Utilvet com novas apostas ligadas ao Turismo

Utilvet Foi depois de um mês de trabalho no Verão, em 2004, na empresa Utilvet, que Vítor Vieira, na altura estudante universitário do curso de Gestão de Empresas, teve a oportunidade de abraçar o desafio de adquirir uma das lojas da empresa, a Utilvet 2, localizada na Ribeira Grande. Aos 21 anos, Vítor Vieira já era o proprietário das duas lojas Utilvet e hoje, aos 33 anos, considera-se um empresário satisfeito, mas a querer mais ao nível empresarial.
O que começou por ser uma loja ligada à agropecuária, agora dedica-se em particular à área dos animais de estimação, estando, contudo, em andamento novas apostas mais direccionadas ao sector do turismo, como é o caso da manutenção de lagos, tanques de marisco vivo e cascatas.

 

Diário dos Açores - Quando nasce a Utilvet e porquê?
Vítor Vieira – A empresa não foi criada por mim, mas sim por três sócios que foram os fundadores da Utilvet em Ponta Delgada. Um deles era veterinário e os outros dois estavam mais ligados à parte comercial. Quando a Utilvet foi criada, em Dezembro de 1982, estava mais vocacionada para a agro-pecuária. Entretanto, com o passar dos anos, a empresa foi sofrendo alterações e introduzindo mais e novos produtos, nomeadamente ao nível dos animais de estimação.
Já nos anos 90 e com o aparecimento de cooperativas e de mais concorrência na área da agro-pecuária, a Utilvet foi-se vocacionando para o sector dos animais de estimação, sendo hoje em dia uma loja quase unicamente dedicada a pet shop.

Hoje é o proprietário da Utilvet. Como começou a sua ligação a esta empresa?
VV – Desde criança sempre fui cliente da Utilvet e, por isso mesmo, conheço muito bem a história desta empresa. Cheguei à Utilvet em 2004, depois de ver na loja da Ribeira Grande um anúncio que precisavam de empregados. Como eu estava à procura de um trabalho de Verão, uma vez que era estudante universitário do curso de Gestão de Empresas, optei por responder ao anúncio e fiquei na loja durante um mês para fazer as férias da funcionária. Durante aquele período fui-me apercebendo que aquela loja não tinha cerca de 40% dos produtos que os clientes solicitavam. Reparei que faltava algum cuidado com aquele espaço na Ribeira Grande e fui falando com o proprietário e dando conta das minhas ideias.
Entretanto, dos três sócios fundadores, dois decidiram sair da Utilvet, restando apenas o senhor Manuel de Simas que, perante o meu entusiasmo, propôs-me ficar com a loja da Ribeira Grande.
Aceitei o desafio e fiquei lá durante quatro anos. O negócio correu muito bem, até porque era a única loja do género na Ribeira Grande. Passados esses quatro anos, foi-me colocado um novo desafio quando o Senhor Manuel Simas perguntou-me se eu queria ficar também com a loja de Ponta Delgada, localizada na Rua de São João. Acabei por comprar a segunda loja e durante cerca de um ano tive a meu cargo as duas lojas. Mas, por vários motivos, estava a ser muito difícil gerir os dois espaços. As deslocações constantes entre Ponta Delgada e Ribeira Grande estavam a ser um grande desgaste e muito cansativas e decidi colocar a loja da Ribeira Grande à venda e ficar só com a loja de Ponta Delgada.

Olhando para trás, diria que foi uma decisão acertada?
VV – Pode dizer-se que o timing é que não foi o mais acertado porque tive o grande azar de nessa altura terem começado as obras no Teatro Micaelense e na Rua de São João. Foi um ano e oito meses em que não havia trânsito nessa zona e só existia um pequeno passeio, onde mal se podia passar. Nessa altura as vendas caíram drasticamente e foi um período muito difícil. Depois das obras, temos vindo a recuperar e só há bem pouco tempo é que conseguimos recuperar na totalidade. É preciso que se diga que aquele ano e oito meses em que não vendi o suficiente para pagar despesas, deixou marcas.

