O moinho de água - uma esperança pró futuro sustentável
Júlio Moura

O moinho de água - uma esperança pró futuro sustentável

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Na História no século XV, no arquipélago dos Açores, o princípio do povoamento correspondeu, curiosamente, ao início da construção dos moinhos.
Nos moinhos ocorreu, em primeiro lugar, a produção de farinha de trigo, de farinha de milho. Porém, nos dias que correm, há, principalmente, produção única de farinha de milho (1) , que é basilar na alimentação ocidental. Em adição, há núcleos museológicos a funcionar nos moinhos, logo estes tornaram-se espaços que aliam museologia com atividade da moagem.
Mas será relevante falar-se hoje dos moinhos? Ou será a sua importância somente histórica?
Do nosso ponto de vista, os recentes acontecimentos que afetaram a humanidade fizeram-nos ter gosto em voltar atrás no tempo, fizeram-nos querer trabalhar o elementar e, por isso, ver o processo de moagem é, em pleno século XXI, na época pós-pandemia (espera-se!) uma das atividades mais atrativas para quem valoriza a vida mais rudimentar, para quem defende que o homem deve voltar às origens e recomeçar a construir uma civilização mais limpa. Assim, verifica-se grande interesse e até fascínio, não só nos açorianos, mas também nos turistas. Fascínio, pois ainda há muitos residentes que recordam a vida dos seus antepassados dedicada a este ofício; interesse nos visitantes, muita curiosidade em efetivamente ver o moinho a funcionar. Além disso, é bastante notório o gosto em aprender história dos moinhos, de ouvir falar acerca das vivências nos moinhos. Também há interesse de aprender com as técnicas seculares e com as especificidades nos componentes do `moinho de água açoriano´, pois, cá está o que a pandemia nos ensinou: temos de voltar aos primórdios, se queremos caminhar mais ao de leve neste planeta.
Como se verifica, a produção é sustentável, pois, na maioria absoluta dos moinhos micaelenses, a força motriz é a água, logo é visível na prática a utilização de energia verde, dispensa combustível, até mesmo eletricidade.
Finalmente, do ponto de vista turístico, o moinho/núcleo museológico integra o setor da animação cultural da Região, uma vez que é mais um chamariz para os que nos visitam, constituindo uma diversão e ocupação de tempos livres para os turistas que, por sua vez, animam assim a economia regional. Do ponto de vista dos açorianos, contribui para o rendimento dos trabalhadores do turismo, que além do mais, passam a experienciar/vivenciar a nossa cultura ancestral, mantendo a memória ativa das vivências seculares.
Além das razões acima escritas, no meu pensamento é o momento ideal pro tema bem como pro desenvolvimento deste artigo de opinião já que na atualidade no moinho do Vale foi, é será dinamizado, continuará a receber turistas/açorianos/alunos de diversas escolas de diversas origens formativas; já que na atualidade no moinho alvo de reconstrução na citadina Ribeira Grande, os mestres estão a aproveitar as formas arquitetónicas micaelenses para organização funcional do moinho.  
A maioria dos novos tipos de energia causam poluição. Por exemplo, a   fabricação em massa de aperitivos e doces é feita mecanicamente, por conseguinte é poluente. Melhor será, na minha opinião, aprender, meditar e regressar às origens. Como assim, a produção nos moinhos é verde, não polui, é uma energia renovável. Logo, uma parcela da produção de milho nos Açores poderia ser feita nos moinhos de água, o que poderia não ser apenas para inglês ver, mas sim para restaurantes que, designadamente, defendam uma produção bio, portanto com energias verdes, para rentabilizar os recursos da Região.
Por tudo o que foi dito atrás, a resposta à relevância deste tema é sim, continua ser uma atividade de valor, uma produção limpa, que não consome eletricidade, nem combustíveis fósseis. De facto, é uma produção verde, sustentável e equilibrada.

(1) O milho é o cereal mais ajustado ao clima temperado açoriano.


*Técnico de Turismo ao Ar Livre

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