Governo em falta no pagamento de 7,7 milhões à SATA desde 2009

satabombardier

O Governo Regional ainda não pagou cerca de 7,7 milhões de euros à SATA Air Açores devidos no âmbito das indemnizações compensatórias relativos ao ano de 2009. A empresa reconhece esse atraso no seu Relatório e Conta de 2011, disponibilizado no último fim-de-semana, mas refere que “é entendimento da empresa que o montante será realizado, não sendo estimadas perdas a esta data”.
O Governo Regional paga neste momento como indemnizações compensatórias à SATA pelos voos inter-ilhas nos Açores cerca de 22 milhões de euros, o maior valor até ao momento. Essa verba corresponde a cerca de 68,5% das “Vendas e Serviços prestados” pela empresa em 2011 nessa operação.

Os dados da operação

A SATA Air Açores terminou o ano com um resultado líquido positivo de 512 mil euros, quando no ano passado tinha registado um valor negativo de 3,5 milhões de euros. A empresa teve um aumento de 2% no número de passageiros inter-ilhas nos Açores, embora tenha reduzido em 17% o número de passageiros inter-ilhas na Madeira.
O “loadfactor”, que pode ser traduzido como “taxa de ocupação” dos aviões, baixou em 2011 para 56%. É o 4º ano consecutivo com quebras neste indicador. Em 2008 o loadfactor era de 63,1%.
Com a entrada em funcionamento dos Bombardier, assistiu-se a um aumento significativo da oferta, que simplesmente não foi acompanhado pelo aumento de passageiros. Entre 2009 e 2011, houve uma redução de 9% do número de voos realizados, o que, em teoria, reflecte menor disponibilidade de horários: foram perdidos 1.361 voos. Inevitavelmente, o número de quilómetros percorridos também baixou, neste caso cerca de 12%, com menos 310 mil quilómetros.
Mesmo com essa quebra nos quilómetros voados, o ASK (“Available Seat Kilometres” - número total de lugares disponíveis para venda multiplicado pelo número de quilómetros voados) aumentou significativamente para 151 milhões – mais 9% que em 2009. E o RPK (“Revenue Passenger Kilometers” - Número total de passageiros multiplicado pelo número de quilómetros voados) aumentou quase 5% (apesar do quadro neste Relatório referir uma variação apenas de 2%). Aliás, parecem existir diversas inexactidões nos valores expostos na variação percentual neste quadro.
O loadfactor estabelecido entre o TKP (Número total de toneladas transportadas de passageiros, carga e correio a multiplicar pelo número de quilómetros voados) e o ATK (“Available Tonne Kilometres”, número total de toneladas disponível para passageiros, carga e correio a multiplicar pelos quilómetros voados), que relaciona de modo ainda mais preciso a relação entre a oferta e a utilização, apresenta reduções ainda mais radicais: de 57% em 2009 para apenas 49% em 2011, o que representa uma quebra de 14%.
A média de passageiros transportados por cada voo da SATA no inter-ilhas foi de 35.
Os dados sobre a regularidade e pontualidade é que cresceram significativamente. Na pontualidade, o valor passou de 79% em 2009 para 88% em 2011, e a regularidade aumentou de 96% em 2009 para 97% em 2011.

