Senhora da Rosa: um hotel de cidade  no meio do sossego da natureza
Rita Frias

Senhora da Rosa: um hotel de cidade no meio do sossego da natureza

Previous Article Previous Article Governo Regional anuncia creches gratuitas até ao fim da legislatura
Next Article Pagar a factura Pagar a factura

Situada na rua que lhe deu o seu nome, na freguesia da Fajã de Baixo, a Senhora da Rosa, Tradition & Nature Hotel irá abrir as portas neste mês de Abril, um ano após o seu adiamento em virtude da pandemia, começando pelo seu restaurante. Joana Damião, juntamente com o seu irmão, Miguel Damião, e o seu amigo, José Pedro Sousa, compraram a propriedade sem hesitar, recuperando aquele antigo espaço designado por “Estalagem”. Após ter estado encerrado vários anos, quis o destino que o mesmo local que foi gerido pelos pais de Joana Damião, fosse agora seu empreendimento. Com mais de 200 anos na história da família de Joana Damião, a natureza e a tradição são dois aspectos que a nova unidade hoteleira quer realçar, bem como a arte de bem receber. Apesar de terem sido feitas várias remodelações, algumas zonas da “Estalagem” mantiveram-se no mesmo lugar, podendo trazer recordações a antigos hóspedes. Abrir um hotel em tempos de pandemia pode revelar-se um verdadeiro desafio, mas para os sócios, a actual situação que se vive não foi impeditiva. 

 

Diário dos Açores - Como nasceu a ideia de criar este empreendimento? Que história tem esta unidade hoteleira? E o seu nome?
Joana Damião
- Este empreendimento abriu pela primeira vez, em 1994, como “Estalagem”, pelas mãos dos meus pais. Ao longo de 17 anos, foi-se tornando num espaço de referência pela sua gastronomia, pelo bom gosto da sua decoração e pelo seu grande nível de serviço. Nessa época, a procura pelo destino Açores era muito reduzida. 
A crise de 2008 veio dificultar ainda mais o negócio e o encerramento em 2011 foi inevitável. Durante 8 anos, esteve totalmente abandonada, “à procura” de novos donos e curiosamente (e felizmente) nunca ninguém se interessou por este empreendimento. Em 2017, juntamente com o meu irmão Miguel Damião e com o meu amigo José Pedro Sousa, fomos aliciados a comprar a propriedade e, sem grande hesitação, aventuramo-nos neste projecto de recuperação, ampliação e remodelação da Senhora da Rosa!  
Senhora da Rosa, Tradition & Nature Hotel tem mais de 200 anos de história na nossa família e o novo nome transmite o que de melhor temos e o que queremos realçar: a natureza (dentro e fora do Hotel) e a tradição (história da propriedade).

Que remodelações feitas no espaço?
JD -
O nosso arquitecto Paulo Vieitas fez um excelente trabalho ao longo deste processo que, por vezes, foi delicado por tratar-se de uma remodelação, mas o resultado final não nos poderia deixar mais realizados! 
Conseguiu-se manter as áreas sociais exactamente nos sítios onde sempre estiveram (restaurante, bar e salas de eventos), que são espaços que trazem muito boas recordações a muitos antigos clientes da Estalagem. Alterou-se um pouco a zona do hall de entrada/recepção para trazer mais luz e amplitude ao espaço e procurou-se sempre manter e recuperar elementos antigos como a pedra de lavoura, madeiras antigas e os jardins interiores. Aproveitou-se a cobertura do edifício principal para criar o “Mirante Rooftop Bar” com uma vista fantástica sobre a quinta do hotel e a própria ilha! 
Tendo em conta que a propriedade, com uma área de 12.000 metros quadrados, tem uma quinta muito rica a nível de árvores de frutos e flores, decidimos criar duas unidades de alojamento no meio da mesma para que os nossos hóspedes pudessem apreciar de perto a natureza que nos envolve. Chamamos a estes quartos “Cafuão” e “Granel”, uma vez que o nosso arquitecto se inspirou nas construções antigas em madeira e estacadas (sobre estacas) onde se guardavam os cereais e os utensílios das quintas. Estes, são já o nosso produto “premium” em termos de procura quando ainda nem abrimos, o que nos dá grande satisfação e segurança nas nossas escolhas. 
Para juntar à lista de novos espaços, temos também o nosso “Musgo SPA”, que foi cuidadosamente implantado no meio da Quinta de forma a que as pessoas possam usufruir da tranquilidade que a mesma oferece. A decoração é da autoria da Lili Damião, decoradora de Interiores e minha mãe, que nesta “segunda vida” da Senhora da Rosa se inspirou na natureza, aliada a uma escolha de móveis antigos e contemporâneos e muitas outras peças que caíram em desuso e que aqui aparecem como elementos decorativos. A decoração da Senhora da Rosa é sem dúvida um aspecto diferenciador, pela originalidade e qualidade que apresenta.

