O milagre israelita
Mário Freitas

O milagre israelita

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Conversas pandémicas XLI

1.    ISRAEL, ISRAEL, ISRAEL
Israel continua a esmagar a curva, apesar de ter a sua Economia quase totalmente aberta. Desde o pico pandémico, em meados de Janeiro, podemos verificar, diariamente:
•    96% menos casos 
•    90% menos novos doentes críticos 
•    85% menos mortes.
O número de casos diários (média semanal) é agora de 327, um valor que não era tão baixo desde Junho de 2020. Israel ficará na História desta pandemia, como um país que colocou a vida dos seus cidadãos acima de toda e qualquer outra questão.
2.    Métricas relevantes em ISRAEL, EUA, REINO UNIDO, PORTUGAL e ALEMANHA
As taxas de cobertura vacinal de Israel nada têm a ver com o resto do mundo ocidental. Apenas os EUA se podem comparar, de alguma forma. 
Na Europa, a História tratará de analisar o comportamento da União europeia e do Reino Unido, em todo este período. No que toca à vacinação, o Reino Unido tem estado muito melhor do que a União Europeia.
Portugal continental e Alemanha têm tido, nos últimos meses, estratégias de confinamento muito restritivas. No caso português, claramente como reacção ao desastre de Janeiro deste ano.
Em países com estratégias de confinamento muito mais flexíveis, como sejam Israel e EUA, verificamos uma redução do número de novos casos de infecção, e de mortes, sendo claramente legitima a associação com a evolução muito positiva na taxa de vacinação.

A taxa de letalidade (calculada pelo número de mortos infectados com sarscov2, dividido pelo número total de infectados com sarscov2, no mesmo período de tempo e no mesmo local) tem sido sustentadamente baixa em Israel. 0,75% em Israel, 2,05% em Portugal. Isto significa que se tivéssemos a mesma taxa de letalidade de Israel teríamos menos 11 mil mortos!

Vacinação e testagem, são os instrumentos a usar no regresso a uma nova “normalidade”. As ferramentas são, as já por demais conhecidas,regras de etiqueta e higiene respiratória, distanciamento social, e uso de máscara. E mais ou menos redução de actividades, para conter a propagação do vírus.

3.    BURNOUT EM TRABALHADORES DE SAÚDE
Nos EUA, um inquérito nacional questionou mais de 1300 profissionais de saúde na linha de frente, para que descrevessem a parte mais difícil do seu trabalho, durante a pandemia, pelas suas próprias palavras. No topo da lista estavam os medos de infecção para eles próprios, aos seus familiares ou pacientes, mencionados por 21%.61% dos trabalhadores da saúde dizem-se preocupados, ou em stress acrescido.
Quando questionados “se achavam que a preocupação ou o stress, relacionado com a covid-19, teve um impacto negativo na sua saúde mental?”, referem que a COVID19 afectou negativamente a sua saúde mental. Uma maioria de 55% sente-se “esgotada” para ir trabalhar, e muitos estão incapazes de dormir adequadamente.
Todos aqueles que contribuíram para o prolongar da pandemia, nomeadamente os “anti-máscaras” e os “teóricos da conspiração”, covidiotas das redes sociais, sem quaisquer conhecimentos de base que permitam a elaboração de uma qualquer opinião sustentada cientificamente, poderão em consciência perceber o seu papel em tudo isto.
*Médico consultor (graduado) em 
Saúde Pública e Delegado de Saúde
 

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