“O sucesso da Avlis deve-se aos nossos fornecedores e funcionários”

Gabriela Silva - Avlis Fundada em 1945 por três sócios, a Avlis é hoje uma empresa sólida, tendo conquistado ao longo destes 71 anos de actividade um lugar no mercado açoriano. O que começou com uma loja na rua de Santa Luzia, em Ponta Delgada, evoluiu para os actuais quatro espaços de venda. Gabriela Silva, uma das sócias-gerentes da Avlis contou ao Diário dos Açores como tem sido a evolução da empresa criada pelo seu tio-avô, revelando quais as novas apostas que se avizinham.


Diário dos Açores - A Avlis foi fundada em 1945. Conte-me a história da criação desta empresa…
Gabriela Silva – A Avlis foi fundada por três sócios, dois irmãos e um amigo. Refiro-me a João de Oliveira e Silva, contabilista da Fábrica de Tabaco Estrela, José da Silva Alves, gerente da Mobil e o médico dentista João de Melo. A ideia partiu do meu tio-avô que pensava que estava na altura de investir e abrir um negócio na ilha de São Miguel. Estávamos no rescaldo da 2ª Guerra Mundial e como havia falta de alguns produtos alimentares, o meu tio-avô decidiu abraçar este projecto. Eu diria que foi o dinamismo e a criatividade destes três sócios que levou à abertura da Avlis em Ponta Delgada.

Na altura que tipo de produtos tinha a Avlis?
GS – Essencialmente produtos alimentares. A Avlis tinha também uma representação do queijo de São Jorge e foram também representantes, durante vários anos, da empresa Jerónimo Martins. Para além dos bens alimentares, a Avlis disponha ainda de louças, vinhos, brinquedos e sementes. Aliás, as sementes continuam a ser um dos nossos produtos mais procurados pelos clientes.
Mais tarde, em 1952, a empresa obteve a representação das Tintas Dyrup, na altura produzidas pela Fábrica de Tintas de Sacavém que hoje pertence à multinacional PPG. As tintas foram uma grande novidade, porque eram enlatadas, coisa que não se via por São Miguel.

Ao longo destes anos como foi a evolução da Avlis?
GS – A nossa primeira loja estava situada na Rua de Santa Luzia, depois abrimos na Matriz, já tivemos brinquedos, uma loja de decoração no Largo 2 de Março que, entretanto, foi transformada em loja só de tintas, e temos também um espaço nos Valados.
A Avlis cresceu como uma empresa de cariz familiar, mantendo-se na família até aos dias hoje. Actualmente somos três sócias-gerentes nomeadamente a minha mãe, Beatriz Silva, a minha tia, Celeste Silva, e eu. Ao nível dos colaboradores, hoje contamos com 19 funcionários
No que diz respeito à nossa evolução, a Avlis ao longo destes 71 anos de existência desenvolveu uma rede de revendedores em toda a ilha de São Miguel e Santa Maria, sendo que uma das nossas preocupações passou por manter uma relação personalizada e de confiança com todos os nossos clientes, com uma rede de distribuição que seja satisfatória.

E expandir para outras ilhas dos Açores está nos vossos planos?
GS – Para já é algo que não está nos nossos objectivos e ambições. Quando esta empresa foi criada trabalhava-se em todas as ilhas dos Açores mas, com o passar dos anos, centramos a nossa actividade no grupo oriental, uma estratégia que pretendemos manter.

Ao longo destes anos quais foram os maiores desafios da Avlis?
GS – As várias crises financeiras que, felizmente, temos conseguido ultrapassar com sucesso. Uma das situações mais complicadas foi quando faleceram, no mesmo ano, o meu pai e o meu avô que eram os dois sócios fundadores da Avlis e, posteriormente, há quatro anos atrás, também faleceu o meu irmão. Foi uma situação que abalou a nossa empresa, mas que tivemos que superar porque havia que levar o negócio em frente.
Com a mais recente crise financeira vimo-nos obrigados a fazer uma reestruturação na empresa, alterando e modificando alguns sectores e negócios. Uma destas alterações foi transformar a loja do Largo 2 de Março, que era de decoração, em loja só de venda de tintas. Uma decisão que surgiu após termos verificado um decréscimo no sector da decoração. Por outro lado, felizmente, registamos um acréscimo no que diz respeito às tintas e foi aí que residiu a nossa maior aposta, sendo uma área onde continuamos ambiciosos e onde queremos crescer mais. Essa é, actualmente, a área onde depositamos mais confiança e onde queremos evoluir e conquistar mais quota de mercado.
O nosso maior desafio passa por garantir a solidez económica da empresa, bem como assegurar e manter os compromissos que temos com os nossos fornecedores e colaboradores que muito prezamos, porque são eles a garantia da qualidade dos serviços que prestamos.

