As sucursais partidárias insulares
José Soares

As sucursais partidárias insulares

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Transparência

Há muito que alertamos para a abjeção constitucional portuguesa, que é a proibição de partidos insulares na Madeira e nos Açores.
Isto demonstra, sem sombra de dúvidas, que o cerne da questão reside sobretudo num trauma colonial português, construído ao longo de séculos e abruptamente rompido após o golpe militar de 1974, com o começo do forçado abandono em pânico das possessões africanas e a expulsão de africanos brancos forçados a abandonar o país onde haviam nascido.
Posteriormente as “Ilhas Adjacentes” serviriam de refúgio psicológico compensatório, onde ainda se exercita uma ação colonial, camuflada pelo estado de Direito (?) democrático (?). Nelas se “autorizaria” a existência muito zelada e vigiada de uma espécie de autonomia – estatuto astuciosamente fabricado com esse pomposo nome, para delegar a alguns serviçais ilhéus. Mas tudo debaixo do olho de outra aberração político-constitucional chamada “representante da república”, figura guardadora do rebanho colonial.
Mas, como diria Fernando Pessoa, “… as teias que o império tece…” continuam nas mentes açambarcadas de dúvidas, receios e desconfianças por parte da politiquice lisboeta. A impotência de inverter a História transforma-se na prepotência linear num único sentido. Condição que a dialética política chama de Soberania – palavra com origem em soberano, rei absoluto e autoritário.
Para alterar a constituição portuguesa, são precisos dois terços dos 230 deputados em São Bento. Não será com a cerca de meia dúzia dos Açores e da Madeira que algo será feito. Nem que fossem dez!
Há quem diga que as democracias estão cavando a sua própria sepultura, através da sua infinita tolerância a tudo e todos, incluindo os ultras, os radicais e extremistas, tanto da esquerda como da direita ideológicas.
Condescender a tudo pode ser porta aberta ao caos…
O “Chega” – essa aberração erradamente denominada de partido político (Hitler também tinha o partido nazista, politicamente instituído), chefiado por um desvairado que treina discursos diante do espelho, decidiu dar ordens aos seus sequazes da sucursal açoriana, que rasgasse o acordo de incidência parlamentar com o governo insular. Tudo porque o chefão lisboeta do PSD, Rui Rio, dissera horas antes que nunca faria acordos com a tal “Chaga”. As discussões são ao nível diretório, entre os chefões.
Meus Amigos e Amigas:
Só a Liberdade poderá calar a prepotência.
Só a Independência nos leva à Liberdade.
Antes morrer Livres, que… portugueses sujeitos a tal gente.


lusologias@gmail.com

 

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