Programa Regional de Intervenção Precoce acompanhou duas centenas de crianças em 2016

Rui Luis - jornadas intervenção precoceO programa de intervenção precoce, regulamentado desde 2012 nos Açores, acompanhou 181 crianças em 2015 e cerca de duas centenas em 2016.
O Secretário Regional da Saúde salientou ontem o trabalho desenvolvido pelas equipas envolvidas na intervenção precoce, nomeadamente nas repercussões que terá, a longo prazo, no sucesso escolar, no emprego, na delinquência e nos problemas socioeconómicos.
“São cerca de 120 técnicos envolvidos neste projecto, um bom exemplo de trabalho em equipa e trabalho multidisciplinar, que espelha a articulação e corresponsabilização entre os sectores da saúde, solidariedade social e educação”, frisou Rui Luís, na abertura das III Jornadas de Intervenção Precoce, que decorrem até hoje na Ribeira Grande, numa iniciativa da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel.
Na sua intervenção, Rui Luís defendeu a urgência de se reflectir sobre esta temática e de “consciencializar e responsabilizar” a comunidade.
“Qualquer intervenção no âmbito do Programa Regional de Intervenção Precoce deverá ser centrada na família, mesmo quando se torna necessária uma intervenção centrada na criança”, afirmou.
À margem do encontro, questionado pelos jornalistas sobre a deslocação de médicos, o titular da pasta da Saúde assegurou que o programa de deslocação de especialistas às ilhas sem hospital se mantém em vigor.
“O programa não está suspenso”, frisou, salientando que a confusão que surgiu resulta de declarações de Isabel Cássio, presidente do Conselho Médico dos Açores da Ordem dos Médicos.
“Penso que ela queria referir-se à anterior portaria, que terá sido suspensa em favor de outra”, afirmou Rui Luís, acrescentando que espera apresentar, em breve, a nova proposta para a deslocação de especialistas.
Para o Secretário Regional, “o novo modelo vai potenciar esta deslocação, com alterações que passam por questões organizativas e financeiras”.
“Da nossa parte, não queremos colocar qualquer suspeição sobre ninguém, o que queremos é que exista, de facto, um sistema de deslocação às ilhas sem hospital, que seja eficaz e no qual as pessoas possam ter acesso aos cuidados de saúde”, afirmou Rui Luís.

Governo admite substituir canalização no hospital da Horta, “se necessário”

hospital-da-hortaO Secretário Regional da Saúde assegurou ontem que a presença de ‘legionella’ na canalização do hospital da Horta não representa qualquer perigo de saúde pública, frisando que foram tomadas as devidas precauções. Rui Luís admitiu, no entanto, que a canalização poderá vir a ser substituída.
“Se for necessário substituir a canalização da zona identificada, nós vamos imediatamente fazê-lo para que esse problema não se volte a repetir”, garantiu o titular da pasta da Saúde, que falava à amrgem do IV Fórum de Saúde do Nordeste.
Rui Luís salientou que “a situação foi controlada”, destacando “o profissionalismo com que o assunto foi encarado e a forma rápida com que o Conselho de Administração e os técnicos do Hospital da Horta resolveram o problema”.
A situação foi detectada na sequência de uma análise de rotina ao sistema de águas, despoletada pelo Hospital da Horta, que aguarda o resultado das novas análises que serão realizadas Segunda-feira pelo Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA).
Rui Luís salientou ainda a importância das acções de formação desenvolvidas pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores (ERSARA) junto de organismos públicos e privados.
Em declarações aos jornalistas, o governante comentou também os últimos dados do rastreio nacional ao cancro da pele, apelando aos cidadãos para adoptem “medidas de prevenção da pele, principalmente nos picos do sol”.
A elevada incidência na população rastreada em São Jorge pela Associação Portuguesa do Cancro Cutâneo, segundo Rui Luís, encontra explicação no pouco cuidado com a proteção da pele e com as caraterísticas climáticas do arquipélago, com a existência de nuvens que dão uma falsa perceção de proteção relativamente aos raios ultravioletas.
Rui Luís salientou que os dados registados em São Jorge são o resultado de ter sido realizado um estudo com maior profundidade nesta ilha, tal como acontece com outros rastreios realizados na Região, que permitem detetar um maior número de situações.
Este assunto será debatido na próxima semana, num encontro entre o Secretário Regional da Saúde e o Conselho Consultivo da Doença Oncológica dos Açores.

“Fui exonerado por não pactuar com viagens à pala de doenças para irem a festas”

medicoJosé Luis Faustino, médico no Centro de Saúde do Corvo, acusa o Secretário Regional da Saúde de o ter exonerado em retaliação por não acatar ingerências do governante em decisões médicas, ilegalidades com deslocações de doentes e baixas médicas falsas.
O médico do Corvo fez uma série de queixas à Ordem dos Médicos e diz que teve como resposta do Secretário a exoneração.
José Faustino, em declarações ontem à Antena 1 dos Açores, concretizou as acusações: “Sou contra os vícios instalados que vim encontrar, nomeadamente de viagens à pala de alegadas doenças para irem a festas”.

14 dias para sair do Corvo

Explica que “não posso permitir que alguém, neste caso o Senhor Secretário, que ainda por cima não é médico, se permita violar o meu campo de actuação, algo que aconteceu por duas vezes, e desafio o Secretário a desmentir”.