Encontraram dificuldades pelo caminho? 
JD
- Seriam necessárias muitas páginas para descrever todos os obstáculos que encontrámos pelo caminho...Aprendemos muito com esses desafios e o importante agora é seguirmos em frente e focarmo-nos no que são os nossos objectivos: a captação e fidelização dos nossos clientes, através da oferta de um conjunto de “serviços”, desde o alojamento, gastronomia, bem-estar, desporto e lazer, de alta qualidade e inovação no mercado turístico regional.

Que tipos de quartos têm à disposição dos clientes? E que serviços tem a Senhora da Rosa para oferecer? 
JD
- Temos 35 quartos no total, sendo que 33 estão situados no edifício principal (entre quartos Standard, quartos Deluxe, Junior Suite e Family Suite) e dois quartos no meio da Quinta (o Cafuão e o Granel). Temos muitos quartos comunicantes que, para além da Suite Familiar, são uma excelente opção para as famílias. 
Para além do alojamento, temos ao dispor dos nossos clientes, hóspedes e não hóspedes, o “Restaurante & Bar Magma”, o “Mirante Rooftop Bar”, duas Salas de Reuniões/Eventos e amplos terraços que complementam essa oferta, bem como um Kid´s Club que presta apoio a todas as famílias com crianças que se desloquem à Senhora da Rosa; o “Musgo SPA”, com 4 salas de tratamento incluindo uma sala dupla, sauna, banho turco, sala de relaxamento, ginásio, estúdio de yoga e área para a prática de pilates com máquinas; uma piscina exterior com vista privilegiada para a Quinta, onde se pode “nadar ao nível das árvores”; um tanque de água quente, dentro de uma estufa de ananases, proporcionando uma experiência verdadeiramente única; um campo para a prática de padel; e uma Quinta para explorar e desfrutar, que produz uma grande variedade de frutos, incluindo os ananases em estufa e uma horta que irá abastecer directamente o nosso Restaurante e Rooftop.

O que vai distinguir a Senhora da Rosa dos outros empreendimentos para além da sua decoração, como já referiu? 
JD
- A Senhora da Rosa é praticamente um hotel de cidade com todas as comodidades que isso implica e está, ao mesmo tempo, no meio do sossego da Natureza: muito perto do centro de Ponta Delgada, mas suficientemente longe para se poder apreciar a tranquilidade e a natureza que nos rodeia, seja a da ilha bem como a da própria Quinta. A Senhora da Rosa direcciona-se para o conforto, a harmonia com a natureza, a herança cultural e o serviço cuidado e personalizado, na arte de bem receber.

No que se refere aos hóspedes, qual ou quais os principais mercados? Esperam receber mais portugueses ou estrangeiros?
JD
- Neste primeiro ano, e face às circunstâncias actuais, o nosso principal foco é o mercado nacional, e alguns mercados europeus em segundo plano.

Considera a localização um benefício?
JD
- Sem dúvida. Como já referi, estamos perto o suficiente de Ponta Delgada, mas também longe o suficiente para que o cliente sinta a paz que aqui se vive. Geograficamente, estamos no centro da ilha de São Miguel, constituindo assim uma localização privilegiada para quem pretende uma “base” à qual regressar depois de um dia de visita pelos quatro pontos cardeais da ilha. Se “no meio é que está a virtude”, então temos razões para acreditar que a Senhora da Rosa será esse ponto de referência e equilíbrio, na experiência de “ser e estar” na nossa ilha.

Tendo em conta a actual situação da pandemia, porque foi decidido abrir o empreendimento nesta fase? Quais crêem ser os maiores desafios ao abrir portas nesta altura? 
JD -
Contávamos abrir em Abril de 2020, mas devido à pandemia, tivemos de alterar os nossos planos. Tendo em conta que o investimento está concluído, e que grande parte da equipa está contratada há um ano, decidimos abrir com várias alterações face ao que estava inicialmente previsto, tentando minimizar ao máximo o impacto dessas alterações, na oferta dos nossos serviços, aos clientes. 

Para que data está prevista a abertura? 
JD
- Iremos abrir gradualmente, sendo que o restaurante será o primeiro espaço a abrir no dia 16 de Abril. 

Certamente que vê o sector turístico como um grande contributo na recuperação da economia açoriana... 
JD
- Sem dúvida! O Turismo contribui directa e indirectamente para a economia açoriana e espero que todos vejam que a sua recuperação é fundamental para a recuperação da economia regional. 

Que perspectivas têm para este primeiro ano, principalmente? 
JD
- Este primeiro ano será ainda fortemente penalizado pela pandemia, mas vamos trabalhar com todo o nosso empenho para irmos crescendo e de forma a atingirmos o posicionamento que desejamos para o nosso Hotel. Será um ano focado no mercado Nacional e esperemos que aos poucos, e quando o processo de vacinação já estiver mais avançado, que os turistas europeus se sintam com mais confiança para viajarem até aos Açores!

Já contam com muitas reservas para o Verão? 
JD
– Algumas. Dia após dia, estamos a conseguir captar mais clientes e isso motiva-nos muito!
 

Share

Print
Ordem da notícia62

Theme picker