“O jornal Diário dos Açores já faz parte da minha vida por isso não o deixo”


Maria Carmélia Arruda de 84 anos é assinante do Diário dos Açores há mais de 60 anos. Uma assinatura que começou com o marido, ainda antes de se casar. Muito bem-disposta, Maria Carmélia conta, orgulhosamente, à nossa reportagem que quando se casou já o marido era assinante do Diário dos Açores, por isso, comenta, “já perdi a conta aos anos que tenho esta assinatura. Só lhe posso dizer que quando ele casou comigo tinha 25 anos e que se fosse vivo estaria a completar 86 anos de vida”. O Diário dos Açores fez as contas e concluiu que o jornal está nesta família há mais de 60 anos.
Lembrando o que era o Diário há mais de meio século, a ex-professora diz que não esquece a secção das anedotas e dos versos, ressalvando que “até costumava vir uns folhetins que a minha tia recortava para fazer um caderno com aqueles romances”.
“Essa era uma parte que eu achava muita graça no jornal”, frisa, adiantando que “entretanto, depois do 25 de Abril de 1974, as notícias começaram a ser muito diferentes. Vinham mais informações de política, dos partidos, dos governos, com um outro tipo de linguagem. Hoje em dia vem muito mais informação sobre a área política. O que também é bom, porque faz parte da nossa vida”, frisa.
Ao Diário dos Açores, Maria Carmélia confessa que também gosta de ler sobre sociedade, alertando, contudo que “é preciso ter a noção que a sociedade actual nada tem a ver com aquela em que vivi quando eu era criança. Está tudo muito diferente, por isso as notícias e o que sai no jornal é também muito diferente”.
Apesar das diferenças, esta assinante garante que gosta de ler tudo o que sai no jornal, “essa é a minha distração”.
Maria Carmélia A viver actualmente no Lar Luís Soares de Sousa, em Ponta Delgada, Maria Carmélia conta que lê o jornal todos os dias, advertindo que é a primeira coisa que faz quando se levanta, “até porque como sou assinante o jornal é deixado no meu apartamento no Lar. É como se fosse o meu pequeno-almoço. Embora não o leia todo de uma vez, primeiro vejo os títulos e depois vou lendo mais ao pormenor ao longo do dia. Por exemplo, hoje, vinham umas quadras muito engraçadas sobre o Dia de Amigos, e eu decorei a frase que vinha na capa para a dizer a um amigo”, refere.
Nem sempre o Lar foi a sua residência, apesar de ao longo dos seus anos de assinante ter mudado algumas vezes de morada, Maria Carmélia nunca esqueceu este matutino, fazendo questão de ir dando conta aos serviços administrativos do matutino das alterações na morada. Até mesmo quando se ausentou dos Açores. Com toda a convicção, Maria Carmélia diz, a propósito, que não deixa o Diário dos Açores. “Até já tive uma temporada nos Estados Unidos da América e quando isso aconteceu eu pedia que o jornal fosse mandado para lá. Em São Miguel também vivi em vários sítios, mas o jornal acompanhou-me sempre em todas as minhas moradas, tanto que agora também vem para o lar. Quando era professora até para as escolas o jornal ia, adverte, confessando que o Diário dos Açores “já faz parte da minha vida. É algo que sempre me acompanhou… pode ficar tudo para trás, mas o jornal tem que vir comigo para onde quer que eu vá”, assevera.
Entre as notícias que hoje gostaria de ver no jornal, Maria Carmélia confessa que sente falta das histórias e das anedotas de outros tempos, “sempre nos ríamos com alguma coisa”, desabafa, acrescentando, por outro lado, que “actualmente também vêm assuntos que me interessam. Não quer dizer que todos os dias tudo me interessa, mas confesso que há reportagens que vejo com mais pormenor, por exemplo relacionadas com a História, ou se acontece ser com alguém que conheço e que foi ou é do meu tempo. Escolho sempre o que quero ler até ao fim. Quando vejo notícias que são com pessoas conhecidas minhas, é uma alegria”.
Ler o jornal é um hábito que Maria Carmélia sente que dificilmente irá perder, até porque destaca, “ao ler o jornal, sinto que ele fala comigo, é por isso que nunca me sinto sozinha”.
Em jeito de mensagem de aniversário, esta assinante diz desejar que o Diário dos Açores “continue sempre activo, como está, e que nunca desapareça, pelo menos enquanto eu for viva porque é a minha companhia durante todo o dia”, finaliza.

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