Educação e Cultura: Autonomia e Formação de Professores

A Educação é pluridimensional e existem, em criatividade, sempre renovada, modos de a encontrar, de a estudar e, antes, no sentido da ontogénese, isto é, do ser individual de cada pessoa, vários modos de a realizar e concretizar. Cada pessoa é um projeto a ser. Tenho insistido, em várias instâncias, que o fundamental não é ter projetos, o fundamental é ser em projetos. Naturalmente que as duas dimensões se podem ligar. Mas há que evitar a banalidade dos projetos.
Há muitos anos que venho chamando a atenção para essa possibilidade perniciosa, a banalização dos projetos. Dentro do subsistema escolar fala-se em projeto Educativo de Escola, Projeto Curricular de Escola, Projeto Curricular de Turma, entre muitos e muitos outros. Quando se pensa e se sabe pensar as coisas e os assuntos, com fundamentos na Filosofia da Educação, e numa Filosofia do Currículo, muito se pode esclarecer e clarificar. Pensar os conceitos implica sentir a sua própria vitalidade. Os conceitos não são cascas secas, de usar e deitar fora, os conceitos também são ideias que, justamente, quando bem concebidas fazem nascer boas coisas e coisas boas.
Ora, o currículo não é o lugar do entulho, é o lugar da essência e da existência. Mais do que isto, o currículo é, também, lugar de vida, é vida, é texto e é contexto. Em Educação muito se fala em contexto e, depois, tudo se desenraíza, com a maior ligeireza e ignorância, sem referência, ao local, ao lugar e ao ambiente aonde as coisas, as aprendizagens, as ocorrências aconteceram. Saber falar em contexto implica responsabilidade, repor as coisas tal como foram, onde foram, por que foram. É preciso o porquê, que a Filosofia, esse Saber e Ciência milenar, nos ensinou e continua a ensinar. Sem saber os porquês não vamos a parte nenhuma nem sabemos avaliar, isto é, ajuizar com prudência. 
Em termos escolares - e não só - a avaliação decorre das aprendizagens. Mas há muito que se aprende e não se avalia, é o curso inesgotável dos saberes que se vão adquirindo, para além de qualquer planificação ou plano. Mas, desde a reforma educativa e curricular, de 1989, que considero ser muito importante atender ao que era enunciado como potencial a valorar e valorizar: atitudes, capacidades, conhecimentos, competências e valores. Estamos sempre muito longe de saber trabalhar as atitudes e os valores mas que são, no fundo, os pilares identitários da Pessoa, de cada Instituição, de cada Comunidade e de cada Povo. É nessa identidade que se forja e revela a Cultura, as raízes mais fundas e profundas da Cultura e das culturas. Identidade e pluralidade implicam mesmidade e diversidade como princípio original e originante da criatividade. Mais do que “cultura de escola”  - que é uma mera noção organizacional e funcional - é preciso atender à escola como lugar de Cultura e culturas. Ninguém inventa a roda. Mas cada um tem um modo próprio de olhar e dizer o mundo, de o renovar, desde logo se souber pensar, isto é, se for um professor autónomo e reflexivo, não a retórica vazia e batida - descartável - do “professor reflexivo” mas do professor reflexivo como pensador, que fala, escreve, ensina e aprende, transmite em liberdade e autonomia.
