“Com o nascimento de um filho, nasce também uma mãe!”
Rita Frias

“Com o nascimento de um filho, nasce também uma mãe!”

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É assinalado em todo o mundo, embora em datas diferentes. No nosso país, começou por ser celebrado no dia 8 de Dezembro. No entanto, na década de 70, a data viria a ser alterada para o primeiro domingo de Maio. O Diário dos Açores traz o testemunho de várias mães, como forma de homenagem.
É a terceira vez que Marisa Berló celebra o Dia da Mãe. Mãe de Afonso, com 2 anos de idade, revela que “ser mãe é aprender a sê-lo a toda a hora. É um processo de formação constante em que o formador é o filho. Aprendi que ser mãe é amar, é doar-se por completo”. O dia de hoje vai ser comemorado a contar uma história ao Afonso: “a história do Afonso e a ver o nosso álbum de fotografias. Já o fiz no ano anterior e quero continuar a fazê-lo todos os anos.”
Admite que com o nascimento do filho, a maneira de ver o mundo mudou. “Passei a ser uma pessoa mais preocupada e sempre ocupada. O Afonso passou a ser a prioridade. Há tanto detalhe que só reparamos quando temos um filho e quando saímos juntos é quase a ´levar a casa às costas` para que não lhe falte nada. Tenho mais cuidado nas minhas escolhas desde o sítio onde estaciono o carro à escolha de alimentos, à escolha de palavras que uso para falar com ele. E para finalizar, quando não estou com ele, estou a falar dele, a contar o que sabe fazer ou dizer e a mostrar fotos dele”, conta-nos. A gravidez foi uma surpresa. “Não estava à espera. Nem sei se haverá palavras para descrever. Pensei: tenho um ser a crescer na minha barriga. Foi como se tivesse ganho o Euromilhões. Senti-me a super mulher por conseguir gerar uma vida.”
Marisa encontra-se em lay-off há vários meses em virtude da pandemia. Contudo, admite que assim pôde aproveitar para passar mais tempo com o filho, “ver toda a sua evolução e aprendizagem”. A ilha de São Miguel tem sido a mais assolada relativamente à pandemia. Revela que sai sempre que considera ser mais seguro, mas sente “a falta que lhe faz poder sair mais. O Afonso é uma criança que adora passear, adora parques infantis, ver as flores, os animais, estar na praia ou simplesmente dar uma volta de carro. É o que temos feito. Em casa somos fãs do ‘Panda e os Caricas’ e aproveitamos para dançar, cantar, pintar”, conta.
Muitas vezes, Marisa questiona a sua mãe: “mãe, como é que consegues? Sempre me lembro de ver a minha mãe de um lado para o outro e a brincar connosco cheia de alegria. Era e é sempre uma festa com ela. Ela diz que nós, os filhos, somos a alegria dela. E é isso o que quero transmitir ao meu filho. Quero ser tão boa mãe como a minha mãe o é para mim.” O desejo de Marisa é que Afonso cresça saudável e feliz e que continue a contagiar todos com a sua alegria. “E que saiba que tem sempre a mãe a apoiá-lo em todas as fases da sua vida porque amor nunca lhe vai faltar”.

“A maternidade trouxe-me 
maturidade, disciplina e uma 
maior autoconfiança!”

