Profissionais refectem hoje sobre necessidades e práticas da Educação na Infância

crianças em riscoO Cine Teatro Lagoense acolhe hoje, pelas 15h30, um encontro destinado a educadores de infância. Trata-se de uma Micro Comunidade de Aprendizagem que se insere no projecto de âmbito nacional “Envolve-te”, fundado pelo educador de infância Henrique Santos, e que já percorreu várias zonas do país. O objectivo do movimento passa pela reflexão e partilha de dúvidas, necessidades e práticas entre os profissionais da área.

Em entrevista ao Diário dos Açores, a educadora Rita Simas Bonança, membro do projecto que propôs a sua realização na Lagoa, explicou em que consiste o projecto. “As micros garantem a representatividade por parte de um conjunto de educadores de infância que procuram, com afinco, acreditar que a Educação Pré-escolar é a base de qualquer aprendizagem”, destacou.

 

Diário dos Açores - O que são as Micro Comunidades de Aprendizagem? Em que consiste este projecto?

Rita Bonança - As MicroComunidades de Aprendizagem advêm da reunião continuada de um grupo de profissionais de educação que, primeiramente de forma virtual (apoiados pelas redes sociais), se foram conhecendo e aproximando em termos de perspectiva pedagógica e de congruência educativa e social. Entre muitas propostas que esta “proximidade” foi permitindo, as Micro Comunidades de Aprendizagem surgiram como resposta à necessidade de se promoverem encontros locais, de menor dimensão, e de “olhos nos olhos”, entre profissionais que se mostram interessados em reflectir e partilhar as suas dúvidas, as suas questões, as suas necessidades e, claro, as suas práticas.

São, naturalmente, a evidência da necessidade de uma participação ativa e com o propósito de partilha entre profissionais de educação de infância mas como a finalidade de criar uma dinâmica conjunta para partilhar reflexões sobre as ideias, sobre os conceitos, sobre as propostas, e claro, sobre as práticas de qualidade a desenvolver a educação de infância. 

 

Como surgiu este projecto e qual o seu objectivo? 

RB - Dos primeiros encontros presenciais, que reuniram cerca de cinquenta profissionais de vários pontos do país, formularam-se diversos “objectivos” para iniciar um processo de partilha a que se chamou “Envolve-te” (www.facebook.com/envolv.te), e que tem por princípios “declarados” os seguintes: potenciar o crescimento em rede de profissionais reflexivos e interessados; corporizar uma rede comum de reflexões e práticas; iniciar um processo de aproximação física entre práticos e investigadores; promover a organização e divulgação de práticas de referência; corporizar uma rede comum de reflexões e práticas; iniciar um processo de aproximação física entre práticos e investigadores; promover a organização e divulgação de práticas de referência; criar modelos de reflexão que permitissem serem organizados sob forma de publicações (revista on-line -https://issuu.com/envolve-te/docs/, blogues, páginas em redes sociais, etc.).

 

O que a levou a tornar-se membro deste projeto? 

RB - Na realidade, são “membros” deste projecto/movimento todos os profissionais que queiram reflectir e partilhar as suas certezas, dúvidas, questões e, claro, práticas.

Mas quando conheci o Henrique Santos nas redes sociais, ele motivou-me, inspirou-me, tal como tem feito com outros educadores de infância. Por outro lado, o Envolve-te, como “movimento” oficioso (não possui qualquer tipo de vínculo associativo, ou fiscal, ou social…) é, por natureza, um movimento aberto e voluntário, onde todos cabemos.

Na sequência de vários contactos e interações, o Henrique Santos convidou-me a aderir a um grupo de conversa (Messenger do facebook) onde os principais dinamizadores trocam ideias e preparam actividades. É uma espécie de grupo logístico ao qual chamamos “Ponto Zero”, por ter sido o início do Envolve-te. É neste grupo que se reflectem as incidências das actividades organizadas, onde se recebem novos dinamizadores de novas zonas e, onde, é claro, se reflecte educação.

Mas porque o Henrique Santos é um dos dinamizadores do Envolve-te e as suas práticas (que conhecemos através dos diversos espaços que utiliza para as divulgar) são enriquecedoras e cuja qualidade é elevada e, sobretudo, porque é um profissional activo e provocador nos diversos fóruns onde participa e tem revelado uma forte capacidade de incentivar a reflexão sobre as práticas pedagógicas adoptadas pelas massas, não podia deixar de tentar trazê-lo até nós para podermos, em conjunto, aprendermos mais e melhor. Assim, na sequência de uma sugestão minha ao Departamento da Educação Pré-Escolar da Escola da Lagoa, que foi aceite por unanimidade, procurou-se promover esta iniciativa de aprendizagem conjunta (Micro Comunidade) com um dos mentores deste projecto, o Educador de Infância Henrique Santos.

