Açorianos estão a consumir menos água e menos electricidade

AguaOs açorianos estão a consumir menos água e menos electricidade, de acordo com os dados agora revelados pelo SREA, relativamente ao 1º Trimestre deste ano, quando comparado com período homólogo. Relativamente ao consumo de água, são menos cerca de 34 mil metros cúbicos de consumo, com as maiores quedas a registarem-se no consumo doméstico e no público.

Já no sector das empresas, verifica-se exactamente o contrário, com um aumento do consumo de água.

No que se refere à electricidade, os dados do SREA, com base nos números da EDA, revelam que esta empresa produziu no 1º Trimestre menos 2.563 MWh, apesar de um aumento de produção na energia térmica, mas uma diminuição na geotérmica e forte queda nas outras fontes de energia. A mesma queda registou-se no continente, mas no mês de Abril, com o consumo da electricidade a descer 6,6% face ao mês homólogo, explicado pelos efeitos da Páscoa e da temperatura, que esteve muito acima dos valores normais para aquele mês.

 

Governo Regional possui 76 edifícios e 445 habitações de renda

riac angraA Região Autónoma dos Açores possui 76 contratos de arrendamento, em diferentes ilhas, para instalação de diferentes serviços dependentes dos departamentos governamentais e da administração indirecta da Região.

A informação está contida numa resposta do Governo Regional a um requerimento do deputado do PPM, Paulo Estêvão, agora tornada pública.

As únicas ilhas onde não há contratos de arrendamento são as Flores e Corvo, onde, no entanto, deverá brevemente ser autorizado um contrato para arrendamento de um armazém para o Museu das Flores e está em preparação uma proposta de arrendamento para o Ecomuseu do Corvo.

O Governo Regional informa ainda que a região, no âmbito das políticas habitacionais, promovidas pelo Governo, tomou de arrendamento 445 imóveis, em diferentes ilhas, com excepção da Graciosa, Faial e Corvo.

Destes, 345 estão constituídos em contratos com opção de compra, apenas registados nas ilhas de S. Miguel e Terceira.

O valor mensal da renda oscila entre   u m mínimo de 208,29 euros e um máximo de 694 euros.

Os prazos de duração dos contratos variam entre o mínimo de 3 anos e o máximo de 10 anos.

O Governo revela ainda que foram desafectados do domínio público aeroportuário do Estado, as parcelas de terreno e os edifícios e infraestruturas nelas implementados, no perímetro do Aeroporto de Santa Maria.

Assim, estão presentemente em vigor 143 contratos de arrendamento, três dos quais com opção de compra, bem como de 5 arrendamentos para fins comerciais na mesma zona, e ainda um contrato de arrendamento rural.

A média mensal das rendas habitacionais é de 88,42 euros, oscilando num mínimo de 31,53 euros e um máximo de 318,58 euros.

O prazo de duração dos arrendamentos provindos da ANA S.A. é por tempo indeterminado e os contratos de arrendamento com opção de compra, celebrados recentemente, variam entre 20 e 30 euros.

 

Lista das rendas mais caras

Entre os vários contratos de arrendamento mensal para a instalação de diferentes serviços dependentes do Governo, figuram vários acima dos mil euros por mês, como por exemplo:

- Edifício da Direcção da Delegação da ADSE, Passaportes e Licenças, Centro Regional de Apoio ao Artesanato, Incubadora, RIAC, na Rua Conselheiro Luis Bettencourt, em Ponta Delgada, 5 mil euros (por 5 anos, renovável 1 ano em 1 ano);

- Direcção dos Serviços de Cartografia e Informação Geográfica, na Rua Dr. Alfredo Bensaúde, em Ponta Delgada, 4.430 euros (15 anos, renovável 1 ano em   1 ano);

- Espaço para a representação dos Açores em Bruxelas, 4.084 euros (3 anos, renovável por igual período);

