Aproveitamento do “Óleo de Castor” lançado como projecto de “crowdfunding”

Untitled-0Uma das propostas da campanha eleitoral do Partido da Terra nos Açores foi agora convertida pelo seu autor num projecto de “crowdfunding” – “financiamento coletivo” em português. No caso concreto trata-se do aproveitamento da planta Ricinus Communis, uma infestante em determinados locais das ilhas, mas das quais se pode produzir o famoso “Óleo de Castor”, que é muito utilizado em cosmética, medicina e indústria.
O “crowdfunding” consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas interessadas na iniciativa, tendo sido muito utilizado por projectos de artistas, intervenção social, pequenos negócios e start-ups, filantropia e ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros.
O projecto está desde ontem disponível no site “http://ppl.com.pt/pt/prj/oleo-de-castor”, uma plataforma da PPL Crowdfunding Portugal exclusivamente dedicada a estes projectos.
Neste caso, a estratégia passa por incentivar as famílias mais pobres a apanhar as sementes (tal como hoje fazem com a apanha de Amoras) e entregá-las num centro onde serão tratadas e produzido o óleo, que será posteriormente comercializado localmente como loção capilar.
A comercialização numa 1º fase será feita nos mercados locais em frascos de vidro como tratamento capilar. Em simultâneo será vendido através da internet, no E-Bay e pela página do Facebook. O óleo de castor também é passível de ser transformado em sabonete e essa será a 2ª fase do projecto.
As utilizações do óleo de ricínio são inúmeras e amplamente divulgadas na Internet. Existem muitas marcas do produto à venda em todo o mundo. O óleo é considerado pela US Food and Administration como “seguro  e efectivo” mesmo para uso interno. Neste caso o óleo não será comercializado como produto medicinal, mas apenas cosmético, não existindo quaisquer contraindicações documentadas a esse nível e não necessitando de certificação oficial para ser comercializado. Entra na categoria dos óleos extraídos de plantas, neste caso para utilização externa.
As suas propriedades cosméticas estão bem documentadas. O óleo de rícino quando aplicado e massajado diretamente sobre o couro cabeludo estimula o crescimento de um cabelo forte e saudável, pois melhora a circulação sanguínea, o que é vital para estimular o crescimento. Contém ácido gordo Omega 6 que estimula o couro cabeludo e folículos pilosos, fortalecendo os fios e tornando o cabelo menos frágil. Também nutre as raízes, hidrata e condiciona, deixando o cabelo macio e suave. Pontas duplas e ressecamento são rapidamente corrigidos pelo poder de hidratação do óleo. É uma boa opção se não quiser usar condicionador. Deixa o cabelo mais sedoso, e brilhante. O óleo de rícino pode também combater infecções do couro cabeludo que conduzem a perda de cabelo. As suas propriedades germicidas tornam-no eficaz para o tratamento da caspa, foliculite, seborreia, etc.
O financiamento que é pedido é de 800 euros e cada pessoa pode doar o que quer. O donativo é feito através do Muitibanco, com os dados que são fornecidos automaticamente por email (Entidade, referência e valor, através da função Pagamento de Serviços, sem qualquer necessidade de confirmação manual). 
O dinheiro destina-se à compra de uma máquina manual de extracção do Óleo de Castor, frascos de vidro e aquisição das sementes (cerca de 3 mil quilos, que poderão produzir cerca de 1.500 litros de óleo). Os lucros serão reinvestidos na aquisição de mais semente, de forma a garantir que todas as sementes serão escoadas e assim cumprindo o objectivo de criar mais um complemento de rendimento para os mais pobres.
O projecto assume-se como sendo de “economia social”.
Manuel Moniz, o autor do projecto (que é sub-director do Diário dos Açores) espera que seja bem sucedido. “Nós necessitamos de abrir horizontes e avançar com projectos alternativos. Se este funcionar, avanço com o projecto das peles de bovino nos Açores, que é uma pena não serem aproveitadas nas ilhas”, disse.

