Pandemia “aumentou a severidade” dos casos de violência doméstica nos Açores
Diário dos Açores

Pandemia “aumentou a severidade” dos casos de violência doméstica nos Açores

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Assinala-se hoje o Dia Internacional da Violência contra as Mulheres, numa altura em que este fenómeno, com a pandemia, “aumentou a severidade” dos casos nos Açores, região com uma elevada taxa de incidência destas situações.
A APAV já tinha assinalado, a meio do ano, “um aumento” de situações, cuja “complexidade de actuação se manteve”.
Maria José Raposo, coordenadora da UMAR — União de Mulheres Alternativa Resposta/Açores alerta que a pandemia originou casos com “contornos mais severos”, por exemplo de mulheres “com mais de 60 anos, que toda a vida tiveram na conjugalidade comportamentos graves de violência e chegaram uma altura em que, física e psicologicamente, já não conseguem suportar tamanha violência”.
Para a responsável, a elevada incidência de casos de violência doméstica nos Açores poderá ser justificada por padrões de uma “sociedade patriarcal” incutidos e “transmitidos pela mãe ou pelo pai”.
Isto faz com que as vítimas “minimizem todos os sinais de violência conjugal”, submetendo-se a comportamentos agressivos, descreveu.
“Estamos ainda com resquícios bastante acentuados de uma sociedade patriarcal, em que o homem ainda prevalece nas relações. Se isto for incutido às raparigas, elas partem para aquela relação já em desigualdade. Portanto, vão ser submetidas a uma subjugação emocional, física, psicológica, económica e financeira”, segundo a coordenadora da UMAR/Açores.
Paralelamente à violência conjugal, a técnica de apoio à vítima da UMAR revela ainda a existência com “muita frequência” de casos de violência dos filhos sobre pais, em concreto “sobre as mães” e que “têm muito a ver com consumos de álcool e outras substâncias”.
A ilha de São Miguel, onde está situado em Ponta Delgada o gabinete de apoio à vítima da APAV, tem perto de 80% dos de casos de violência.
As denúncias surgem “via contacto telefónico, através da própria vítima e da comunidade, nomeadamente vizinhos, conhecidos, amigos, familiares, e até de colegas de trabalho”, segundo dados da APAV.
Relativamente às faixas etárias, as vítimas mais frequentes têm entre os 25 e os 54 anos de idade. Na maioria dos casos, os agressores são cônjuges ou ex-cônjuges.
Maria José Raposo adiantou que a UMAR tem realizado, por ano, “entre 60 a 70 ações de formação de igualdade de género”.
Nos Açores existe uma rede integrada de apoio à mulher vítima de violência que junta várias instituições com repostas nestas áreas e linhas telefónicas que funcionam diariamente.

Diário dos Açores na campanha

A partir de hoje decorre nos Açores a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, a que o nosso jornal se associa, iniciativa de âmbito mundial, nascida em 1991, com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres, tem vindo a ser desenvolvida em Portugal incluindo os Açores, desde 2009, numa organização da UMAR e UMAR-Açores, em parceria com diferentes associações.
16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres tem início hoje, Dia Internacional da Violência contra as Mulheres, e encerra a 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, com o fim de vincular simbolicamente estas duas datas e destacar que a violência contra as mulheres constitui uma violação dos Direitos Humanos. Esta campanha integra igualmente, o patrocínio de jornais locais, Açoriano Oriental, Correio dos Açores e Diário dos Açores, onde serão publicados artigos de opinião, assim como, a RTP-Açores, com a divulgação de um spot alusivo à Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

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