A “Supervisão Pedagógica” é uma noção com utilidade mas que pode ser epistemologicamente pobre e axiologicamente perigosa, se não for sujeita a um crivo muito crítico - pode torcer, em termos metafóricos, - ou reais - os nervos óticos que ligam o olho ao cérebro, lesando ou nublando o olhar educacional, de dinâmicas letivas, na sua complexidade de interação e ligação na “navegação” no campo visual, exterior e interior, em cada pessoa que vê e põe em movimento o ato de ensino e aprendizagem. Gosto da expressão Orientação Pedagógica, Orientação Educativa - que pode pressupor uma observação educativa, que, no fundo, é plenamente respeitadora da autonomia do outro, que até pode ter mais nível ou categoria, em Saber, que o Supervisor.
Recentemente a Investigadora Christine Holt, da Universidade de Cambridge, do Reino Unido, e premiada, há dias, pela Fundação Champalimaud, afirmava: “O que estamos a tentar descobrir é como se orientam, o que guia estes axónios e os mantêm no caminho certo para os alvos corretos”, em caminhos múltiplos, depois, como refere, de “uma enorme façanha de navegação”. À semelhança dos axónios, quem domina o GPS que só o Professor - e não o Supervisor - tem na mão? 
Se a esses cientistas importa descobrir os “cabos” que ligam e como ligam o olho ao cérebro, - unipessoal e intransmissível - julgo que a supervisão pedagógica poderá ser, precisamente, o impedimento para que o olhar do Professor e a sua cognição, diria, a sua cognivivência, flua e se desenvolva, em autonomia, sem constrangimentos, razão para afirmar que aquela figura, enquanto tal, é dispensável, até para que haja professores “muito bons” e “excelentes”, o que é diferente de professores com muito bom e excelente porque isso pode significar o prejuízo de muito valor próprio, acrescido, também, para promover o chamado PróSucesso Escolar, com dinâmicas que não se compaginam com articulações forçadas entre o nível micro (sala de aula), meso (escola) e macro (comunidade). Retirar a naturalidade a essas interações - através de métricas de avaliação - é - pode ser -um prejuízo irremediável. 
 O Decreto Regulamentar Regional nº 8/2016/A, sobre avaliação do desempenho, poderá ter consequências negativas, criando coletes de força, mal-estar e pressão de uns agentes educativos sobre os outros. Não me parece um bom caminho para alcançar e falar de sucesso de aprendizagens. Razões temos para sermos críticos em relação ao referido documento, tal como está. Depois de um Decreto Legislativo Regional, que parecia trazer um desanuviar - e muito bem -, como se viu, vem, agora, uma nuvem negra, isto é, depois de um “Regime de Avaliação do Desempenho simplificado” vem, agora, um complicado, em estrutura de malha de ferro e com grelhas muito questionáveis. Esperamos que a linguagem desnecessariamente cientificista dê dar lugar a uma linguagem de Política Educativa. De bom senso e ponderação, portanto, depois das “Metas” e das “Competências”. Porquê essas reincidências?

