Núcleo dos Açores da Liga Contra o Cancro confirma demissão depois de cancelamento de tourada

castano-sevilla-interior A Direcção do núcleo regional dos Açores (NRA) da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) decidiu ontem demitiu-se, depois da direcção nacional da liga cancelar um evento tauromáquico na ilha Terceira que se destinava a angariar fundos para o núcleo.
Em comunicado, Gonçalo Forjaz, presidente do núcleo, deu a saber que considera” que a autoridade da direcção do NRA foi posta em causa, comprometendo a sua imagem e posição junto da sociedade açoriana e mais particularmente junto dos terceirenses, que também não merecem que uma instituição com a reputação da LPCC se pronuncie sobre aquilo que são os seus valores culturais e tradições centenárias”, frisou.
Esta demissão surge depois da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) ter anunciado publicamente através da sua página na rede social facebook que é “absolutamente contra a realização de touradas e de espectáculos semelhantes”, tendo comunicado que já “providenciou no sentido da anulação da iniciativa programada pelo Núcleo Regional dos Açores. Apresentamos as nossas desculpas por tão insólita organização que só por descuido, desatenção e profunda remodelação da Direcção do Núcleo Regional dos Açores, terá sido anunciada”, lê-se no comunicado.
Uma comunicação que surge na sequência do anúncio, através de conferência de imprensa, da organização de uma tourada no próximo dia 29 de Maio, na praça de touros de Angra do Heroísmo, cujas receitas revertiam a favor do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro, destinados à criação de uma bolsa de investigação em oncologia, e que iria contar com a participação do Matador espanhol Javier Castaño, doente oncológico.
Ainda assim, o espectáculo vai manter-se e os fundos angariados serão cedidos ao Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, que também se dedica à investigação científica na área oncológica.
A propósito da mesma notícia a Plataforma Nacional para a Abolição das Touradas, Basta, já veio a público, através de comunicado, congratular-se com a posição assumida pela Direcção da LPCC, “no respeito pelos valores fundamentais de responsabilidade social, ao não aceitar a colaboração na organização de um espectáculo violento e que implica maus-tratos graves a animais”.
A mesma plataforma nacional recorda que “a tourada é um espectáculo cada vez mais repudiado pelos cidadãos portugueses”, indicando que, “de acordo com as estatísticas oficiais, nos últimos cinco anos (entre os anos 2010 e 2015) as corridas de touros perderam 42 por cento do seu público em Portugal (fonte: IGAC)”.

 

MCATA também se manifestou contra

Também o Movimento Cívico Abolicionista da tauromaquia nos Açores (MCATA) já havia tornado público o seu repudio pela realização de uma tourada organizada pelo núcleo dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Em comunicado, o MCATA diz nada ter a “objectar em relação à criação da bolsa, mas rejeita o recurso a um espectáculo violento onde são torturados animais como meio de angariação de fundos. Com efeito, os fins pretendidos não justificam os meios, quando são inúmeros os processos que podiam ser utilizados para tal fim, bastando um pouco de criatividade e bom senso por parte da direcção do Núcleo dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro”.
A notícia que incitou a toda esta polémica pode ser lida em farpasblogue, um blogue dedicado a informações tauromáquicas. Conforme se pode ler nesta rede social, no post datado de 28 de Abril de 2016, “O matador espanhol Javier Castaño, que reapareceu recentemente em Sevilha depois de ter vencido um cancro no testículo, actuará graciosamente na Monumental de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, num Festival Taurino que se vai celebrar no próximo dia 29 de Maio a favor do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro - uma louvável iniciativa deste Núcleo da LPCC, da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do seu grupo de forcados.

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