Para Andreia Pereira, “ser mãe é conhecer um amor que a cada dia cresce, é saber que no caminho da tua vida nunca mais estarás só nessa caminhada, é ser e poder tudo!” Andreia revela que tudo mudou na sua vida após o nascimento da sua filha Laura, com 1 ano de idade. “A minha vida é toda organizada em função da Laura. Com o nascimento de um filho, nasce também uma mãe! A maternidade trouxe-me maturidade, disciplina e uma maior autoconfiança!” 
Também mãe de primeira viagem, a felicidade foi enorme ao saber que o seu sonho iria concretizar-se: o de ser mãe. O dia de hoje “será em família, não fazia sentido ser de outra forma”, segundo Andreia.
A filha nasceu praticamente antes do primeiro confinamento, em Março de 2020, e como Andreia admite, “tem sido um verdadeiro desafio. Eu e meu marido abrimos uma barbearia em Ponta Delgada, após o primeiro confinamento. Houve o meu recomeço no trabalho, a adaptação da Laura à creche, uma nova rotina para nós aqui em casa. E ainda, derivado à situação actual que vivemos pelo meio, existiu outras adaptações, como agora o teletrabalho.” No entanto, o teletrabalho trouxe-lhe uma coisa boa: “poder estar a acompanhar num contexto mais próximo, o crescimento da Laura. Não é fácil conciliar a vida profissional, lidas da casa e educar a Laura”, admite Andreia. Acrescenta que apesar do cansaço, tentam manter alguma rotina e que família “apoia na medida do possível consoante a sua disponibilidade. Todos os dias são diferentes, não sabemos o que nos espera, tudo depende da disposição da Laura.” Dá atenção à filha todas as vezes que esta pede, nem que para isso tenha que “que cozinhar, aspirar, estar em frente ao computador a trabalhar com ela ao colinho” (risos).
Com as várias restrições pelas quais a ilha de São Miguel tem vindo a passar, revela que passeia com a filha “quando é possível. No entanto, com um maior cuidado, optando a maioria das vezes por espaços abertos”.
Andreia confessa que a sua “mãe não é só mãe. É a minha melhor amiga e é a minha confidente! Sempre tivemos uma relação muito próxima e com muito amor! No entanto, sempre me ensinou que na vida teremos que fazer escolhas e que essas escolhas nem sempre terão o resultado esperado.” Como tal, revela algum receio do que possa fazer parte da vida da sua filha Laura: “ela fará o seu caminho e também irá fazer as suas escolhas espero que faça as certas.”

Com o nascimento do segundo filho, “foi um redobrar de amor e alegria”

“Ser mãe é um amor maior. Uma mãe nasce, quando nasceu um filho. É um compromisso para a vida toda. Para mim, ser mãe é ser capaz de amar infinitamente”, diz-nos Carina Raimundo, mãe de um casal de filhos: Alice, com 12 anos, e Tomás, com 6 anos.
Com o nascimento da primeira filha, revela que cresceu “imenso como pessoa. De repente, temos um bebé nos braços que depende de ti para tudo. É uma responsabilidade enorme. Apesar de ter sido a primeira bebé da família, da minha pouca experiência, e de estar longe da minha família, penso que até me desenrasquei muito bem. A partir do nascimento dela, comecei a dar valor a certas coisas e a desvalorizar outras. Quando nasceu o Tomás, foi um redobrar de amor e alegria.”
Soube que iria ser mãe pela primeira vez aos 28 anos de idade. “Ficámos os dois [eu e o meu marido] muito felizes quando descobri que estava grávida”. Conta-nos que altura, queriam contar a toda a gente. “Na altura estávamos a viver em Chaves. Contámos no início apenas à família mais próxima. Mas houve um dia que o Clemente marcou um golo, não se aguentou e festejou com a bola na barriga. Toda a gente ficou a saber.”
Tal como acontece todo os anos, Carina diz que costuma ser acordada pelos filhos com muitos beijinhos neste dia. No ano passado, a filha levou-lhe o pequeno-almoço à cama, feito por si. “Receber presentes feitos pelos nossos filhos tem um sabor muito especial. O meu coração fica um bocadinho apertado nesse dia apenas porque estou longe da minha mãe, a mulher que mais admiro nesta vida. Mas, tento ser fazer-lhe uma surpresa e enviar-lhe um miminho.” Carina conta que dá muito valor a todos os ensinamentos que a sua mãe lhe, bem como os valores que lhe passou. Acrescenta também que a sua mãe é uma guerreira, tendo passado por várias provações na vida. “Quando vivia no Algarve, éramos inseparáveis. Para todo o lado que ia, levava-a comigo, inclusive quando trabalhei num jornal. Ela ia comigo para algumas reportagens. Somos muito unidas e muito próximas. Assim como as minhas duas irmãs. Agora, estamos separadas pelo oceano, mas o nosso amor continua forte. Mas sinto muito a falta dela.”
Actualmente, Carina está em teletrabalho pois os dois filhos encontram-se em ensino à distância. Admite não ser fácil conciliar o teletrabalho e os trabalhos domésticos. A Alice encontra-se no 6.º ano de escolaridade, já o Tomás no 1.º ano, encontrando-se “a aprender a ler, a escrever, a contar, o que torna a tarefa mais complicada”, sendo necessário também mantê-lo motivado. “Dou muito valor ao papel das professoras neste momento e à importância da escola e da educação. Penso que os nossos filhos estão a ser prejudicados com esta pandemia. Sem falar que ficam muito carentes em termos de socialização.” O lado positivo do confinamento, em que todas as mães concordam, é o tempo passado com os filhos. Para Carina, “cada dia é um desafio. Mas aproximou as famílias e permitiu conhecermo-nos todos um pouco melhor”.
No entanto, sempre que podem, passeiam. “Temos a felicidade de viver numa ilha maravilhosa, com uma qualidade de vida fantástica, onde podemos usufruir da natureza no seu estado mais puro. Fazemos muitas actividades em casa como jogos de tabuleiro, ver filmes em família, ler, cozinhar, trabalhos manuais, jardinagem e exercício em família.” Sobre o futuro dos filhos, preocupa-a, por exemplo, as questões ambientais. Fez questão de os incutir desde pequenos sobre a importância da reciclagem, a par também da importância da alimentação e da protecção dos animais. “Saudáveis, felizes, educados, com sentido de solidariedade e respeitadores”, é assim que Carina quer que os seus filhos sejam quando se tornarem adultos.