 

De que forma as Micro Comunidades de Aprendizagem podem contribuir para a melhoria da qualidade da educação na infância, especificamente nas escolas da região?

RB - As micros garantem a representatividade por parte de um conjunto de educadores de infância que procuram, com afinco, acreditar que a Educação Pré-escolar é a base de qualquer aprendizagem. A verdade é que uma casa só é sustentada se os alicerces são bem construídos. Assim, acontece com tudo na vida.

 

Que benefícios trazem para os profissionais da educação estes encontros? 

RB - Uma das primeiras acções que todos os profissionais devem promover é o encontro físico para partilha e reflexão. Esse é, inclusive, uma “sugestão” bastante reforçada pelas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE) que foram apresentadas em Lisboa, em Novembro de 2016.

Os benefícios surgem automaticamente das reflexões que acontecem nos diversos espaços das Micros e também nas partilhas que acontecem nas redes sociais. A necessidade de se constituir estes grupos, para cruzar saberes e práticas, dúvidas e certezas, conhecer pessoas e alargar a base de profissionais com vontade e capacidade de refletir as suas práticas com outros, é a evidência da sua pertinência.

Em termos práticos, pretende-se criar pequenos grupos de aprendizagem, numa lógica de valorização da “praxis” dos profissionais, em que até as próprias instituições possam servir como locais de realização. O procedimento passa por constituir grupos locais/localizados que reflictam e partilhem entre si dinâmicas, estratégias e práticas de educação de infância, tendo por base uma proposta temática e a partir daí disseminar o conhecimento. Actualmente, a reflexão sobre o “novo” documento orientador da prática e reflexão para a educação pré-escolar, tem sido o centro do envolvimento.

 

Pela sua experiência enquanto educadora, quais os maiores problemas/necessidades encontradas por parte dos profissionais na área da educação na infância na região?

RB - As grandes necessidades prendem-se à falta de recursos humanos nas escolas, nomeadamente docentes especializados e técnicos habilitados nesta área. Esta realidade é tumultuosa e necessita de ser revista, apesar das advertências do Conselho Nacional da Educação. A atribuição de docentes não pode ser efetuada por um rácio, mas por evidências que nos permitem avaliar o número de alunos com necessidades educativas por unidade orgânica. Há crianças sem apoios, esta é a realidade nua e crua! Para além disso, constata-se em termos consensuais uma desvalorização por parte do trabalho desenvolvido pelos educadores de infância. Há quem pense que passamos a vida a brincar aos contos de fadas. Até podem ter razão, mas existe na brincadeira uma intencionalidade pedagógica, muitas vezes desacreditada. 

 

Relativamente ao encontro que irá decorrer na Lagoa, ilha de São Miguel, o que se poderá esperar deste encontro? 

RB - Antes de mais, que seja um momento de partilha. Que seja um espaço em que todos aqueles que aceitem o desafio de participar se sintam envolvidos e capacitados pela força do grupo. O grande desafio dos tempos que corremos é o de sermos capazes de dar as mãos por algo maior do que nós mesmos. De sermos capazes de crescer em conjunto e de fazermos, dessa união, a nossa força. Porque juntos vamos mais longe.

 

Em que outras zonas do país já foram promovidos estes encontros?

RB - Desde Janeiro de 2016 já realizámos mais de 50 MicroComunidades, de Braga a Setúbal, de Aveiro a Chaves. Reunimos mais de dois mil e quinhentos profissionais de educação de infância que refletiram sobre variadas temáticas que lhes concernem: desde as creches à avaliação e planeamento em educação, desde a intencionalidade educativa à importância do brincar…

 

Restos de cadáver no mar do Faial

Restos mortais, presumivelmente de um homem, foram encontrados na quarta-feira junto à costa na freguesia da Feteira, ilha do Faial, revelou ontem fonte da Polícia Marítima. 

policia maritimaO comandante local da Polícia Marítima, Rafael da Silva, disse que foram encontrados por populares uma “perna direita completa” e um “pé esquerdo”, junto ao porto da Feteira, que se presumem pertencer à mesma pessoa.

