Uma guerra atroz está acontecendo em directo na Televisão

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Estamos todos em estado de choque com as imagens que permanentemente nos entram pela casa dentro, em directo, vindas da Ucrânia, no outro extremo da Europa, e dos países vizinhos. A guerra, decorrente da invasão pela Rússia de um Estado independente e soberano, está sendo muito sangrenta e as destruições são tremendas e parecem indicar a determinação de destroçar qualquer resistência e até as próprias condições de vida normal nas povoações atingidas.
Perante o horror da tragédia que se abateu sobre a Ucrânia, não poupando ao sofrimento e à morte, crianças, mulheres e idosos, a reacção dos países europeus e dos outro todos também, afigura-se tímida e até temerosa. A liderança autocrática  russa já se apercebeu disso e por isso actua infrene.
Valha-nos que os próprios cidadãos russos estão mostrando o seu desagrado em manifestações constantes e constantemente reprimidas, com violência. Mas não se pode mandar prender um Povo todo e, se tiverem condições de persistir nos seus protestos, os indignados russos acabarão por prevalecer! Recorde-se a persistência dos resistentes anti-autocráticos na Bielorússia, saindo à rua em pleno Inverno para resgatar a sua honra vilipendiada por um ditador de pacotilha, serventuário sem vergonha de Moscovo, como agora se está vendo.
As sanções económicas são importantes e estão causando algum efeito. Infelizmente, não atingiram ainda a dimensão necessária para vergar a tirânica autocracia russa. Na chamada Cimeira Informal de Versalhes, os líderes europeus, deslumbrados no luxo do Rei Sol - e não encontro palavras para censurar a escolha do local da Cimeira, num momento em que há europeus debaixo de fogo e sem terem que comer -  prometeram que as sanções iriam subir de grau futuramente... Mas quando? E o que é preciso para que tão esclarecidas personalidades entendam que é preciso parar completamente com a importação de petróleo e de gás da Rússia e banir todos, mas mesmo todos, os bancos russos do sistema internacional, sem deixar de fora, como agora acontece, os que afinal se encontram mais próximos da cleptocracia que rodeia e apoia o autocrata russo?
Parece existir um temos reverencial da Rússia, por causa do seu arsenal nuclear, ao qual o ditador já ameaçou deitar mão se se sentir muito apertado. Mas o homem é doido e não percebe que também do outro lado há armas nucleares e em quantidade superior? Se porventura se atrevesse a recorrer a elas, iriam cair-lhe em cima em retaliação bombas atómicas suficientes para que não se ficasse a rir...  Quero crer aliás que no dia em que, num acesso de loucura, desse ordens para disparar mísseis com ogivas nucleares, não faltaria quem sabotasse tão insana disposição, recorrendo ao derradeiro argumento, se preciso fosse.
Houve de resto ainda recentemente formais declarações conjuntas dos governos dos países que detêm armamento desse tipo, de que jamais a ele iriam recorrer, ficando então de se saber  para que é que servem tais armas, que tanto custo representam na sua aquisição e constante modernização, e por que razão não se negoceia rapidamente um acordo de desarmamento nuclear total, retirando-as dos párias que parecem possuí-las também, embora ilegalmente.
Infelizmente, a brutalidade da autocracia russa, que se apoderou do poder e o usa em seu benefício e de uns quantos da mesma laia, não parece conhecer outro argumento senão o da força. Ora, até agora, o que se está vendo é todo um povo, o sacrificado povo ucraniano, entregue à mais revoltante das chacinas, a um autêntico massacre, que dá sinais de ir continuar até ao último homem. E os contínuos crimes de guerra e contra a Humanidade, nos quais se contam bombardeamentos de alvos civis, como zonas residenciais e até hospitais, são disfarçados como ocultando afinal instalações militares, o que ninguém em seu perfeito juízo acredita.
A União Europeia tem culpas grandes no cartório porque andou com paninhos quentes com a Rússia, mesmo depois da anexação da Crimeia e da desestabilização do Donbass. A invasão em curso é apenas o culminar da aplicação da doutrina das zonas de influência sobre o estrangeiro próximo e em última análise da doutrina da soberania limitada dos países satélites, dos tempos áureos da dominação russa sobre a Europa Oriental. Mas esses tempos acabaram há muito, o império russo pós II Guerra Mundial ruiu com estrondo e os povos sufocados pelo colonialismo russo e pela repressão comunista respiraram enfim livres após a queda do Muro de Berlim e apressaram-se a manifestar o seu desejo de serem admitidos como membros de pleno direito da UE e da NATO, a fim de gozarem da garantia de que não tornaria a acontecer o abraço de urso do seu vizinho de Leste.
Ambas estas organizações internacionais regem-se por princípios democráticos de abertura aos países que se manifestem dispostos a cumprir as respectivas obrigações. A Rússia tem de compreender que as suas fronteiras estratégias recuaram e já não chegam aonde chegaram, entrando pela Europa dentro. De resto a Rússia sabe que a sua identidade e a sua cultura são reconhecidas como enriquecendo o conjunto europeu. Mas isso não significa pactuar com imperialismos serôdios, menos ainda sobre povos também europeus. E quanto à Rus de Kiev ser a primeira das Rússias e o berço da identidade russa, também o mesmo dizia o ditador da Sérvia sobre o Kosovo e sabe-se como tudo acabou, com Milosevic nas masmorras do Tribunal Penal Internacional da Haia.

* Por convicção pessoal, o Autor não respeita o assim chamado
Acordo Ortográfico  

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