Um Abril por cumprir
Osvaldo Cabral

Um Abril por cumprir

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Editorial

47 anos depois da Revolução do 25 de Abril ainda há muita coisa por cumprir.
Foi ela que permitiu aos açorianos tornarem-se autónomos, com parlamento e governo próprios.
Passado este tempo é tempo de reflectir e aperfeiçoar o nosso sistema, tornando-o mais moderno, justo para todos e dando-nos mais prerrogativas que promovam o nosso desenvolvimento.
Enquanto tivermos tantos pobres, tantos precários, tanta iliteracia, deficiências no acesso às mais básicas políticas sociais, Abril não está cumprido.
Enquanto não tivermos liberdade e autonomia para irmos, por nós próprios, à procura de vacinas, manietados pelo mais puro centralismo português e europeu, Abril estará por cumprir.
Uma Autonomia que não dá resposta às novas gerações, sobretudo as das ilhas mais pequenas, com mais dificuldades, é uma Autonomia de jovens desiludidos e mais um Abril por cumprir. 
Como bem disse o agora homenageado Dr. Álvaro Monjardino, num discurso magistral que proferiu há uns anos em S. Roque do Pico, “apesar da espectacular melhoria em infraestruturas, equipamentos e qualidade de vida de muita gente, a Região continua pobre, na medida em que nela não arrancou um verdadeiro desenvolvimento com progresso harmónico das suas pequenas e dispersas ilhas”. 
Precisamos de uma outra revolução, um revolução cultural, “com a assunção de valores positivos, a alteração de hábitos passivos e a libertação de forças criativas”, a juntar a uma profunda alteração do sistema em que nos embrenhamos ao longo destes anos, fortemente dependentes de uma oligarquia de partidos, recheada de interesses pessoais, amiguismos, compadrios e facilitismo.
A classe política devia aproveitar este momento de reflexão, 47 anos depois, para assumir novos rumos nesta Autonomia de Abril, pondo de parte as desavenças e criando um verdadeiro pacto de mudanças em que todos os açorianos se revejam, sobretudo os mais desprotegidos.
Talvez assim se cumpra, finalmente, Abril.

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