Casal de emigrantes ofereceu capa com que o Senhor Santo Cristo sairá à rua este ano

Capa Sto Cristo 2016 A capa com que este ano o Senhor Santo Cristo dos Milagres sairá à rua foi uma oferta de um casal do concelho da Ribeira Grande que se encontra emigrado nos Estados Unidos da América, Massachusetts.
A informação foi revelada, ontem de manhã, pela irmã Margarida Borges, a guardiã da imagem do Senhor, que adiantou que esta oferta é “fruto de uma promessa”. Conforme explicou, trata-se de uma intenção de “uma jovem, Rosa Ponte, que emigrou muito nova para os Estados Unidos da América e que desde pequena tinha vontade em oferecer uma capa ao Senhor Santo Cristo, mas só agora conseguiu concretizar este desejo imenso”.
Confeccionada pela Cooperativa de Artesanato Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, a capa, executada em veludo e bordada a ouro, foi entregue por esta família, que se encontra de visita a São Miguel, na tarde de Quinta-feira. Esta foi a terceira capa nova que entrou este ano no santuário, sendo que as outras duas foram oferecidas também por emigrantes e outra por um residente nos Açores.
Com a entrada destas três novas capas, a imagem do Senhor Santo Cristo passa a contar, neste momento, com 32 capas.
Para a irmã Margarida, mais do que o valor material que a capa tem, é o valor espiritual, como o amor e a fé que cada pessoa demonstra, que importa, isto porque, acrescenta, “será um momento muito especial para aquela jovem e para aquela família, verem o Senhor sair à rua com a capa que ofereceram. Só ela mesmo poderá dizer o que lhe vai na alma”, comenta.
Aos jornalistas a irmã Margarida conta que só na Quarta-feira, quando recebeu a capa que este ano a imagem irá «vestir», é que decidiu que aquela seria a escolhida.
Pesou na sua decisão alguns factores, sendo que o primeiro, conta, é a “vontade do Senhor. Tento procurar e orar ao Senhor para que Ele me ajude a escolher a melhor opção. Tento abrir-me ao que o Senhor me diz, para saber qual é a verdadeira razão para que determinada capa saia à rua, para não ser o desfile de uma vaidade, mas sim que seja algo profundo, que saia de uma intenção profunda e do coração da pessoa que oferece”.
Por outro lado, explica a guardiã do Senhor Santo Cristo, “a escolha da capa é também uma preocupação ao nível humano porque ouço a história de cada pessoa e é muito difícil discernir, porque todos têm uma história com o Senhor”. Por este motivo, “coloco então nas mãos do Senhor esta intenção”, comunicando-Lhe também “qual seria o meu gosto”.
A resposta vem através de uma confirmação interior, “num misto de paz, alegria e convicção a propósito da escolha que devo fazer”. A este respeito, exemplifica a irmã Margarida que no dia em que a capa chegou ao Santuário, ainda nada estava decidido, eu não sabia se a capa ia ficar bem na imagem do Senhor, fiz a prova, e ao ver que ficava bem foi a confirmação que precisava, embora o facto da família estar cá também pese nesta decisão, porque não sabemos se a família poderá estar presente noutra ocasião. Sinto dentro de mim quando é ou não a vontade Dele”, frisa.
Neste momento há outras cinco capas em lista de espera que aguardam a sua vez para saírem à rua.

Ofertas chegam ao Santuário
durante todo o ano

Para além das capas, há muitas outras ofertas que, ao longo do ano, chegam ao Convento da Esperança em Ponta Delgada. A irmã Margarida recorda, por exemplo, uma destas ofertas que foi “um jogo de três toalhas bordadas para a igreja do Senhor Santo Cristo provenientes de uma família que teve um filho que foi ordenado sacerdote jesuíta. Estas toalhas foram estreadas no Domingo de Páscoa”.
Outras ofertas como os ouros, as pratas, relógios ou anéis chegam ao santuário que, apesar de valiosas, diz esta irmã, “o maior valor está no amor e na fé com que as pessoas fazem estas ofertas”. Este ano chegou também ao convento muitas outras dádivas oriundas de Portugal Continental, para além das que chegam de açorianos emigrados e dos residentes em todas as ilhas dos Açores.

Capas para doentes

É já comum e um hábito dos açorianos na hora de aflição e de dor recorrer ao Senhor Santo Cristo dos Milagres através de diversas formas, seja através da oração ou, por exemplo, através do culto à capa do Senhor. Cheios de fé, muitos devotos, vítimas de doenças, acreditam que colocando a capa do Senhor sobre os próprios ombros poderão ser curados. Por este motivo, eram disponibilizadas capas para quem demonstrasse esse interesse.
Importa contudo referir que as capas que são destinadas aos doentes não são as capas que cobrem o Senhor Santo Cristo. Como conta a irmã Margarida, essas capas destinadas às pessoas costumavam sair do Santuário, sendo emprestadas entre 3 a 9 dias a cada pessoa, o tempo suficiente para se fazer uma novena. Como muitas destas capas eram levadas para o hospital, o que, de acordo com a irmã, representava um perigo, uma vez que é um veículo de transmissão de doenças e bactérias, ficou decidido que não seria permitida a saída de capas para o hospital, podendo ir, no entanto, para as casas particulares.
Ora, explica esta responsável, “o problema foi que as pessoas começaram a não respeitar os prazos que nós dávamos e acabavam por ficar muitos meses com a respectiva capa na sua posse. Tivemos casos em que uma capa esteve oito anos em casa de uma pessoa”, adverte, acrescentando que “em alguns casos fomos encontrar capas em mau estado, e apesar de todos os nossos esforços para que capas nos fossem devolvidas deparamo-nos com situações muito desagradáveis”, frisa.
Perante tais situações, neste momento e de forma temporária, o santuário tomou então a decisão de não deixar sair mais capas.
Se algum doente necessitar de colocar a capa, pode fazê-lo dirigindo-se ao santuário. Esse doente será levado para diante do Senhor Santo Cristo, onde lhe será colocada a capa e onde será feita uma oração com o doente.
Para as festividades deste ano a Irmandade do Senhor Santo Cristo elegeu a expressão simbólica “Cristo: Vivência de Amor e Misericórdia para todos”, destacando o Ano da Misericórdia que foi proclamado pelo Papa Francisco.
As festividades serão presididas por D. João Lavrador, Bispo de Angra e Ilhas dos Açores.o

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