- RIAC, na Rua da Juventude, Ponta Delgada, 4.030,45 euros (6 anos);

- Sede da RIAC, em S. Pedro, Angra do Heroísmo, 3.509,21 euros (1 ano, renovável por igual período);

- Direcção de Serviços do Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos, na Avenida Antero de Quental, em Ponta Delgada, 3.426,02 euros (15 anos, renovável de 2 em 2 anos);

- Arquivo de diversos serviços, na Ribeirinha, Ilha Terceira, 3.246,29 euros (5 anos, renovável por igual período);

- Serviço Regional de Estatística dos Açores , na Rua da Rocha, em Angra do Heroísmo, 3.101,11 euros (6 meses, renovável por igual período);

- Espaço destinado à promoção de produtos dos Açores, em Lisboa, 2.235 euros (5 anos);

- Comissariado dos Açores para a Infância, na Rua do Castilho, em Ponta Delgada, 2.164,18 euros (5 anos, renovável por igual período);

Armazém da Direcção Regional de Turismo, nas Angústias, Horta, 1.118 euros (5 anos, renovável de 2 em 2 anos).

 

Diáspora açoriana vem agradecer ao Senhor Santo Cristo dos Milagres graças concedidas

emigrantes 5Actualmente vivem em Leamington, Ontário, Canadá, mas são naturais do concelho da Povoação e, como praticamente todos os açorianos, também são devotos do Senhor Santo Cristo dos Milagres e a comprovar esta fé, Daniel Carreiro mostra, orgulhoso, o cordão que ostenta uma medalha do Senhor Santo Cristo, isto para explicar que apesar de ter emigrado há 51 anos, a sua fé ao Senhor não diminuiu. 

Já lá vão 20 anos desde que Daniel Carreiro não voltava à sua terra natal, revelando que agora “está tudo muito diferente desde a última vez que cá estive, a ilha está mais bonita”, confessa, adiantando que passadas duas décadas, desta vez vem a São Miguel com o propósito de “ver, pessoalmente, as festas do Senhor Santo Cristo”, uma vez que nunca teve oportunidade de o fazer em outras alturas da sua vida. Também está cá para pagar uma promessa. Como diz à nossa reportagem, “tenho muita fé no Senhor Santo Cristo, e sempre que preciso recorro a Ele, tanto que estou cá com o propósito de pagar uma promessa porque Ele ajudou-me muito”.

Duarte Melo, que também rumou ao Canadá há 57 anos, fez questão de, uma vez mais, voltar a São Miguel porque, frisa, “onde quer que vá, o Senhor vai sempre connosco”. Todos os anos, quando via as festas pela televisão, dizia sempre à esposa que um dia teria que voltar para ver as festas de perto, mas confessa que a oportunidade nunca surgiu até ao dia em que, conta, “fiquei doente, e meti na cabeça que tinha que vir às festas”. Assim foi, há três anos este casal Duarte e Ursulina Melo participaram nas festas e este ano regressaram para uma vez estarem próximos do Senhor Santo Cristo dos Milagres e agradecerem todas as graças que Ele concede. 

“O Senhor Santo Cristo toca-nos no coração… tenho uma grande fé e é por isso que venho sempre que posso”, desabafa Duarte Melo, explicando que no Canadá também se fazem muitas festas ao Santo Cristo, mas, comenta, “não é a mesma coisa”.

Também Ursulina Melo, que emigrou aos 21 anos, não esconde a sua devoção, recordando quando, aos 11 anos de idade, fez uma romaria desde a Povoação até Ponta Delgada. “A fé era enorme”, refere,  acrescentando que quando olha para a imagem fica com a sensação que está “a ver uma pessoa viva que nos está a dizer algo, e como, de facto, está”, adverte.

Falando em experiências, Ursulina conta a forma como lhe tocou, por exemplo, a visita que fez por estes dias à igreja em que “um senhor nos explicou muitos factos sobre o Santo Cristo e que não sabíamos, foi muito bom!”