Segundo Rafael da Silva, os restos mortais foram encaminhados para o hospital da Horta para serem preservados até que o Ministério Público avance com as diligências necessárias para apurar a identidade da pessoa. 

Na freguesia da Feteira especula-se que os membros agora encontrados possam pertencer a um homem que se encontrava desaparecido desde o dia 3 de Fevereiro.

Festas do Senhor Santo Cristo terminam hoje

Senhor-Santo-Cristo-dos-MilagresAs Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, as maiores dos Açores, terminam hoje, em Ponta Delgada, com a solene concelebração em honra de Madre Teresa da Anunciada, no Santuário, presidida pelo respectivo reitor, o cónego Adriano Borges.

Antes, às 17 horas, haverá a abertura do bazar e às 21h30m terá lugar o arraial com concerto de encerramento das festas pela Banda da Zona Militar dos Açores, até às 24 horas.

Estas foram, para muitos observadores, uma das maiores festas de sempre, com a presença notória de muitos emigrantes, que aproveitaram a ida a Fátima, na semana anterior, para assistir às festas do centenário e à vinda do Papa.

 

Tolerância de ponto da Câmara Municipal

 

A Câmara Municipal de Ponta Delgada decidiu, por despacho assinado pelo Presidente da autarquia, José Manuel Bolieiro, conceder tolerância de ponto nesta Quinta-feira do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Como habitualmente acontece todos os anos nas festas, às quais a autarquia se associa comemorando o seu feriado municipal, é dada tolerância de ponto a todos os funcionários dependentes da Câmara, exceptuando, por motivos operacionais, os colaboradores da Polícia Municipal, do Mercado da Graça, Serviços de Higiene e Limpeza, CATL e os colaboradores afectos ao Cemitério de S. Joaquim, que sejam indispensáveis à eventual e necessária continuidade dos serviços, sem prejuízo da respectiva compensação.

No despacho assinado pelo Presidente da Câmara, considera-se que as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres constituem o maior evento anual realizado no concelho de Ponta Delgada, pelo que merece “o especial envolvimento da Câmara Municipal de Ponta Delgada”, sendo a quinta-feira do Santo Cristo o dia que encerra as grandes festas

A Esquadra da PSP de Ponta Delgada deteve um indivíduo do sexo masculino, de 53 anos de idade, por burla de cerca de 4 mil euros em diversas unidades hoteleiras da ilha de São Miguel. Conforme sabe o Diário dos Açores, o indivíduo apresentava-se como jorn

PSP3A Esquadra da PSP de Ponta Delgada deteve um indivíduo do sexo masculino, de 53 anos de idade, por burla de cerca de 4 mil euros em diversas unidades hoteleiras da ilha de São Miguel.

Conforme sabe o Diário dos Açores, o indivíduo apresentava-se como jornalista ou como produtor televisivo, chegando a mostrar inclusive carteira profissional de jornalista, dando conta que seria a empresa para que alegadamente trabalhava que iria pagar toda a respectiva despesa. 

Durante a estada nas unidades hoteleiras, o homem usufruía, a seu bel-prazer, dos serviços disponíveis nos hotéis visados.

Após ter sido bem-sucedido em algumas unidades hoteleiras de São Miguel, o indivíduo acabou por ser detido pela PSP, na passada Terça-feira, quando recusou o pagamento numa unidade hoteleira de Ponta Delgada.

Ainda no âmbito da actividade da PSP, foi detido, um indivíduo do sexo masculino, de 25 anos de idade, por roubo de uma carteira. Foi também detido por tráfico de estupefacientes, um indivíduo do sexo masculino de 30 anos de idade, tendo sido apreendidas 442 doses de haxixe e outros utensílios utilizados na prática ilícita.

Na Esquadra da Ribeira Grande a PSP deteve, igualmente, por tráfico de estupefacientes, um indivíduo do sexo masculino de 33 anos de idade, após ter sido interceptado a vender comprimidos.

Também a Esquadra da PSP da Horta deteve um indivíduo do sexo masculino, de 19 anos de idade, por tráfico de estupefacientes, sendo-lhe apreendidas, 28 doses de Heroína e 1 dose de Cannabis Sativa-L.

O detido foi presente ao Tribunal da Horta para submissão a 1º interrogatório e aplicação de medidas de coacção.