Diria que hoje a Avlis já conquistou o seu espaço no mercado?
GS – Sim, felizmente. A Avlis é uma empresa sólida que tem conseguido ultrapassar as várias crises não só no contexto económico, mas também na própria estrutura da empresa. No contexto económico, a Avlis adaptou-se às circunstâncias do mercado com a redução de custos. Essa foi uma questão fundamental para podermos ultrapassar a crise. Todo o nosso pessoal estava sensibilizado para a importância de se reduzir os custos e economizar ao máximo.
Com a crise, fizemos também reajustamentos dos espaços comerciais e alguns investimentos diversificados. Actualmente dispomos de quatro espaços de venda, três no centro histórico de Ponta Delgada e um nos Valados, sendo que um dos nossos espaços no centro histórico é dedicado a artigos de decoração, utilidades e desporto. Somos hoje os representantes das tintas Dyrup para São Miguel e Santa Maria, da Marca Ceys, que inclui silicones, colas e outros acessórios, Casa César Santos na comercialização de sementes e bolbos e da empresa Hevea que comercializa calçado para a indústria e agricultura da marca Dunlop.

Uma das vossas tradições é a venda de sementes e bolbos… Ainda há muita procura?
GS – Sim, temos clientes que vêm de toda a parte da ilha por causa das sementes, dos bolbos e das roseiras, porque sabem que é de qualidade.

E em relação à decoração?
GS – Temos o mais variado tipo de clientes, dos mais diversos estratos sociais. Somos também procurados por hotéis que adquirem muitos artigos decorativos.

Como encara este legado deixado pelo seu pai e avô?
GS – Para mim é uma grande responsabilidade, mas tenho tido todo o apoio e contributo de toda a família. Eu diria que para gerir uma empresa com 71 anos de vida é necessário haver muita abertura. Da minha parte, faço por dar toda a informação possível aos restantes sócios, com a realização de reuniões, onde trocamos ideias e debatemos muitos assuntos. Creio que só assim a Avlis se manterá no activo. Temos que estar abertos para o mundo, aprendendo e captando toda a informação possível.

O que representa para si a Avlis?
GS – É uma grande paixão. Eu cresci com a Avlis. Apesar de ter estado alguns anos fora da ilha, mantive sempre a minha ligação à empresa. Aos 18 anos deixei de estudar e comecei a trabalhar na empresa. Aos 23 anos, quando casei, e por motivos pessoais, ausentei-me da ilha por algum tempo, mas quando regressei a São Miguel retomei a minha actividade na Avlis.
Gosto muito do comércio, está-me nas veias.

E é fácil ser comerciante em Ponta Delgada?
GS – Às vezes não é fácil. Mas ser comerciante em qualquer parte do mundo tem os seus prós e contras. Quando nos deparamos com obstáculos, temos que saber ultrapassá-los e ir vivendo um dia de cada vez.
De facto, o comércio decresceu no centro de Ponta Delgada. Eu diria que falta movimento e dinamismo ao centro da cidade. No entanto, acredito que com a abertura do espaço aéreo e com a chegada de mais turistas que esta situação vai melhorar.

E projectos para a Avlis?
GS – A curto prazo pretendemos aumentar a nossa quota de mercado principalmente no ramo das tintas e similares. A médio e longo prazo vamos apostar em outras alternativas de negócio, não só nas actividades actuais, como também em outras áreas da empresa que se mostrem favoráveis à actividade da empresa. Estamos abertos a outros negócios, será algo que o futuro dirá.

A seu ver, o que difere a Avlis da concorrência?
GS – Eu diria que somos diferentes em concreto na nossa rede de revendedores, em que a nossa preocupação passa por termos uma proximidade muito forte com eles. Ao nível da distribuição, considero também é um dos nossos pontos fortes. Estamos sempre disponíveis para dar toda a assistência necessária e entregar mercadoria, estando sempre atentos a todas as necessidades dos nossos revendedores. Aliás, devo referir que o meu objectivo é preservar e manter a rede de revendedores da Avlis. Foi assim que esta empresa começou e é algo que faço questão em manter.

Sente orgulho do que foi construído pela sua família?
GS – Sim, muito!

Considera que os fundadores desta empresa quando a criaram pensaram que a Avlis ia chegar até onde chegou nos dias de hoje?
GS – Eu penso que sim. Eles eram pessoas muito ambiciosas, muito abertas à evolução e ao desenvolvimento. Acredito que os objectivos deles passavam mesmo por fazer crescer esta empresa o mais longe possível. Penso que hoje eles teriam muito orgulho na empresa que criaram há quase um século.

Qual o segredo para o sucesso da Avlis?
GS – Penso que foi preservar a amizade, a seriedade e saber manter e cumprir com todos os seus compromissos tanto com os fornecedores, como com os funcionários. Creio que essa é a nossa principal obrigação, porque sem eles, fornecedores e funcionários, não somos nada e são eles o sucesso da empresa.

Por: Olivéria Santos