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Rui Rio desconsiderou os Açores... e a candidata da Madeira

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Rui Rio não aceitou que o nome de Mota Amaral fosse em lugar elegível da lista do PSD ao parlamento Europeu.

Ofereceu o oitavo lugar, mas o PSD-Açores não aceitou.

Dos primeiros seis nomes da lista, os mais facilmente “elegíveis“, há dois estreantes (Lídia Pereira e Álvaro Amaro) e quatro repetentes em Bruxelas (Paulo Rangel, José Manuel Fernandes e Cláudia Monteiro Aguiar, actualmente eleitos, e Maria da Graça Carvalho, que regressa a Bruxelas).

Carlos Coelho, o eurodeputado mais antigo, está em sétimo lugar e em lugar que provavelmente já não será eleito.

Os Açores recusaram o oitavo lugar e, por isso, ficam de fora.

Rui Rio explicou que “com esta formulação da lista” o PSD consegue “albergar a região Norte, que é representada por José Manuel Fernandes, a região Sul, representada por Maria da Graça Carvalho, que é natural de Beja, a região Centro, representada por Álvaro Amaro, as Regiões Autónomas representadas por Cláudia Aguiar, a área metropolitana de Lisboa por Carlos Coelho, e uma novidade, Ana Miguel dos Santos que neste momento está a viver em Cambridge, onde está a fazer o doutoramento, é especialista em Segurança na óptica jurídica e são estes os oito primeiros, que são aqueles que têm mais possibilidades de ser eleitos”.

 

Gaudêncio bate com a porta

 

“Antes morrer livres, que em paz sujeitos”. 

A frase, que consta do brasão que representa a autonomia açoriana, foi proferida pelo Presidente do PSD/Açores antes do início do Conselho Nacional do PSD.

Alexandre Gaudêncio, que se fazia acompanhar por um grupo de dirigentes açorianos, acusou a direcção do PSD de dar um “papel de segunda” aos Açores ou dar-lhe apenas o oitavo lugar da lista.

O PSD/Açores retirou mesmo a indicação da lista e disse que as “consequências políticas” não se vão ficar por aqui. Embora ainda não tenha discutido a questão internamente, Alexandre Gaudêncio ameaçou: “Permitam-me dizer que uma das consequências é provavelmente não fazermos qualquer campanha política nos Açores”.

Alexandre Gaudêncio explicou que “infelizmente” o PSD/Açores não levou a melhor no braço-de-ferro com Rui Rio. Os açorianos tinham a  “legítima expectativa, desde que há tradição neste partido de Europeias, que os Açores tivessem a sua representação legítima.

O nome de Mota Amaral, lembrou Gaudêncio, foi indicado “de forma unânime, devido ao perfil e à personalidade que representa“, o que adensou a ideia de que o PSD/Açores teria “um lugar mais do que legítimo elegível pela direcção nacional do partido”. No entanto, na lista final, no entender da direcção regional, “os Açores são relegados para um papel de segunda”.

Ora, para Gaudêncio “os Açores têm um papel fundamental na construção da União Europeia” e lembrou que no seu cargo defende “primeiro os interesses dos Açores e só depois do partido”.

Assim, nunca poderiam aceitar o lugar que foi atribuído à Região Autónoma.

 

Rio desconsidera madeirense

 

Segundo o Observador, que relata com pormenores o que se passou no Conselho Nacional do PSD, Rui Rio leu os nomes dos candidatos e por cada um deles fazia uma referência ao currículo ou um elogio ao seu trabalho.

Conta o jornal que a sala apercebeu-se do desconforto da candidata madeirense por Rui Rio não ter feito qualquer referência ao currículo da candidata (acumula, por exemplo, experiência como deputada na Assembleia da República com a experiência de deputada europeia).

A eurodeputada acabou por não ficar até ao fim do Conselho Nacional.

“Cláudia Monteiro de Aguiar também já começou, num caso inédito, a ser condicionada pela direcção nacional. A Comissão Política deliberou que no seu gabinete tem de ter uma pessoa dos Açores para compensar a ausência de um açoriano dos lugares cimeiros da lista”, escreve o Observador.

 

Rangel vem aos Açores

 

Já no final do Conselho Nacional, o chefe da delegação do PSD em Bruxelas, Paulo Rangel, veio pôr água na fervura neste desconforto. 

Fez - tal como Rio tinha feito perante os conselheiros - uma análise detalhada aos primeiros 10 nomes da lista, mas enalteceu Cláudia Monteiro Aguiar na mesma linha dos outros candidatos.

Sobre os Açores, Rangel também fez de apaziguador, dizendo que é normal este tipo de atritos: “Há sempre algum calor em todos os Conselhos Nacionais em que há listas”, mas isso não apaga o essencial: “Há aqui uma forte unanimidade em volta da lista”. Já posteriormente, em declarações aos jornalistas, Rangel afirmou que virá aos Açores.