“Estou como São Tomé, só acredito vendo”

calheta Parece que é desta que o projecto inacabado das galerias da Calheta Pêro de Teive, poderá ter um fim à vista. Numa sessão pública que decorreu na noite de Terça-feira e onde marcaram presença mais de uma centena de pessoas, o Governo dos Açores, através do Director Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade, Ricardo Medeiros anunciou que devem arrancar ainda em 2017 as obras daquele projecto, embora não exista uma calendarização escrita com o Fundo Discovery.
Declarações que deixaram o Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro bastante satisfeito. Ao Diário dos Açores José Leal revelou que o anúncio do Governo Regional e do Presidente da Câmara de Ponta Delgada demonstram que “agora temos compromissos assentes e dados concretos”, disse, assegurando ter ficado “contente que um Director Regional e um Presidente de Câmara tenham apresentado datas concretas e tenham afirmado que tinham conhecimento através do Fundo Discovery de que havia um compromisso comum com vista ao início das obras, nomeadamente o processo de licenciamento e o início das obras das galerias. Deixamos de estar naquele vai e vem e sempre na incerteza da concretização de um qualquer projecto”, frisou.
Na sessão pública, o Director Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade referiu que ficou acordado o Fundo Discovery apresentar “até ao final de Março” o pedido de informação prévia, depois “tem até ao final de Junho para submeter o projecto de arquitectura”, para que a obra se inicie passados quatro meses, após a obtenção dos devidos licenciamentos.
Sobre o cumprimento destas data, José Leal é peremptório e diz estar como São Tomé. Uma postura que o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro e também cidadão habitante daquela zona da calheta, diz ficar a dever-se ao facto deste processo já se arrastar há tanto tempo que, “para mim, estou como São Tomé, só acredito vendo”. Ainda assim o autarca deixou claro que a reunião de terça-feira acabou por dar-lhe “alguma esperança. Por isso também estou um pouco optimista”.
“Apesar da minha atitude à São Tomé, vamos dar o benefício da dúvida. Agora já há uma luz ao fundo do túnel o que nos dá alguma esperança. Por isso acredito que desta vez não vão brincar”, comenta, garantindo, por outro lado, que se “os compromissos assumidos publicamente se concretizem, muito bem, caso contrário, será um sinal de alerta demonstrativo de um retrocesso neste projecto e neste caso a luta será para continuar. Vamos batalhar e mobilizar a população contra uma situação que é um atentado arquitectónico visual e estético e também à higiene e saúde públicas. E aquilo não pode continuar assim, tem que acabar. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que aquilo acabe de uma vez por todas”, frisou.

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