Na Esquadra das Lajes das Flores no âmbito do Programa Escola Segura e com o objectivo de aumentar a consciencialização social das crianças e jovens para os perigos do jogo “Baleia Azul” foi realizada uma acção de sensibilização e esclarecimento que teve por público-alvo 15 alunos do 5º e 6º ano e 4 docentes, da Escola Básica das Lajes das Flores.

No que concerne à sinistralidade rodoviária, entre 23 e 24 de Maio ocorreram 16 acidentes de viação, dos quais resultaram 1 ferido grave, 3 feridos ligeiros e danos materiais.

Urbano Bettencourt lança em Ponta Delgada “O Amanhã Não Existe”

Urbano BettencourtO conhecido escritor açoriano Urbano Bettencourt lança hoje, em Ponta Delgada, (Livraria Solmar,19 horas), a sua nova obra, intitulada “O Amanhã Não Existe (Inquietação Insular e Figuração Satírica em José Martins Garcia)”, com a chancela da Companhia das Ilhas.

Em declarações ao “Diário dos Açores”, Urbano Bettencourt explica que, “do ponto de vista técnico e institucional, o livro corresponde, mais ou menos,  à tese de doutoramento que apresentei e defendi na Universidade dos Açores”. 

Em termos de conteúdos, o autor desvenda ao nosso jornal que “constitui uma abordagem da narrativa do escritor picoense José Martins Garcia (a primeira abordagem global da sua obra), uma narrativa que alia  uma poderosa imaginação a um  profundo domínio da língua  portuguesa”. 

“E  com tudo isso constrói a imagem de um tempo português e açoriano (dos anos 50 até aos anos 80 do século XX, aproximadamente) marcado pela repressão e o silenciamento, pelo isolamento atlântico, pela guerra em África, num registo satírico e  violento,  pois só de forma violenta se pode denunciar as instituições e poderes que anulam a dignidade dos homens”, conclui Urbano Bettencourt.

 

20 escritores encontram-se no Pico

 

Perto de 20 escritores dos Açores, do continente e do Canadá compõem a terceira edição do Encontro Pedras Negras, iniciativa que decorre no próximo fim de semana, na ilha do Pico, no âmbito do festival Azores Fringe.

“Este ano temos duas escritoras lusodescendentes canadianas para participaram no encontro no fim de semana, que são Elaine Ávila e Lisa Furtado”, declarou Terry Costa, diretor da associação MiratecArts, que promove o evento.

Terry Costa disse que Elaine Ávila vai conversar sobre a escrita teatral, enquanto Lisa Furtado falará das suas obras e experiências através de viagens, contando também o encontro com a participação de jovens escritores oriundos dos Açores.

O responsável acrescentou que alguns destes jovens escritores, com apenas duas obras publicadas, já participam na iniciativa desde o seu início.

Terry Costa destacou ainda no Encontro Pedras Negras a participação do escritor Vamberto Freitas, tendo ressalvado estar previsto o lançamento de dois livros, um da responsabilidade de Luís Filipe Borges, mais conhecido como “Boinas”, e o outro de José Carlos Costa, natural da ilha do Pico.

Luís Filipe Borges, natural da ilha Terceira, é apresentador e guionista de televisão, sendo o livro designado de “Destinos em falta para o passageiro distraído”, enquanto a obra de José Carlos Costa se denomina “Paraíso Açórico”.

“Todos os participantes terão oportunidade de falar sobre as suas publicações dos últimos anos, bem como participar na própria viagem às pedras negras”, no âmbito de uma volta à ilha do Pico, com ‘workshops’, “tendo cada evento um cenário completamente diferente, em alternativa às salas ou a um auditório”, declarou.

A designação do encontro Pedras Negras é inspirada na obra do escritor Dias de Melo (1925 -- 2008), nascido na Calheta do Nesquim, na ilha do Pico, que foi professor, colaborador de jornais e é considerado um dos grandes escritores açorianos, tendo dedicado toda a sua obra ao mar e à baleação.

Dias de Melo publicou mais de 40 livros de poesia e vários romances, entre os quais a trilogia “Pedras Negras”, “Mar pela Proa” e “Mar Rubro”.

A organização do Encontro Pedras Negras já homenageou, na primeira edição do festival Azores Fringe, o escritor Dias de Melo.

O festival internacional Azores Fringe, por seu turno, nasceu no Pico, “incentivando a partilha de talentos e ideias”, reunindo este ano 300 artistas nas nove ilhas, de 26 de Maio a 30 de Junho.