Governo vai compensar novos cortes salariais sem necessidade de orçamento rectificativo

sergio avila1O vice-presidente do Governo dos Açores reiterou terça-feira que a região vai compensar os novos cortes salariais dos funcionários públicos, sem necessidade de recorrer a um orçamento rectificativo, e acusou o BE de tentativa vã de protagonismo.
Sérgio Ávila disse, em declarações à agência Lusa, que, tal como já tinha anunciado, o executivo regional vai aprovar legislação para que os funcionários públicos nos Açores mantenham o mesmo nível salarial que tinham em 2013, compensando novos cortes salariais nacionais.
A legislação será preparada “logo após” a aprovação pela Assembleia da República dos novos cortes para o resto deste ano (o que ocorreu hoje à tarde) e “no mais curto espaço de tempo possível”, acrescentou.
No entanto, sublinhou que se trata de uma legislação de “carácter laboral” que implica a audição “obrigatória” dos sindicatos, num prazo de 30 dias, pelo que não poderá ser aprovada no plenário de setembro do parlamento dos Açores, como hoje exigiu o Bloco de Esquerda.
Considerando que o BE “sabe perfeitamente” dos trâmites legais exigidos a uma iniciativa destas, Sérgio Ávila acusou o partido de “tentativa vã de protagonismo”, até porque o executivo regional já tinha dito publicamente que iria compensar os trabalhadores da administração pública de novos cortes, de forma a não terem alterações no nível de rendimento em relação a 2013.
A nova legislação poderá ir ao plenário açoriano (que se reúne uma vez por mês) em outubro, mas independentemente da data da sua aprovação produzirá efeitos a partir do momento em que se concretizarem os novos cortes nacionais, afirmou.
Até ao final de 2013, havia nos Açores uma “remuneração complementar” para os funcionários que ganham até 1.300 euros e uma “remuneração compensatória” dos cortes previstos no Orçamento do Estado para os salários entre os 1.500 e os 2.000 euros.
Em 2014, foi extinta a remuneração compensatória e alargada a complementar para salários até 3.000 euros (embora segundo uma tabela que não compensava os cortes nacionais).
Quando o Tribunal Constitucional chumbou os cortes salariais do Orçamento do Estado deste ano, os Açores aprovaram legislação que fez regressar a remuneração complementar aos valores e regras de 2013, tendo então o executivo açoriano assumido o compromisso de compensar aqueles que ganham entre 1.500 e 2.000 euros caso viessem a ser de novo penalizados pelo Governo da República.
Sérgio Ávila escusou-se a revelar de que forma a região compensará os novos cortes, uma vez que a remuneração compensatória já não existe, remetendo para o momento em que for apresentada a proposta legislativa.
O vice-presidente do Governo Regional acrescentou que, apesar da nova estrutura salarial da função pública, em vigor desde junho, e do novo complemento que será dado a alguns funcionários públicos, os Açores não precisarão de fazer um orçamento retificativo em 2014.
“A região, tendo em conta o rigor com que elaborou o seu orçamento e o grau de precisão com que ponderou esses fatores, não precisa de qualquer orçamento retificativo”, disse Sérgio Ávila, acrescentando que o alargamento da remuneração complementar aprovado inicialmente já assegurava a “estabilidade remuneratória” à maioria dos funcionários públicos e é possível acomodar todas estas medidas sem necessidade de ajustar os valores da despesa pública.
“O conjunto destas medidas não irá implicar uma alteração dos valores da dotação global que tínhamos previsto para as despesas com pessoal no início do ano”, afirmou.

Negócios passam por dificuldades depois de deixarem ninho de empresas

Mário FortunaO primeiro ninho de empresas açoriano foi criado há cerca de oito anos na ilha de São Miguel, pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. Apesar de ter surgido com o objectivo de apoiar projectos empreendedores, numa fase inicial, a verdade é que algumas das empresas que saíram do espaço, depois de beneficiarem de custos reduzidos durante três anos, tiveram dificuldade em sobreviver no mercado. Umas encerraram a actividade, outras acabaram por voltar à “estaca zero”, instalando-se, os jovens empresários, em suas próprias casas, revela Mário Fortuna, ao Diário dos Açores.

