício da actividade implica, facturar o suficiente para enfrentar o Inverno, época em que, como todos sabem, o turismo dos Açores sofre uma enorme quebra.

A evolução da pandemia no arquipélago tem sido inconstante. Que consequências é que tem trazido tendo em conta esta incerteza?  
CC - A evolução da pandemia nos Açores per si não tem trazido grandes consequências porque em comparação com outros países e com o continente, conseguimos controlar muito bem a pandemia. Fomos afectados sim, por Portugal ter estado tantos meses em vermelho e só o ter de fazer escala em Lisboa tornou-se um impedimento para as pessoas viajarem até aos Açores.

Os açorianos estão a marcar férias? Para onde?
CC
- Os açorianos estão a começar a solicitar vários orçamentos, luas-de-mel, para destinos próximos de casa na sua maioria inter-ilhas, Madeira, Canárias, Cabo Verde, Continente. Poucas reservas. As que temos são mais a partir de Agosto. Nota-se uma grande vontade das pessoas em viajar, mas dada também a conjuntura actual, muitas pessoas estão a aguardar para marcar mais em cima da data ou até aguardar novamente este ano. Recebemos pedidos para simulação de preços, e muitas vezes, as pessoas estão dispostas a aceitar o orçamento, mas não querem arriscar terem despesas de cancelamento, caso a situação piore no destino final de férias.

E de fora, já têm reservas? 
CC
- Na semana passada, começou a haver mais contactos de operadores de fora a pedirem informações sobre as medidas e restrições para fazerem reservas mais para o Verão e algumas para Abril e Maio, mas sempre na premissa de poderem cancelar as reservas caso haja um impedimento de viajar devido ao Covid, porque, como sabemos, na Europa, vários países estão a prolongar as restrições cada vez mais para a frente e a desaconselhar viagens para o estrangeiro. Para os Estados Unidos e para o Canadá, nem se consegue viajar para lá. Por isso. sempre que há sinais de abertura ou fecho de fronteiras em algum país, há uma vaga de novas reservas ou cancelamentos.

No Verão passado, assistiu-se ao fenómeno do turismo interno (inter-ilhas e no resto do país, mas principalmente dentro do arquipélago). É uma realidade que já existia antes do Covid? 
CC -
É uma realidade que existia antes claro, mas em muito menor número. Penso que os açorianos estão a descobrir as maravilhas que este arquipélago tem e as inúmeras actividades ao ar livre que se pode cá fazer. No entanto, em São Miguel, com o grande aumento da oferta, nos últimos anos, este turismo regional não é suficiente para equilibrar com a procura.

Com o processo de vacinação a decorrer, crê que as pessoas voltarão a viajar como antes? 
CC -
Sim, sentimos que existe no mercado regional, nacional e mesmo nos internacionais, uma enorme vontade de viajar, e que o processo de vacinação irá seguramente ajudar a concretizar.  Assim tenhamos condições para retomar a actividade em pleno.

Para além das medidas e dos apoios que têm sido implementados para o sector turístico, que acha que é preciso fazer mais? 
CC -
Na minha opinião, as medidas e apoios implementados são correctas e têm permitido às microempresas manter os postos de trabalho. Será muito importante prolongar os vários apoios até 30 Junho de 2022 porque se o Verão não for muito bom, teremos muita dificuldade em sobreviver a mais um Inverno sem apoios. É muito importante para as empresas conhecerem as medidas de apoio com a máxima antecedência e para um prazo de pelo menos 1 ano para que possam planear a afectação dos seus recursos e conseguirem mais facilmente estar preparados para o dia em que pudermos voltar a dar o nosso contributo para a economia regional. Para as pequenas e médias empresas, é muito difícil manter as estruturas existentes em 2019 porque provavelmente não vamos conseguir atingir as receitas daquele período com a rapidez necessária.    

O turismo pode ter um grande peso na reconstrução da economia açoriana? 
CC -
Sem dúvida que pode e irá ter!

jornal@diariodosacores.pt
 

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