A importância do livro na sociedade actual
Rita Frias

A importância do livro na sociedade actual

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A 23 de Abril de 1995 a UNESCO instituiu o Dia Mundial do Livro remetendo para a sua importância como bem cultural

Neste dia, em 1616, nascia Miguel de Cervantes, conhecido pela sua obra “Dom Quixote”. Crê-se também que William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês, terá nascido também a 23 de Abril, mas 52 anos antes. E por coincidência, falecido a 23 de Abril de 1616. Terá sido devido a estes acontecimentos que foi escolhido o dia de hoje para a comemorar a importância do livro, não só como meio de transmissão cultural e de informação, mas também devido ao enorme “peso” que tem na educação. Apesar da evolução dos tempos, os livros continuam a ser uma grande companhia e a pandemia veio evidenciar ainda mais isso em virtude dos vários confinamentos que têm sido feitos. O Diário dos Açores falou com Patrícia Carreiro, Directora da Livraria Letras Lavadas, localizada na Matriz, em Ponta Delgada, para saber sobretudo como tem sido este último ano no que concerne à pandemia e às mudanças de paradigma.

O papel das livrarias na dinamização cultural e na divulgação literária

De acordo com Patrícia Carreiro, o desafio “de incentivar à leitura hoje em dia tem sido, até, mais facilitado, pois as pessoas têm lido mais, tendo mais tempo para se dedicarem a esta arte.  
Apesar de tudo, continuam a ter espaço nas suas vidas agitadas para lerem. Quando se gosta de ler, há sempre um espaço de tempo. Nem que seja na hora de almoço ou uma única página antes de dormir.”
Apesar dos avanços tecnológicos, há quem continue a preferir o livro tradicional do que o livro digital. 
“Nada substitui o prazer de ter um livro na mão e lê-lo onde quisermos, sem precisarmos de aparelhos com bateria ou com acesso à internet para o fazer.”
 Nesta nova era caracterizada pela tecnologia, os leitores têm “um papel primordial e sempre o terão. 
O leitor continuará a ser sempre a extensão do autor e do editor, pois se não houver leitores escreveremos e editaremos para quem? 
Os escritores também escrevem, em primeira instância, para si, mas é o leitor quem termina o circuito da leitura e da literatura, seja em papel ou em formato electrónico.”
Conforme nos explica a Directora das Letras Lavadas, “as livrarias são centros culturais de máxima importância pois reúnem desde autores clássicos a contemporâneos, seja para que faixa etária for. Por isso, parece-me que uma livraria é um lugar sagrado que deverá existir sempre, quase como um escape para os leitores. 
Há pessoas que não compram livros sempre que vêm à nossa livraria, mas que sentem neste espaço, e noutros como o nosso, uma forma de terapia e de abrandamento do dia-a-dia”, revela.
Para além da divulgação das novidades literárias existentes, a livraria “é ainda transmissora do gosto pela leitura e pela escrita, áreas tão fundamentais no nosso dia-a-dia, seja qual for a nossa área de trabalho”.

Em tempos de pandemia

A Livraria Letras Lavadas abriu no mês de Julho de 2019. No entanto, “no virar do ano, tudo começou a mudar”, em virtude da situação que se instalou pelo mundo inteiro e nas ilhas também. 
Tendo estado de portas fechadas entre final de Março e final de Maio de 2020 (coincidindo com o confinamento que foi imposto em Portugal), a livreira admite que “foi um desafio muito grande. Era agoniante saber que as pessoas queriam ler, que tinham mais tempo para o fazer e que a nossa porta estava fechada. Por isso, passamos a manter um contacto virtual muito próximo do cliente, através de e-mails e das redes sociais.” 
Apesar de estarem encerrados, as pessoas poderiam encomendar livros, recebendo os mesmos no conforto das suas casas. 
Com o confinamento, as escolas encerraram, havendo o ensino à distância, e muitos pais e não só, encontraram-se em teletrabalho naquela altura. 
Ainda antes de fecharem portas, muitos destes deslocaram-se à livraria “à procura de livros para brincarem (livros de actividades) ou para lerem com os filhos, e mesmo para eles que – exaustos de uma nova rotina – precisavam de histórias poderosas para desligar as suas mentes.”
No entanto, escolher um livro pessoalmente é diferente do que se for online, sem dúvida. 
Aquando da reabertura, os clientes levavam listas dos livros “que surgiram online e que lhes tinham chamado a atenção. Mas era no toque com os livros que as pessoas decidiam se queriam ou não levar mais aquele título para casa, e isso não há internet que substitua!”, refere Patrícia Carreiro.
Outra mudança que veio com a pandemia, foi o adaptar a nova “normalidade”, como por exemplo, as apresentações de livros. 
Estas têm sido feitas online, para além de outros eventos “com autores de vários recantos do país, por forma a levar até aos nossos clientes e a quem nos segue nas redes sociais um contacto mais próximo com quem produz a literatura nacional”, explica. 
Mas “faz falta o sorriso dos autores enquanto conversam com os leitores nas sessões de autógrafos, por exemplo, ou o costumeiro brilho no olhar no final de cada apresentação do livro, naquele momento em que o autor percebe que agora o livro já não é seu, mas sim de quem o adquiriu. Falta todo este contacto, mas nem tudo é mau”, admite Patrícia Carreiro. 
A pandemia permitiu abrir horizontes e para tal, têm “trabalhado para desenvolver diversas técnicas para que os clientes se sintam mais acompanhados e mais próximos” da livraria. 

Os hábitos de leitura da sociedade micaelense

Segundo Patrícia Carreiro, “existem leitores para todos os gostos e livros para todas as carteiras. 
O objectivo principal é estarmos cá, a lutar por manter a porta aberta e a procurar satisfazer os gostos de todos os que nos procuram.” 
Tendo clientes fidelizados, estes vão à procura das novidades que surgem “porque são coleccionadores. Temos os outros que seguem determinado autor, açoriano ou não, e que não perdem nenhum livro novo que seja publicado.” 
Há também quem procure o “seu estilo específico e que leia vorazmente, o que significa vir todas as semanas mais do que uma vez.”
Quer sejam clássicos ou livros mais recentes, as obras açorianas são sempre procuradas. A livreira revela que a literatura açoriana “já é uma marca na vida literária de Portugal e do mundo, tanto que têm vindo a traduzir alguns dos clássicos açorianos para o inglês” em virtude de o turista procurar saber as origens dos açorianos através de obras como “Mau tempo no canal”, de Vitorino Nemésio, “As ilhas desconhecidas”, de Raul Brandão, ou mesmo “O sorriso por dentro da noite”, de Adelaide Freitas.
Sobre os livros infantis, “vendem-se muito”, algo visto com muito agrado “porque é na infância que se começa a incentivar este gosto e a explicar aos mais pequeninos qual a importância dos livros na nossa vida. 
E a verdade é que há adultos que também compram livros infantis para si, por serem educadores, artistas, escritores ou simplesmente apaixonados pela ilustração. Além disso, os livros infantis são objectos lindos que nos fazem voltar à infância e à época em que tudo era possível e viável”, concluí Patrícia Carreiro.

 

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