Ilha de São Miguel continua em Alto Risco
Rita Frias

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Foram reportados mais 15 novos casos de Covid-19, todos na ilha de São Miguel, decorrentes de 2.042 análises: 8 no Concelho da Ribeira Grande (1 na Freguesia de Rabo de Peixe, 1 na Ribeira Seca, 2 nas Calhetas, 1 em Santa Bárbara e 3 na Maia); 6 no Concelho de Ponta Delgada (1 na Freguesia do Livramento, 3 nos Fenais da Luz, 2 nos Arrifes); e um no Concelho da Lagoa (na Freguesia da Ribeira Chã).
Relativamente aos internamentos, contabilizam-se 20: 19 no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, estando 5 na Unidade de Cuidados Intensivos; e 1 no Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira, também na Unidade de Cuidados Intensivos.
A nível de recuperações, estas foram 14, todas também em São Miguel: 2 na Lagoa, 2 em Ponta Delgada, 7 na Ribeira Grande e 3 na Vila Franca do Campo.
Registam-se actualmente 228 casos activos no arquipélago, havendo 217 na ilha de São Miguel, 7 na ilha Terceira, 3 em Santa Maria e 1 nas Flores. Estão em vigilância activa 1.123 pessoas.  
Para o despiste da Covid-19, foram realizados no total 445.007 análises desde o início da pandemia, tendo sido diagnosticados 4. 878 casos positivos de Covid-19 nos Açores e recuperado da doença 4.4498 pessoas. Faleceram 31, saíram do arquipélago 78 e 43 apresentaram prova de cura anterior.  Continua activa uma cadeia de transmissão local na ilha Terceira, tendo, entretanto, já sido extintas à data, 200 cadeias de transmissão na região.

Com o fim do estado de emergência, alteram-se as medidas

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou esta semana o fim do estado de emergência no país. Perante tal situação, a partir do dia de amanhã, a maior ilha do arquipélago, face ao número de casos que mantém, mas sobretudo pelo facto de metade dos concelhos de São Miguel se encontrarem em níveis de Alto Risco (Lagoa, Ribeira Grande e Nordeste), passa a estar em situação de calamidade pública, enquanto que as restantes oito ilhas ficam em situação de alerta, estado em baixo risco.
Em conferência de imprensa realizada na manhã de ontem, Clélio Meneses, Secretário Regional da Saúde e do Desporto, fez uma actualização das medidas. De acordo com Clélio Meneses, “as medidas que o Governo Regional adoptou agora sustentam-se juridicamente não no decreto de estado de emergência, mas em outro diplomas legais ao nível da protecção civil e da saúde pública que permitem a intervenção restritiva de direitos”.
Segundo o titular da pasta da Saúde, deixa de ser obrigatório trazer teste para o arquipélago, aplicando-se o mesmo para quem se desloca de São Miguel para outra ilha. No entanto, é obrigatório a realização do mesmo à chegada aos Açores. “As pessoas podem optar por trazer o teste antes da viagem ou realizam à chegada, podendo assim haver um controlo jurídico. Para circular, as pessoas têm que ter o teste.”
No final do 2.º período, aplicou-se novamente o regime de ensino à distância na ilha de São Miguel. O último período, que teve início no passado dia 12, tem-se mantido no mesmo molde. Mas partir da próxima 2.ª feira, os 1.º e 2.º anos de escolaridade retomam as aulas presenciais, bem como os 11.º e 12.º anos de escolaridade, mas estes somente nas disciplinas em que terão de fazer exames nacionais – as restantes disciplinas permanecem em ensino à distância. Começa assim, desde modo, uma retoma faseada ao ensino presencial. De modo a não causar constrangimentos entre o fim da escola e o serviço dos encarregados de educação, os ATL’s irão funcionar somente para os alunos do 1.º e 2.º anos. Clélio Meneses explicou que estes dois primeiros anos exigem “necessidades educativas particulares. Os alunos estão a aprender a ler, a contar, exigindo de uma forma mais permanente o ensino presencial. O que está em causa aqui é salvaguardar a saúde pública. Apesar de ter havido esforço em São Miguel, esta ilha exige uma atenção especial e particular. Os números reduziram, mas continuam a haver casos todos os dias em vários concelhos.” Para o Secretário Regional da Saúde, o número actual de internamentos é “fundamentalmente um problema”. Com uma dezena de doentes internados, 19 encontram-se no HDES, uma situação que não pode ser “analisada de forma superficial, tendo uma atenção particular. Com o esforço de mais uma semana, pretendemos que a situação volte à normalidade”, frisou Clélio Meneses.
A hipótese de testagem massiva está posta em cima da mesa no que concerne às escolas, através de testes efectuados à saliva, um método menos invasivo. “Este esforço de todos está a surtir algum efeito, mas ainda não é o suficiente. Vamos todos trabalhar para que este esforço e esta exaustão têm causado tragam resultados positivos o mais rapidamente possível.” O governante destacou ainda o incremento do processo de vacinação que tem sido realizado na ilha de São Miguel, frisando que “a segunda fase vai permitir a massificação daquilo que é algo que gera esperança nas pessoas”. 
Estando a ilha de São Miguel em Alto Risco, o recolher obrigatório permanece às 20h durante os dias úteis e às 15h durante o fim de semana. Os cafés e os restaurantes mantêm-se encerrados, podendo funcionar em regime de take-away ou entrega ao domicílio. “Se os níveis de risco diminuírem na próxima semana, as restrições poderão deixar de existir.”

