Associação de Armadores desmente deputados na cabotagem para as ilhas e diz que operadores fazem serviço público
Diário dos Açores

Associação de Armadores desmente deputados na cabotagem para as ilhas e diz que operadores fazem serviço público

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A propósito da notícia que publicamos neste jornal sobre a resolução do parlamento regional de mandar fazer um estudo sobre os diferentes modelos de transporte marítimo para a região, a Associação de Armadores da Marinha de Comércio enviou uma carta à Assembleia Regional, a todos os partidos, que passamos a transcrever:
“Foi esta Associação surpreendida com o teor da Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores 56/2021/A.
Para que fique clara a nossa posição, nada nos opõe à deliberação tomada de recomendar ao Governo Regional que realize um estudo de viabilidade económica, de diferentes modelos de transporte marítimo de mercadorias, que contemple o transporte do continente para os Açores e a distribuição e transporte de carga interilhas.
O que nos surpreende e obriga a reagir são os factos invocados nesta Resolução, que não têm aderência à realidade o que só pode acontecer por essa Assembleia ter recebido informações distorcidas relativamente ao que efectivamente ocorre nos transportes marítimos de, para e entre ilhas da Região.
Registamos o cuidado que foi colocado na redacção com utilização de termos como “aparentemente” e “supostamente”, mas isto não invalida que sejam referidas situações que de facto não ocorrem e que esta Associação em defesa do bom nome dos Armadores seus filiados que operam para a Região Autónoma dos Açores, de forma muito sintética, vem por esta via tentar repor a verdade dos factos.
1 - Não há por norma atrasos na mercadoria proveniente do Continente por falta de capacidade de carga ou porque os horários não estão articulados, como indevidamente é referido.
Existem presentemente 7 navios a operar neste tráfego que asseguram uma capacidade de carga mais que suficiente para as necessidades do mercado.
Estes navios pertencem a 3 diferentes armadores e cada um definiu os seus itinerários e escalas de acordo com as necessidades dos seus clientes e o cumprimento do decreto-lei que regulamenta a cabotagem.
São itinerários e escalas regulares definidos e publicados e que se mantêm há bastante tempo, assegurando dias da semana pré-fixados para as escalas em cada uma das ilhas, o que garante a sua previsibilidade e permite aos clientes planear de forma atempada toda a sua logística.
Contudo:
- Cada navio não tem uma capacidade ilimitada, podendo acontecer que numa ou noutra viagem com partida do Continente haja um número de “bookings” de contentores em determinado porto superior à capacidade do primeiro navio de determinado armador que vai escalar esse mesmo porto. Porque há normalmente conhecimento antecipado deste facto, o que todos os armadores que operam para os Açores fazem, é:
- Se houver contentores que contenham carga que não tenha problema em ser deslocada por via terrestre, enviar contentores por via ferroviária ou rodoviária para outro porto do Continente em que vão ter um navio com capacidade disponível (por ex: de Leixões para Lisboa).
- Alternativamente, se verificarem que um navio de um armador concorrente vai escalar esse porto muito brevemente, contactam-no para saber se tem disponibilidade para transportar os contentores em questão, no regime de venda de slots.
- Caso nenhuma destas alternativas funcione e porque com os sistemas informáticos de que dispõem é possível saber qual o tipo de carga transportada em cada contentor, tentam analisar qual a carga que pela sua natureza deverá ser menos urgente e/ou em que há uma grande quantidade de contentores a embarcar para um mesmo cliente, e contactam o cliente para saber se é possível que alguns desses contentores possam ser embarcados no navio da semana seguinte.
- Para além disto e porque os itinerários praticados por cada armador se vêm mantendo quase inalterados no essencial há já vários anos, cada armador tenta fazer ajustamentos nos seus itinerários por forma a maximizar a frequência de escalas nas várias ilhas, evitando sobreposição de navios e oferecendo alternativas, o que significa que ao contrário do que está escrito as escalas e horários acabam por estar articulados, por via do esforço individual de cada armador.
