Homens e homens
Marco Teixeira

Homens e homens

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16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência Contra as Mulheres

Vigoram, na sociedade atual, ideias tradicionais acerca da constituição das famílias, do papel do homem e da mulher enraizados em funções definidas.
Leitura correta? Não sei.
Facto é que ainda se estranha/julga quando uma família/pessoa não segue estes padrões tradicionais.
Que podemos fazer? Abrir a mente!
Aceitar e respeitar que somos todos diferentes e que isso não é mau nem está errado, é simplesmente diferente.
Ideologia bonita, mas difícil de adotar (fui homofóbico, racista e inflexível).
Somos fruto da educação (valores), dos modelos e da exposição feita pelos Mídea.
Mas é necessário que as pessoas estejam dispostas a compreender os outros e a si próprias, concebendo que existem formas de ser e estar que fogem ao tradicional. E não há mal na diferença se houver respeito!
 Para uma maior abertura, especificamente em homens, seres do sexo masculino (definido biologicamente pelos órgãos reprodutores), independentemente da orientação sexual ou do género, é necessário um espaço seguro, de exposição de ideias, conceitos, preconceitos e crenças, de partilha de particularidades que normalizem as diferenças, fomentando o respeito, livre de julgamento.
Recentemente, houve um Workshop de Roy Galán, intitulado “It’s raining men, hallelujah? Repensar a masculinidade de maneira coletiva”, inserido no festival “IMPROPRIA: MOSTRA DE CINEMA DE IGUALDADE DE GÉNERO”, dedicado a homens.
Convidei amigos, surgindo resistência.  Perguntei-lhes, “o que é a masculinidade?”. O que fiz eu? Gerou-se ali uma troca de opiniões, e eu calado.
Já no evento, a sala tinha uma mesa particular, com chocolates, aperitivos salgados e vinho.  
Pensei eu, “é mesmo à homem, vinhaça para o pessoal se soltar”.
Servi-me de vinho e aguardei.
Surge Roy Galan, advogado, homossexual, orador calejado em igualdade de género, falando de si, de masculinidade, do que o diferenciava do dito normal.
Gerou-se um debate de opiniões e experiências, sem orador.
Um grupo de homens, com diferentes orientações sexuais e géneros a falar de ser homem, de comunalidades, particularidades e dificuldades, num tom de respeito sem julgamento.
Um evento de 90 minutos, durou 150.  
Foi incrível ouvir pessoas tão diferentes de uma forma tão honesta e civilizada.
No jantar com os meus amigos, o assunto permanecia no ar com um humor característico ao ridicularizar o momento “um jantar de homens, um jantar de masculinidade”.
Pensei “não surtiu efeito”.
No dia seguinte, foram tomar café e juntei-me a eles.
Fiquei estupefacto, o tema da conversa era o workshop.
Afinal cumpriu-se o objetivo, pensaram no assunto.
Só assim se mudam mentalidades!
Humildemente creio que a mudança só é possível pela exposição a outras realidades e conceitos, por momentos de partilha e de normalização das diferenças, promovendo novos hábitos, mais ajustados e adequados à evolução dos tempos, principalmente para nós homens.

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