“Um ‘hub’ no Grupo Central seria forte desincentivo para S. Jorge. Preferimos mais ligações a P. Delgada”
Diário dos Açores

“Um ‘hub’ no Grupo Central seria forte desincentivo para S. Jorge. Preferimos mais ligações a P. Delgada”

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Mário Veiros, Presidente do Núcleo Empresarial de São Jorge

Mário Veiros é o Presidente do Núcleo Empresarial da Ilha de S. Jorge, organismo que não gostou da posição do Vice-presidente do Governo dos Açores em mandar suspender a proposta das Obrigações de Serviço Público (OSP) inter-ilhas, que estava em discussão. Os empresários jorgenses discordam de uma solução que penalize a ilha e defendem mais ligações directas com São Miguel. 
O Diário dos Açores entrevistou Mário Veiros.

 

 O Núcleo de Empresários de S. Jorge anunciou esta semana o seu acordo à proposta das OSP que entretanto foi suspensa, segundo anúncio do Vice-presidente Artur Lima. Em que medida esta proposta beneficiava S. Jorge?
Esta medida vinha ao encontro de uma das nossas reivindicações, relativas ao transporte aéreo de passageiros, de promover o aumento de ligações e de número de passageiros, na rota PDL/SJZ/PDL. 
Esta proposta visava uma oferta mínima de ligações nesta rota, que se aproximava do número efectivo de passageiros efectivamente transportados entre estas ilhas.
Recorde-se que parte significativa dos passageiros transportados entre estas ilhas, se fazem com recurso a voos extra, que não estão calendarizados com antecedência. 
Este sistema leva a que, em regra, quem queira cá vir, tenha que aguardar em lista de espera, o que é altamente desincentivador para o visitante, pelo que o aumento da oferta mínima de ligações e lugares reduziria uma o desajuste que tem vindo a ser sentido.  

 Pelo que se depreende da vossa posição, os empresários jorgenses receiam ficar dependentes das escalas na Terceira. Porquê a preferência pelas ligações a S. Miguel?
A preferência demonstrada é pelo crescimento em número de ligações e de passageiros na rota PDL/SJZ/PDL, a rota TER/SJZ/TER é adequada.
Os empresários jorgenses não têm qualquer tipo de preconceito com a ilha Terceira, ou com o Faial, muito pelo contrário, pois reconhecemos a importância que estas ilhas têm para os jorgenses, quer seja pela ligação social, económica e até familiar que a população destas ilhas têm, quer seja por motivos de saúde, pelo que consideramos importante a manutenção das ligações aéreas à Terceira.
Não se trata de uma preferência por oposição, nem para preterir outras ilhas, mas sim de pretender ver a oferta a responder, de acordo com a procura, numa rota que já é claramente deficitária e que tem uma importância que consideramos vital para desenvolvimento económico da ilha de São Jorge. 
Até porque, paralelamente, nós também reivindicamos melhores ligações marítimas a todas as ilhas do Grupo Central e a base de um dos navios da Atlanticoline em São Jorge, de forma a garantir melhores ligações ao triângulo sul, (Pico-Faial) e potencialmente ao triângulo norte, (Terceira-Graciosa).
Note-se que quanto à dependência das escalas na Terceira, a nossa ilha não tem getway, “ligações para fora dos Açores”, pelo que, de todos os aeroportos a que nos podemos ligar, o aeroporto de PDL é o que tem maior movimento, donde deriva a maior probabilidade de extravasar tráfego para esta ilha, sendo por isso essencial uma maior ligação directa a esse aeroporto.

 Que prejuízos pode trazer aos empresários de São Jorge se as OSP forem alteradas em benefício do Faial ou Terceira, ilhas que contestam esta proposta?
É nosso entendimento que a distribuição de voos, com recurso a um hub de distribuição no Grupo Central é um forte desincentivo ao movimento turístico nesta ilha, pois constatamos que o aeroporto de PDL tem ligações a Frankfurt, Boston, Bruxelas, Londres, Providence, Toronto, Lisboa e Porto e que quanto menos paragens o turista fizer e quanto menos tempo despender em viajem, mais provavelmente ele irá sujeitar-se ao tempo gasto em viagem, visto que o tempo é precioso, em especial o tempo em férias. 
Por outro lado, o movimento típico de quem pretende vir a São Jorge, passa por entrar em São Jorge e sair pelo Pico, ou vice-versa, intercalando também o Faial, mas a reduzida oferta de lugares e ligações aéreas em São Jorge impede essa pretensão na maioria das vezes, o que frequentemente leva à desistência em visitar esta ilha, ou ao regresso à origem sem pernoita em São Jorge.
Em suma, tememos que se repita o fenómeno dos anos recentes em que a pesquisa por viagens com destino a São Jorge retornava invariavelmente em listas de espera, o que leva à busca por outros destinos e frequentemente à desistência em vir a São Jorge, ou então, à deslocação por via marítima, com os visitantes virem a São Jorge apenas para almoçar e regressar às ilhas vizinhas.    

Em que situação se encontram as empresas em São Jorge perante a crise pandémica?
As nossas empresas estão na mesma situação que a maioria das empresas açorianas, vivemos uma crise pandémica que nos está a afectar a economia, sobretudo nas empresas que vivem mais directamente do mercado turístico.
Uma das aspirações dos empresários turísticos jorgenses é a reactivação do programa “Viver os Açores”, que no verão passado serviu como um balão de oxigénio para os pequenos negócios que vivem do fluxo turístico. 
É também com base nesta experiência que acreditamos que a procura irá certamente aumentar, por via da redução anunciada do custo das viagens inter-ilhas, mas que de pouco nos servirá, pois poucos serão os que efectivamente conseguirão cá chegar, visto que a oferta de transportes é desadequada.
Outro aspecto importante e que nos preocupa é a descapitalização das empresas e o fim das moratórias, por isso consideramos que as medidas que visem a capitalização das empresas são fundamentais para manter a oferta e o emprego.

jornal@diariodosacores.pt

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