“Sendo S. Miguel a principal porta de entrada, obrigar os viajantes a parar noutras ilhas para chegar ao Pico não é atractivo”
Diário dos Açores

“Sendo S. Miguel a principal porta de entrada, obrigar os viajantes a parar noutras ilhas para chegar ao Pico não é atractivo”

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Rui Lima, Presidente da Associação Comercial e Industrial do Pico

Rui Lima é o Presidente da Associação Comercial e Industrial da ilha do Pico (ACIP), organismo que se insurgiu nos últimos dias pelo facto de não ter sido ouvido nas propostas de Obrigações de Serviço Público (OSP) inter-ilhas. Os empresários picoenses concordam com a proposta inicial que, entretanto, foi suspensa por anúncio do Vice-presidente do Governo Regional. Rui Lima explica, nesta entrevista, as razões pelas quais os empresários da ilha do Pico pretendem melhores acessibilidades aéreas.

 

A ACIP anunciou esta semana o seu acordo à proposta das OSP que entretanto foi suspensa, segundo anúncio do Vice-presidente Artur Lima. Em que medida esta proposta beneficiava a ilha do Pico?
A ACIP tomou essa posição, independentemente de não nos ter sido colocado qualquer pedido de parecer. 
Fizemo-lo como uma forma de registarmos publicamente o nosso interesse e dever, em fazer parte da discussão, pela importância da mesma para o Pico e para os seus empresários.
A proposta adequava ou tornava mínimos exigidos, o serviço que foi prestado de forma extraordinária, em consequência da procura das rotas em causa. 
Importa referir que visa especificamente as OSP inter-ilhas, o que não nos condiciona relativamente ao Pico/Lisboa.
Acresce o facto de, neste verão, não existirem os barcos, mas existirem as passagens a 60 euros, o que nos dá expectativas de um interessante tráfego inter-ilhas.
Faz sentido condicionar ou não facilitar o acesso e ligação directa entre São Miguel/Santa Maria e as restantes ilhas?

Pelo que se depreende da vossa. posição, os empresários picoenses receiam ficar dependentes das escalas noutras ilhas. Porquê a preferência pelas ligações a S. Miguel?
Os empresários do Pico, não têm uma preferência por S. Miguel em detrimento da Terceira. 
Somos servidos pelas duas rotas, existe procura pelas duas rotas. 
A questão é que os números, que são públicos e foram a base da proposta, demonstram que a SATA transportou o triplo dos passageiros que tinha previsto, no PIX/PDL/PIX. 
Transportou-os pela procura que existiu da rota, tendo em conta, também, a grande afluência de voos internacionais em São Miguel e a crescente procura do Pico por parte desses mercados. 
Se é possível fazer PDL/TER/PIX, PDL/PIX e TER/PIX, não existe razão para se condicionar o bem estar e a rapidez das ligações.
Parece-nos claro e óbvio a lógica da proposta em função dos números.

Que prejuízos pode trazer aos empresários do Pico se as OSP forem alteradas em benefício do Faial ou Terceira, ilhas que contestam esta proposta?
Sem se fazer um estudo apropriado é difícil responder correctamente à pergunta, mas parece-nos óbvio uma quebra de interesse no destino, uma vez que sendo São Miguel a principal porta de entrada na região do mercado internacional, obrigar os viajantes a paragens em outras ilhas, para chegar ao Pico, não é tão atractivo e cómodo, podendo levar estes turistas a desistir do destino. 
O destino cresceu muito, mas os indicadores prometiam que não ficaríamos por aqui, iria crescer ainda mais. 
Existe um enorme interesse pela ilha, como destino em geral, mas especificamente pela sua oferta e posição geo-estratégica. 
Só faz sentido, do ponto de vista regional, reforçar, simplificar e facilitar o acesso a um dos melhores produtos da região.
O investimento privado, directo ou indirecto, no sector turístico foi enorme. 
Portanto, qualquer decisão que não facilite o acesso à ilha, será  extremamente prejudicial para a ilha, e para o tecido empresarial em específico.

Em que situação se encontram as empresas no Pico perante a crise pandémica?
Penso que a situação é semelhante em todas as ilhas. 
Sufoco financeiro, receio do curto prazo e uma luta constante, com a esperança que este momento pandémico, seja ultrapassado rapidamente.

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