O assalto ao pote
Osvaldo Cabral

O assalto ao pote

Previous Article Previous Article Edição de 17 de Outubro de 2021
Next Article Luís Raposo: “A Voz dos Açores”  nos EUA Luís Raposo: “A Voz dos Açores” nos EUA

Editorial


Foi uma semana carregada de dinheiro.
Desde orçamentos, de cá e de lá, até ao PRR e às famosas “Agendas Mobilizadoras”.
Isto quanto se trata de dinheiro, nas mãos dos políticos, já sabemos que não vai dar certo.
 Em 24 anos tivemos vários governos que não foram muito transparentes nesta matéria, mas fazer igual ou pior em 10 meses de governação, é obra!
 Desde o início do PRR que chamamos a atenção que ia dar para o torto.
O anterior governo desenhou um PRR mal feito e o actual, preguiçoso e sem rasgo desde o início, não quis alterar nada.
Agora está a apanhar as favas, sobretudo com a malfadada Agenda Mobilizadora.
Como é possível distribuir 117 milhões de euros através de contactos fechados, sem que houvesse um anúncio público regional, e em que os principais intervenientes (e beneficiários) são sempre os mesmos?
Têm razão os pequenos e médios empresários para protestarem. Como é que aparecem nalgumas ilhas pequenas empresas ligadas ao turismo candidatas à Agenda e noutras ilhas ninguém soube de nada?
 Que raio de agenda mobilizadora é esta que só mobiliza alguns?
E a explicação que ouvimos até agora é inacreditável: a culpa é dos consultores.
Foi uma equipa de consultores que escolheu as empresas!
Leu bem: consultores!
Isto é, já não nos serve de nada elegermos governos, eles transferem a governação para consultores.
Desde quando um consultor está mandatado para decidir a estratégia de investimentos de uma região ou país?
Quem os elegeu para escolherem que empresas ou empresários devem ir ao pote?
Qual é o eleitorado que eles representam para decidirem o nosso futuro?
Está tudo doido?
Este governo está a tornar-se num executivo sem coordenação, sem músculo, todos ao deus dará, ou, como já alertei por mais de uma vez, sem bússola.
Um governo que não sabe transmitir, não tem mensagem e reage sempre tardiamente às batatas quentes que lhe estalam nas mãos.
Em vez de matar a polémica à nascença (ou antes de ela nascer), remete-se ao silêncio, receia criar ruído, deixa-se ser o bombo da festa dos partidos da oposição, ignora o manto de suspeitas que se instala junto do público, e só quando vê que já não consegue travar a onda de descontentamento, é que aparece para esclarecer, tardiamente, o que já devia ter sido esclarecido.
Um governo sem bússola é um governo sem rumo.
Estes dias demonstraram, mais uma vez, que ou Bolieiro pega na aguilhada ou a boiada vai marrar com estrondo.
Até no corte de 20 milhões de euros no OE foi preciso a Madeira, outra vez, pegar na dianteira do carro de bois e pô-los a guinchar, porque do lado de cá é só silêncio pífio.
Mas este governo é perito em meter mais gasolina para cima do fogo.
Vejam só o que ficamos a saber esta semana: o Secretário dos Transportes foi dizer ao Ministro dos Transportes que a Região está disposta a comparticipar até 40% no projecto sobre a ampliação da pista da Horta.
Uma generosidade incompreensível quando o governo da República corta-nos 20 milhões de euros nas transferências do OE, não paga os 4 milhões de euros à Universidade dos Açores como prometeu, corta nas ajudas aos estragos do furacão Lorenzo, e os nossos governantes regionais vão de espinha curvada a Lisboa dizer que estamos dispostos a dar-lhes dinheiro para resolverem um problema que é da responsabilidade deles!
Isto só visto, porque contado ninguém acredita.
E a pista do Pico, ali ao lado, que é da nossa responsabilidade, assobiam para o lado...
Nunca se viu tanta asneira em tão pouco tempo

Share

Print

Theme picker