Desde 2006 que o Espaço de Desenvolvimento Empresarial e Tecnológico (EDET), da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), já acolheu 27 empresas recém-constituídas. Trata-se de um ninho de empresas, o primeiro criado na região, onde as mesmas podem desenvolver os seus negócios, “beneficiando de custos reduzidos”.
O EDET surgiu com o objectivo de “apoiar os empreendedores numa fase muito crítica do sucesso dos seus projectos, ou seja nos três primeiros anos”, e de estimular, ao mesmo tempo, o “surgimento de projectos inovadores, de novas áreas de negócio, com utilização de tecnologia, aumento da qualificação dos recursos humanos, proporcionando ainda o acesso a novos mercados e a cooperação inter-empresa”, explicou o presidente da associação empresarial, Mário Fortuna.
O espaço, localizado no centro da cidade de Ponta Delgada, tem capacidade para oito empresas, mas actualmente conta apenas com três, nas áreas de formação, consultoria/auditoria e organização de eventos.
O seu funcionamento reflecte a situação económica regional, pelo que apresenta “flutuações”. Segundo o presidente da CCIPD, registam-se ocasiões “em que não tem sido possível dar resposta à procura, enquanto noutras verifica-se um menor número de empresas instaladas”. Há também casos de intenções de projectos, que não chegam a ser concretizadas.
Apesar de o objectivo ser o de impulsionar a continuidade dos empreendimentos no mercado, a verdade é que o resultado nem sempre é o esperado. Algumas empresas que passaram pelo EDET evoluíram após os três anos, no entanto, outras não tiveram a mesma sorte.
“Uma parte das empresas que se instalaram no EDET já não tem qualquer tipo de actividade, outras ainda tentaram dar o passo seguinte, mas por dificuldades de financiamento, conjuntura actual (principalmente dificuldade em angariar novos clientes), entre outros casos, regressaram à sua situação anterior (instalando-se em sua própria casa), facto que lhes proporciona uma redução ainda maior de custos, mas que segundo os próprios, piora a imagem da sua empresa”, relatou.  Fortuna acrescentou haver ainda situações de empreendedores que apostaram numa ideia de negócio, mas no decorrer do desenvolvimento do plano de negócios, decidiram não avançar com a mesma.
O projecto continua ainda hoje a suscitar o interesse de empreendedores açorianos. As solicitações de informação são “permanentes”, no entanto, é a “falta de perspectiva de desenvolvimento dos negócios e de financiamento” que leva a que os contactos não avancem.
Mário Fortuna sublinhou que “a actual conjuntura é desincentivadora de projectos empresariais, embora haja algumas áreas em que se tem verificado o aparecimento de novos negócios, essencialmente desenvolvidos com o apoio do Empreende Jovem”.
O empresário destacou ainda que, quer as novas empresas, quer as mais antigas no mercado passam por dificuldades na conjuntura actual, mas não de uma forma “uniforme”.
“Certamente que algumas das novas empresas, nomeadamente, as vocacionadas para o mercado local, em termos genéricos, têm dificuldades acrescidas na angariação de clientes, situação agravada com a retração do consumo”, afirmou, acrescentando que “podem, no entanto, ter vantagem ao nível dos custos de funcionamento, uma vez que foram dimensionadas para a situação actual, enquanto que as empresas mais antigas têm custos maiores, uma vez que estavam dimensionadas para um determinado volume de negócio, que entretanto reduziu”, explica.
Mário Fortuna defende que os apoios ao investimento na região, como é o caso do sistema de incentivos Empreende Jovem, do Governo Regional dos Açores, são “atractivos” e têm uma procura “significativa”, mas não são suficientes.
“A existência de apoios ao investimento não é, só por si, elemento suficiente para o surgimento de novos projectos empresariais. A conjuntura, as perspectivas, o acesso ao financiamento e os respectivos custos são factores determinantes para a decisão empresarial”, alertou.
Anteriormente, passaram pelo ninho instituições nas áreas de marketing, aplicações para a Internet e web design, arquitectura e desenho de construção civil, comércio online, contabilidade,  produção de maquetes para crianças, entre outras.
Qualquer empresa, formada há menos de um ano, pode candidatar-se ao EDET, desde que preencha os critérios da Câmara do Comércio.
“A inovação continua a ser um factor importante, mas não decisivo, na escolha das empresas. Qualquer empresa, independentemente da área, pode ser seleccionada, desde que se integre dentro das condições que o EDET disponibiliza e também da qualidade da ideia de negócio”, explicou o presidente.
Na prática, o EDET garante apoio logístico às empresas, sendo disponibilizado uma secretária, acesso à Internet, telefone e fotocopiadora, e ainda outros serviços “que visam dar apoio à criação da empresa e dar acompanhamento constante nos seus negócios”, nomeadamente, a nível de apoio jurídico, consultoria económica, apoio na obtenção de incentivos e no desenvolvimento do plano de negócios.
A ‘estadia’ no EDET não é gratuita, sendo cobrada de forma faseada. “No primeiro semestre tem um valor de 50 euros/mês, no segundo semestre de 100 euros/mês e no segundo e terceiro ano o montante passa a ser de 150 euros”, explicou Fortuna.
Presentemente, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada tem o EDET em funcionamento apenas em Ponta Delgada. A intenção passa por alargar o projecto a outros concelhos de São Miguel e a Vila do Porto. A questão já foi abordada com várias entidades e Mário Fortuna salientou haver “grande receptividade em relação à proposta apresentada”. Em algumas zonas, há já “evolução positiva” para a instalação de ninhos de empresas.

