Vacinação indevida leva a abertura de inquérito
Diário dos Açores

Vacinação indevida leva a abertura de inquérito

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A Secretaria Regional da Saúde e do Desporto e a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM) determinaram a abertura “de um inquérito disciplinar e consequentes processos disciplinares para apurar os factos e os respectivos responsáveis”. Isto em virtude dos relatos e denúncias efectuados no passado fim-de-semana sobre o que estaria a acontecer no Centro de Vacinação da USISM no Pavilhão das Portas do Mar, em Ponta Delgada.  
“Estamos perante uma situação absolutamente inaceitável perante um processo muito exigente e delicado. É preciso cumprir com rigor, objectividade e clareza. Neste caso concreto, o que entendemos, é que não poderá deixar-se passar em claro qualquer tipo de situação que tenha ocorrido em violação do que está determinado”, explicou Clélio Meneses em declarações à imprensa na manhã de ontem.
O titular da pasta da Saúde destacou “o desempenho e o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde no âmbito deste processo”. No entanto, acrescenta que não se pode “deixar passar em claro uma situação com estas consequências e com este impacto na credibilidade do processo e sobretudo na justa e equitativa distribuição das vacinas”. Considera ainda imperioso o apuramento dos factos relatados “para não fugir as expectativas das pessoas e para fazer cumprir com rigor, objectividade e clareza o que está determinado no Plano Regional de Vacinação”.
Nas redes sociais, é notório os inúmeros relatos (e descontentamentos) por quem assistiu perante tais ocorrências. De acordo com os mesmos, pessoas com menos de 60 anos, sem patologias associadas e sem marcações prévias compareceram no Centro de Vacinação em questão, fazendo com quem tivesse prioridade, acabasse por não levar a vacina.


USISM lamenta 
o distúrbio causado

Na sequência destes acontecimentos ocorridos, o Conselho de Administração da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel vem lamentar “todo o distúrbio, no processo de vacinação, decorrido nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 2021. Na sequência de mal-entendidos e desinformações que circularam pela população e que geraram grande afluência ao centro de vacinação das “Portas do Mar,” em Ponta Delgada, não foi possível concretizar a estratégia planeada”. De acordo com a USISM, o principal objectivo seria “e é o de vacinar o maior número de pessoas possível, de acordo com a 2.º fase do processo de vacinação e conforme preconizado no Plano Regional da Vacinação, de 14 de abril de 2021”. 
O Conselho de Administração da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel admite, como em qualquer processo desta dimensão, apesar das orientações emanadas, que o erro na logística pode existir, “mas não compreende as tentativas de manipular o sistema que contribuem significativamente para a pressão gerada. Corromper o sistema e vangloriar-se de o fazer é contribuir para o insucesso de uma operação complexa com uma abrangência de mais de 110 mil pessoas a vacinar e que diariamente envolve 150 profissionais da saúde. Corromper o sistema é tirar a oportunidade a quem foi elegível em função dos critérios estabelecidos pelas entidades de saúde competentes”, explica o Conselho da USISM.
Segundo a USISM, a mesma “tem conhecimento que, no último fim de semana, alguns utentes que foram vacinados cumpriam com o critério ‘patologia’, mas não o da idade” e em virtude do ocorrido, “foi aberto um processo de inquérito para apurar as eventuais lacunas e respectivas responsabilidades no processo de vacinação. Ao longo do processo de vacinação da primeira e agora da 2º fase têm sido vacinados utentes pertencentes quer a instituições quer a serviços críticos, cujo o critério idade não prevalece”, acrescenta.
Entre os dias 23 e 25 de Abril, foram vacinadas 4822 pessoas, correspondendo a 3,5% da população da ilha de São Miguel.

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