Referência:
Jornal Público. Versão Digital, de 06 de setembro de 2016. 
Nota: Este texto constitui a Crónica, de hoje, integrada no final do Programa Tribuna de Educação e Cultura, da e na Rádio Atlântida. 

*Doutorado e Agregado em Educação e na Especialidade de Filosofia da Educação

3 - Prolegómonos a toda a dúvida possível

Sem inocência nenhuma Jaspers escreveu “Filosofar é estar a caminho.” Por sua vez o poeta António Machado y Ruiz versejou “Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar”. Entre estas duas frases o problema é entender o que será “filosofar” e o outro descobrir o que é caminho já que, por certo, o bom leitor parou a ler isto. Claro que estamos diante de duas perspetivas a filosófica e a poética.Provavelmente não se põe dilema algum senão quando refletirmos no facto de que as ciências nos informam que a Terra se move e estamos a andar no espaço mesmo parados.
A longo prazo não sabemos muito bem para onde queremos ir nem qual é o melhor caminho. Não falta gente a andar por aí e bem podemos ir atrás deles pois a vida é breve e acabamos todos no mesmo sítio, sem grandes diferenças.
Chesterton, teólogo, filósofo e humorista, o que não é uma síntese muito vulgar,conversava na rua enquanto olhava meditativo para uma pessoa que lhe afirmava saber muito bem para onde ia e para onde queria ir. Sem lhe responder, diante de tanta confiança, Chesterton reparou no autocarro que passava ao lado e tinha por destino um manicómio londrino. Por uma lógica mais profunda do que a que mostrava, pensou que, com tamanha certeza, aquela pessoa podia muito bem ter esse destino.
Na atualidade, o novo profissional “Coach” tem a função de estimular, apoiar e despertar em seu cliente motivações que continuam, à moda anterior, a ser vendidas em livrinhos de auto-ajuda. Tanto a leitura do livro não causa surpresa, mas a ação do Coach costuma ser confidencial.
Quando se inclui no caminho o problema do tempo tudo fica duvidoso. Com ou se ajuda, alguns dos nossos sonhos ficam pelo caminho, se os realizamos queremos logo atingir outros e não há animal mais inquieto do que o humano. Somos nós que mudamos de objetivos e ficamos carregados de dúvidas mesmo sem sair do lugar.
Quando somos muito jovens somos muito ignorantes, mas isso não nos aflige. Há sempre quem nos queira ensinar tantas coisas.
Depois podemos saber muito, mas começamos a desconfiar que sabemos pouco e cada vez menos. Por fim, sentimos o peso de enorme ignorância, descoberta à custa do saber, e pode ser que, com sorte e humildade aprendamos a viver. Mas é sempre muito duvidoso.
   Se tudo tem que começar pelo princípio, nós ignoramos os nossos primórdios que nos trouxeram até aqui. Com toda a certeza que temos um eu, ninguém sabe dizer o dia em que surgiu.
Algumas pessoas afirmam que na vida real há que ter princípios. Fala-se mesmo muito mal de uma pessoa sem princípios mesmo que não se saiba muito bem de que se trata.
Alguns mais afoitos remetem as pessoas que têm princípios para o plano da moral e da ética, nunca da loucura, bipolaridade ou trabalho. A culpa dessa dedução deve-se especialmente ao filósofo Kant que tinha uma moral de princípios e não de fins. Se bem que isto seja o cerne da questão, os ditos filósofos não explicam isto sem complicar e pôr uma pessoa confusa. Mas nem assim temos certezas pois precisamos de saber que princípios são esses que dirigem a ação.
O risco dos moralismos que todos nós sabemos muito bem distribuir, está em dar bons conselhos e não bons exemplos. Uma moral de princípios é bem diferente de uma moral de finalidades e esta parece ser bem lógica se não tivermos em conta os meios.
Como é que se chega lá?
O metódico Kant segue, por certo com muito custo, apenas princípios universais que possam ser aplicados por todos e em qualquer circunstância. As ações morais que impliquem meios reprováveis não têm caminhos universais, logo devem ser excluídas.
Vilfredo Pareto, sem contemplações morais, mostrou que há muitos princípios ditos universais que não chegam aos fins previstos devido aos caminhos que se tomoue, sem controlar tudo, por causa dos meios não se chega aos fins. Pareto não gostava de exemplificar, mas mostrou como os louváveis princípios em que Lenine se baseava, devido aos meios que não pode controlar, os seus objetivos foram desastrosos pensando nos princípios pelos quais se guiava.
A conduta moral de Kant significa seguir o “puro dever” sem olhar às circunstâncias o quenunca interessará a advogados e sofistas, que se regem por labirínticos Códigos.
Para escândalos de muitos, Kant colocar o dever do amor acima do simples amor. A racionalidade do amor é um paradoxo, mas ainda maior contradição é seguir as nossas tendências egoístas. Se assim escolhemos deixamos de ser pessoas e passamos à categoria de animais e de bestas. O exemplo comum das “cunhas e “entradas pela porta do cavalo” retira a universalidade à moral.
Como não ver que dar a um amigo aquilo que ele nos pede pode ser por amor, mas infringindo o dever? Na sua universalidade o dever liberta-nos da bestialidade e da animalidade porque nos coloca na posição de juízes no campo dos legistas, e de súbditos ou subjetivamente no campo do cumprimento da lei. Num paradoxo muito bem desmontado é na nossa tão querida e falada liberdade que está o obediente dever.
A poesia bonita de Fernando Pessoa “ai que prazer não cumprir um dever” não é boa ideia para Kant pois o“querido eu” nos leva a cometer disparates e incongruências nos caminhos da vida.A cláusula de cumprimos sem excepção o puro devertorna Kant “o quebra tudo”. A moralidade da nossa consciência dá-nos personalidade. Os outros animais não têm Código Penal porque não praticam intencionalmente o Mal.
É assim que o caminho da racionalidade paradoxalmente baseia-se na irracionalidade da natureza e a dúvida leva aos maus caminhos do meio ou da exceção.
Por mais voltas que a Terra desse à volta do Sol, hoje, por trás dos filósofos e dos legisladores mais notáveis,é ainda a sombra de Kant com a fragilidade da universalidade de que in dubito pro reo.

