Algas vermelhas dos Açores transformadas em cosméticos
Rita Frias

Algas vermelhas dos Açores transformadas em cosméticos

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Algas marinhas têm ganho cada vez mais um papel de destaque no mercado de cosméticos biológicos

Bernardo Hibon e John Léchaud são dois luso-suíços, “entusiastas de produtos biológicos, apaixonados por actividades marinhas” e pelos Açores, que decidiram criar uma marca 100% portuguesa, unindo diversas áreas, nomeadamente a Botânica Marinha, a Bioctenologia, Biomedicina e a Cosmética. Body Ocean – Wild &OrganicSkincare, o projecto criado pelos empresários, incide-se na elaboração de produtos de cuidados para a pele, à base de extratos de algas marinhas selvagens dos nossos mares. Para a marca, “o respeito pelo oceano e a vida selvagem que nela habita” constituem-se como seus principais valores, não esquecendo também da sustentabilidade. Actualmente, só produz cosmético facial, não pondo de parte a hipótese de cosméticos corporais. No entanto, tal como noutros sectores, a cosmética também foi afectada pela pandemia, mas não impede que estes empresários continuem a desenvolver a marca.

Diário dos Açores - Como surgiu a ideia de criar a Body Ocean? Quem são “as caras” por detrás deste projecto?
Bernardo Hibon -
Antes de surgir a ideia da Body Ocean, propuseram-me que importasse uma marca de cosmética biológica para Portugal. Como adepto de produtos bio, fui bastante receptivo. Fiz um plano de marketing sobre a cosmética e estudei o potencial do mercado. Entretanto, não chegou a haver acordo com a marca estrangeira pois as condições de representação eram pouco atractivas. Foi aí que pensámos: porque não criar uma marca nossa com ingredientes nacionais? Mas isso, já havia quem o fizesse e bem feito, por isso teríamos de fazer algo diferente.
A partir daí, o desafio foi criar um conceito e procurar um posicionamento de mercado construindo uma marca que funcionasse.  Apostámos em ingredientes nacionais, tornando o facto de Portugal ser um país periférico numa vantagem. Quisemos ir mais além e a paixão pessoal pelos Açores e desportos marinhos fez-nos pensar em ingredientes dos mares do arquipélago, longe dos continentes e das fontes de produção e contaminação. Daí até às algas foi muito rápido. O projecto tem sido liderado por mim e pelo meu sócio John Léchaud, ambos luso-suíços com competências em Gestão e Marketing, entusiastas de produtos biológicos e apaixonados por actividades marinhas.

Qual a vantagem de utilização de algas marinhas na cosmética?
BH -
As algas marinhas possuem compostos bioactivos de elevada importância para a cosmética tais como polissacarídeos marinhos, péptidos, ácidos gordos e fito-hormonas que asseguram diversos benefícios para a pele: antienvelhecimento, acção antioxidante, foto protecção e hidratação. Os polissacarídeos marinhos podem e devem substituir substâncias químicas sintéticas devido a efeitos proeminentes inerentes como reduzir o envelhecimento provocado por radicais livres e combater a degradação da pele.

O que diferente os vossos produtos para além dos seus componentes?
BH
- Os nossos extratos são exclusivos e trabalhamos para ter um conceito diferenciador ao usar algas selvagens dos Açores. O mercado quer conceitos originais e não imitações do que os outros já fazem. Isso é fundamental para diferenciar.
As nossas algas são colhidas manualmente na ilha do Faial por mergulhadores certificados, com licenças legais de mergulho e de apanha, utilizando métodos sustentáveis. Após este processo, elaboramos os extratos exclusivos de algas selvagens da BODY OCEAN.
Ainda não podemos afirmar que as algas dos Açores são melhores do que outras ao nível dos compostos pois não há evidências científicas suficientes para tal. As algas são bastantes complexas e variáveis, mas é do senso comum que ter ingredientes de zonas despoluídas, ainda para mais colhidas de forma sustentável, traz resultados bastante positivos para a saúde e para o meio ambiente tanto a curto como a longo prazo.

Em que pontos de venda dos Açores podemos encontrar os produtos da Body Ocean? E fora do arquipélago?
BH
- Em qualquer Loja do Peter e em lojas do Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, Aeroporto da Horta, no Faial e no aeroporto da ilha do Pico. Devido à Covid-19, estas estão praticamente todas em standby, mas continuamos a vender online para a região sem custos de envio.
Em Portugal Continental, a marca encontra-se presente em lojas biológicas como as lojas Miosotis e a Mercearia Bio. A Body Ocean ainda está em alguns espaços na Alemanha, Áustria e Suíça.  
Actualmente, as nossas exportações para a Europa já superam as vendas nacionais.

Que feedback têm recebido?
BH
- As pessoas dizem que o nosso conceito é original. Gostam do efeito do nosso creme facial e perguntam-nos por mais produtos.
Para além do creme facial, estão a pensar criar mais produtos?
BH - Estamos a desenvolver a nossa linha, mas de forma sustentável. Vivemos em tempos de incerteza.

A pandemia afectou as vendas?
BH
- Sim, claro. Afectou praticamente todo o sector cosmético. Nos Açores, várias lojas onde estávamos presentes praticamente nem abriram desde início da pandemia.

Como as pessoas veem a indústria dos cosméticos?
BH - As pessoas começam a ter a noção que quase tudo o que colocamos na pele vai para a corrente sanguínea (pensem, por exemplo, na pílula anticontraceptiva, neste caso o adesivo que é um simples autocolante). Por isso, a cosmética biológica está a crescer face à convencional, que usa ingredientes sintéticos que prejudicam a saúde e até o ambiente.

Cosmético masculino: ainda é um tabu?
BH
- Cada vez mais, os homens usam cosméticos, para além do desodorizante ou aftershave, mas ainda é uma minoria que todas as noites usa um creme de rosto. Contudo, temos cada vez mais clientes masculinos.


jornal@diariodosacores.pt
 

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