Como ultrapassou essa fase menos boa?
VV – Naquela altura, optamos por fazer mais revendas para as outras ilhas. Uma opção que também não correu muito bem. Ainda recentemente fui tentar receber alguns dinheiros que estão parados. Mas valeu-me a persistência e o nome da Utilvet que já existe há 33 anos.

Hoje a Utilvet é uma empresa que cresceu e está diferente. Onde residem as maiores mudanças?
VV – Como todas as empresas, também a Utilvet teve que se adaptar ao mercado e ir ao encontro das necessidades dos clientes. Se tínhamos um produto que não estava a dar o retorno necessário, tínhamos que apostar noutro e foi isso que fizemos.
Actualmente temos um serviço totalmente novo, relacionado com a restauração e que se prende com a manutenção de lagos, tanques de marisco e cascatas. Ainda recentemente criamos junto ao parque de campismo das Furnas uma cascata enorme, como 14 metros de altura, e vamos também construir naquela zona um lago.
Com a abertura do espaço aéreo e com o crescimento do turismo na Região, também começam a surgir novos serviços e novas necessidades. As Juntas de Freguesia estão preocupadas em embelezar as suas localidades para atrair mais turismo e as empresas locais vão beneficiando com estes novos serviços e com essa nova procura.

Na loja o que têm ao dispor de quem vos procura?
VV – Temos tudo o que são produtos para animais de companhia, desde répteis, cães, gatos, pássaros, peixes, etc. Não queremos deixar nada para trás nesta área e é aí que reside a nossa maior fatia ao nível do negócio. Os nossos produtos vão desde a alimentação, roupa para cães, jaulas, etc.… ou seja, temos tudo o que seja passível de ter para estes animais.

E onde reside a vossa maior aposta?
VV – É sempre no atendimento. Por vezes reparo, enquanto cliente em outros espaços comerciais, que não é fácil termos um bom atendimento. Às vezes as pessoas estão mais interessadas em servir rápido e em despachar os clientes.
Na Utilvet primamos por ter uma formação constante para sabermos muito bem sobre o que estamos a falar. Os artigos todos os dias mudam: a composição hoje é X, mas amanhã já pode ser Y. Um determinado tratamento pode ser hoje de três dias, mas amanhã já pode ser só dois dias. Ou seja, temos que ir acompanhando a evolução e estando preparados para dar as respostas mais adequadas e correctas. Quero que os clientes saiam completamente esclarecidos e com a certeza que o que estão a adquirir é o mais indicado.

Há novas apostas para o futuro?
VV – Neste momento estamos entusiasmados com a questão da manutenção dos lagos e tanques de marisco vivo na restauração. Do mesmo modo, também estamos a fazer alguns serviços para a Lotaçor há cerca de seis anos, o que tem sido uma mais-valia para nós e acaba por ser uma amostra do tipo de serviço que prestamos. Desde que fazemos esse tipo de serviço, a mortalidade do marisco baixou drasticamente, até porque da nossa equipa faz parte um biólogo que sabe o que está a fazer.
Neste sentido, uma das nossas apostas passa por este tipo de serviço que se estende também à construção de lagos, cascatas e tudo o que implique água em espaços públicos.