O Grupo SATA

Segundo o Relatório, em 2011 “foram emitidos 1.225.867 cupões para viagens na SATA (Açores e Internacional), o que corresponde a 101.459.111 euros. Estes valores, inferiores aos de 2010 em 7% e 11%, respectivamente, foram afectados, sobretudo, pelo ambiente recessivo que enquadra a nossa economia, pela redução das tarifas e pela descontinuação da rota Lisboa/Funchal”.
As vendas para a SATA Air Açores “diminuíram 2% no ano de 2011 e representaram 18% da totalidade das vendas do Grupo. A SATA Internacional, cujas vendas foram 82% das vendas de todo o Grupo SATA, registou um decréscimo de 12% nas vendas”.
A actividade de vendas da SATA “continuou a ter o seu pilar fundamental nos Agentes de Viagens, que foram responsáveis por 55,7% das emissões em 2011. A nossa acção aqui recebeu, contudo, uma inovação que começou a dar corpo a um trabalho diferenciado com os Agentes de Viagens on line”.
A empresa assinala “o crescimento de 6,5% das vendas dos agentes de viagens sedeados no estrangeiro, resultado do esforço que fizemos em diversificar os vendedores na nossa operação na América do Norte e Europa”.
Em 2011 “o site da Companhia voltou a crescer, embora a taxa bem mais moderada do que os crescimentos dos anos anteriores, e foi responsável por 10,4% do volume de vendas. Os dois outros canais próprios, o Contact Center e a Rede de Lojas, apresentaram decréscimos de vendas. A Rede de Lojas, que emitiu em 2011 o valor de 11,2 milhões de eirps, é o canal de vendas tradicional e o seu peso advém em grande medida das vendas que faz para a operação inter-ilhas da SATA Air Açores, uma vez que está muito bem implantada em todas as ilhas da Região. A redução das vendas no ano de 2011 está em linha com a tendência verificada nos anos mais recentes, o que justificou a opção, que tem sido paulatinamente implementada, de acentuar as suas valências de promoção de serviços e de assistência a clientes”.
O Contact Center registou em 2011 e uma perda de vendas de 14,3%, “fruto da redução das vendas da rota Lisboa/Funchal e de alguma migração de clientes para o www.sata.pt”.

Cultura de tabaco pode iniciar recuperação em 2012 depois das quebras em anos anteriores

fumar-3A produção de tabaco nos Açores, onde existem duas fábricas, ambas em S. Miguel, atingiu 50 toneladas no ano passado, menos 17 do que em 2010, mas a indústria tem boas perspectivas para a campanha deste ano.
Os dados estatísticos disponibilizados à Lusa indicam que a área cultivada em 2010 era de 27 hectares, tendo a produção atingido 67 toneladas, enquanto no ano passado a área cultivada foi reduzida para 24 hectares e a produção caiu para 50 toneladas.
“Nos últimos dois anos, a falta de chuva na altura apropriada reduziu a produção em cerca de 20 por cento e a área cultivada também registou um decréscimo”, afirmou Costa Martins, director da Fábrica de Tabaco Estrela (FTE), acrescentando que a campanha actual regista um cenário de melhoria, com “um aumento de cerca de 15 por cento”.
Segundo o director da FTE, “este ano, a área de cultivo contratada com os agricultores é de 30,5 hectares, ou seja, cerca de 270 alqueires” de tabaco da variedade ‘Burley’, a única que se produz em S. Miguel por ser “a que melhor se ajusta ao clima e aos solos”.
A FTE continua a produzir com tabaco local, tendo Costa Martins salientado que a empresa compra “100 por cento da produção” de tabaco seco de S. Miguel.
Costa Martins frisou que a FTE “tem comprado nos últimos anos toda a produção que os agricultores contrataram e vai continuar a fazê-lo enquanto for rentável para ambos os lados”, admitindo que “até seja possível aumentar a área de cultivo”.
O director da Fábrica de Tabaco Estrela alertou, no entanto, para os riscos que a cultura de tabaco pode sofrer “se a política de regime de apoios se alterar”, apesar de acreditar que “o Governo Regional tem interesse em manter esta cultura industrial, que é fundamental para a rotação de culturas agrícolas”.
Por seu lado, a Fábrica de Tabaco Micaelense (FTM) já não produz com tabaco cultivado na região, admitindo Mário Fortuna, presidente da empresa, que só o faz “pontualmente”.
A FTM está a fazer um investimento que pode chegar a sete milhões de euros na construção de uma nova fábrica, que deverá começar a produzir em Janeiro de 2013.
Actualmente, a empresa produz 600 milhões de cigarros e quatro milhões de charutos e cigarrilhas por ano, vendendo para o exterior do arquipélago cerca de metade da sua produção.
Mário Fortuna comentou à Lusa o decréscimo que se tem vindo a verificar na produção e na área cultivada de tabaco em S. Miguel, admitindo que possa estar relacionado com “o pouco interesse que a cultura possa representar para os agricultores”.