Notas do meu cantinho: Turismo Rural

Há dias ofereceram-me um passeio pela ponta Leste da Ilha. Estive em três ou quatro freguesias e admirei o surto de desenvolvimento urbano que me foi dado apreciar ao longo do percurso. Sobretudo causou-me surpresa agradável alguns dos prédios recentemente edificados, com a particularidade de serem construídos em pedra lavrada, sem quaisquer vestígios de cimento ou cal. Uma autêntica maravilha, a fazer recordar os prédios antigos, onde a cal e muito menos o cimento entravam, mas apenas o barro da terra a segurar as taliscas
Uma das proprietárias informou-me que tinha vinte e oito camas à disposição dos visitantes e que naquele momento estavam quase todas ocupadas. Mas outros prédios, ao redor desta ilha, foram preparados para o chamado turismo Rural, uma nova modalidade que está a ser posta à disposição, principalmente do turista europeu. Disso dá testemunho o número das viagens que, durante o verão, se fizeram da Holanda para o Pico e que, sem explicação, a dar crédito à comunicação social, deixou de viajar para esta ilha, ficando somente pelas de S. Miguel e Terceira. Mas essa atitude inesperada da TUI não põe fim aos que viajam da Europa e da América para a Ilha Montanha. Há qualquer coisa de agradável que os atrai, sem grandes propagandas, a não ser aquela que transmite para o exterior a Internet.
Certo é que, não raro, quando passamos pelas estradas picoenses, do litoral ou mesmo do interior, frequentemente nos cruzamos, normalmente com casais estranhos à ilha. E examinando os mapa da ilha de que são portadores, atravessam não somente as estradas, como os caminhos vicinais e até as canadas e os trilhos, admirando as árvores, as paisagens e os panoramas, e gozando, ao que bem se julga, o clima ameno que envolve a ilha.
É interessante esta nova modalidade do turismo rural, que se está a desenvolver em todas as freguesias da ilha, mas principalmente naquelas em que a emigração deixou muitas casas desabitadas e que agora estão a ser louvavelmente aproveitadas.
O Pico, porém, não pode limitar-se unicamente ao TURISMO RURAL, pois o seu rendimento pouco mais vai além dos alugueres das camas e de uma ou outra refeição tomada nos pequenos restaurantes que todas, ou quase todas a freguesias já possuem. É interessante ver por aí, num deambular pacífico, os simpáticos turistas, mas importa retirar dessa nova actividade industrial maiores rendimentos, que beneficiem os jovens com empregos estáveis e, consequentemente, promotores de progresso e e desenvolvimento da própria economia.
É tempo de se pensar a sério na indústria hoteleira, pois não bastam os estabelecimentos de categoria diversa, que existem.
A Vila das Lajes do Pico necessita, sem demora, de estabelecimentos hoteleiros que promovam o turismo “clássico”, que possa responder às exigências de visitantes titulares de poder económico, e muitos são.
Temos restaurantes de boa categoria, mas não existem ainda, na vila e seu centro histórico, estabelecimentos que possam receber os turistas com as comunidades que alguns exigem e, para os satisfazer, necessita-se de, pelo menos, um estabelecimento hoteleiro de três ou quatro estrelas.
Vai ficar vago o edifício da Escola Secundária, com a transferência daquele serviço para as novas instalações dos Biscoitos -extra-muros, digamos.
Não será tempo de se pensar na utilização daquele grande imóvel?
Porque não utilizá-lo para um estabelecimento hoteleiro condigno? Espaço não falta. Nele podia ser instalada, ao menos, uma POUSADA DA JUVENTUDE…
Fica o alvitre.


