Educação é “prioridade” na Região e deve “comprometer” toda a sociedade, diz Bolieiro
Diário dos Açores

Educação é “prioridade” na Região e deve “comprometer” toda a sociedade, diz Bolieiro

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O Presidente do Governo Regional dos Açores considerou ontem, na Horta, que áreas como a Saúde e a Educação merecem “unidade na acção” ao invés de “demagogia” e da “promoção da divisão”. José Manuel Bolieiro disse que a educação é uma “prioridade” do Executivo açoriano, defendendo uma “cumplicidade convergente” com “toda a sociedade” para o futuro do sector.
“No debate da Saúde, tal como na Educação, tudo o que se pode dispensar é a demagogia e o protagonismo. Não é essa a expectativa dos açorianos. Tudo o que se pode e deve reclamar é unidade na acção e compreensão da responsabilidade nesta matéria”, declarou o governante.
José Manuel Bolieiro falava na Assembleia Legislativa Regional, no debate em torno do Plano e Orçamento para 2021.
Para o chefe do Executivo açoriano, a “saúde dos açorianos está em primeiro lugar”, e apesar de o combate à pandemia de Covid-19 ser “complexo” e os recursos “escassos”, é prioridade do Executivo reforçar a oferta de cuidados no que refere às doenças não-Covid.
José Manuel Bolieiro assume a “responsabilidade política” de “acompanhar” as posições da comissão de acompanhamento de combate à pandemia, e garante não excluir “qualquer revisitação do plano de vacinação” em curso, sendo que este não deve ser “apenas um exercício de geografia”.
O plano de vacinação, que não existia quando o Governo tomou posse, deve ter sempre como “definição prioritária” a inoculação das pessoas “com maior fragilidade para o caso de testarem positivo” à Covid-19, acrescentou.
O Presidente do Governo lembrou as diligências por si feitas no espaço europeu na procura de um reforço de vacinas para os Açores, e sublinhou que também o Vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, tem estado em contactos no mesmo sentido “no quadro das relações bilaterais”, na procura de “outras oportunidades”.
Este Governo, vincou José Manuel Bolieiro “vive da partilha de responsabilidades”.
“Todos somos poucos para fazer e alcançar este objectivo, que é difícil”, disse ainda, referindo-se à procura de vacinas.
E concretizou: “Este Governo é suficiente humilde para estar disponível para a revisitação de tudo o que corresponda para atender aos novos meios e recursos que possam existir. Até agora não temos mais vacinas, e a responsabilidade não é deste Governo”.
Já no campo da Educação, o Presidente do Governo pediu uma “cumplicidade convergente” entre “toda a sociedade” para o futuro do sector.
“Está bem patente no Programa de Governo que a Educação é uma prioridade e de que o seu debate deve comprometer com cumplicidade convergente toda a sociedade: este Parlamento, os docentes, os discentes e a comunidade inteira”, disse o governante.

Cordeiro desafia Bolieiro

Já o líder parlamentar do PS Açores, Vasco Cordeiro, salientou que “fruto das prioridades” do Governo Regional, a “Educação tem menos dinheiro” neste Plano e Orçamento.
Durante o debate em plenário sobre as propostas do actual Governo para o sector da Educação, Vasco Cordeiro deixou um desafio ao Presidente do Executivo açoriano, para evitar o desinvestimento previsto para esse sector: “Baixe menos os impostos sobre quem ganha mais e invista mais na educação e na saúde”.
O Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores também reiterou a necessidade do PSD/A deixar de debater as propostas de Plano e Orçamento “por oposição ao PS”, ao invés de fazerem a defesa desses documentos e das suas opções “por aquilo que elas significam ou podem significar para os Açores”.
Vasco Cordeiro apelou, ainda, a mais rigor por parte da bancada do Governo que insiste em comparar valores destas propostas com valores de execuções anteriores: “Quando chegarmos a essa análise da execução, discutiremos o que é que é a execução dos governos do PS e aquela que poderá ser a execução deste Governo. Mas não é isso que estamos a discutir neste momento e julgo que é de certa forma ludibriar as pessoas, querer confundir as duas coisas”.
Ainda durante o debate sobre o sector da Educação, o Presidente do GPPS/Açores, face às queixas sobre a suposta herança do Governo do Partido Socialista, com factos concretos: “Em seis anos do Governo do Partido Socialista, no 1º ciclo a Taxa de Retenção baixou 13,9% em 2012/2013, para 6,5% em 2018/2019. No 2º ciclo baixou de 17% para 6,5%, em 6 anos. No 3º ciclo de 24% para 11% e no Secundário de 26% para 17%.”
Quanto à Taxa de Transição, em igual período, acrescentou: “Subiu no 1º ciclo de 87% para 93,5%, no 2º ciclo de 82% para 93%, no 3º ciclo de 75% para 88% e no Secundário de 71% para 80%.” 
Sobre a Taxa de Abandono Escolar Precoce, que não teve igual comportamento, “é verdade, não nos satisfaz e, aliás, posso dizer que nem sequer essas melhorias em seis anos nos satisfazem, porque ainda são valores que não correspondem àquilo que nós gostaríamos, mas foi isso que o Governo do Partido Socialista conseguiu. Faço votos perante todas as açorianas e açorianos que nos ouvem que o XIII Governo Regional seja capaz de fazer mais e melhor para bem dos Açores”.
Em resposta, o líder parlamentar do PSD/Açores, Pedro Nascimento Cabral, acusou o PS de levar a Região aos “mais desastrosos números” na Educação, salientando que cerca de 70% da população açoriana com mais de 15 anos não tem o ensino secundário completo e que a taxa de abandono escolar precoce é de 27%.
O debate sobre a Educação começou com a intervenção da Secretária Regional da Educação Sofia Ribeiro, que referiu que o Plano e Orçamento da região é dedicado “somente” para “aplicação no corrente ano”, porque “lança a semente para uma nova estratégia na Educação nos Açores”.
Já o deputado do BE António Lima destacou a necessidade de abrir vagas para a integração dos 1000 operacionais com “vínculos precários” que cumprem necessidades permanentes nas escolas, enquanto a líder parlamentar do CDS-PP/Açores, Catarina Cabeceiras, destacou a importância de ter um “planeamento ajustado à taxa de execução”, respondendo às críticas do deputado socialista Rodolfo Franca que visou a diminuição de verbas para a educação.

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