Carlos César “confiante na recuperação económica”

carlos-cesar-jornalista-corCarlos César afirmou ontem de manhã que o Governo Regional dos Açores “tem trabalhado muito para que os efeitos da crise económica internacional, das medidas de austeridade do Governo da República e da quebra do financiamento bancário sejam minimizados na nossa região.”
O Presidente do Governo acrescentou que a acção governamental tem sido corporizada “através de apoios que estamos a dar às pessoas que estão com dificuldades em obter emprego, às empresas para manter ou criar novos empregos e, também, através de facilitação do crédito, diminuindo o risco da banca em determinadas operações.”
Considerando que esse é “um trabalho muito difícil”, disse confiar que “já neste segundo trimestre deste ano termos conseguido conter o aumento do desemprego, que se tinha vindo a acentuar até agora”, adiantando haver indicadores que apontam nesse sentido.
Carlos César apontou, no entanto, para “a necessidade de uma maior disponibilidade do sector bancário para apoiar as famílias” e aludiu, a propósito, a uma crítica recente do Primeiro-Ministro, que elogiou, sobre a tendência da banca para subir os “spreads” na revisão de contratos para financiamentos à aquisição de habitação.
Para Carlos César, há um trabalho muito grande a fazer, “mas, em boa verdade, este trabalho com as instituições bancárias, este trabalho de diminuição das medidas de austeridade que afectam gravemente a nossa economia – as nossas pequenas economias, a restauração, o pequeno comércio, as famílias – é um trabalho que tem de ser feito pelo Governo da República, porque se trata de medidas nacionais e porque só pode ser feito a uma escala de eficiência que é a do Governo da República.”
Segundo assegurou, o Governo Regional vai continuar a fazer a sua parte, “com muita esperança de que o país possa recuperar e que também as instituições nacionais tomem consciência de que não é apertando que se consegue crescer.”
O Presidente do Governo advoga “um equilíbrio muito adequado entre aquilo que são as políticas de austeridade e as disponibilidades que é preciso criar” para que as empresas se recapitalizem e possam gerar emprego e riqueza, para que o país possa satisfazer os seus compromissos.
Afirmando-se convicto de que o Governo dos Açores terá sucesso nesse trabalho, Carlos César disse ser também preciso “que o país nos ajude”, porque “será muito difícil vencer esta crise se nós quisermos avançar nos Açores, mas tivermos um saco de areia às costas que nos impeça de andar mais depressa ou, sequer, de andar.”
Para o Presidente do Governo, é necessária “uma boa política ao nível europeu e ao nível nacional para as nossas boas políticas regionais tenham o melhor sucesso.”
Carlos César falava na cerimónia de apresentação do projeto de requalificação do polidesportivo do Corvo, uma obra orçada em cerca de 600 mil euros que, na sua principal vertente, consiste na cobertura do recinto.
Essa requalificação vai permitir não só melhores condições para a prática desportiva – tornando-a possível em dias de chuva, por exemplo – como servirá para utilização em eventos sociais e culturais que venham a ocorrer na mais pequena ilha do arquipélago.

