Antigo combatente conta como recebeu em Moçambique a notícia da revolução

foto camião2Manuel Carreiro dos Santos foi um dos muitos açorianos que combateu na guerra do Ultramar. Manuel Santos esteve 18 meses em Moçambique, regressando a São Miguel a 14 de Novembro de 1974. Quando, em Portugal, a 25 de Abril de 1974, o Movimento da Forças Armadas levava a cabo aquela que mais tarde foi chamada a Revolução dos Cravos, por Moçambique ainda se combatia, apesar das notícias que iam chegando para cessar-fogo

 

Aos 21 anos, Manuel Santos deixou a namorada, actual esposa, e a família com quem vivia e rumou a Moçambique com outros tantos jovens dos Açores, Madeira e Portugal Continental para combater pelas províncias portuguesas. Ali permaneceu durante 18 meses, na 2ª Companhia, Batalhão 4811, até ao dia em que foi ordenado aos soldados que cessassem fogo. É que em Portugal estava-se a viver um momento de viragem no regime.
Conforme conta à nossa reportagem, “quando se deu o 25 de Abril em Portugal já tínhamos ordem para cessar-fogo em algumas localidades de Moçambique, mas os que estavam no mato, como era o meu caso, ainda estavam em guerra”, refere, acrescentando que “quando se deu a revolução em Portugal, fomos logo informados de que algo se estava a passar e por isso mandaram-nos cessar-fogo”.
Manuel Santos explica que naquela altura “já estava a fazer o último mês de mato”, ainda assim as notícias que chegavam de Portugal foram recebidas pelos soldados com algum contentamento no entanto, avança, “os que ficaram ainda mais contentes foram os soldados que tinham acabado de chegar a Moçambique. No meu caso, como a tropa já estava a acabar, não fez grande diferença no que diz respeito ao tempo que tinha que ficar a combater”.
Referindo-se à Revolução, Manuel Santos vê como um “bom” acontecimento, todavia acrescenta, por outro lado, que “houve muitas pessoas que perderam muito sangue a combater para, na altura, o nosso Governo dar as colónias de mãos lavadas. Tínhamos capacidade para ficar com Moçambique e Angola porque tínhamos tropas muito boas”, frisa.
Depois de sair do mato, os soldados da 2ª Companhia, Batalhão 4811 contavam os dias para poderem regressar a casa, o que só aconteceu a 14 de Novembro de 1974. Nesse espaço de tempo, Manuel Santos conta que até partirem para Portugal, ficaram nas Vilas de Moçambique onde “já se sentia o cessar-fogo, podíamos estar um pouco mais à vontade e até podíamos sair à rua sem a arma, mas com muitas precauções. Também já se comia melhor, e não se passava fome. Vimos diferença em tudo depois que saímos do mato”.
Considerando que a vida ficou melhor depois do 25 de Abril de 1974, este antigo combatente não deixa de frisar que quando chegou aos Açores, viu “tudo igual como deixei. Estava tudo muito confuso e não vi nada diferente”, refere, adiantando que depois de Moçambique descansou “umas duas semanas e retomei a minha actividade de pescador até aos dias de hoje”.
Se de um lado os soldados combatiam, os que ficavam para trás, nomeadamente as namoradas e a família, sofriam com a ausência de quem teve que partir para a guerra. Foi o caso, por exemplo, de Virgínia Cabral que viveu os acontecimentos do 25 de Abril de 74 quando tinha 18 anos de idade.
Conforme explica, nos Açores “não se sentiu, no imediato, a Revolução. Lembro-me de no dia 25 estar em casa com os meus pais, tínhamos um rádio de pilhas e quando ligamos a rádio, de meia em meia hora davam notícias e não percebíamos porque estavam a dar notícias tanta vez”.
Conforme conta, “na altura os meus pais só comentavam que estava a acontecer algo em Portugal continental. Como continuei a acompanhar, todos os dias, o que estava a dar na rádio, pude aperceber-me que um movimento de tropas, chamado Movimento das Forças Armadas (MFA), controlou o nosso país, invadiu os locais públicos, inclusive a emissora nacional e a RTP, passando a mensagem de que Portugal estava livre. Foi assim que percebi que estava a acontecer uma revolução em Portugal, o pouco que ia sabendo ia transmitindo às moças da minha idade”.
Logo após o 25 de Abril, recorda, “falava-se que Portugal era um país livre. Percebemos isso no período entre o 25 de Abril e o 1 de Maio de 74. Nos Açores já se notavam algumas diferenças, na altura foi derrubado o Governador Civil de Ponta Delgada, começaram algumas manifestações e durante este período Portugal ficou a cargo do MFA”, adiantando que “só a 25 de Abril de 1975 é que acontecem as primeiras eleições livres em Portugal, eu diria que Portugal andou um ano desnorteado e sem rumo”.
Durante este período de transição entre o antigo e o novo regime, Virgínia Cabral conta que nos Açores, entre 1974 e 1975, foi um ano de muitas manifestações, muita alegria, muita música, formação de partidos e libertação dos presos políticos, ou seja, não foi um mau ano, na minha opinião foi um ano pouco estável”.
No entanto assume que com a Revolução veio também o “progresso e as tropas regressaram do ultramar”. Por outro lado, Virgínia lamenta alguns familiares que perderam a vida naquela guerra. “Mas pergunto-me de que serviu então o sangue derramado dos nossos antepassados para depois perdermos as nossas províncias ultramarinas?”.
Se hoje é fácil contar-se a história do 25 de Abril, o mesmo não se pode dizer a quem viveu naquela altura. Virgínia conta que “não foi fácil perceber o que se estava a passar no nosso país. Inicialmente foi tudo muito confuso. Falava-se também na Autonomia dos Açores, e que íamos ser uma região livre. Hoje, de facto, temos uma Autonomia, mas que vive condicionada ao que a República impõe, é isso a autonomia?”
De acordo com Virgínia Cabral, falava-se pouco sobre a revolução, até porque, adverte, “não sabíamos se era para melhor ou para pior. Na minha opinião, 43 anos depois, considero que aquela revolução trouxe benefícios, mas também trouxe coisas más”.
Assumindo-se como patriota, Virgínia Cabral não omite o que sente, revelando que do 25 de Abril de 1974 o melhor foi a conquista da liberdade para o povo português. No entanto, entende que considera como “parte negativa” o facto de Portugal ter ficado “pobre” após a Revolução. “Se eu pudesse, eu escolheria viver como se vivia antes do 25 de Abril de 1974, mesmo sabendo que hoje podemos nos expressar livremente, e antes não, porque preferia viver num país rico e com os cofres cheios”, desabafa, acrescentando que apesar de toda a miséria antes da queda do regime, “o nosso país era rico e acabou por perder tudo. Perdeu as províncias do ultramar, perdeu o regime, perdeu o bom-senso e até digo que Portugal perdeu o respeito por ele próprio”.
Virgínia Cabral reconhece a importância da sociedade poder agora ter liberdade de expressão, estando ciente que “se não fosse o 25 de Abril tudo isso não seria possível”. Contudo, olhando para Portugal dos dias de hoje, considera “que o que se fez foi tudo em vão. Se somos livres, se podemos votar para escolher os nossos governantes, como se explica que nas últimas eleições legislativas para a Assembleia da República quando o povo escolheu um partido, depois foi outro que assumiu o poder? Então de que serviu o 25 de Abril?, questiona.
Por: Olivéria Santos