Também Duarte Carreiro intervém, a propósito, para dizer que ficou “muito emocionado” com tudo o que viu e ouviu sobre o Senhor.

Lorena Carreiro, também natural do concelho da Povoação emigrou com os pais quando tinha a tenra idade de dois anos de idade, mas o certo é que o culto ao Senhor Santo Cristo foi algo que sempre fez parte da sua vida.

À nossa reportagem explica ter “uma vaga ideia de uma vez ter vindo a São Miguel, com sete anos, e ver tanta gente, uns a chorar, outros com os joelhos a sangrar e eu perguntava à minha mãe porque as pessoas faziam aquilo, porque era algo que eu não compreendia”. Mas com o passar dos anos, Lorena Carreiro foi crescendo tendo sempre presente no meio que a rodeava a devoção ao Senhor Santo Cristo, “incentivada pela minha mãe e pelo meu pai que nos incutiu esta devoção e esta fé”, conta acrescentando, por outro lado, que sempre teve vontade de vir a estas festas, “e este ano consegui concretizar este sonho”, frisa.

Será a primeira vez que Lorena Carreiro presencia as festas do Senhor Santo Cristo já em idade adulta, fazendo questão de ir na procissão da Mudança que se realizou ontem.

Aliás, uma atitude que foi tomada por estes quatro emigrantes que, por motivos diferentes, incorporam aquela procissão como forma de agradecerem e pagarem as suas promessas pelas graças que o Senhor lhes concedeu.

Duarte Melo assegura que vão “todos acompanhar o Senhor na procissão. Vou levar um círio por um primo meu que está em Quebec e que me pediu que fizesse uma oração pelas melhoras dele. Também trago um pedido de uma madrinha minha que tem 92 anos e que me pediu para olhar para o Santo Cristo e para lhe dizer que ela mandava um grande abraço”. Com toda a convicção este emigrante assevera que “todo o emigrante leva o Senhor consigo, e se formos a casa de um qualquer açoriano que viva no Canadá ou nos Estados Unidos há sempre uma imagem do Senhor Santo Cristo em algum lugar da casa”. Aliás, reforça, mesmo “quando viajamos levamos sempre uma imagem, mesmo agora nas nossas malas temos uma imagem do Senhor que trouxemos connosco do Canadá para que o Senhor nos proteja”.

A propósito de fé, Lorena Carreiro interrompe para contar que até o genro, que é canadiano, já se rendeu à fé e à devoção que vê na família, adiantando que ele próprio esteve cá por altura da quaresma para ir de romeiro como promessa que fez pelo facto da esposa, que não podia ter filhos, finalmente ter engravidado e ter tido uma menina que se chama Belissa Victoria, precisamente por ter sido uma vitória o seu nascimento. 

Depois das festas, estes emigrantes dizem que irão regressar a casa com “saudades” dos Açores, mas “vamos de coração cheio”, concluem.

Por: Olivéria Santos

Nos Açores morre-se mais cedo do que no resto do país

hospital corredorA idade média ao óbito em 2015 no país (total) foi de 78,0 anos (75,1 para os homens e 81,0 para as mulheres), revela o estudo do INE sobre “As causas de morte 2015”, publicado ontem e a que o nosso jornal teve acesso.

As idades médias ao óbito mais elevadas foram observadas nas regiões da Beira Baixa (81,0), nas Beiras e Serra da Estrela (80,9) e no Alto Alentejo (80,3 anos). 

A idade média ao óbito mais baixa foi de 75,1 anos, registada na Região Autónoma dos Açores seguindo-se a ainda a Região Autónoma da Madeira, com 75,8 anos.

No país (Total), a taxa bruta de mortalidade em 2015 foi de 1 051,4 óbitos por 100 000 habitantes (1 107,8 para os homens e 1 000,4 para as mulheres).

A taxa mais elevada foi observada na região do Alto Alentejo (1 713,1) e a mais baixa na região do Cávado (753,9). 

