O Papa Francisco “tem um olhar de uma bondade extrema e um sorriso lindo”

padres e o papa O grupo de sacerdotes, quase todos ordenados em 2000 - os padres Adriano Borges, José Borges, Paulo Borges, Roberto Cabral, Marco Martinho, Teodoro Medeiros (residente em Roma) e Marco Gomes - e ainda o padre Hélder Cosme (ordenado um ano depois) e o Monsenhor António Saldanha (que trabalha na Congregação para as Causas dos Santos) foram os escolhidos para estarem presentes na primeira audiência papal pública de 2017.
Um momento de grande emoção e que foi contado na primeira pessoa pelo cónego Adriano Borges ao Diário dos Açores.
Ainda de visita a Roma, Adriano Borges, contou que somente no dia antes da audiência é que ficou a saber que iria ter a oportunidade de estar mais perto do Papa Francisco é que, revela, esta visita já estava a ser preparada há cerca de dois meses, “porque não se chega a Roma e tem-se logo acesso ao Papa, como é compreensível”, comenta, adiantando que tudo foi feito através de contactos estabelecidos com o Monsenhor José Bettencourt, chefe de protocolo do Vaticano que é natural da ilha de São Jorge, sendo padre no Canadá, mas vivendo actualmente em Roma.
Conforme referiu a propósito, “o processo obedece a certos requisitos e manifestamos a nossa intenção em fazer parte da lista de pessoas que iam estar presentes na primeira audiência papal, e só na véspera da audiência é que ficamos a saber que íamos poder estar presentes na mesma, com a indicação exacta do local onde íamos ficar e ver o Santo Padre. Ficamos ainda a saber que o Papa iria passar neste lugar, cumprimentar cada um de nós, havendo ainda espaço para trocarmos algumas palavras num curto espaço de tempo”, explicou Adriano Borges.
Depois foi comunicado à Secretaria de Estado quais os grupos que iriam estar na audiência e, dá conta o cónego, “em português, é dito que na audiência papal daquele dia está, no nosso caso, um grupo dos Açores, sacerdotes da Diocese de Angra”.
Depois desse anúncio o Papa Francisco fez um breve discurso, endereçado a cada grupo que estava presente, e como os sacerdotes da Diocese de Angra eram o único grupo de Portugal identificado, o Papa ao dirigir-se aos sacerdotes açorianos, “fez uma referência muito bonita, advertindo para o facto de devermos ter sempre um amor muito grande a Cristo e à Igreja. Foi um momento muito bonito”, conta, acrescentando que “depois dessa parte que durou sensivelmente cerca de 1h30, o Papa cumprimentou os que estavam numa parte mais reservada, onde passou à nossa frente e onde tivemos a oportunidade, cada um de nós, de podermos cumprimentá-lo, beijar-lhe a mão e trocar umas breves palavras. Foi um momento extraordinário, único. Ele tem um olhar de uma bondade extrema, de uma doçura… e um sorriso lindo, cativante, muito, muito, muito bonito”, diz de forma calorosa.

Estar em Roma com os meus irmãos e ter a oportunidade de ver e cumprimentar o Papa é algo extraordinário

Uma viagem que o cónego Adriano Borges pôde partilhar com os irmãos, os padres José e Paulo Borges. Aliás, como contou ao Diário dos Açores, fez questão de dizer ao Santo Padre que os três eram irmãos, tendo Francisco gracejado com o facto de ter reparado que eles eram gêmeos.
A este respeito, adianta o irmão mais velho, que na ocasião o Papa utilizou a expressão: «beata madre», “que é o mesmo que dizer mãe santa que fez três filhos para entregar à igreja. Claro que foi um momento muito especial para nós que fizemos esta caminhada juntos desde miúdos. Vivemos juntos a experiência da vida no seminário, cada um com o seu pensamento e com as suas opções. Fomos ordenados no mesmo dia, no ano 2000. Entretanto, os meus irmãos estiveram sempre por São Miguel, já eu andei por Santa Maria, fui estudar para Roma, voltei para a Terceira e agora voltei para São Miguel. Neste momento, estamos os três na mesma ilha e perto da família o que nos agrada bastante e à minha mãe em particular. Estar em Roma com os meus irmãos e ter a oportunidade de ver e cumprimentar o Papa é algo extraordinário”, assegura.
Nos poucos momentos com o Papa Francisco, Adriano Borges revela que houve ainda oportunidade para que os três irmãos informassem o Papa “que rezávamos por ele nas nossas comunidades e que o Povo o amava e que ele tinha conquistado os nossos corações”.
Outra referência foi feita pelo padre Marco Martinho da ilha do Pico, da paróquia de Santa Maria Madalena que agradeceu muito ao Papa por, recentemente, ter elevado Santa Maria Madalena à qualidade de apóstola. “Ou seja ela agora não é só testemunha da ressurreição, mas também é apóstola, um feito que o padre Marco Martinho agradeceu, tendo transmitido ao Santo Padre que a comunidade da Madalena do Pico estava-lhe muito grata e honrada por esta elevação”, avança.
Depois da experiência no Vaticano e em Roma, onde houve ainda oportunidade para os padres ficarem a conhecer um pouco mais a cidade, estando a viagem de regresso a São Miguel marcada para amanhã. Em jeito de conclusão Adriano Borges garante que esta foi “uma experiência maravilhosa e ainda bem que o fizemos”.

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