Pagar a factura
Osvaldo Cabral

Pagar a factura

Previous Article Previous Article Senhora da Rosa: um hotel de cidade no meio do sossego da natureza
Next Article As Origens da Cidade Medieval Portuguesa, segundo Oliveira Marques (Final) As Origens da Cidade Medieval Portuguesa, segundo Oliveira Marques (Final)

Diário Inconveniente

Para quem julgava que a factura das gestões irresponsáveis na SATA não chegaria aos nossos bolsos, vejam o que se passa com o agravamento da dívida bruta da região e com o Plano e Orçamento apresentados no parlamento.
Está lá tudo escarrapachado. 
É a primeira factura que vamos ter que pagar, porque o desvario não fica por aqui. 
Digamos que é uma primeira tranche, porque outras se seguirão.
O que resulta de tudo isso é que as centenas de milhões que vamos ter de aplicar na SATA vão-se esfumar em pagamentos de empréstimos, de aviões que não voam e outros negócios ruinosos, em vez de investirmos em coisas produtivas na nossa região.
Portanto, caro leitor, não se queixe quando faltar o médico na sua ilha ou o edifício escolar meter água. 
O orçamento não estica para tudo e é preciso apagar os fogos que gestores e políticos irresponsáveis nos deixaram como herança.
Com os dois empréstimos garantidos, o de 65 milhões de há dois anos, e o de agora, com 132 milhões, o contributo da SATA para a dívida regional já vai em 197 milhões de euros. 
A dívida em si aumentou de 1690,4 milhões em 2017 para 2405,4 em 2020, um acréscimo de 42% em três anos!
Só do que vamos pagar pelo famoso “Cachalote”, o tal que era mais barato em terra do que a voar, dava para construir um novo hospital.
A investigação judicial às mortes no Lar do Nordeste começaram, incompreensivelmente, um ano depois. 
A dos negócios da SATA nos últimos anos vai começar quando?

****

DEPUTADOS DE GABINETE - Um deputado quando é eleito (escolhido pelo partido e não pelos eleitores) para representar os Açores na Assembleia da República é para defender os interesses da nossa região e dos nossos cidadãos.
Pelo menos é o que nos prometem nas campanhas eleitorais.
Ver três deputados arreliados porque nos Açores há vozes a protestar contra os esquecimentos do Governo da República, é porque já não estão a cumprir a missão que lhes confiamos. 
Preferem juntar-se à voz do dono, esquecendo-se que foi o povo que os colocou nos confortáveis gabinetes de S. Bento.
A lista de compromissos que António Costa rubricou para com a nossa região e que está por cumprir é longa e ainda há poucas semanas a publiquei numa destas crónicas.
Mas bastava aquele compromisso vexatório para todo o governo, o do financiamento da Universidade dos Açores, que afinal não é o que era, para os senhores deputados darem um murro na mesa e questionarem o respectivo chefe sobre a vergonha que agora estão a passar Vasco Cordeiro e João Luís Gaspar, por terem acreditado na carochinha.
Há políticos que precisam andar mais na rua do que em aviões e gabinetes. 

****

BEM-VINDO - O Secretário Regional das Finanças, Bastos e Silva, manifestou esta semana a sua preocupação pela dimensão da administração pública regional.
Bem-vindo ao clube, Sr. Secretário!
Aos anos que alertamos para o poder incontrolável de uma máquina gigantesca, pouco produtiva e enxameada de clientela partidária.
Olhe, como bom exemplo, podia começar pela enorme estrutura deste governo, de que alguns dos seus elementos nem sabemos se existem, e pela catrefada de nomeações, algumas delas descaradamente vira-casacas.
Somando aos negócios da SATA, é outra factura pesadíssima que nos entra pelo bolso dentro.
Basta pensar que, em média, temos 2 mil funcionários públicos por ilha.
É obra!

Share

Print

Theme picker