Café Royal em Ponta Delgada celebra hoje 90º aniversário

Café Royal Um dos mais emblemáticos cafés de Ponta Delgada celebra hoje, 20 de Janeiro, os seus 90 anos de existência, o que faz deste estabelecimento comercial o mais antigo desta cidade. O actual proprietário, José Dias, não quis deixar passar a data em branco e, por isso mesmo, esta Quarta-feira, entre as 06h00 e as 23h00 todos os clientes vão ser presenteados com um café e uma fatia de bolo.

Localizado no centro histórico de Ponta Delgada, o café Royal abriu portas pela primeira vez em 1926. Desde então, e ao longo de quase um século de existência, tem-se mantido e acompanhado o crescimento da maior cidade dos Açores, bem como o seu virar para o turismo.
São 90 anos em que este estabelecimento tem sido ponto de encontro de diversas gerações, fazendo parte da memória de muitos os que por esta cidade já passaram, passam ou ainda vivem.
Foi em 1991 que José Maria Tavares Dias adquiriu este espaço que tem estado sob a sua direcção até aos dias de hoje. À conversa com o «Diário dos Açores», o «José Maria do Royal», nome por que é conhecido por muitos, revelou, orgulhosamente, que “não são muitas as empresas que chegam aos 90 anos”, considerando, por isso, que o Café Royal “é já uma referência, por onde já passaram pessoas de todo o mundo”, frisa.
Mercê da sua privilegiada localização, mesmo no coração de Ponta Delgada, José Maria Tavares confessa que o Royal “é um ponto de paragem obrigatório para todos aqueles que nos visitam”, recordando que “antigamente a entrada em Ponta Delgada era precisamente na rua ao lado do café. Havia a alfândega em frente, o cais e não existia ainda o aeroporto, por isso, a entrada e saída de Ponta Delgada fazia-se por aqui”, comenta.
Chegado a 2016, o café Royal é hoje um espaço carregado de história e com muitas estórias, “desde o tempo da guerra. Inclusivé, nos anos 60, a tertúlia micaelense usava este estabelecimento para discutir os assuntos políticos da época”, adverte José Maria.
Talvez por este motivo, até hoje todas as classes sociais e pessoas de todas as idades continuam a entrar e a frequentar este café. “Toda a gente conhece o café Royal”, garante o proprietário, desabafando que ainda recentemente um cliente lhe dizia que já frequenta o Royal desde o tempo dos avós.
Em dia de aniversário, José Maria sabe bem qual a prenda que poderia receber: Desejo que nunca me faltem os bons negócios e que se celebrem mais 90 anos… já não é para mim, mas tenho fé que a família vai saber continuar com este legado”.
Isto porque apesar de já ter aparecido um comprador, “é um café que vai ficar na família”, assegura José Maria que diz ter resolvido que o Royal será para os filhos.
Em jeito de conclusão, o proprietário não esconde o quanto gosta do seu estabelecimento comercial. Conforme refere: “Cada um gosta daquilo que tem, e eu tenho um carinho muito grande pelo Royal por tudo o que representa, pela sua história, pelo seu valor, localização e antiguidade… Apesar de todas as crises, o Royal tem permanecido de portas abertas e sobrevivido sempre”, fnaliza.

Um pouco de história

Revisitando um pouco a história do café Royal, pode ler-se numa nota de António Valdemar, em “Os livros de Ponta Delgada”, os inúmeros apontamentos em livro ou dispersos em jornais e revistas aos cafés de Ponta Delgada, sugerindo que o “Café Royal [é um espaço] onde se conjuga a literatura e a política, mas sem a homogeneidade dos [demais estabelecimentos desta cidade]”.
Este estabelecimento tem procurado ao longo de toda a sua existência criar um ambiente familiar e acolhedor, providenciando espaço de convívio e ponto de encontro para muitos dos estudantes e turistas que passam por esta cidade. É testemunho disto mesmo, os muitos açorianos hoje médicos, advogados, engenheiros e outras figuras da sociedade que ao visitarem o Royal, recordam as longas horas que lá passavam a estudar.

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