2 - Refere ainda a Resolução em apreço “Este aparente sobrecusto é supostamente aduzido ao facto de, neste momento, a carga trazida para a Região estar a ser descarregada no porto de Ponta Delgada, sendo a cabotagem insular assegurada por uma delas, a qual subcontrata o serviço de outra para o efeito”.
É uma afirmação que de novo não tem aderência à realidade. O serviço de todos e cada um dos armadores nossos associados baseia-se no princípio de escalas directas do Continente para cada uma das ilhas servidas por cada armador. Qualquer transbordo em Ponta Delgada é uma excepção.
Essas que são verdadeiras excepções acontecem por exemplo:
- De forma muito pontual, quando um armador tem em determinado porto do Continente uma carga para uma ilha que não irá ser escalada pelo seu primeiro navio a largar desse porto do Continente, para que essa carga chegue mais rapidamente ao destino do que aconteceria caso ficasse no porto do Continente à espera de um navio que escalasse essa ilha, ela será transportada nesse primeiro navio até Ponta Delgada, onde é baldeada para outro navio que assegure a sua rápida entrega.
- Quando se verifica a necessidade de realização da manutenção periódica de cada navio ou uma avaria ou um acidente num dos 7 navios que operam no tráfego e há dificuldade ( e nos dias de hoje é muito grande) em fretar um navio para o substituir, os 3 armadores que operam no tráfego acordam em que um altere um dos itinerários pré-estabelecidos e faça só viagens “rápidas” até Ponta Delgada e/ou Praia da Vitória, a partir de onde os restantes 5 navios, dentro dos seus itinerários normais, fazem a distribuição pelas várias ilhas.
São situações pontuais e excepcionais e apenas com o fim de assegurar que as cargas chegam o mais rapidamente possível aos recebedores, porque a regra é o transporte directo para todas as ilhas.
3 - Refere-se ainda nesta Resolução que o actual modelo “acarreta, aparentemente custos demasiadamente elevados que penalizam a competitividade das nossas empresas”.
Nesta matéria importa referir que, como se pode constatar pela análise do tarifário de cada um dos armadores, que todos os anos é depositado no IMT, que em média nos últimos 15 anos esses tarifários tiveram um crescimento acumulado de cerca de metade da inflação acumulada nesse mesmo período.
E porquê? Porque os armadores nossos associados repassaram para os clientes todos os ganhos de eficiência e todas as economias que conseguiram obter, tendo ainda sacrificado parte das suas margens.
4 – Mas o mais extraordinário, é que estas afirmações acerca de custos elevados são feitas numa altura em que o preço de compra ou aluguer de contentores subiu vertiginosamente, o custo de fretamento de navios mais que duplicou no último ano, em consequência do que o preço dos fretes subiu fortemente em todas as rotas, tendo em algumas delas duplicado ou triplicado, com uma excepção; o preço dos fretes praticados por armadores portugueses no transporte para as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores (os armadores portugueses têm vindo a aumentar os fretes apenas nas linhas internacionais que operam).
Neste momento (e é uma situação que irá continuar pois não se verificam “fechos” de contratos de fretamento no mercado a menos de 2 anos) seria mais rentável face aos preços praticados, deixar de fazer o transporte de contentores para as Regiões Autónomas e fretarem os seus navios próprios no mercado, onde propostas não lhes têm faltado.
Mas os armadores portugueses entendem o transporte marítimo para as Regiões Autónomas como um Serviço Público a que estiveram e continuarão a estar dedicados.
5 – As afirmações contidas na Resolução representam de facto uma enorme injustiça para os armadores portugueses nossos associados, que são tão eficientes quanto qualquer armador estrangeiro e proporcionam aos seus clientes uma qualidade de serviço e um nível de preços altamente competitivos”.

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