Substituído por Adelino Dinis

O médico acrescenta ainda que, “passados dez dias de ter apresentado estas queixas, com a Páscoa pelo meio, fui alvo de exoneração, num puro gesto de retaliação. O Senhor secretário deu-me 14 dias para sair daqui. Estou no Corvo, onde não há voos todos os dias. Isto é ilegal e imoral”.
José Luis Faustino denuncia ainda que “o Senhor Secretário chegou-me a dizer que isto era como no futebol, em que é mais fácil despedir o treinador. Ora, isto não é futebol”.
José Faustino vai ser substituído por Adelino Dinis, médico na Povoação, em S. Miguel.

São Jorge tem das taxas mais elevadas de cancro de pele

cancro de peleA Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) apelou ontem para a criação, em cada Unidade de Saúde Familiar, de equipas especializadas e preparadas para despistar através da teledermatologia suspeitas de cancro de pele.
O repto foi lançado pelo secretário-geral da APCC, Osvaldo Correia, que diz que o equipamento necessário para estes médicos e enfermeiros pagar-se-ia ao evitar três cirurgias desnecessárias que hoje se fazem.
“É esta a proposta da APCC: em cada três doentes operados desnecessariamente paga-se o equipamento”, afirmou Osvaldo Correia, olhando depois para o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, que assistia à apresentação, em Lisboa, dos últimos dados sobre cancro de pele em Portugal e da campanha do Dia dos Cancros da Pele (Dia do Euromelanoma), que se assinala dia 17.
Depois de ouvir o responsável da APCC, Fernando Araújo lembrou que o Governo tem feito um esforço a este nível colocando câmaras para os médicos de medicina geral e familiar poderem utilizar nestes casos e reconheceu que, em conjunto, talvez este trabalho possa ser acelerado.
“Duplicámos as consultas de dermatologia no ano passado, precisamos de insistir na formação de mais dermatologistas e ao nível dos cuidados primários estão a ser instaladas mais câmaras e os médicos hoje estão mais abertos. Em conjunto, poderemos acelerar este processo, para termos respostas em tempo oportuno”, afirmou Fernando Araújo.
Na apresentação dos números mais recentes do cancro de pele em Portugal, Osvaldo Correia lembrou que no último rastreio nacional foram vistas mais de 1.700 pessoas em mais de 40 serviços de dermatologia e em 21% dos casos as pessoas tinham antecedentes de queimaduras solares.
O responsável sublinhou a importância da literacia nesta matéria, frisando que nem sempre a população reconhece os sinais, e exemplificou: “além dos sinais, em alguns casos as pessoas identificaram o risco de cancro de pele mais com o calor do que com o nível de raios UV”.
“O sol é igual em todo o lado, seja na praia ou no campo, e é preciso lembrar que mesmo com sombra, a areia reflete os raios solares, a água também. A melhor protecção é juntar a roupa, o chapéu e o protector solar, mas este tem de ter alguma espessura para conferir protecção”, afirmou.
Osvaldo Correia recordou os números do último Registo Oncológico Nacional (2010) para lembrar que os casos entre os 20 e os 40 anos são mais frequentes do que era desejável.
Revelou ainda alguns dados do rastreio feito na ilha de S. Jorge, nos Açores, onde segundo a APCC a taxa de incidência de cancros de pele é “das mais elevadas do país”.
Naquela ilha foram vistas 350 pessoas, 50 submetidas a cirurgia e 100 a criocirurgia.
Meia centena de serviços de dermatologia vão participar, no dia 17, no rastreio gratuito que decorre no âmbito do Dia dos Cancros da Pele e que no ano passado examinou mais de 1.700 pessoas.
Destas, em 300 foram detectados sinais irregulares, 126 tinham queratoses actínicas (percursor do carcinoma espinocelular), 14 suspeitas de melanomas e 82 carcinomas.
Osvaldo Correia insistiu na importância do auto-exame, dos rastreios e do reforço da protecção, seja com chapéus e roupa seja com protector solar, frisando que o facto de se colocar protector solar não confere permissão para estar mais tempo ao sol.
Estima-se que surjam este ano mais 12.000 novos casos de cancro de pele, 1.000 dos quais casos de melanoma.

Listas de espera para cirurgia diminuíram apenas 33 doentes num ano

hospital corredorAs listas de espera para cirurgias nos hospitais dos Açores diminuíram apenas 33 doentes de 2015 para 2016.
De acordo com os dados a que o “Diário dos Açores” teve acesso, o ano passado fechou com 9.745 doentes à espera de serem operados nos três hospitais da Região, quando em 2015 este número era de 9.778.
O Hospital de Ponta Delgada continua a ser o que detém a maior lista de espera, com 7.676 pessoas (menos 42 do que em 2015), seguindo-se o de Angra do Heroísmo, com 1.347 (menos 189 do que em 2015), e o da Horta, com 722 (mais 198 do em 2015).
No Hospital de Ponta Delgada é a cirurgia geral que apresenta a mais longa lista de espera, com 115 doentes, seguindo-se a otorrinolaringologia, com 68 doentes, a ortopedia com 39, a ginecologia com 27, a cirurgia vascular com 24 e a pediátrica com 22.
A média de espera para uma cirurgia geral não oncológica, em situação normal, é de 228 dias, se for prioritária é de 96 dias (em casos oncológicos é de 18 dias), e se for “muito prioritário” é de 23 dias (7 dias para oncológicos).
Na cirurgia vascular a média de espera é de 900 dias, a cirurgia plástica é de 863 dias, a neurocirurgia é de 759 dias e a ortopedia 556 dias.

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