Mau tempo provoca estragos nos Ginetes, Água de Pau e Ribeirinha

chuvaA forte chuva que caiu ontem em S. Miguel provocou alguns estragos, sobretudo na freguesia dos Ginetes, concelho de Ponta Delgada.
O Presidente da Junta de Freguesia, João Paulo Medeiros, confirmou que uma ribeira junto à Escola Básica Integrada ficou obstruida, tendo o caudal inundado a estrada com enormes troncos e pedras, que provocaram pequenas inundações na escola e numa oficina ali existente.
PSP, Bombeiros e respectivo Inspector Coordenador, Presidente da Junta de Freguesia, Serviço Municipal de Protecção Civil e DROP estiveram com meios no terreno a proceder à limpeza.
Alguns voos provenientes de Lisboa também foram afectados à chegada a Ponta Delgada, com desvios para Santa Maria, devido ao nevoeiro e chuva torrencial.
A Protecção Civil emitiu um comunicado confirmando que também nas freguesias de Candelária houve pedras arrastadas para a estrada, acontecendo o mesmo nas Feteiras, estando as ocorrências encerradas.
Em Água de Pau registou-se uma pequena derrocada, com estrada parcialmente obstruída e ocorrência também encerrada
Na Ribeirinha, concelho da Ribeira Grande, registou-se uma inundação de uma habitação, estando a decorrer a limpeza.
 Até ao fecho desta edição não se registaram desalojados ou perdas de bens de maior.
O Serviço Regional de Protecção Civil tinha lançado um aviso amarelo para os Grupos Central e Oriental durante o dia de ontem devido a uma superfície frontal. O aviso amarelo significa uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica. As previsões indicam chuva nos próximos dias.

