Proibida a circulação entre concelhos em São Miguel de Sexta a Domingo
Rita Frias

Proibida a circulação entre concelhos em São Miguel de Sexta a Domingo

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Nordeste em Alto Risco e Ponta Delgada em Médio Alto Risco

Mais 8 novos casos de Covid-19 foram registados ontem na ilha de São Miguel, resultantes de 2.052 análises, sendo cinco destes em contexto de transmissão comunitária e três referentes a viajantes, não residentes, com resultado positivo ao 6.º dia, antes de iniciarem viagens inter-ilhas. 
Novamente, Ponta Delgada é o Concelho onde foram diagnosticados mais casos, 7: cinco na freguesia de São Pedro, um na Relva e um na Fajã de Baixo. Vila Franca do Campo regista um caso, na freguesia de São Pedro.
Relativamente ao número de recuperações, registam-se 6, todas no Concelho de Ponta Delgada: duas na freguesia da Ajuda da Bretanha, três em São Pedro e uma em São José.
Encontram-se 10 pessoas internadas no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, estando quatro na Unidade de Cuidados Intensivos. Foi transferido um doente que se encontrava nesta unidade para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estando em ECMO (oxigenação por membrana extracorporal).
Ontem, os Açores registavam 131 casos positivos activos: 130 na ilha de São Miguel (105 no Concelho de Ponta Delgada, oito no Concelho da Ribeira Grande, sete no Concelho da Lagoa, quatro no Concelho do Nordeste, quatro em Vila Franca do Campo e dois no Concelho da Povoação) e um na ilha Terceira (no Concelho de Angra do Heroísmo.) O número de vigilâncias activas é de 897.
Desde o início da pandemia que já foram realizadas 391.386 análises para despiste da Covid-19. Em relação ao número de casos diagnosticados, registaram-se 4.179, tendo recuperado da doença 3.910. Faleceram 30 pessoas, 67 saíram do arquipélago e 41 apresentaram prova de cura anterior. Foram extintas 199 cadeias de transmissão local.