Para o Total, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades, em 2015, foi de 544,6 óbitos por 100 000 habitantes (690,5 para os homens e 427,1 para as mulheres). Os valores mais elevados deste indicador observam-se para a Região Autónoma dos Açores, 729,3 para o total dos residentes nesta região e 584,0 para as mulheres e para os homens, na Região Autónoma da Madeira (942,0).

A taxa de mortalidade padronizada para as idades inferiores a 65 anos foi de 166,8 óbitos por 100 000 habitantes, ao passo que para as idades de 65 e mais anos foi de 3 601,7. 

As taxas mais elevadas para idades inferiores a 65 anos observaram-se para a Região Autónoma dos Açores (231,3 para o total dos residentes nesta região e para as mulheres (138,0), sendo que para os homens se verificou no Baixo Alentejo (334,0). 

Os valores mais baixos foram registados na região do Cávado (130,9 para o total dos residentes nesta região, na Região de Leiria para os homens (186,2) e na região do Ave para as mulheres (70,1).

A taxa de mortalidade padronizada mais elevada para idades de 65 e mais anos verificou-se na Região Autónoma dos Açores com 4 758,3 e para as mulheres (4 192,4) e na Região Autónoma da Madeira para os homens (6 111,5). Por outro lado, a taxa mais baixa foi de 3 267,0 e verificou-se na região do Alto Tâmega, onde ainda se registaram os valores mais baixos para os homens (4 032,3) e para as mulheres (2 687,7).

As razões de mortalidade padronizadas mais elevadas em 2015 verificaram-se na Região Autónoma dos Açores (133,5) e na Região Autónoma da Madeira (127,2). Para os homens, o valor mais elevado deste indicador corresponde à Região Autónoma da Madeira (137,3), e para as mulheres corresponde à Região Autónoma dos Açores (136,3). As razões de mortalidade mais reduzidas foram observadas no Cávado, 91,8 para o total de residentes nesta região e 91,5 para os homens e no Alto Tâmega para as mulheres, 90,6.

No ano em análise, para o Total, o número médio de anos potenciais de vida perdidos foi de 13,3 anos (13,3 para os homens e 13,2 para as mulheres).

Os valores mais elevados deste indicador foram registados na Região Autónoma dos Açores (15,2) e na região do Tâmega e Sousa (14,4), enquanto o valor mais baixo se verificou na região das Beiras e Serra da Estrela (11,8 anos).

 

Valores mais elevados nos Açores para tumores

 

No país (Total), a taxa bruta de mortalidade devido a Tumores, em 2015, foi de 262,8 óbitos por 100 000 habitantes (329,9 nos homens e 202,3 nas mulheres). As taxas brutas mais elevadas foram observadas nas regiões de Terras de Trás-os-Montes (361,6), e da Beira Baixa (355,7). Ao invés, as taxas brutas mais baixas registaram-se nas regiões do Tâmega e Sousa (184,4) e do Cávado (201,4).

Para o Total, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades, em 2015, foi de 155,4 óbitos por 100 000 habitantes (217,3 nos homens e 108,0 nas mulheres). Na Região Autónoma dos Açores e no Baixo Alentejo foram registados os valores mais elevados (196,8 e 169,5, respectivamente).

A taxa de mortalidade padronizada para as idades inferiores a 65 anos foi de 68,2 óbitos por 100 000 habitantes (90,3 para os homens e 48,4 para as mulheres). As taxas para as idades de 65 e mais anos atingem valores mais elevados: 860,9 óbitos por 100 000 habitantes (1 245,2 para os homens e 590,4 para as mulheres). Os valores mais elevados para este grupo etário foram calculados para a Região Autónoma dos Açores (1 013,6) e para o Alentejo Litoral (935,7). Para este conjunto de causas, em 2015, a razão de mortalidade padronizada mais elevada verificou-se na Região Autónoma dos Açores e no Alentejo Litoral (125,8 e 108,8, respectivamente). Por outro lado, a razão mais baixa ocorreu na região do Tâmega e Sousa, com 87,8 para o total de residentes, e ainda, na Região de Leiria para os homens (86,7) e no Alto Tâmega para as mulheres (86,9).

