Mário Fortuna: “É insuficiente e são valores que vão demorar a chegar”

Mario Fortuna - nova O Banco de Fomento anunciou ter assinado com o Programa Operacional Açores e a Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), acordos que operacionalizam 100 milhões de euros de instrumentos financeiros.
A formalmente designada Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), e conhecida como Banco de Fomento, explica que os acordos de financiamento agora assinados criam os instrumentos financeiros de apoio às empresas que pretendam investir na Região Autónoma dos Açores.
Segundo adianta, “a dotação global inicial de 20 milhões de euros de fundos comunitários permitirá a operacionalização de instrumentos financeiros de dívida e garantias e capital de 100 milhões de euros”.
O valor destes instrumentos financeiros era uma das expectativas dos empresários açorianos, que mencionaram esta expectativa no parecer que deram ao Plano e Orientações a Médio Prazo que começam a ser discutidas hoje no parlamento regional.
Contactado ontem pelo nosso jornal, acerca desta decisão do Banco de Fomento, Mário Fortuna começou logo por dizer que “convém fazer uma correcção quanto a este montante. O que de facto existe é uma dotação de 20 milhões de euros que podem vir a potenciar 100 milhões de investimento, se o Banco de Fomento participar em financiamentos com, em média, 20% dos valores globais”.
Para o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, “o montante, para utilização ao longo dos próximos anos, não é, em nosso entender, suficiente. Há mais de 5 anos, num Forum da CCIA (Câmara do Comércio e Indústria dos Açores), que decorreu na Caloura, já tínhamos sugerido um fundo de 100 milhões de euros e não os meros 20 milhões agora propostos. Teremos de ter em linha de conta também os mecanismos através dos quais estes fundos serão disponibilizados. Já estamos há vários anos à espera de um instrumento desta natureza, que tem tardado em chegar”.
De qualquer modo, A CCIA tem referido que os instrumentos financeiros disponíveis têm sido insuficientes para a economia açoriana. Com este anúncio do Banco de Fomento e com as verbas inscritas no Plano e Orçamento estão criadas as condições para a economia crescer mais do que os 2% do ano passado?
Mário Fortuna responde à nossa interrogação: “Na nossa perspectiva estas verbas vão tardar a chegar, serão espalhadas no tempo e serão certamente insuficientes para, só por si, com o plano anunciado, conseguirem um incremento de 2% da economia dos Açores. Continuaremos a precisar dos factores de crescimento externo para nos arrastarem para taxas de crescimento mais elevadas e de um sector do turismo a crescer como cresceu nos últimos anos. Sem o impacto externo positivo não chegamos a esta meta de crescimento porque as políticas delineadas nada trazem que nos possa fazer pensar o contrário”.