Pedinchice
Teresa Nóbrega

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Vacinas para todos a curto prazo, prometeram as multinacionais farmacêuticas envolvidas na descoberta e produção de vacinas para o SARS-CoV-2, assinando contratos de fornecimento que não podiam cumprir. Em causa estava a falta de capacidade industrial para fabricar a quantidade de vacinas de que o mundo precisa.  
Os países, como é o caso dos que pertencem à União Europeia, viram gorados os seus planos de vacinação e adiada a tão importante imunidade de grupo, com graves repercussões na saúde pública e na retoma da actividade económica.
Escaparam a esse engano os países de origem destas farmacêuticas, como os Estados Unidos da América, a China, a Grã-Bretanha e a Rússia, e Israel, que beneficiou do poderoso “lobby” judaico.
Na União Europeia alguns países do Leste, tradicionalmente pouco alinhados com as políticas da União, procuraram, fora do contexto europeu, fornecedores alternativos.  
Portugal, o país mais ocidental da Europa e com fortes ligações aos outros países do ocidente europeu, não tomou qualquer iniciativa isolada, mas no seio da República Portuguesa, a Região Autónoma dos Açores, não encontrando eco para as suas preocupações, nem na República nem na União, pretende adquirir vacinas fora dos circuitos da União Europeia.
O plano, será desenvolver contactos junto de personalidades de ascendência açoriana, politicamente bem colocadas no contexto político norte-americano, para tentar o fornecimento de vacinas à Região. Até aqui, tudo bem, embora de duvidosa eficácia.
Mas a intenção de um território que integra um país da poderosa e rica União Europeia ir pedir vacinas de forma gratuita para os Estados Unidos, embora já tenha referido que se não forem cedidas gratuitamente está disposto a pagar, soa a pedinchice e fere a dignidade deste povo que o Governo Regional representa.
Os países ou territórios internacionalmente considerados pobres e sem recursos para comprar vacinas, como é o caso de Cabo Verde e da maioria dos arquipélagos deste planeta, inscrevem-se na plataforma COVAX, coordenada pela OMS e receberão vacinas gratuitas. O principal contribuinte líquido desta plataforma são, bastante destacados, os Estados Unidos da América, que deste modo cumprem o seu dever de solidariedade para com os mais desfavorecidos.
O que é verdadeiramente inaceitável é que personagens do nosso Governo Regional desconheçam a realidade e o sofrimento neste planeta em que vivemos. Quem não enxerga para além das capelinhas que fomenta e alimenta é melhor não sair da sua zona de conforto.


*Jornalista
(A autora escreve segundo a antiga ortografia)

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