Diário dos Açores: um espaço de liberdade

Nos últimos anos, os meios de comunicação social (MCS) têm desenvolvido um esforço tremendo para incluir, nas suas redações, as plataformas digitais das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC).
Longe vão os tempos dos tipógrafos e das “linotypes”. Presentemente, a paginação de um jornal é feita nas redações pelos próprios jornalistas e a impressão em papel é realizada em oficinas, por vezes, bem afastadas e até noutra ilha. É assim que sucede com os jornais sedeados no Pico, Flores, São Jorge e Santa Maria.
Os avanços das TIC permitem não só a contenção nos equipamentos, mas sobretudo, a rapidez na comunicação da informação.
As plataformas digitais, ao dispor de todo e qualquer MCS, nomeadamente a imprensa escrita, levantam, todavia, uma série de questões que devem ser encaradas numa perspetiva positiva. 
Sendo cada vez mais caros os suportes em papel e os meios humanos e materiais que os produzem, há quem encare, com realismo, a sua substituição pelas plataformas digitais. Os grandes títulos mundiais e até jornais de referência nacional avançaram já para as plataformas digitais. Atendendo à redução de assinantes e, consequentemente, da publicidade, o suporte digital, traz vantagens quer pelo imediatismo da informação, quer pela qualidade dos suportes de imagem, som e vídeo. Continuam as assinaturas no jornal “on line”, mas a relação custo-benefício gera uma redução substancial.
Este novo paradigma do jornalismo, envolve outras questões de caráter técnico e profissional: um domínio satisfatório da imagem e do som, a aquisição dos respetivos  equipamentos também para o envio das imagens em tempo real e um corpo redatorial adequado e preparado. Alguns jornais regionais já se dotaram destes meios. Esperemos que lhes dêem bom uso. Muito mais agora que o cidadão comum, através dos equipamentos de telemóvel, também transformou as redes sociais do “Facebook” e similares, em concorrentes ferozes à informação profissionalizada.
É neste espetro informativo que o Diário dos Açores e toda a imprensa, se movimenta e vive.
Há 40 anos atrás, o jornalista limitava-se a transcrever à mão, as notícias da rádio, a recortar e colar telex das agências noticiosas, a redigir a informação que chegava dos correspondentes locais, enviando-a para a composição do linotipista e para a impressão.
Com a chegada da TV, muito se alterou na produção e consumo da informação.
A presente revolução global por que passam os MCS devido ao surgimento e expansão das TIC, está a impor novas formas de informar. Todavia, o direito à liberdade, agride muitas vezes, sob a forma do anonimato, direitos individuais e coletivos, pois o julgamento na praça pública é prática muito comum. A falta de responsabilidade é cada vez mais alarmante, perante a inexistência de mecanismos de regulação e proteção das sociedades e dos estados.
Há todo um trabalho urgente a fazer, para que os MCS não sejam afetados.
Os jornais, todos eles, devem manter-se fiéis aos seus princípios, valores e  leitores. Não podem, porém, ignorar que os tempos hoje são outros e que a melhor forma de subsistirem em liberdade, pugnando pelos direitos e pela identidade das comunidades que servem, é adaptarem-se, rapidamente, às novas plataformas digitais. Como o fizeram também noutras épocas, face ao surgimento de novos equipamentos de impressão.
145 anos de um jornal é um digno galardão de que os micaelenses e açorianos se devem orgulhar.
Parabéns ao Diário dos Açores, aos seus proprietários e colaboradores, por pretenderem continuar a fazer, dia-a-dia, deste jornal, um espaço de liberdade.
* Jornalista c.p. 536