 

À frente também nos tumores malignos

 

No país (Total), a taxa bruta de mortalidade, em 2015, devido a Tumores malignos foi de 257,2 óbitos por 100 000 habitantes (323,4 para os homens e 197,5 para as mulheres). Os valores mais elevados registaram-se nas regiões de Terras de Trás-os-Montes (349,0), da Beira Baixa (345,0) e do Alentejo Litoral (338,4).

Em 2015, para o Total, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 152,6 óbitos por 100 000 habitantes (213,5 para os homens e 105,9 para as mulheres). Na Região Autónoma dos Açores (193,4), no Baixo Alentejo e no Alentejo Litoral (164,0 em cada) registaram-se os valores mais elevados deste indicador. A taxa mais baixa foi observada na Região de Leiria (130,9).Em 2015, para este conjunto de causas, as razões de mortalidade padronizadas mais elevadas observaram-se na Região Autónoma dos Açores e no Alentejo Litoral (125,7 e 109,2, respectivamente), enquanto a razão mais baixa se observou na região do Tâmega e Sousa (87,2).

 

Tumor maligno da traqueia

 

Em 2015, registaram no país (Total) 4 023 mortes (4 015 óbitos de residentes e 8 óbitos de não residentes) devido a Tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão (C33-C34). Por sexo, obtiveram-se 3 041 óbitos de homens e 982 de mulheres. No ano em análise, não se registaram óbitos para idades inferiores a 25 anos, sendo que o número de óbitos é mais expressivo a partir dos 45 anos de idade. As mortes provocadas por estas causas representaram 3,7% da mortalidade no país, correspondendo a 5,6% do total de óbitos de homens e a 1,8% no caso das mulheres. Na Região Autónoma dos Açores a mortalidade por estas causas representou 5,2% do total de mortes observado nesta região, seguindo-se a Área Metropolitana do Porto (5,1%), correspondendo aos valores mais elevados verificados no país. Na região de Terras de Trás- -os-Montes observou-se o valor mais baixo (2,1%), seguindo-se as regiões da Beira Baixa e do Alto Alentejo (2,3% em cada uma). Na edição de amanhã daremos mais pormenores sobre outras doenças.

20 mil gerberas vão cobrir o Campo de São Francisco para a Mudança da Imagem

tapetes sto cristoGabriel Pavão, professor na Escola Roberto Ivens, foi o mentor do tapete que se constrói há já três à volta do Campo de São Francisco no Sábado, para a Mudança da Imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Uma ideia que, diz, só avançou porque recebeu o apoio, desde a primeira hora, de Juvenal Martins, proprietário da florista Moda da Mena, da Pastoral Juvenil dos Açores, do grupo de catequese de Santa Clara e de alguns alunos da Escola Roberto Ivens.

Este devoto do Senhor Santo Cristo dos Milagres não esconde a sua emoção ao falar destas festas religiosas, estando preparado para hoje, a partir das 11h00, começar a elaboração do tapete deste ano, que será diferente dos anos anteriores.

Diário dos Açores - Desde quando se envolveu na organização do tapete de Sábado?