Há 33 anos atrás não existiam tantas lojas de animais. Hoje trata-se de um negócio onde já existe muita concorrência. Como se posicionam e respondem a este facto?
VV – Qualquer loja que abra neste ramo passa, efectivamente, a ser mais um ponto de venda. Podemos dizer que o bolo é sempre mesmo, as fatias é que vão ficando mais pequenas. A população é a mesma e a concorrência tem vindo sempre a aparecer, o que acaba sempre por interferir com as restantes lojas existentes no mercado. Isso é inevitável. Neste capítulo, o problema que se coloca é quando verificamos que esta mesma concorrência não está em pé de igualdade. E isso é fácil de averiguar. Se formos a algumas casas de animais, reparamos que algumas não estão licenciadas e isso é incrível. Não percebo como isso acontece.
Só a título de exemplo posso dizer que a Utilvet teve que fazer uma actualização de licenciamento há pouco tempo e não foi um processo fácil porque as regras são muitas. O que acontece é que em muitas lojas estas regras não estão a ser cumpridas. Uma das regras passa por a loja ter um espaço exterior para podermos passear os animais (cães ou gatos) 15 minutos de manhã e 15 minutos à tarde. A Utilvet tem esse espaço, mas há muita loja que não o tem. Perante isso questiono-me muitas vezes porque estas lojas têm licenciamento se não cumprem as regras? Ou será que têm licenciamento?
Concordo que as regras devem ser cumpridas, mas depois de fazer um esforço para ter tudo em condições, perceber que há quem não o faz, para mim não faz muito sentido.
Para uma loja de animais é necessário, no mínimo cinco licenças, e tenho-as todas.
Ainda ao nível da concorrência, devo acrescentar que até há bombas de gasolina e mercearias a venderem ração para gatos e cães e essas rações estão no chão, quando numa loja de animais há a imposição de estarem levantadas do chão.
Mas só temos é que obedecer ao que nos vão pedindo e mais nada.

Para além de toda a questão burocrática, que já disse que não é fácil, para se manter uma casa de animais é preciso ter ainda em atenção que estão a lidar com seres vivos, sendo certo que os cuidados obrigatoriamente são outros…
VV – Sem dúvida, há uma parte que não existe na maioria dos outros negócios. Numa loja de roupa ou sapatos, estes bens não comem, não sujam, nem morrem. Numa loja de animais, todos os dias os animais comem, as gaiolas devem ser lavadas de dois em dois dias, os filtros devem ser limpos... Ou seja, tudo dá muito mais despesa ao nível da manutenção, da mão-de-obra e essencialmente da alimentação. Trata-se de uma ramo de negócio que é ainda mais difícil pela despesa inerente ao próprio artigo que vai ser vendido. Na parte dos animais vivos é um risco muito grande, porque podemos fazer uma venda que não será lucrativa.

É sabido que a legislação nos Açores não permite a venda de determinados animais, nomeadamente ao nível dos animais exóticos. Ainda assim, chegam-lhe pedidos fora do comum?
VV – Há pedidos desses todos os dias. Nos Açores há um número fixo das espécies que podem ser comercializadas. Já me perguntaram se eu tinha tarântulas, esquilos específicos ou cobras. São pedidos que não conseguimos satisfazer, simplesmente porque a legislação não permite. Mas o que acontece muitas vezes é ter clientes que vêm à loja buscar alimento para esses animais que supostamente não deveriam estar na Região.
Ou seja, apesar de ser proibido, o facto é que estes animais estão a entrar no arquipélago. Alguns via correio, especialmente os répteis porque não precisam de grandes condições para serem transportados, e outros talvez por contrabando.

A Utilvet continua a ser um desafio para si?
VV – Sim, sem dúvida! Eu sempre pensei que só ia ficar na loja um mês, porque a minha intenção era acabar os meus estudos, mas o gosto pela vertente comercial foi mais forte, até porque venho de uma família ligada a esta área. Associado ao facto de praticamente ter crescido no ramo comercial, há o facto de toda a minha vida ter gostado sempre de amimais. Juntei o útil ao agradável, e hoje estou aqui. Relativamente à realização pessoal, posso dizer que por mais que tenhamos, nunca estamos satisfeitos, queremos sempre mais. Mas, ao pensar que aos 33 anos já sou proprietário de uma loja e já consegui atingir alguns objectivos, isso deixa-me muito satisfeito.

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