Pacientes das ilhas Pico, Faial e São Jorge procuram cada vez mais a Casa do Triângulo

convivio santos populares gde Natural da ilha do Pico, Claudina Oliveira, presidente da Direcção da Casa do Triângulo, Associação Cívica contou ao Diário dos Açores como tem sido a actividade desta associação que acabou de completar, no passado dia 1 de Maio, 19 anos de existência. A Casa do Triângulo tem sido, ao longo destas quase duas décadas de actividade, porto de abrigo aos muitos pacientes e respectivos acompanhantes que necessitam de se deslocar a São Miguel para consultas ou tratamentos.
Como desafios para o futuro, a presidente da direcção pretende aumentar a capacidade do edifício para poder receber mais deslocados das ilhas Faial, Pico e São Jorge e ampliar a sede social.

A Casa do Triângulo completou 19 anos no passado dia 1 de Maio, tendo sido criada com o objectivo de juntar as pessoas das ilhas do triângulo (Pico, Faial e São Jorge) residentes em São Miguel. Conforme conta à nossa reportagem Claudina Oliveira, “o espaço surgiu pela necessidade de existir em São Miguel um lugar onde estas pessoas pudessem estar juntas, reunir-se, conviver, partilhar tradições e dar a conhecê-las às novas gerações, promovendo a cultura destas três ilhas na ilha de São Miguel”. Outro dos objectivos com a criação da Casa do Triângulo consistia em apoiar as pessoas que precisam de se deslocar da sua ilha residência por motivos de saúde, para consultas, tratamentos ou cirurgias em Ponta Delgada.
A estrutura é composta por dois quartos com seis camas e, só o ano passado, albergou perto de 400 pessoas. Uma procura que “tem vindo a crescer significativamente”, conta a presidente da direcção, dando conta que “estas pessoas são encaminhadas pelas Unidades de Saúde da ilha de onde são provenientes”, sendo por isso pessoas de fracos recursos financeiros.
Na Casa do Triângulo os deslocados encontram roupa lavada, atoalhados, uma pequena cozinha, onde podem preparar refeições mais ligeiras, alguns eletrodomésticos como frigorífico, micro-ondas, torradeira e cafeteira eléctrica. A estrutura possui ainda uma pequena sala de estar com acesso à internet. Condições que Claudina Oliveira considera dignas e bastante acolhedoras a todos os que por lá passam.
Para além desta vertente, a Casa do Triângulo desenvolve outras actividades ao longo de todo o ano, como é o caso, por exemplo, do evento que se irá realizar amanhã, 5 de Junho, na Associação Agrícola de São Miguel e que está todo voltado para os costumes e tradições da ilha de São Jorge. Intitulado, «Sopas do Divino Espírito Santo à moda da ilha de São Jorge», este evento é uma das actividades anuais da Casa do Triângulo sendo também rotativo. Este ano é São Jorge, o ano passado foi o Faial e para o ano será o Pico. Um evento que a organização tenta que seja o mais genuíno possível, mostrando os sabores de cada ilha. Para isso, a Casa do Triângulo preparou tudo ao mais ínfimo pormenor, trazendo inclusive os cozinheiros José Isidro e Margarida Goulart da freguesia de Velas, lugar da Beira, da ilha de São Jorge e que irão apresentar uma ementa composta pelas Vésperas do Espírito Santo, que é um pão achatado que se dá no império, queijo de São Jorge, sopas e carne cozida, carne assada, com linguiça de São Jorge, acompanhada de massa sovada, arroz doce, espécies e doce branco e o vinho, “esse vem do Pico”, diz gracejando Claudina Oliveira, que adianta que amanhã vão também estar presentes nas Sopas os foliões cavaleiros, “que é algo bem característico de São Jorge. Eles vêm vestidos a rigor, trazem umas massas típicas, fazem muitas brincadeiras e danças”, refere.
Esse evento vai contar também com Cantigas ao Desafio entre micaelenses e jorgenses, naquilo que Claudina acredita que poderá ser “um bom despique”. Irão participar os cantadores Bruno Oliveira de Norte Pequeno, São Jorge, e Carlos Sousa “Maurício” da Ribeira Grande, São Miguel, acompanhados dos tocadores Jorge Veríssimo de São Jorge, Carlos Câmara e Carlos Galvão de São Miguel. Haverá ainda lugar para a actuação do Grupo da Chamarrita da Casa do Triângulo que vai interpretar a chamarrita de São Jorge e que a presidente da Casa do Triângulo afirma que “irá abrilhantar, ainda mais, a nossa festa”.
À semelhança de anos anteriores a organização espera reunir nesta actividade mais de 400 pessoas.
Esta é apenas uma das muitas actividades que a Casa do Triângulo organiza ao longo do ano. Para além dos jantares típicos, com o objectivo de angariar fundos para a Associação, são ainda levados a cabo eventos como lançamentos de livros, exposições, ou o Verdelho de Honra que se realiza por altura do aniversário da Associação. Claudina Oliveria diz que “é um mimo que oferecemos aos sócios (cerca de 200) e acaba por ser um mais um momento cultural, com apontamentos musicais ou de poesia. Este ano tivemos a apresentação do vídeo da digressão do grupo da chamarrita aos Estados Unidos da América”. Esta é aliás outra das vertentes da Casa do Triângulo: promover a chamarrita das três ilhas. “Já estamos a bailar a chamarrita de São Jorge e do Pico e um pouco a do Faial”, sendo que esta última “está ainda bem ensaiada porque não temos tido mandador dessa ilha”, frisa.
Com este objectivo, a Casa do Triângulo abre as suas portas, a toda a comunidade, duas vezes por semana para bailar e ensinar a chamarrita a todos os interessados. Trata-se de uma actividade gratuita para sócios e não sócios, e que tem reunido o agrado de muitas pessoas, oriundas não só das ilhas do triângulo, como também de Portugal Continental e das outras ilhas que aparecem na sede da associação com “o desejo de aprenderem a dançar a chamarrita”.
Claudina Oliveira conta que a Casa do Triângulo tem sido muito procurada, chegando, “ultimamente a sede a ser pequena demais” para o que promovem. Por isso mesmo, revela, os próximos desta direcção passam por “aumentar a capacidade dos nossos quartos. Há dias em que não temos quartos suficientes para a procura. Também não temos quartos no rés-do-chão o que limita quando recebemos pessoas com problemas motores, ou pessoas que fazem cirurgias à coluna. Precisamos de um espaço que responda a esse problema”, adverte, adiantando que o outro desafio “passa também por aumentar a nossa sede social, para dar uma melhor resposta aos nossos eventos quer na área cultural, social e também ao apoio que damos aos nossos doentes deslocados”.