Gabriel Pavão - Tudo começou quando num Sábado do Senhor Santo Cristo apercebi-me que se poderia fazer mais quanto aos tapetes. Senti que faltava cor e flores no chão do Campo de São Francisco para a passagem da imagem e pensei na possibilidade de ser fazer um tapete mais apelativo. Falei com a Mesa da Irmandade para expor a minha ideia que, de imediato, foi aceite. Coloquei logo mãos à obra. No início, no que concerne a matéria-prima, tínhamos as aparas da madeira, tingidas com as cores definidas e depois de se fazer um orçamento, deparei-me com um valor bastante avultado. Ao pensar em alternativas, pensamos naquilo que existe nos Açores e nas nossas matas, então tínhamos apara de madeira, sem ser tingida, e a criptoméria. Depois envolvi neste projecto um amigo que é florista, o Juvenal Martins, proprietário da loja Moda da Mena, perguntando-lhe o que poderia ele oferecer em flores. O meu amigo, prontamente, aceitou a proposta e o convite, e colaborou connosco desde a primeira hora e já lá vão três anos desde que tudo começou.

 

Com quanto tempo de antecedência começa a organizar a preparação dos tapetes?

GP – Hoje em dia é mais simples, porque já tenho tudo praticamente definido e organizado. No entanto, importa referir que nada se faz sozinho. Quando tive esta ideia, vi logo que seria algo com uma grande dimensão e que necessitaria de ajuda, com mais pessoas a ajudar e a colaborar. E, efectivamente, só avancei com este compromisso porque tive logo a colaboração da Pastoral Juvenil dos Açores, do grupo de catequese de Santa Clara e de alunos da Escola Roberto Ivens. No primeiro ano, foram estes três grupos que se juntaram e assumiram comigo este compromisso de fazermos o tapete em volta do Campo de São Francisco.

 

Hoje em dia já tem mais pessoas a ajudar e a colaborar?

GP – Estamos separados em grupos, em que cada um fica responsável por fazer uma parte do tapete, sendo que o Campo está dividido em quatro lados. Sempre pensei que seria conveniente que cada grupo tivesse entre 10 a 20 pessoas incluindo crianças e, de facto, é o que tem acontecido. Tem sido muito interessante ver todo o empenho das crianças da catequese, da Pastoral Juvenil e dos alunos da Roberto Ivens. Este ano há mais um grupo que se juntou a nós, que é o Grupo de Escoteiros de São Pedro que se irá associar a nós. Porque é importante dizer que esta responsabilidade não é minha, é de todos os que quiserem.

Qualquer pessoa que tenha por intenção ajudar, a porta está aberta a todos. Que venham novas ideias, novas colaborações e participações mas sempre tendo por base as condições e directrizes que nos são dadas pelo Provedor da Mesa da Irmandade.

Este ano até se irão juntar a nós algumas pessoas portadoras de deficiência. Todas as pessoas são bem-vindas, o que importa é a participação. Toda a gente cabe no Campo de São Francisco.

 

Este ano há novidades?

GP – Sim, enquanto nos anos anteriores fazíamos um tapete ao centro, tapando a passadeira onde se fazem as promessas, este ano entendeu-se por bem deixar o corredor aberto para as promessas de joelhos. Acho muito bem, apesar das promessas terem o seu horário definido. Este ano vamos fazer o tapete do lado de fora da passadeira que circunda o Campo de São Francisco. Reformulamos os moldes, sempre com base no molde inicial.

O molde foi o resultado de um trabalho de recolha e pesquisa. Podemos ver, junto à estátua de Madre Teresa da Anunciada que há umas estrelas no chão feitas em calçada portuguesa e partimos daí. Desenhamos aquela estrela, ampliamos para a dimensão que necessitávamos e os tapetes têm como base a estrela. Este ano as estrelas serão mais pequenas e teremos mais diversidade de cores. Os tapetes serão com gerberas brancas, amarelas e vermelhas. Reforço que a decisão das cores não partiu unicamente de mim, mas sim de todos os grupos envolvidos. Ou seja, teremos as flores, as verduras e as aparas.

 

Este ano os tapetes irão contar com 20 mil gerberas. Todos os anos esse número aumenta…

GP – É verdade. Todos os anos cresce o número de flores e também o número de colaboradores. 