Engrade, 12-09-2016

Viagens no tempo: Viver a música

Desde criança, que não sendo proeza rara, trazia a voz afinada, o ouvido apanhando tudo o que se cantarolava na escala – vivia feliz.
Até que um dia acordei com a voz baça, articulando a lera das canções coma a voz embargada e a conversação muito pouco perceptível.
Julgando tarar-se de um mal passageiro fruto de um mero mal passageiro, passei à frente nas dúvidas e continuei nos ensaios do orfeão, mas estava bem tocado pela mazela.
Meti-me ma terapia de fala com resultados nada animadores.
As tantas, quem sabe, consultei um especialista, já desaparecido, que me detetou um tumor maligno nas cordas vocais “e cantar?”, perguntei-lhe com o semblante de quem adivinha o futuro a pronunciar de quem vai arrumar as botas…
Resposta pronta, “você já cantou muito!”, e acrescentou, “dê o lugar a outro, as suas cordas vocais estão cancerosas, vai ter de ser operado, quanto antes”.
Saí do gabinete, onde se reunira a junta médica, e de lágrima ao canto do olho e não era para menos.
Umas sememas depois, procurei-o, mas de olhos marejados, a assistente informou-me, “o nosso querido doutor Almeida Lima deixou-nos para sempre”.
E assim o eminente médico teve o seu primeiro encontro com Deus.

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Num ímpar adágio mavioso
Ao 2.º andamento do concerto para clarinete, de Mozart

Num ímpar adágio mavioso,
À soada de magnificentes
Acordes magistrais, avulta o gozo
Dos melómanos, na sala, presentes.

Surge o solista num modo fogoso
Desvanece, absorve os assistentes,
Brilha o som calmo, afetuoso
Do clarinete, em lances excelentes.

Entrego-me… Dou por mim a pensar
Quão belo é ter da música o talento
De compor num frenesi de pasmar…

E ter a dita de se escutar
Um músico sensível, ternurento,
Disposto a todos enfeitiçar…

Bento Sampaio
Novembro 2013

Em terra de (c)egos quem tem olho é rei

Mas as monarquias andam a morrer e os reis também.
Existem vários tipos de “cegueira” e eles são soberbamente apresentados por José Saramago no seu “Ensaio sobre a cegueira”.
“Quando o “primeiro cego” chegou ao consultório do oftalmologista para tentar descobrir uma solução para o seu problema de visão, o médico considerou o caso urgente e passou-o à frente dos demais pacientes que aguardavam pela consulta. Porém, a mãe de um menino que aguardava sua vez não se sensibilizou diante da urgência do paciente inesperado e “...protestou que o direito é o direito, e que ela estava em primeiro lugar, e à espera a mais de uma hora. Os outros doentes apoiaram-na em voz baixa, mas nenhum deles, nem ela própria, acharam prudente insistir na reclamação, não fosse o médico ficar ressentido e depois “cobrar” a impertinência fazendo-os esperar ainda mais”
 “É dessa massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade”.
E não nos apercebermos que isto também é cegueira.
E não as dirigimos apenas aos outros, mas também a nós mesmos. A solidão é o momento em que estamos completamente expostos a nós mesmos. Apresentamos tanta oposição à solidão e/ou a esses momentos, mas muitos de nós não os preenchemos com pessoas, mas com coisas.
A pressa e insensibilidade, e o facto de as pessoas serem escravas das suas próprias vontades e desejos imediatos, impedem-nas de “ver” mais longe, outras saídas, outras possibilidades.
“ … a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis … “
E não nos apercebermos que isto também é cegueira.
O homem hoje parece-se com um animal domesticado que se adapta, aceita cómoda e fatalisticamente à situação em que vive.
O medo, o comodismo e o fatalismo levam uma pessoa a se habituar a tudo, incluindo o deixar de ser pessoa:
“Que isto, meus senhores, é comer e dormir. Bem vistas as coisas, nem se está mal de todo. Desde que a comida não venha a faltar.”
E não nos apercebermos que isto também é cegueira.
Fiquem bem

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