Medidas de contenção mais restritivas na maior ilha 


Em conferência de imprensa realizada ontem, Clélio Meneses, Secretário Regional da Saúde e do Desporto, explicou o porquê de “só agora” terem sido anunciadas as medidas para o fim de semana da Páscoa, mais precisamente para que haja uma maior eficácia e para que os cidadãos estejam devidamente informados, “para que as medidas sejam adequadas à realidade concreta da pandemia. Podíamos ter decidido mais cedo, mas a evolução da pandemia poderia comprometer a eficácia das medidas”, frisou.
Todos os concelhos dos Açores encontram-se em nível de Muito Baixo Risco, com excepção do Nordeste, que está em Alto Risco, e Ponta Delgada, em Médio Alto Risco. Clélio Meneses adiantou que foram registados mais três casos no Nordeste durante o dia de ontem, subindo  para sete. Conforme explicou o Secretário Regional, “logo que sejam detectados casos, procedem-se a testes alargados à população e a todos os contactos próximos de alto risco, baixo risco, primeira e segunda linha”. Foram realizados 94 testes na Terça-feira no Nordeste.
Para evitar uma maior propagação do vírus, “é preciso intervir com firmeza. A Páscoa é um tempo de reuniões familiares e de circulação natural e saudável. No entanto, não estamos a viver um tempo saudável. Não podemos pretender ter uma vida fácil num tempo difícil. É importante que tenhamos consciência de que estamos a viver uma pandemia”, referiu Clélio Meneses. Para o fim de semana da Páscoa, vão ser implementadas várias medidas com maior incidência na ilha de São Miguel. Segundo o Secretário Regional, “mais vale restringir 3 dias do que 3 meses conforme tem sucedido no resto do país”.
Entre as 00h de amanhã e as 23h59 de Domingo, aplicam-se em todos os concelhos da ilha de São Miguel, as seguintes medidas: encerramento de todos os estabelecimentos de restauração e de bebidas às 15h (restringindo cada mesa a 4 pessoas, sendo todas do mesmo agregado familiar); entre as 15h e as 22h, estes mesmos estabelecimentos funcionam em regime de take-away e entrega ao domicílio; proibição da circulação entre concelhos; e proibição de circulação pedonal, automóvel, motorizada ou similar na via pública entre as 15h e as 5h do dia seguinte.
Clélio Meneses acrescentou que aplicam-se aos concelhos de Nordeste e de Ponta Delgada, as medidas conforme o nível de risco que se encontram, ou seja, Alto Risco e Médio Alto Risco, respectivamente, entre a próxima Segunda-feira e a Sexta-feira. “Havendo qualquer alteração que determine uma reavaliação no nível de risco, poderá a Autoridade de Saúde, a qualquer momento, decidir medidas aplicáveis a uma ou outra freguesia ou circunscrição da região.” Posto isto, a partir de Segunda-feira, em Ponta Delgada: limite máximo de 4 pessoas na via pública; proibição de venda de bebidas alcoólicas após as 20h; proibição de visitas a idosos e utentes em estruturas residenciais; suspensão de abertura ao público em eventos desportivos e culturais; e encerramento dos estabelecimentos de restauração às 20h. Para o Nordeste, também a partir de Segunda-feira: teletrabalho sempre que possível; encerramento dos estabelecimentos de restauração às 15h (com regime de take-away e entrega ao domicílio até às 22h); proibição de circulação pedonal e automóvel entre as 20h e as 5h; e encerramento da actividade comercial a partir das 20h com excepção dos serviços essenciais.
Para as restantes ilhas, com uma situação epidemiológica diferente, foram definidas também medidas para os 3 dias da Páscoa:  encerramento dos estabelecimentos de restauração e de bebidas às 22h, sendo proibida a venda de bebidas alcoólicas em outros estabelecimentos a partir das 20h. Havendo somente 1 caso positivo, mais concretamente na ilha Terceira, estas medidas que Clélio Meneses referiu o Governo “entender como adequadas à contenção em concelhos onde não existem casos”.
Em virtude do aumento de turistas que se faz sentir em São Miguel, o Secretário Regional da Saúde e do Desporto explicou que estes também têm que cumprir as mesmas regras que os residentes, adiantando que “as decisões da autoridade de saúde não se dirigem nem a favor, nem contra nenhum sector de actividade em concreto. Acho que não há nenhum cidadão que reserve viagens que não saiba que estamos em pandemia.” Relativamente às celebrações da Páscoa, Clélio Meneses referiu que “tem havido conversações com a Igreja para contenção neste período”.
Perante o actual estado da pandemia, foi ainda decidido que não haverá tolerância de ponto na tarde hoje. “Não havendo festas, circulação de pessoas, ajuntamentos, não é coerente que haja tolerância de ponto. Esperemos que tudo isto passe e que voltemos à normalidade”, concluiu Clélio Meneses.

Processo de vacinação começou há 3 meses


Após 90 dias desde o início da vacinação no arquipélago dos Açores, Berto Cabral, Director Regional da Saúde, relembrou que a Região foi a primeira no país a vacinar os utentes dos lares, bem como os seus profissionais, tal como as casas de saúde, unidades de cuidados continuados, centros de actividades ocupacionais, entre outras valências sociais.
Neste momento, numa fase já adiantada, estão a ser vacinados os idosos com mais de 75 anos. “É preciso dar nota de que a Região colocou a partir dos 75 anos como prioritários e não a partir dos 80. Além disso, já está a decorrer há mais de 1 mês a vacinação ao domicílio que é muito moroso. É um processo que requer muitos profissionais de saúde”, referiu Berto Cabral. Acrescentou que também se encontra a decorrer a vacinação a pessoas com mais de 50 anos que sofrem de alguma patologia prioritária da primeira fase.
Durante este mês de Abril, o arquipélago irá receber 40.950 doses de vacinas da Pfizer. Mais de 5.000 destas doses serão entregues ao Hospital da Horta para facilitar o processo logístico da distribuição, especialmente nas ilhas de São Jorge, Pico e Faial. Relativamente à vacina da AstraZeneca, os Açores vão receber também mais doses, ficando por saber ainda as quantidades.
O Director Regional da Saúde adiantou que, em encontro com a Ordem dos Enfermeiros, esta informou que “irá solicitar aos enfermeiros que manifestem disponibilidade, ou que tenham disponibilidade de colaborar neste processo de vacinação, de forma a que a partir de Abril possa ser mais acelerado”.
No âmbito da 1ª fase do Plano Regional de vacinação, que se encontra a decorrer, entre os dias 31 de Dezembro e 30 de Março, 43.812 pessoas com 15+ anos foram vacinadas no arquipélago (28.376 com a primeira dose - 14,01 por cento da população e 15.436 com a 2ª dose - 7,62 por cento da população).
jornal@diariodosacores.pt

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