Actividade económica nos Açores cresce dois por cento em Fevereiro

quadro2 actividade economicaO Indicador de Actividade Económica (IAE), que retrata o estado geral da economia, registou em Fevereiro um crescimento próximo de dois por cento nos Açores, confirmando que a economia regional continua a registar sinais positivos.
De registar que a taxa de crescimento estimada para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Açores em 2016 foi também de dois por cento, em aceleração relativamente aos dois anos anteriores.
Em 2014, a taxa de crescimento do PIB foi de 0,7 por cento e, em 2015, de 1,7 por cento.
De acordo com Serviço Regional de Estatística, “a revisão dos valores dos meses anteriores deve-se à actualização de algumas das séries de referência e aos ajustamentos decorrentes do tratamento da sazonalidade.
A partir do Quadro 1 e dos Gráficos 1 e 2, em que é possível acompanhar a evolução do IAE - Açores desde 2014, pode-se concluir que, em Fevereiro de 2017, este indicador apresentou o  valor  de  1,9%,  o  que  representa  um  ligeiro  decréscimo  face  ao  mês  anterior  (2%)  e  um crescimento inferior ao observado no mês homólogo de 2016 (3,9%).
O  IAE-  Açores  é  um  indicador  compósito  coincidente, construído  para  acompanhar  a evolução  do  estado  geral  da  economia  regional  no  curto  prazo,  a  partir  de  séries  de  referência escolhidas como proxy da actividade económica regional.
Além de factores como a sazonalidade e a variação do PIB – indicador que reflecte a produção de riqueza -, o cálculo do IAE divulgado pelo Serviço Regional de Estatística (SREA) considera diversos dados estatísticos, designadamente as séries relativas a “Leite entregue nas fábricas”, “Gado Abatido”, “Pesca Descarregada”, “Produção de Energia”, “Produção de Produtos Lácteos” e “Consumo de Energia na Indústria”.
São também consideradas as estatísticas referentes a “Venda de Cimento”, “Empregados na Construção Civil”, “Passageiros Desembarcados Via Aérea”, “Dormidas nos Estabelecimentos Hoteleiros”, “Empréstimos Bancários”, “Prédios Transaccionados” e “Levantamentos Multibanco”.

Bombeiros da Ribeira Grande celebram 142 anos

Bombeiros RGNo passado dia 15 de Abril a Associação Humanitária dos Bombeiros da Ribeira Grande completou 142 anos de existência. As comemorações do aniversário realizam-se esta sexta-feira, dia 21, pelas 19 horas,  com a sessão solene no quartel sede na Ribeira Grande.
Segundo foi avançado pela organização, do programa da sessão solene consta a entrega de diplomas às Equipas de Manobras, imposição de condecorações e promoções a Bombeiros em parada e a intervenção das entidades oficiais. A cerimónia terminará com a abertura de uma exposição fotográfica e bolo de aniversário.
A Associação dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande foi fundada a 15 de Abril de 1875 sob o comando de Vicente Coutinho da Silva Veloso. Actualmente conta com 242 elementos divididos pelo quadro de comando (4 elementos), quadro activo (71), quadro de honra (20), quadro de reserva (9), corpo de infantes (40), corpo de cadetes (28), estagiários (22) e charanga (48). Nas áreas de especialidade conta com nadadores salvadores, mergulhadores de nível 1, 2 e 3 , salvamento em grande ângulo, salvamento com mota de água, tripulante de ambulância  de transporte e socorro, desfibrilhação automática externa, pré hospitalar trauma life suport  (PHTLS), condução todo o terreno, condução de viaturas de emergência e comunicações.
A corporação dispõe ainda de 34 viaturas.
Em 2012, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande obteve a certificação NP EN ISO 9001 com o objectivo de garantir à sociedade uma prestação de serviços de qualidade. Encontra-se certificado a prestação de serviços de transporte de doentes não urgentes, salvamento em grande ângulo o serviço de aluguer de autocarros com condutor, serviço de limpeza de fossas, e o serviço de transporte de águas e enchimento.
 A Associação conta ainda com o Complexo de Piscinas Viriato Madeira dos Bombeiros da Ribeira Grande onde a gestão e exploração é da responsabilidade do Clube Desportivo dos Bombeiros da Ribeira Grande. Actualmente cerca de 300 utilizadores frequentam o complexo de piscinas.
O Clube Desportivo dos Bombeiros da Ribeira Grande conta com cerca de 23 atletas federados na Associação de Natação da Região Açores, com participação em encontros e campeonatos regionais de natação.
Actualmente, é José Nuno Melo Moniz o comandante dos Bombeiros da Ribeira Grande, sendo o presidente da direcção Norberto Gaudêncio.

Direcção Regional da Saúde alerta para necessidade de vacinação

hospital corredorFoi ontem emitido um comunicado, pela Direcção Regional de Saúde, com um alerta para a vacinação contra o sarampo.
“A Direcção Regional da Saúde alerta para a necessidade dos pais vacinarem os seus filhos sem hesitação”, refere a nota, divulgada na rede social Facebook.
O executivo alerta ainda que “a vacinação é a principal medida de prevenção, é gratuita e está disponível para todas as pessoas presentes em Portugal”, aconselhando a população a dirigir-se ao “Centro de Saúde para mais informações”.
O alerta surge após ter sido dado conta, a nível nacional, de 26 casos de sarampo durante este ano, tendo a Direcção Geral de Saúde admitido um possível cenário de epidemia, mas não de “grandes dimensões”. O director-geral de Saúde, Francisco George, afastou este cenário (ler página 10).
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas, podendo provocar doença grave ou mesmo a morte, sendo evitável pela vacinação. Há vários anos que a doença está controlada em Portugal.
Mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afectando pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Nos Açores, segundo a Direcção Regional da Saúde, não há registo de casos até ao momento.