Trabalho compensa

Há cinco anos nos comandos da presidência da Casa do Triângulo, Claudina Oliveira assume que este é um cargo que muito lhe apraz, revelando que tenta divulgar as tradições e costumes das ilhas do Faial, Pico e São Jorge e “trabalhar nos eventos para angariar fundos para manter a associação e a parte social, que nos toca bastante”. Esta responsável comenta que, a avaliar pelos testemunhos que são deixados por todos quantos passam na Casa do Triângulo, que esta associação “é uma mais-valia e é importante, sendo já uma referência para essas pessoas quando necessitam de se deslocar a São Miguel, porque sabem que têm pessoas que vão tentar cuidar delas e recebê-las bem”, diz, revelando que “as mensagens que nos deixam, tocam-nos bastante e deixam-nos cada vez mais motivados para continuarmos este nosso trabalho”, garante.
Do ponto de vista financeiro, Claudina Oliveira confessa que a associação encontra-se numa situação estável e “muito saudável do ponto de vista financeiro”. Como diz, “temos um número significativo de sócios que ajudam a suportar as despesas do dia-a-dia, e os nossos eventos têm sempre muita adesão”. “A nossa dificuldade, ao longo dos anos, deveu-se às obras de ampliação da sede porque se tratou de um investimento bastante avultado, mas felizmente, com a ajuda do Governo Regional, foi possível superar algumas destas despesas e hoje, depois de muito trabalho, conseguiu-se ultrapassar todos os obstáculos e estamos numa situação financeira confortável”, assegura a presidente da Casa do Triângulo.

More articles from this author