Educar 4 filhos “tem sido 
um caminho fantástico”

Com 4 filhos, Ana Rita Tavares revela que “ser mãe, é a realização suprema. Desejava-o intensamente. Creio que seria uma mulher muito diferente da que sou se não passasse pela experiência da maternidade. Sou muito abençoada com os meus filhos”.  A maternidade acrescentou-lhe maior responsabilidade à sua vida: “já não se tratava apenas de mim e do meu destino, mas também das criaturas que me foram confiadas para que eu cuidasse”, explica.  Estando a tentar engravidar há muito tempo, o reconhecimento do seu estado de gravidez “foi uma notícia maravilhosa, sem dúvida”. 
Ana Rita é mãe de Frederico, de 30 anos, Filipe, 25 anos, André, 17 anos, e Gabriela, 11 anos. Educar 4 filhos “tem sido um caminho fantástico, que temos percorrido todos juntos. Nem tudo é um mar de rosas, são várias personalidades juntas.  Umas vezes, cheiramos as rosas, não perdendo de vista que as rosa também tem espinhos. Mas acredito, acreditamos, que o amor supera tudo. Somos muito felizes, compreendemos muito, esquecemos os mal-entendidos e tentamos como pais perdoar 77 vezes Os pais serão sempre os pais, o exemplo a demonstrar. Tentamos ser exemplo para os nossos filhos, mais do que os ensinar a não errar”, conta-nos.
Sobre o conciliar a vida profissional e a vida em casa, diz que acumula “as duas profissões”, mas que tem “um grande companheiro” que a ajuda nas lides domésticas. Questionada sobre este último ano acerca dos confinamentos, responde que “com ou sem confinamento, sempre dedicamos tempo aos nossos filhos. Não importa a hora que se janta, mas na nossa casa o jantar teme ser em família. Os domingos são só nossos. Ninguém nos convide para algo que não possa ir toda a família.” Mas reconhece que o confinamento teve o seu lado positivo. Ter mais tempo para a família e “estar com os filhos foi óptimo.” Como tal, o dia de hoje será passado em família.
O que a preocupa relativamente ao futuro dos seus filhos, é de “não serem capazes de serem felizes. Também detestaria que eles fossem más pessoas, maus cidadãos. Sempre ensinei que a nossa responsabilidade é sermos boas pessoas, a dos outros é quererem ou não o ser. O resto, terão de ser eles a correr atrás. Se errarem, terão de tentar novamente.”
Com a sua mãe, Ana Rita diz que aprendeu que “uma mãe verdadeira é incondicional para os seus filhos. A minha mãe é uma dessas e eu só sigo os seus passos. Deixou-nos escolher, errar e tentar de novo, nunca deixando de ser o nosso porto seguro.  Essa é a missão de uma mãe, que eu também pratico com os meus filhos.”

