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Movimento de Romeiros de São Miguel realiza sessão de recolha de sangue

Dádiva 3

O Movimento de Romeiros está a organizar uma sessão de recolha de sangue agendada para amanhã, dia 10 de Fevereiro. Trata-se de uma iniciativa que tem o apoio do Serviço de Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) e irá decorrer entre as 08h30 e as 13h00.

Conforme explica Paulo Pacheco, contra-mestre do Rancho de Romeiros de São Pedro, Ponta Delgada, esta acção está revestida de “extrema importância, uma vez que o organismo humano é o único laboratório onde se consegue produzir sangue. O sangue não se produz artificialmente e como tal as dádivas de sangue são a única forma de o obter”, adverte.

Assim, os romeiros de São Miguel voltam a colaborar com o Serviço de Hematologia do Hospital de Ponta Delgada, mostrando o seu envolvimento e inserção comunitárias. Desta forma, reconhece Paulo Pacheco que “imbuídos no forte sentido solidário que norteia o Movimento de Romeiros esta iniciativa justifica-se por si só”, uma vez que “doar sangue é um dever”, frisa.

Esta não é, contudo, a primeira vez que os romeiros levam a cabo sessões de recolhas de sangue. Tudo começou há cerca de 6 anos por iniciativa do Rancho de Romeiros de São Pedro, Ponta Delgada. Posteriormente, explica Paulo Pacheco, “o Movimento de Romeiros de São Miguel reconhecendo a validade e importância desta acção colocou à consideração dos responsáveis do Rancho de São Pedro abranger a mesma aos ranchos todos da ilha o que foi prontamente aceite, uma vez que o que está em causa é simplesmente salvar vidas”.

A recolha irá decorrer a partir das 8h30 de amanhã, no serviço de Hematologia do Hospital de Ponta Delgada, sendo que até ao momento já estão inscritas mais de 60 pessoas, embora a organização acredite que este número possa aumentar, à semelhança do que tem acontecido em outras ocasiões. Paulo Pacheco comenta, a propósito, que os romeiros fazem “sempre todos os esforços para que estas iniciativas tenham o máximo de dadores possíveis” adiantando que “de um modo geral conseguimos sempre obter um número significativo de dádivas efectivas”,.

Ainda assim, refere, “como todas as iniciativas, existem sempre pessoas mais receptivas e outras menos; há ainda muitos que não o fazem ou por receio/fobia de agulhas, ou por não estarem sensíveis à causa, apesar de toda a manobra de sensibilização que é feita, mas felizmente o número tem sido sempre satisfatório”, diz.

Apesar de ser uma acção organizada pelos romeiros, esta recolha não se limita apenas aos elementos dos ranchos de romeiros da ilha, sendo que qualquer pessoa, homem ou mulher, poderá dirigir-se amanhã, no horário estipulado, ao serviço de Hematologia do HDES para doar sangue, até porque, adverte Paulo Pacheco, “todas as dádivas fazem a diferença, sejam elas individuais ou em grupo. Convém referir que cada dádiva, depois de processada, pode salvar até três vidas”. “Neste momento existem 60 possíveis dadores, se estas doações se efectivarem todas podemos estar a falar em salvar cerca de 180 pessoas”, assegura, Paulo Pacheco, relembrando que “o facto de com um pequeno gesto podermos salvar até três vidas deve ser, por si só, um factor mobilizador para esta causa”.

Falando no seu caso pessoal, o contra-mestre diz que sempre que faz uma doação, “a satisfação é enorme e é uma alegria imensa. Pessoalmente tenho fobia de agulhas, mas consegui ir ultrapassando este medo em virtude de uma causa maior. A decisão de começar a doar sangue foi muito difícil, em virtude da fobia que sentia, mas interiorizei que não estava a doar sangue mas sim a salvar vidas e foi dessa forma que fui contornando o receio. Presentemente doo sangue 4 vezes por ano, o máximo que é permitido, e sinto sempre uma felicidade enorme”, frisa.

Esta não é, contudo, a única acção de cariz solidário que os romeiros de São Miguel levam a cabo durante todo o ano, existem várias iniciativas realizadas, inclusive, pelos ranchos de Romeiros da ilha, sendo que muitos distribuem cabazes alimentares não só pelas épocas festivas mas também mensalmente, e outros distribuem vestuário pelos mais necessitados. Paulo Pacheco adianta que “cada vez mais os ranchos de romeiros envolvem-se nestas iniciativas de cariz solidário. No que respeita à dadiva existem sempre duas anuais, a primeira sempre na altura pré-quaresma e a segunda sempre no mês de Agosto”, conclui.

 

Quem pode doar sangue

Podem doar sangue todas as pessoas com bom estado de saúde, com hábitos de vida saudáveis, peso igual ou superior a 50 kg e idade compreendida entre os 18 e os 65 anos. Para uma primeira dádiva, o limite de idade é 60 anos.

A dádiva de sangue é benévola e não remunerada. A doação de sangue pode ser feita de quatro em quatro meses pelas mulheres e de três em três meses pelos homens.

 

Cuidados a ter na dádiva de sangue

Antes:

Deverá hidratar-se com líquidos como água ou chá no dia anterior e no próprio dia;

Deverá evitar grandes períodos de exposição solar;

Deverá tomar o pequeno-almoço se der sangue no período da manhã;

Se der sangue após o almoço deverá aguardar 3 horas para completar a digestão.

Após:

Deverá continuar a hidratação;

Deverá evitar grande períodos de exposição solar;

Deverá evitar exercícios físicos.

Uma unidade de sangue doada tem 450 ml. Esse é o volume que se pode colher sem prejudicar o dador. Se o dador tiver no mínimo 50kg de peso e 1,5m de altura então tem um volume total de sangue superior a 5litros. Em pouco mais de 10 minutos (tempo que leva uma doação de sangue) podemos perder 9% do volume total de sangue sem que nos sintamos mal. Os sacos de sangue têm anticoagulante suficiente para não deixar coagular 450ml de sangue, daí que seja este o volume mínimo que se pode colher. Não prejudica quem dá e só traz vantagens para quem recebe.

Em todos os hospitais do mundo, diariamente, são realizadas transfusões sanguíneas. Não existe sangue artificial, nem outra substância que possa substituí-lo; portanto, para que haja transfusão, é preciso que haja doação.

A doação de sangue é um acto voluntário de generosidade ainda pouco difundido na população. Estima-se que apenas 1 a cada 30 pessoas seja doadora, uma proporção muito pequena, ainda mais quando se sabe que 1 a cada 3 indivíduos, eventualmente, necessitará de uma transfusão de algum componente do sangue ao longo de sua vida.

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