Inquietações
Mário Abrantes

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VACINAS - Recentes estatísticas nacionais dão conta de os Açores serem a região portuguesa onde se regista maior atraso na vacinação contra a covid 19. Entretanto no arquipélago os números da pandemia revelam-se preocupantes quase exclusivamente na ilha de S. Miguel, precisamente a ilha onde se regista maior atraso percentual de vacinação relativamente às restantes.
Sabendo nós que a forma mais eficaz de travar o avanço da doença e de a combater visando a imunidade coletiva é a rapidez com que se processa a vacinação, torna-se óbvio que este processo está a correr mal nos Açores e necessita de medidas de gestão corretoras dos seus atuais desequilíbrios. 
O que se verifica, entretanto, é que o governo das direitas aliadas à extrema direita vai garantindo todos os dias que está a fazer tudo bem e que o plano de vacinação vai ser cumprido, enquanto responsabiliza pelo aumento das infeções em S. Miguel os errados comportamentos dos cidadãos, como se os micaelenses se comportassem de modo particularmente negativo em relação aos outros açorianos e mesmo aos portugueses em geral…
Não ignorando que a origem principal dos atrasos na vacinação está no desastre da negociação da União Europeia com as “suas” farmacêuticas, no protecionismo das patentes e dos lucros destas, e na resistência política da UE à habilitação técnica de outras vacinas produzidas no mundo;
Reconhecendo que seria difícil ao estado português encontrar motivos suficientemente sólidos para decidir promover uma redistribuição nacional das vacinas propiciadora da discriminação positiva das regiões ultraperiféricas;
É no mínimo legítimo questionar o governo regional sobre o que já fez de concreto para, em conformidade com o que alardeou, adquirir diretamente vacinas aos EUA, à China ou à Rússia? E também sobre como tenciona proceder aos reajustamentos equilibradores que a atual situação interna impõe, contando com as vacinas potencialmente já disponibilizadas à região?
POBRES – Um estudo nacional sobre a pobreza, coordenado por um professor da Universidade dos Açores e encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, diz-nos que, no país, 1 em cada 5 portugueses é pobre. 
Corroborando aquilo que há muito vem sendo denunciado pelos partidos mais à esquerda, embora isso se torne muito indigesto para a demagogia neofascista, esse estudo diz-nos ainda que quase60% dos pobres acima dos 18 anos de idade não são parasitas do RSI a viver à custa de quem trabalha, mas sim trabalhadores que não ganham o suficiente para se sustentar a si e à família (32,9 % com emprego estável e 26,6 % com empregos precários, particularmente na área do turismo e da hotelaria). E aumentará certamente a indigestão da demagogia neofascista o facto de outros 27,5 % desses pobres não trabalharem por serem preguiçosos mas por serem reformados…
Tratando-se de números obtidos até 2019, certamente que eles se agravaram com a pandemia, e sabendo que nos Açores não 1 em cada 5 mas 1 em cada 3 residentes é pobre, fica a dúvida legítima se um governo que se sustenta formalmente na demagogia da extrema direita estará alguma vez em condições de combater eficazmente a pobreza, promover uma política salarial mais justa, em particular o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional, e de aprovar aumentos não apenas simbólicos mas efetivamente justos e relevantes das comparticipações sociais.
BAZUCA – Sobre ela, aos nossos ouvidos deixaram há algum tempo de zoar as loas propagandísticas de Bruxelas ou da presidência portuguesa. Simplesmente o foguete emperrou no cano…
 

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