Berta Cabral lamenta “má gestão” dos fundos comunitários

BERTA CABRAL BISCOITOS SJ 1A presidente do PSD/Açores, Berta Cabral, lamentou ontem que a região não tenha aproveitado devidamente os mais de 2,5 mil milhões de euros de fundos comunitários disponibilizados nos últimos 12 anos, considerando que “foi uma oportunidade mal aproveitada”.
Segundo a agência Lusa, “nos últimos 12 anos, a UE contribuiu com mais de 2,5 mil milhões de euros para o desenvolvimento dos Açores. É pena que a região não tenha sabido gerir um apoio externo tão significativo para criar mais riqueza, para criar mais postos de trabalho, para fortalecer as nossas empresas”, disse.
A líder regional social-democrata, numa declaração em Ponta Delgada para assinalar o Dia da Europa, salientou que “não foi uma oportunidade perdida, mas foi uma oportunidade mal aproveitada.”
“Tínhamos o dever de ter aproveitado muito melhor os apoios que recebemos. Devíamos ter gasto menos e investido mais”, frisou, acrescentando que, apesar dos apoios disponibilizados “a desvantagem relativa dos Açores permanece e a situação económica e social até se agravou”.
Berta Cabral considerou que o próximo Quadro Comunitário de Apoio (2014/2020) apresenta um “desafio estratégico” para os Açores, que é a criação de riqueza, frisando a necessidade de criar emprego para fixar a população nas ilhas de origem e reduzir o desemprego.
Nesta declaração, a presidente do PSD/Açores e candidata à presidência do Governo Regional reafirmou a defesa de um programa específico de apoio aos transportes nas regiões ultraperiféricas europeias, frisando que “promover a coesão é sobretudo garantir que as regiões ultraperiféricas não sejam penalizadas pelo seu afastamento e dispersão geográfica.”
A criação de uma representação permanente dos Açores em Bruxelas foi também reafirmada por Berta Cabral, para quem é necessário ter junto das instituições europeias um lóbi que defenda os interesses da região e seja capaz de influenciar as decisões da UE que afectam os Açores.
Berta Cabral anunciou ainda a realização em Junho, em S. Miguel, de um seminário sobre ‘Política de Coesão numa Europa das Regiões’, que será presidido pelo presidente do Partido Popular Europeu, Joseph Daul, e contará com a participação de todos os eurodeputados social-democratas.

Câmara da Lagoa aprova contas do município por maioria

Os documentos de prestação de contas do município de Lagoa relativos ao ano de 2011 foram aprovados por maioria, com 16 votos dos 24 membros presentes, tendo votado favoravelmente todos os presidentes de Junta, em reunião ordinária da Assembleia Municipal realizada no passado dia 30 de Abril.
Segundo nota de imprensa emitida pela autarquia, os referidos documentos tiveram a favor 15 votos de deputados municipais do PS e de um deputado municipal do PSD e os votos contra dos restantes sete deputados municipais do PSD e do deputado municipal do CDS-PP. Note-se que o documento de prestação de contas de 2011 mostra uma receita arrecadada de 13.660.173,84 euros, enquanto a despesa verificada foi de 13.490.716,82 euros, resultando, assim, um saldo de 169.457,72 euros, tendo ainda sido proposto que o resultado líquido do exercício, no montante de 365.014,28 euros seja aplicado em reservas legais com o montante de 18.250,71 euros, sendo os restantes 346.763,57 euros aplicados em reforço do património.
Segundo o presidente da câmara municipal de Lagoa, João Ponte, o relatório e contas do município referente ao ano de 2011 “demonstra de forma objectiva e transparente o percurso realizado durante o ano transacto, assim como a situação económico-financeira actual atendendo a que 2011 caracterizou-se por uma forte recessão com impacto directo nas receitas da autarquia”, tendo feito referência  aos cortes nas transferências do orçamento de Estado e a receita arrecadada ao nível dos impostos, provenientes da actividade da construção civil que tornaram a ter uma quebra. “Aliás, só nos últimos três anos o município perdeu três milhões de euros em impostos e taxas, sendo que as receitas da autarquia lagoense provenientes do orçamento de Estado se encontram ao nível das recebidas em 2004, quando sabemos que não temos nem poderíamos ter a mesma estrutura de custos”, disse.