Por: Alexandra Narciso

Inscritos nos Centros de Emprego baixam em Julho

desemprego2O número de inscritos nos Centros de Emprego dos Açores baixou pelo 5º mês consecutivo, ficando em Julho pelos 18.265. Trata-se de uma redução de 2,2% em relação ao mês anterior. Em relação ao período homólogo há ainda um aumento, que em Julho foi de 5,9%, mas o facto é que é o 2º mês com uma variação anual de 1 só dígito – o que já não acontecia há 39 meses.
Há uma redução do número de inscritos como “desempregados” na ordem dos 6,15%, ficando-se pelos 11.753, enquanto que em relação a 2013 há também uma redução de 0,7%. Em termos homólogos, é o 4º mês consecutivo com reduções neste indicador.
Em relação aos Ocupados há um novo aumento, de 3,86% em relação ao mês anterior e de 19,8% em termos homólogos.
A explicação para estas reduções não é clara, embora possa ter a ver com o mês, e eventual ocupação sazonal no turismo. A taxa de desemprego estimada pelo INE foi de 16% no 1º trimestre do ano, e de 16% no 2º, embora essa forte variação não se veja reflectida nos valores do desemprego inscrito.
O conjunto das ilhas de S. Miguel e Santa Maria registam um peso de 65% nos desempregados inscritos, 74% nos Ocupados e de 66,5% no total de inscritos.
Registe-se que o número de “indisponíveis” voltou a aumentar fortemente nos últimos 2 meses, atingindo em Julho um total de 624, valor esse que já não era visto deste pelo menos 2012, ano em que ultrapassou os 1.800 casos.

Sistema de incentivos é “o mais amplo, abrangente e intenso de sempre”, defende Sérgio Ávila

sergio avila1O vice-presidente do Governo Regional afirmou ontem, na Horta, que o novo sistema de incentivos COMPETIR+ é o “mais amplo, abrangente e intenso sistema de apoio à actividade empresarial de sempre”.
Sérgio Ávila, que falava na Assembleia Legislativa durante a discussão da proposta de Decreto Legislativo Regional apresentada pelo executivo, frisou que “essencialmente, as empresas açorianas terão um nível de apoio muito superior em intensidade e abrangência àquele que têm as restantes empresas portuguesas”.
Segundo nota veiculada pelo gabinete de imprensa do executivo, para o governante, isso traduz-se numa “vantagem competitiva muito significativa para as empresas açorianas face às outras empresas nacionais e poderá constituir-se como um reforço substancial” da competitividade externa da Região.
O sistema de incentivos COMPETIR+, para além de “impulsionar o investimento empresarial”, envolve, segundo o vice-presidente, “uma mudança de paradigma” nos apoios à actividade económica e empresarial.
Sérgio Ávila salientou que essa mudança assenta na “maior prioridade e intensidade de apoio às empresas que desempenham um papel fundamental na criação de emprego e de riqueza”.
“Os apoios a atribuir serão disponibilizados em função dos resultados a alcançar, em detrimento da vultuosidade que possam envolver”, frisou, acrescentando que “maior investimento não significa, necessariamente, melhor investimento“.
“Queremos mais projectos, sem dúvida – e é por isso que o Governo dos Açores tem vindo a investir, de forma inequívoca, em medidas de apoio ao empreendedorismo – mas queremos, sobretudo, melhores projectos”, afirmou o vice-presidente do Governo.
Segundo Sérgio Ávila, é por isso que o Executivo regional irá estimular, com prémios de realização que poderão atingir um acréscimo, a fundo perdido, de até 25% do apoio concedido, os projectos que se traduzam na criação de emprego e de valor acrescentado para a Região.
“Esta é a outra mudança essencial que propomos”, frisou, acrescentando que “os apoios às empresas deixam de ser atribuídos em função do que as empresas se propõem fazer ou do montante do investimento que pretendam executar”.
Os apoios previstos no diploma passam a ser atribuídos, essencialmente, “em função dos resultados obtidos no âmbito da execução dos projectos”, designadamente no que se refere à “criação efectiva de emprego e do real impacto do crescimento económico do projecto aprovado”, salientou Sérgio Ávila.
O vice-presidente do Governo dos Açores realçou também que “para reforçar o apoio à criação de emprego” o executivo assume, pela primeira vez, “a elegibilidade, pelo prazo de dois anos, das despesas com pessoal decorrentes dos novos postos de trabalho criados, designadamente os encargos com o salário bruto e as contribuições para a Segurança Social dos novos trabalhadores admitidos”.