“É um sonho concretizado e é um
amor inexplicável e inigualável!”

Passamos para a ilha vizinha, mais concretamente para a Terceira. Raquel Rocha é mãe de primeira viagem, de uma menina de 7 meses: Núria nasceu em plena pandemia. Revela que a gravidez “planeada e muito desejada”. Ao saber que seria mãe, “foi um misto de emoções, de felicidade e medo por tudo o que estava por vir. Ser mãe é uma missão difícil! Criar, cuidar, educar uma criança não é tarefa fácil. E é uma responsabilidade enorme, para a vida toda. É ter o coração fora do peito!” No entanto, admite que os primeiros tempos de gravidez foram complicados visto que quando o país entrou em confinamento, Raquel estava grávida de 8 semanas. “Confesso que entrei em pânico, sem saber o que estava por vir. Cheguei a chorar muitas vezes com medo de como seria ter a minha filha neste mundo doente.” O marido de Raquel só a pôde acompanhar na última ecografia da gravidez, tendo o resto dos exames feitos todos sozinha. Além disso, Núria nasceu prematura, às 34 semanas. O pai não esteve presente nem no trabalho de parto nem no parto “porque ainda não tinha feito teste ao Covid-19. Fui internada na madrugada de Domingo e só voltei a receber a visita do meu marido na Terça-feira. Foi muito injusto ter de passar por tudo sozinha e ele só poder conhecer a filha no dia seguinte ao seu nascimento”, conta-nos Raquel. A ilha Terceira tem-se mantido “limpa” de casos activos de Covid-19 e “na altura em que a Núria nasceu [Setembro] não haviam muitos casos cá e por isso conseguíamos andar mais tranquilos na rua e nos espaços que tinha de frequentar”, acrescenta. Mas continua a ter cuidados como evitar espaços fechados e atenção ao distanciamento. “Tento normalizar o mais possível as nossas rotinas porque acho que ela também tem de conhecer e se habituar ao que lhe rodeia”, explica.
Para Raquel, “ser mãe é o melhor da vida! Ser mãe, gerar uma vida, cuidar da minha filha é um projeto de vida, é um sonho concretizado e é um amor inexplicável e inigualável!” Explica que se transformou no momento em que a sua filha nasceu. “Todas as prioridades alteraram-se e a minha filha passou a ser o mais importante da minha vida. Ajustei o meu horário de trabalho em função dela, passei a valorizar mais o meu tempo livre para estar com ela e tornei-me mais exigente comigo própria quer a nível pessoal como profissional.”
É o primeiro Dia da Mãe que comemora, querendo aproveitar o mesmo para passear em família e regista-lo em fotografias. Trabalhando por conta própria, admite que é “fácil” organizar a sua agenda de modo a ter mais tempo disponível para a filha no dia-a-dia. E como o aproveita? “Aproveito a dar-lhe muito colo, mimo, brinco com ela, passeamos, mostro-lhe diferentes lugares, cores, texturas, sons. Acho que tudo isto é importante para o seu desenvolvimento e para conhecer o mundo!”
E é com este mundo que Raquel se preocupa: “não queria que a minha filha crescesse num mundo sem afectos e sem expressões, doente, contagioso”. No entanto, tem esperança que esta situação em que nos encontramos actualmente passe para “aproveitar a liberdade” que também teve, “de brincar na rua, estar com os amigos, ir aos lugares sem ter de usar máscara e medir distanciamentos”.
jornal@diariodosacores.pt

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