Jovem seminarista ofereceu capa que cobre este ano imagem do Santo Cristo dos Milagres

Capa Sto Cristo 2017 A capa que vai cobrir este ano a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres é da autoria de um jovem seminarista do Seminário de Angra e foi oferecida no ano passado.

Um sonho que o jovem teólogo Aurélio Sousa, natural da freguesia das Sete Cidades, concelho de Ponta Delgada, queria ver concretizado “desde pequenino”, motivado também pelo surgimento de uma doença num familiar, seguida da respectiva cura. 

A informação foi ontem avançada pela guardiã da imagem, a irmã Margarida Borges, na conferência de imprensa de apresentação da capa que decorreu no Santuário da Esperança.

“Se muitos foram os obstáculos com que este jovem se debateu para concretizar o seu sonho, nomeadamente os poucos recursos económicos, a ponto de ter que fazer alguns sacrifícios para conseguir levar por diante a elaboração da capa, ou ainda a pouca experiência na elaboração da mesma, a verdade é que nada constituiu impedimento para que ao fim de três o sonho se tivesse tornado realidade”, referiu a responsável aos jornalistas.

A capa oferecida por Aurélio Sousa faz parte do espólio do Senhor Santo Cristo dos Milagres que conta com um total de 32 capas, entre as quais apenas duas se encontram por usar. 

A capa que este ano veste a imagem do “Ecce Homo” foi confeccionada em “veludo vermelho, tendo os bordados sido mandados vir de Espanha e aplicados cá”, começou por explicar a irmã Margarida, que descreveu os detalhes que compõem o trabalho elaborado.

“Na parte da frente da capa, podemos ver o símbolo JHS, que representa as iniciais de ‘Jesus Salvador dos Homens’ e os cravos como símbolo do seu sofrimento. Do outro lado, vemos o símbolo de Maria, aquela que disse aos homens que fizessem tudo aquilo que Ele dissesse e se apresentou sempre de pé, junto à cruz”, salientou a responsável.

Está ainda bordada na parte posterior da capa uma “coroa de espinhos que rodeia um laço em prata”, simbolizando a luta contra o cancro. Isto porque, referiu a zeladora da capa, durante a confecção da capa, o jovem seminarista debateu-se com “a doença grave de um familiar”. “Apesar desta dificuldade acrescida, nem assim desistiu da elaboração da capa, como a completou com estes símbolos, que são a expressão da gratidão para com o Senhor que esteve sempre com eles, permitindo a graça da cura”, acrescentou a irmã Margarida.

De todas a capas que fazem parte do espólio do Senhor Santo Cristo, esta é a primeira que tem um símbolo associado à graça recebida por quem a ofereceu, neste caso o laço que simboliza a luta contra o cancro. “Foi a própria pessoa que o quis. Encomendou a uma ourivesaria do Porto e ele mesmo colocou o símbolo na capa”, disse a irmã Margarida aos jornalistas. 

A responsável salientou que o critério para a selecção das capas a cada ano que passa “não é sempre igual”. “Temos que atender às necessidades, à urgência que a pessoa tem”. 

Será no cortejo da Mudança do Convento da Esperança para o Santuário, que leva milhares de fiéis até Ponta Delgada no sábado das festas. O cortejo, que sairá às 16h30, vai passar em frente à Guarda de Honra, prestada por uma companhia do Exército e Banda da Zona Militar dos Açores, com salva por uma corveta da Marinha e sobrevoo por uma aeronave da Força Aérea. Após a entrada da Imagem, o sermão será proferido pelo Monsenhor António Saldanha.

Ainda na conferência imprensa de apresentação da capa, o Bispo de Angra, D. João Lavrador, destacou ser um objectivo da Igreja açoriana tornar o culto ao Senhor Santo Cristo uma expressão “mais global”.

“Faremos tudo por tudo para que o Santo Cristo, que tem aqui uma manifestação tão profunda, tenha depois expressão a nível mais global, atingindo o máximo de pessoas”, afirmou.

O bispo acrescentou ainda que “a fé cristã é sempre universal e em qualquer expressão que nós tenhamos, devemos provocar que ela tenha o máximo de expressão mundial”.

D. João Lavrador frisou ainda o sentido “integrador” e a “dimensão social” destas festas.

 “Há uma expressão social nestas festas que faz com que elas tenham um carácter integrador de forma a que todos tenham cidadania e que todos tenham o seu local para expressar as suas dificuldades e depositarem as suas esperanças”, afirmou, acrescentando: “O próprio contexto do santuário tem esta finalidade de integração. É, em primeiro lugar, um espaço de oração e de conversão mas também de integração pois acolhe gente de diferentes proveniências, com diferentes anseios e expetativas e com diferentes problemas, procurando acolhe-la e integra-la da melhor forma”, frisou.

“É desta dimensão social associada a uma dimensão de fé e de cultura que se faz estas festas”, acrescentou ainda o bispo de Angra.