Aumento de internamentos 
“é uma situação preocupante”

De acordo com o responsável da Comissão Especial de Acompanhamento da Pandemia nos Açores, Gustavo Tato Borges, após São Miguel ter atingido o pico de Alto Risco há duas semanas, denota-se uma tendência decrescente. “No entanto, ainda temos situações de alerta. O índice de transmissibilidade (Rt) a 17 de Abril era de 0,93.” Explicou que os Açores têm apresentado “uma evolução muito positiva e que a única coisa que falta agora é conseguir controlar o aparecimento de novos casos”. Mas admite “que há muita gente que ‘escapa’”, sendo pessoas sem sintomas. Relativamente aos internamentos, Gustavo Tato Borges admite preocupação: “é uma situação preocupante. Haverá mais pessoas doentes que não estão a recorrer ao serviço de saúde.”
No final da sua intervenção, Gustavo Tato Borges apelou à comunicação social para “criar mais união das pessoas”. Isto em virtude sobre uma notícia que havia saído num órgão de comunicação social nesta semana referindo que Ponta Delgada era uma cidade fantasma: “não são as medidas que transformam Ponta Delgada em cidade fantasma, mas sim o aumento de casos”, sublinha. 

Quem esteve infectado há pelo 
menos 6 meses, já pode ser vacinado

Berto Cabral, Director Regional da Saúde, e também responsável pelo processo de vacinação, avança que no dia de ontem foi homologado novo plano de vacinação. No total, desde o dia 31 de Dezembro até à data de ontem, 79.589 vacinas já foram administradas, em que 56.419 correspondem à primeira dose e 23.170 à segunda dose. Adiantou que esta semana “ficará concluída a primeira fase do processo de vacinação com excepção de algumas vacinações efectuadas ao domicílio”. Alerta para o facto de as pessoas com mais de 75 anos que ainda não foram contactadas ou vacinadas “que procurem junto dos centros de saúde da sua área de residência fazer valer a sua vontade em serem vacinadas”.
Desde a semana passada, que mais de 9.500 doses de vacina foram dadas. “O processo começa a acelerar nos Açores e o que está previsto para o próximo mês é que tenhamos um maior número de vacinas a chegar à região. Mas mais uma vez, e lamentavelmente, já não chegarão as 10.000 doses previstas da AstraZeneca, ao contrário da informação que tínhamos. O mesmo se passa em relação às vacinas da Johnson: carece a data de chegada e o número de doses que se irá receber. Relativamente à Pfizer, a quantidade prevista de doses são mais de 46.800, permitindo inocular 23.400 pessoas com a primeira dose.”
Na segunda fase do Plano de Vacinação, estão incluídas pessoas: com Trissomia 21 com mais de 16 anos, que não tenham sido vacinadas na primeira fase; com idades compreendidas entre os 60 e 74 anos e 16 e 59 anos de idade com pelo menos uma das patologias identificadas, como por exemplo doença pulmonar crónica, transplantados, diabetes, obesidade, entre outras. “Posteriormente, será o grupo com faixa etária decrescentes entre os 59 e 16 anos que ainda não tenham sido vacinados”. Berto Cabral destaca o facto de que a vacinação das pessoas com patologias de risco identificadas “deve ser efectuada preferencialmente por faixas etárias decrescentes sem prejuízos da vacinação em contexto específicos como medida de saúde publica”. Quem já esteve infectado com Covid-19 há pelo menos 6 meses, “já poderá ser vacinado de acordo com o grupo ou faixa prioritária a que pertencem”. 

Para o Secretário Regional, 
“é tempo de serenidade, tranquilidade e responsabilidade”

Ainda no decorrer da temática da vacinação, Clélio Meneses referiu que o plano desta é um processo “burocrático e logístico”. No caso concreto de São Miguel, sobre a situação do passado fim de semana, o Secretário Regional voltou a confirmar que “houve administração indevida a pessoas que não faziam parte dos critérios de vacinação. Não é tempo de decisões abruptas, mas sim de serenidade, tranquilidade e responsabilidade. Perante o que aconteceu, sabemos a pressão publica e política que aconteceu”. Já no decorrer da semana que Clélio Meneses havia anunciado a abertura de um inquérito sobre o que realmente sucedeu no Centro de Vacinação no Pavilhão das Portas do Mar, em Ponta Delgada. “Os profissionais de saúde tem tido um comportamento heroico, algo que já tenho dito diversas vezes. Estamos apenas a tentar apurar os factos. O interesse egoístico de algumas pessoas e entidades tem predominado nestes tempos.”
Questionado sobre a aquisição de vacinas, o Secretário da Saúde referiu que o Governo encontra-se “a trabalhar todos os dias para encontrar vacinas. Infelizmente, não têm chegado da entidade que competia [Governo da República]. Quando houver alguma notícia confirmada, os açorianos logo o saberão.”

jornal@diariodosacores.pt

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