É claro que para se chegar ao número de flores que são necessárias foi preciso fazer cálculos. Com a experiência dos anos anteriores, e sabendo a dimensão do campo, vimos quantas gerberas eram precisas para cada molde, e multiplicamos pelo número de moldes que leva o campo. Ficou definido que seriam 6 mil gerberas brancas, 6 mil amarelas e 8 mil vermelhas. Isto para a parte do Campo de São Francisco. Também decoramos toda a zona desde a porta do carro até ao portão de saída para o campo. Neste espaço utilizamos os mesmos tons e a mesma matéria-prima, mas com a inclusão de pétalas de rosas, mesmo na zona da saída da imagem. É a única excepção em relação a todo o tapete. O ano passado, como sobraram rosas já desfolhadas, distribuímos pelas pessoas que ali se encontravam para lançarem aquando da passagem da imagem. Creio que este ano teremos ainda mais pétalas, já com o intuito de oferecer às pessoas que ali se encontram e que queiram lançar sobre a imagem.

 

As flores são todas oferecidas?

GP – Que eu saiba, sim. Esta parte é toda da responsabilidade de Juvenal Martins que assumiu este compromisso desde o início. Não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que têm colaborado com o Juvenal Martins para que possamos ter essas 20 mil gerberas.

 

Enquanto peregrino e devoto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, trata-se de uma responsabilidade gratificante?

GP – (emocionado) Só em falar neste assunto, tento sempre não me deixar levar pelos sentimentos, porque é algo que muito me sensibiliza. (pausa) É algo que me comove, emociona-me… mas no dia estou mais tranquilo, satisfeito e apenas um pouco nervoso porque há sempre alguma responsabilidade no meio de tudo. O Senhor Santo Cristo dos Milagres diz-me muito, sou açoriano, sou micaelense e vivo intensamente tudo o que diga respeito a estas festas religiosas e, em particular, a elaboração deste tapete.

 

Curioso foi que também quis envolver crianças nesta sua iniciativa. Sentiu a envolvência dos mais novos?

GP – No que diz respeito às crianças, todos os anos, entram uns e saem outros, o que também é bom para não cansar ou fartar. No entanto, o que acontece é que alunos que já passaram pela Escola Roberto Ivens telefonam-me a perguntar se vai haver o tapete e se podem ajudar?. Ora, isso é sinal que a semente que se está a plantar está a crescer e a dar alguns frutos. Venham eles… até os próprios pais também já me interpelam com vontade de ajudar e isso é óptimo, excelente. É assim que os projectos se mantêm de pé e prosseguem.

 

Dezenas de jovens da Pastoral Juvenil envolvem-se na preparação dos tapetes

 

Apesar da disponibilidade e do empenho serem os mesmos, este ano o desafio de todos os jovens que colaboram na elaboração do tapete em volta do Campo de São Francisco é maior. É que este ano serão feitos dois tapetes, isto para deixar a passadeira central onde se fazem as promessas livre para os peregrinos.

Apesar de mais trabalho, diz o padre Norberto Brum, Director do Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil, que se trata de trabalho redobrado mas compensado pela fé. “Fazer estes tapetes é uma forma de orar com o coração. Quem faz estes tapetes tem sentido estético e artístico mas se não fosse a fé não os faria”, acrescenta o sacerdote para quem o “envolvimento dos jovens numa operação que se quer de proximidade é muito importante porque para além da beleza artística estes tapetes também revelam a homenagem que todos queremos fazer ao Senhor Jesus, e isso aproxima-nos uns dos outros e Dele”, frisa o responsável pela Pastoral Juvenil dos Açores.

Os tapetes de flores naturais constituem uma das tradições que melhor define as procissões nos Açores. São feitos por ruas e organizados por vizinhos ou por comunidades. À passagem da procissão, com o andor do Senhor Santo Cristo não há rua de Ponta Delgada que não esteja engalanada. São horas e horas de trabalho, sobretudo no Domingo., dia da procissão solene.

Por: Olivéria Santos